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A Revolução Sexual - 5

EUTANÁSIA: O fim lógico do Macaco

A ÚLTIMA CONSPIRAÇÃO

Esse macaco normalizado que os Grandes Sacerdotes da Ciência e do Progresso, deuses da nova religião totalitária, fabricam pouco a pouco, de maneira suave e lúdica, assemelha-se ao Homo Biologicus cuja elaboração Jean Rostand havia previsto. O biólogo, triste mas irônico, fazia falar esse artefato:

"Nasci de uma semente selecionada e irradiada por nêutrons; escolheram meu sexo; fui gestado por uma mãe que não era a minha; durante meu desenvolvimento, recebi injeções de hormônios e de A.D.N.; beneficiei-me de um tratamento superativo do córtex; depois de meu nascimento, alguns enxertos de tecido vieram favorecer minha evolução intelectual e, ainda agora, a cada ano, submeto-me a uma cura de manutenção para manter meu espírito em boa forma e meus instintos no tônus ótimo. Não tenho motivo para estar descontente com meu corpo, nem com meu sexo, nem com minha vida, MAS, QUEM SOU EU?"

Jean Rostand negara-se o direito de continuar certas experiências em animais e escandalizava-se com a ideia de que o embrião humano pudesse um dia ser objeto delas. Não imaginara o pior.

A união daqueles que o Prof. J. Lejeune designa como "os novos doutores das novas leis da vida... (que) amputaram deliberadamente a realidade que observam... deixando na sombra certos fatos concretos cientificamente estabelecidos por medo de que a luz mostre o caminho..." com um poder gnóstico, materialista e libertário, com o objetivo de destruir a natureza do Homem, levou quase a termo a fabricação de sua contrafação humana, que não se colocará, em nenhum momento de sua existência, a questão essencial "Quem sou eu?"

Animal dócil, estupidamente feliz, "espantosamente bem castrado", escrevia Saint-Exupéry, submetido desde o berço a uma trituração em profundidade pela educação republicana, acabará por perder até o instinto de conservação.

"Delírio de transformação da natureza, o sistema social fará de nós seres novos, prontos a nos imolarmos desde que já não sejamos úteis, mas custemos à coletividade", anunciava a Sra. Suzanne Labin, depois de ler o livro "O Futuro da Vida", obra do muito próximo conselheiro e amigo do Sr. Mitterrand, Jacques Attali.

A INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA VIDA

Assim como o aborto, dito I.V.G., legalizado e reembolsado, elimina a gravidez-acidente do percurso sexual, o assassinato suave, dito I.V.V., fará desaparecer os acidentados do percurso existencial, os recém-nascidos indesejados, todos os doentes, acidentados, deficientes e idosos julgados traumatizantes, perturbadores, incômodos, irrecuperáveis, improdutivos, inúteis e dilapidadores, por sua sobrevivência, das finanças necessárias à manutenção e ao divertimento dos "trabalhadores".

PRECISÕES EM FORMA DE DEFINIÇÕES.

É possível distinguir duas formas de eutanásia, a ativa e a passiva.

EUTANÁSIA ATIVA. É o ato voluntário pelo qual se põe fim, suavemente, à vida de indivíduos deficientes, de doentes e feridos incuráveis, de idosos..., seja para lhes evitar prosseguir uma existência julgada, pelos outros, sem interesse, seja para lhes poupar os sofrimentos inerentes ao seu estado, seja para lhes evitar as dores da agonia.

Aplica-se igualmente a pessoas frequentemente atingidas em sua integridade física, mas que recusam, em nome de uma falsa e orgulhosa concepção da dignidade humana, qualquer diminuição visível de seu aspecto e/ou de suas atividades.

O ato é cometido com a intenção primeira de fazer morrer a pessoa visada... É um assassinato ou um suicídio, podendo este ser facilitado por um terceiro.

Não há eutanásia quando a morte sobrevém em seguida a uma decisão dos médicos e cirurgiões de não se obstinarem terapeuticamente num paciente cujo estado não apresenta há muito tempo nenhuma melhora; da suspensão dos meios modernos de reanimação nos casos de coma profundo ou ultrapassado, sob certas condições; do uso maciço de substâncias analgésicas destinadas a atenuar os sofrimentos do paciente na fase final de sua afecção.

EUTANÁSIA PASSIVA.

É a ausência de ato visando diretamente o indivíduo. Há intenção primeira de deixar morrer o indivíduo, mas abstendo-se de lhe prestar os cuidados necessários à sua sobrevivência ou à sua cura.

Era, e sem dúvida ainda é, muito praticada nos serviços hospitalares de obstetrícia e de pediatria. O Prof. Michel Salomon, que foi o primeiro responsável pelo Serviço de Pediatria do Hospital da Timone, em Marselha, reconheceu-o com tristeza e lutou com energia contra essa prática.

Soube perceber-lhe as principais motivações, aplicáveis também à eutanásia ativa e, em parte, na maioria das vezes, ao aborto: piedade, cansaço, repugnância... desejo de salvaguardar o futuro dos irmãos e irmãs, medo pânico, receio da desonra, egoísmo, orgulho... avareza etc.

Sob o pretexto dos Direitos do Homem... sem Deus, essas pobres razões tornaram-se argumentos para os partidários da eutanásia em sua campanha para obter a legalização ou a descriminalização do procedimento.

MANOBRAS E PROPAGANDA

Para fazer a opinião pública aceitar a ideia, só se fala de Interrupção Voluntária da Vida (I.V.V.), sendo o termo voluntária particularmente tranquilizador para a grande maioria da população, que está com boa saúde.

Além disso, a eutanásia só seria aplicada aos indivíduos que a tivessem solicitado explicitamente, seja quando estavam em plena forma, seja no curso da evolução patológica de seu estado físico, psíquico ou intelectual.

Infelizmente, a decisão "voluntária", afora o suicídio franco, é e será cada vez mais obra do médico, do enfermeiro, dos pais, do amigo... ou mesmo do representante do Estado por intermédio da Seguridade Social, pois são os outros que pouco a pouco são investidos do direito de julgar o valor e/ou a utilidade da vida do indivíduo em questão, e isso segundo os critérios já mencionados aqui.

Desenvolve-se uma verdadeira estratégia para fazer a eutanásia entrar nos costumes e depois na lei.

NO PLANO MUNDIAL.

A ofensiva é conduzida pelos mesmos grupos que souberam impor à grande maioria dos Estados ditos Cristãos a liberdade sexual, a contracepção, o aborto etc.

As recomendações desses organismos inspiram-se nas diretrizes do Clube de Roma, correia de transmissão do Massachusetts Institute of Technology (M.I.T.). O tenor europeu, o holandês Sico Mansholt, foi vice-presidente da Comissão das Comunidades Europeias.

Com poucas exceções, os Prêmios Nobel constituem os cérebros pensantes de todas essas organizações. São os Doutores da nova religião...! Assim, o Prof. Minkowski, a seção francesa do Planejamento Familiar, médicos e políticos engajaram-se há muito tempo nessa luta, com o apoio multiplicador da mídia.

Eis os pontos fortes da campanha:

  1. Em maio, realiza-se em Grenoble o que parece ter sido o primeiro Congresso dos Médicos pela Eutanásia.

  2. Em novembro, um seminário reúne no Instituto Pasteur de Paris médicos e juristas. Os participantes declaram-se prontos a fazer morrer as crianças anormais e os idosos por puro altruísmo.

  3. O suicídio do orgulhoso Henry de Montherlant induz uma campanha de imprensa em favor do "direito de morrer com dignidade".

No fim do ano, o Dr. Peyret, deputado de Vienne, declara-se próximo dos conceitos eugenistas do movimento G.R.E.C.E. (Groupe de Recherche et d'Études pour la Civilisation Européenne), dentre os quais a eliminação dos deficientes, dos inúteis, dos pesos mortos (escória e borra da sociedade). O bom doutor será o relator da lei Veil que instaura o massacre dos inocentes.

  1. A mídia faz amplo e favorável eco à declaração do Prof. Louis Rougier, doutrinador da Nova Direita (GRECE), proclamando que "o direito ao eugenismo e à eutanásia estará entre as grandes conquistas do futuro".

No mesmo ano realiza-se na Sorbonne um colóquio mundial sobre os novos poderes e os novos deveres da Ciência. Está na origem da constituição, pelo Estado, de um Conselho Nacional de Ética.

Eugène Ionesco assinala em "Le Monde" de 19 de outubro seguinte que, na realidade, nesse colóquio "tratava-se do direito dos médicos e dos biólogos de dispor da vida e da morte das pessoas... por razões biológicas, eugênicas... e até por considerações morais e sociais", deixando ao médico, e somente a ele, o poder de apreciar "a chance de sobrevivência e a qualidade da Vida que ele pretende prolongar ou abreviar".

No mesmo jornal, a Sra. Simone Veil concedia esse direito aos médicos: "Prolongar uma vida que já não é uma vida é talvez fazer humanismo às avessas".

  1. Nova campanha da mídia por ocasião da publicação do livro-confissão do cirurgião escocês George P. Nair, que reconhecia ter praticado a eutanásia ativa. Realizou-se um debate televisionado.

O mesmo ocorre na Grã-Bretanha, com a participação da Presidente da Voluntary Euthanasia Society.

A decisão da Igreja Anglicana, admitindo que "certas formas de supressão da vida, quando destinadas a abreviar sofrimentos, são moralmente justificadas", recebe ampla difusão.

Na Suíça, a suspensão do Prof. Hammerli, de Zurique, por prática de eutanásia ativa, provoca o protesto do Corpo médico. Uma pesquisa popular, consecutiva ao acontecimento, dá 60% de opiniões favoráveis a tal prática.

  1. Radical de esquerda e F.M. influente, o Senador Caillavet apresenta um projeto de lei pedindo a legalização de certas formas de eutanásia.

Prevenindo os franceses do objetivo último de sua iniciativa, que não vingou, escreve no jornal médico "Tonus", de 4 de maio: "não se trata de eutanásia, trata-se da liberdade de sua morte... Essa etapa é necessária; mais tarde, dentro de dez anos, de quinze anos, 'SE' poderá fazer alguma coisa".

As reações da mídia foram favoráveis. O "Nouvel Observateur" de 3 de julho aprova a proposta a pretexto de recusar a decadência humana.

Lucien Neuwirth, pai da contracepção na França, proclama que a qualidade da morte é componente importante da qualidade da vida.

O GRECE e sua revista "Nouvelle École" são partidários dela com o fim de proteger a saúde das gerações futuras.

  1. Num artigo publicado no N.º 29 do Boletim Internacional de Gerontologia, a Srta. Nicole Schwartz faz uma constatação definitiva:

"Pouco importam as negativas indignadas, a ideia foi lançada... Todo o problema é saber doravante que formas particulares tomarão as leis sobre a eutanásia."

"Grosso modo, 'SE' podem conceber três hipóteses, conforme a eutanásia... seja deixada à só escolha individual, passe a controle médico..., passe a controle estatal.

"Mas, qualquer que seja a hipótese adotada... o ponto a reter (é) que a morte do indivíduo se torna completamente socializada."

Essa especialista traduz bem a vontade da intelligentsia francesa. Durante a elaboração definitiva da lei IVG–Veil/Pelletier–Roudy, isto é, de 1974 a 1982, essa reivindicação é posta de lado para não atrapalhar a radicalização do aborto, parte importante do programa.

  1. Publicação de uma obra intitulada "Suicídio, modo de usar", que fornece todas as informações teóricas e práticas ao leitor desejoso de pôr fim aos seus dias ou de ajudar um eventual candidato. A mídia lhe faz bela publicidade.

Famílias cujo membro seguira as instruções do livro processam judicialmente os autores.

  1. A emoção toma conta de certo número de deputados. Em junho, uma proposta de lei, adotada pelo Senado, pede que "a incitação e a ajuda ao suicídio sejam reprimidas".

O Ministro da Justiça, Robert Badinter, digno filho de 1789, recusa submetê-la ao veredito da Assembleia, julgando o projeto precipitado e liberticida.

Fundação da Associação pelo Direito de Morrer com Dignidade (A.D.M.D.). Reúne atualmente pelo menos dez mil membros. Dá-se como vocação oficial "reunir todas as pessoas de mesma convicção para promover o direito legal e social de dispor livremente de sua pessoa, de seu corpo e de sua vida..., de escolher livre e legalmente o momento de terminar sua vida e o meio de consegui-lo".

Os membros portam um "Testamento biológico", dito "Declaração pelo direito de morrer dignamente", sem nenhum valor jurídico até hoje.

A Associação distribui um folheto de quarenta páginas intitulado "Autolibertação", cujas três quartas partes do preço de venda alimentam um fundo destinado a financiar, em caso de processos movidos pelos familiares de um "libertado", a defesa e as custas judiciais. O folheto apresenta "os meios acessíveis, tão seguros quanto possível, sem sofrimento e sem violência física ou mental", para dar-se a morte e fornece todas as informações úteis.

  1. O Congresso mundial pela eutanásia, organizado pela ADMD, realiza-se em Nice, de 20 a 23 de setembro, sobre o tema "Viver sua vida, viver sua morte". Participam dos debates oitocentas pessoas vindas de vinte e sete países.

Para multiplicar o impacto político-psicológico do congresso, repetiu-se o "golpe" do Manifesto.

Já em abril de 1974, o Prêmio Nobel Monod, hoje livre da existência, e Sicco Mansholt haviam-se associado ruidosamente a um manifesto publicado nos E.U.A. pela influente "Humanist Society", adepta do eugenismo.

Da mesma forma, às vésperas do Congresso, estampa-se em "Le Monde" um texto assinado por cinco médicos que reconhecem ter "libertado vários doentes".

Paralelamente, o semanário "Tonus", já citado, publica uma pesquisa realizada pelo Institut Indice Médical, segundo a qual 81% dos clínicos gerais praticam eutanásia em doentes terminais.

  1. A Associação pela Prevenção da Infância Deficiente (A.P.E.H.) envia a parlamentares um texto que deseja ver transformado em projeto de lei: "Um médico não cometerá crime nem delito ao abster-se de administrar a uma criança de menos de três dias os cuidados necessários à sua vida, quando essa criança apresentar uma enfermidade incurável e tal que 'SE' preveja que jamais poderá ter uma vida digna de ser vivida".

Mais dura que o Dr. Crick, essa associação encontrou assim uma solução tanto mais eficaz porque esse "SE", médico, ginecologista, obstetra ou pediatra, informaria sozinho os pais e teria todas as facilidades para influenciá-los... ou mesmo para antecipar-se...

H. Caillavet, Presidente de Honra da Associação, achou simplesmente que o pedido era prematuro.

Para acalmar a emoção do bom povo, o Secretário de Estado dos Direitos do Homem sem Deus, Sr. Malhuret, e a Ministra da Saúde, Sra. Barzach, rejeitaram a proposta aos gritos.

Ela é, contudo, de uma lógica irrefutável para os partidários de uma bioética que abandona os mais deserdados e os mais fracos de seus pacientes. O Dr. Claude Sureau, membro da Academia de Ciências, sublinhou-o ao observar que o fundo do projeto está "inteiramente incluído na lei sobre a I.V.G. Se um direito de vida e de morte sem apelação é reconhecido à mãe até 12 semanas (mesmo 20 semanas), é incoerente recusar-lho mais tarde e até no período neonatal".

Os critérios de "desejabilidade" e de "acolhimento", legalizados pela lei Veil–Roudy, tornar-se-ão, com o de "dignidade da vida", aplicado por terceiros — mãe, cônjuge, parentes próximos, membros do Corpo médico e paramédico — a um ser a quem sua situação veda todo direito de defesa, os motivos de uma execução isenta de qualquer responsabilidade penal e civil para seu autor.

Em 21 de outubro, um programa de televisão dirigido pelo Sr. Jean-Marie Cavada, no A2, seguido no dia seguinte de um programa de telefone no France Inter, deu destaque ao cancerologista Roger Schwarzenberg, praticante e zeloso partidário da despenalização/legislação da eutanásia.

Não contente em reafirmar o direito de cada homem doente, acidentado ou psicologicamente decidido de dispor de sua vida, por ser o único capaz de aferir o sofrimento sentido e invocado como motivo da decisão, não estando o médico ali senão para assisti-lo, o discípulo da Sinagoga apressou-se em estigmatizar a religião católica, única barreira erguida diante dessa evolução que ele considera benéfica para o homem.

Pôs muito habilmente em dúvida a existência da Misericórdia de Deus e negou o valor redentor do sofrimento, que considera totalmente inútil.

Em novembro, a A.D.M.D. mandou realizar pela SOFRES uma pesquisa para avaliar o estado de espírito dos franceses diante da eutanásia.

O Presidente da Associação congratulou-se com os resultados obtidos: 85% dos "pesquisados", a priori com boa saúde, desejam que os doentes incuráveis, afligidos por sofrimentos insuportáveis, sejam "ajudados a morrer". 76% pedem, nesse sentido, uma modificação do Código Penal.

  1. Em 3 de maio, um Tribunal do Júri pronunciou a absolvição de um pai de família que havia suprimido seu segundo filho "mongoloide" pouco depois do nascimento. O Procurador, por sua vez, havia pedido uma condenação leve: dois anos de prisão com sursis!

O pai, para fazer admitir o fundamento de seu gesto, invocou seu desejo de ter uma família "bela", de evitar ao irmão fisicamente normal, à esposa e a si mesmo as dificuldades de toda sorte que acarreta a presença no lar de um "deficiente"...

Os jurados o acompanharam. A absolvição assina sua aprovação a esse ato de "prevenção social"!!!

Que desfeita, que injúria são assim desferidas a todos os pais que aceitaram, amaram cada dia mais uma criança deficiente!

A sentença fará sem dúvida jurisprudência. A sorte dos próximos recém-nascidos, os que tiverem escapado ao diagnóstico in utero e à aspiração consecutiva, sejam eles portadores de mongolismo ou de outras doenças e malformações, parece claramente traçada.

É um bom ponto em favor da ética moderna proposta pelo Prof. Jean Bernard, pelos "Sábios" do C.N.E. e pelo Conselho de Estado, como "meio de enquadrar e regular uma sociedade animal na situação concreta atual"... a cada situação, sua ética! Esse modo de pensar será melhor analisado adiante, mas convém observar que segue fielmente o pensamento de Karl Marx:

"Não deixar o real, isto é, a experiência humano-natural. Toda tentativa de escapar dele em direção a um transcendente qualquer, fosse ele apenas moral, não é senão uma expressão ilusória da alienação de meu ser".

Jurisprudência, ética que ratifica os fatos, arbitragem utilitarista da Seguridade Social... vão repartir os indivíduos em três categorias: os "úteis", tomados a cargo; os que poderão arcar por si mesmos, ou graças a um terceiro, com as despesas; e os demais, condenados à rejeição e à eutanásia.

Um organograma possível Indivíduo nem consentente, nem avisado.

– Homem em devir. Em suas propostas de lei, o Conselho de Estado, reduzindo a criança ao estado de "projeto parental de seus pais", entrega-a indefesa ao bel-prazer de seus genitores... ao bel-prazer dos conselheiros médicos.

Embriões oficialmente mortos no 14.º dia de sua cultura in vitro ou ao fim do quinto ano de sua conservação por congelamento... mas, dada a evolução ética, amanhã entregues à experimentação.

Fetos mortos antes do fim da vigésima semana... e utilizados.

Recém-nascidos de menos de dois dias, juridicamente inexistentes, recusados pela genitora e pela sociedade, dando a incurabilidade de sua afecção e/ou a assistência permanente necessária à sua sobrevivência um balanço financeiro negativo demais. Poderão ser utilizados.

– Homem cidadão. Doentes incuráveis. A eutanásia oficializada. A prática progride depressa. Há alguns anos, constata uma enfermeira em testemunho relatado pela revista "Permanences", em seu serviço de cancerologia de um hospital parisiense, a eutanásia "aumenta em quantidade... procura honorabilizar-se e, sobretudo, organizar-se socialmente... Em dois anos... vinte e um doentes foram 'picados'... receberam uma perfusão de um coquetel lítico... A ordem de 'picar' sobrevém, em geral, num momento em que o doente ainda está bastante ativo... O único motivo dessa prática é a incurabilidade com morte provável a curto ou médio prazo... O Chefe de Serviço responsável é um homem afável, muito dedicado."

Recusando-se a aplicar esse tipo de prescrição apesar das pressões da autoridade médica, que ameaçava demitir os recalcitrantes, constata que o método foi facilmente admitido.

Ela demonstrou o processo: "Pensa-se aqui na palavra de Pascal dizendo ao descrente: 'Toma água benta'. A prática concreta sempre tem valor de iniciação. Do mesmo modo, no hospital, nenhum debate sobre o fundo, nenhum exame de consciência. Simplesmente, é pela prática — prescrição do coquetel preto no branco e do modo mais natural do mundo — que 'SE' introduziu nas consciências todo um processo mental que, em claro, significa bem: uma vez que a vida já não oferece chance 'temporal', uma vez que está privada de toda satisfação física, a vida humana já não tem sentido".

Acidentados inconscientes. Declarados mortos por aparelhos de medição insuficientes, os mais jovens são reclamados, em nome da solidariedade, pelos cirurgiões para obtenção de órgãos a transplantar.

Num futuro próximo, o mesmo destino será, com toda lógica utilitarista, reservado aos acidentados gravemente atingidos demais. A impossibilidade de lhes dar uma vida "normal", o custo dos tratamentos, das próteses e da assistência eventual determinarão a decisão.

Idosos. Os cuidados e as operações caros demais lhes serão recusados a partir de certa idade pela Seguridade Social. Assim, na Inglaterra, a diálise renal já não é reembolsada a partir do octogésimo aniversário.

As pessoas idosas deverão, portanto, encontrar por si mesmas ou junto às famílias os fundos necessários ao pagamento dos cuidados. Do contrário, será, no mínimo, a eutanásia passiva.

As pessoas idosas hospitalizadas continuamente ou atendidas em domicílio e que não necessitam de nenhum cuidado dito pesado já devem arcar por si mesmas com parte das despesas. A S.S., a Caixa de Aposentadoria, uma Mútua, um seguro privado não conseguem pagar a totalidade das despesas para grande parte dessas pessoas. É o cônjuge e/ou os descendentes que são obrigados a pagar. Em caso de cuidados intensivos, de intervenções cirúrgicas autorizadas... quem poderá arcar com a despesa? Inúteis e inutilizáveis, serão eliminadas.

Indivíduo consentente,

– que pede a intervenção. Portanto avisado, mas podendo não conhecer o momento exato da realização de seu projeto.

Na Holanda e na Dinamarca existem clínicas privadas e Serviços hospitalares especializados nesse trabalho. É uma contribuição eficaz para a manutenção da tranquilidade coletiva e para a realização de economias substanciais.

Os interessados — doentes incuráveis, pessoas que se recusam a suportar as enfermidades devidas à idade avançada, desesperados — querem morrer com "dignidade". O tempo de reflexão lhes é concedido.

A A.D.M.D. abriu em 1984 "uma casa médica para receber as pessoas em fase terminal, em fim de percurso". Na época, o Presidente, Sr. Chauvet, assegurava que o ambiente ali seria familiar.

– que age por si mesmo, com ou sem ajuda de outrem.

Um pequeno sobressalto dos políticos fez votar, cinco anos após a publicação do livro "Suicídio, modo de usar", uma lei datada de 31 de dezembro de 1987.

Destinava-se a reprimir o elogio do suicídio e a condenar a penas pesadas "aqueles que tiverem feito propaganda ou publicidade... em favor dos meios de se dar a morte". Sua eficácia deve ter sido mínima, pois a eutanásia é praticada por baixo do pano!

As eleições de 1988 vieram abafar essa tentativa de interferência na liberdade individual.

Em junho do mesmo ano, editoras manifestaram seu senso agudo da história...

Uma publicou um Caderno intitulado "Montherlant e o Suicídio", outra o livro de Gabriel Matzneff "O Desafio", em que se reproduz seu ensaio sobre "o Suicídio entre os Romanos".

Esse texto, publicado em vida de Montherlant, a quem o autor apresenta como "Mestre de vida... e Mestre de morte", deveria, segundo o desejo do Acadêmico, ter por título "A Arte de suicidar-se em dez lições". Não houve nenhuma reação...

Os Estados do norte da Europa, frequentemente tomados como modelo, mostram o caminho. Os candidatos ao suicídio são acolhidos em Estabelecimentos especializados para evitar que seu desejo, executado inconsideradamente, lese o bem público.

PROBLEMAS DE CONSCIÊNCIA

Na esteira de numerosos médicos e biotécnicos, os primeiros a serem submetidos ao questionamento de suas consciências na busca da conduta a adotar diante das novas concepções da medicina, um número importante de intelectuais e de homens políticos confessa sua perturbação e seus escrúpulos.

Alguns percebem com nitidez a direção tomada por esses "progressos": desrespeito e dessacralização dos corpos, sua utilização normalizada, esquecimento e negação de uma concepção exata da Pessoa humana... e, no limite extremo, "fabricação" de outra coisa que não o Homem. Reclamam uma lei que proíba certas práticas e pesquisas.

Outros se assustam sobretudo com a velocidade e a amplitude do fenômeno, sem reprovar nenhum aspecto seu. Temem que a opinião pública não consiga acompanhar e, portanto, aceitar suas realizações e propostas. Desejam o estabelecimento de freios ou barreiras legais, passíveis de serem afrouxados ou levantados à medida da evolução psicológica dos franceses.

Muitos, entre os quais cientistas muito ouvidos, não se fazem pergunta alguma e querem sempre ir mais adiante. Solicitam a liberalização, ou mesmo a despenalização, de suas obras.

Por fim, entre o público, isto é, o conjunto dos que sofrerão as novas técnicas, uma maioria sente profunda inquietação. Uma parte espera encontrar proteção contra esses métodos numa lei civil... que dará boa consciência, como as leis anteriores, a todos.

EM BUSCA DE ÉTICA

Várias pessoas interessadas, principalmente cientistas, intelectuais e representantes de todas as religiões ou "correntes de pensamento", reuniram-se, portanto, aqui e ali, seja por iniciativa própria, seja a convite do poder, a fim de "iniciar um diálogo com sua consciência em busca de uma conduta que respeite o melhor possível a ideia que fazem da pessoa humana e de sua dignidade".

Certos de ter um conhecimento justo dos fatos considerados, julgando-se intelectualmente capazes de encontrar em si mesmos os elementos razoáveis que induzam decisões tão justas quanto possível no estado atual da Ciência, os "SÁBIOS" puseram-se a trabalhar.

Por fim, o Poder, que até então se escondia atrás das recomendações de seu C.N.E. e de outros cientistas para evitar tomar uma decisão formal, decidiu resolver.

Depois de ter suscitado a redação de um relatório por uma comissão do Conselho de Estado, presidida pelo Sr. Guy Braibant, aliás autor de um projeto de lei sobre o assunto, o Primeiro-Ministro acaba de confiar, em março de 1991, à Sra. Noëlle Lenoir, Mestre de Requerimentos do referido Conselho, "uma missão para o DIREITO da Bioética e das Ciências da Vida". Perguntando-se se deve impor salvaguardas à deriva dessa parte da Medicina, espera dessa missão o estabelecimento de um esboço legislativo.

O MÉTODO INTELECTUAL DOS SÁBIOS

Que método de raciocínio emprega o trabalho de reflexão de todos esses grupos? Não há dúvida de que, desde as cogitações publicadas no relatório "Horizonte 85", uma filosofia particular estende seu domínio sobre os homens e a condução dos debates. Como discernir-lhe o teor?

A filosofia Moderna. A obra do Sr. Jean Madiran "A Heresia do Século XX", publicada em 1968, traz todas as respostas. Dela são tomados todos os elementos necessários para compreender o mecanismo da manipulação intelectual que arrasta os participantes e, mais precisamente, os cristãos, os católicos de todos os escalões, no movimento para a frente, na mutação permanente, longe das bases da tradição filosófica natural ensinadas pelo Doutor Comum.

O Episcopado francês, em sua resposta a uma carta da Santa Sé, datada de 17 de dezembro de 1966, admitia essa evolução: "a aceitação das palavras natureza e pessoa é hoje diferente, para um espírito filosófico, do que era no século V ou no tomismo".

Essa rejeição de São Tomás assina "a aquisição do reflexo intelectual fundamental da filosofia moderna, que apareceu na história com o kantismo". Antes dele, as divergências entre os diversos pensamentos filosóficos davam simplesmente lugar a discussões sobre seu valor, sua justeza...

"Depois de Kant, as filosofias anteriores já não são criticadas enquanto falsas... mas enquanto pensamentos que já não podem ser levados em consideração por um 'espírito filosófico'".

"Um pensamento 'aquém' do kantismo, e a esse título a metafísica inteira, era declarado doravante impensável".

"Os filósofos posteriores a Kant... que permaneceram fora do problema crítico só têm um pensamento infantil e uma infrafilosofia". Devem ser desdenhados.

Todos os outros tornaram-se os filósofos modernos, as autoridades morais atuais, "geminando-se com as categorias semelhantes do pensamento científico e com o mito do progresso indefinido".

Em outras palavras, consideram o aparecimento das teorias de Descartes, de Kant, de Hegel, de Marx e de Teilhard como uma descoberta científica que não pode ser ignorada ou eludida depois.

Depois dela, já não se pode pensar da mesma maneira, exatamente como o cientista. Não se "pode pensar 'depois' da descoberta da pressão atmosférica, da circulação do sangue (dos micróbios ou do A.D.N.) como se pensava antes". Esse método, perfeito para a Ciência, foi voluntariamente aplicado ao pensamento filosófico. Assim, pôde-se fazer definitivamente "admitir que um PROBLEMA (o problema crítico segundo Kant) ou um MÉTODO (o cogito de Descartes, a dialética segundo Hegel ou Marx) se impõe a partir de certo momento como sendo doravante 'A' condição prévia e constitutiva de 'O' pensamento... e, portanto, fulmina de nulidade todas as reflexões que permanecem exteriores ao MÉTODO ou ao PROBLEMA...", e rejeitar "ao nada os filósofos que, depois de Descartes, Kant, Marx, se atêm, contudo, às noções de natureza e de pessoa tais como eram no século V ou em São Tomás".

Por fim, "a colocação do problema comanda a solução".

Todos os participantes, inclusive os cristãos, dos diversos conselhos, comissões e mesas-redondas para "pensar" a ética moderna, deixam-se impor "pelos partidários do pensamento moderno... seus problemas tais como ele os enuncia e seu método tal como o concebeu. Pois seus problemas, tais como os enuncia, já contêm toda a originalidade essencial de seu olhar sobre o mundo; e seu método, tal como o concebeu, já contém toda a originalidade essencial a respeito do mundo tal como o vê".

A grande maioria dos Sábios se deixa lograr pela "problemática". Ao problema posto, são intimados a trazer respostas sob pena de não serem "positivos" ou "construtivos".

E como "o ponto de vista dos (partidários do pensamento moderno) é um sistema conceitual intrinsecamente antinatural, colocando-se no ponto de vista deles e adotando suas noções, chega-se a perder a si mesmo essa verdade dos dogmas que se queria manifestar-lhes..."

CONTRA A TRADIÇÃO CATÓLICA

Assim educados, os SÁBIOS estabelecem-se "na aseidade e na autonomia" para admitir que "o direito natural é a expressão da consciência coletiva da humanidade (proposição N.º 7 de Mons. de Metz, em IV.1968)", cujo corolário inevitável é: "não existe lei (moral) natural objetiva, promulgada por Deus e inscrita na natureza do Homem".

É a recusa de obediência à Igreja de N.S. Jesus Cristo, única depositária e guardiã dessa lei moral, dada de novo aos Homens primeiro pelo Decálogo de Moisés, depois pela lei evangélica revelada por seu fundador... e, por isso, única opositora à desnaturação do Homem pela revolução sexual.

Essa atitude pode ser ilustrada de duas maneiras. Primeiro, verificando o pensamento dos iniciadores e dos proselitistas da liberalização dos costumes; depois, constatando o que se tornaram os católicos reciclados.

Uma opinião característica. A emitida pela Sra. Françoise Giroud, nas ondas da Rádio belga, em 15 de dezembro de 1974: "O que me incomoda um pouco é que se possa confundir a religião e a moral... Quando me aborrecem com a moral, fico nervosa, porque não acho de modo algum que a encarnação, ou a ideia que se faz, em particular na religião cristã, do Cristo, tenha qualquer relação com a moral. A moral são regras de ação adaptadas a uma sociedade".

Os Novos Católicos. Suas ideias são muito mais perigosas, pois permanecem no interior da Igreja, dão a impressão de falar em seu nome e trabalham para fazê-la mudar.

É na entrevista do Sr. Georges Minois, publicada em "L'Express" de 31 de janeiro de 1991, que se colhe esta parte de sua doutrina. Esse especialista em história das mentalidades, autor de "A Igreja e a Ciência, história de um mal-entendido", defensor de Darwin, Descartes, Freud e Teilhard..., designa de saída o inimigo: "A oposição católica aos progressos da Ciência desloca-se para o lado da moral... onde sustenta posições de outra era."

Certamente "a religião católica repousa sobre um corpus de dogmas extremamente estruturado, uma quantidade de Verdades eternas e intocáveis".

Astuto, amalgama essas Verdades às da Ciência, já aferidas aqui, citando outros católicos: "Teólogos isolados... na ponta da contestação da Instituição... querendo dizer, como os cientistas... a Verdade não é um tesouro que se procura descobrir, mas algo que está em vias de se construir. Não há uma verdade objetiva e definitiva, mas um conjunto de conhecimentos que se reúnem progressivamente. Para eles, o próprio Deus evolui na Humanidade inteira".

Donde conclui que a Igreja está diante de um dilema:

"Ser condenada a desaparecer ou sobreviver adotando uma posição totalmente diferente, notadamente a respeito dos pesquisadores".

Quanto ao Papa e a suas declarações no campo da moral, "não é certo que seja realmente ouvido pelos fiéis, que agem cada vez mais frequentemente segundo suas convicções pessoais em vez de conformar-se cegamente ao dogma."

Deseja que seu trabalho ajude "a construção de uma Igreja um pouco diferente, na qual a Hierarquia pese menos".

Voto assim explicitado: "É muito provável que a instituição católica continue a perder peso em proveito de uma crença que se desejaria comum a todas as religiões... O que vai restar é sem dúvida um mínimo, uma fé reduzida a alguns artigos muito simples, ao mesmo tempo que a intuição de um princípio fundamental, de uma força organizada em ação no cosmos."

O Sr. Minois e seus semelhantes trabalham pela dissolução da única religião revelada num sincretismo irrisório, mas cúmplice zeloso da mutação do Homem.

Graças às obras do Sr. Etienne Couvert, é fácil compreender exatamente o que se esconde por trás das noções de crença comum e de força organizada:

"A crença comum" manifesta-se na Igreja pelo ecumenismo: "organização do vazio glacial da liturgia católica para dela afastar os últimos fiéis..., desprezo das devoções populares (procissões, bênçãos do Santíssimo Sacramento, veneração das relíquias etc.), nudez das igrejas, vulgaridade das formas litúrgicas... Desenvolvimento de toda uma para-liturgia em comunidades religiosas informais onde os fiéis encontram o desabrochar de sua sensibilidade religiosa, a exaltação de sua necessidade de Deus por meio de formas aberrantes, simulando uma 'presença real' ilusória, à margem da validade de todos os sacramentos..."

"A força organizada em ação no cosmos" é a "da Serpente, chamada pelos Grandes Iniciados da Franco-Maçonaria a desembaraçar o caos de um mundo mal feito por um demiurgo desajeitado, para reconstruí-lo segundo um plano perfeito, o do grande Templo da Humanidade, e assim chegaremos a realizar a última palavra do Progresso, o Homem, sacerdote e rei de si mesmo, que só dependerá de sua vontade e de sua consciência".

Está tudo entendido!

Preocupando-se muito pouco em cometer de novo o pecado de Adão, pessoal ou coletivamente, os "SÁBIOS", hierarquias designadas da Ética moderna, estão a trabalhar para codificar as iniciativas da imaginação médica e, talvez, impô-las a todos!

É interessante buscar em suas próprias palavras como concebem e orientam sua missão.

– A ÉTICA IMAGINADA (ou Regras internas dos Biotécnicos da mutação humana).

Definição. Interrogada no Figaro de 23 de março de 1991, a Sra. N. Lenoir coloca o problema: "Em todas as sociedades avançadas onde não há ideologia dominante, religião que se confunda com o Estado, a ética emergiu e responde a uma necessidade essencial do público diante dos avanços da Ciência..."

"A ética não deve ser uma chapa de chumbo sobre a sociedade. Não é uma ordem moral, mas o meio de todos se expressarem. Seu objetivo é a preservação da pessoa humana como valor inestimável em si". É lógico pensar que, por "pessoa humana", a Sra. Lenoir pensa exclusivamente no homem físico.

Como essa encarregada de missão participou dos trabalhos da Comissão do Conselho de Estado, trabalhos conduzidos "num espírito de tolerância (e) reunindo diferentes correntes de pensamento, médicos, cientistas, juristas", é justo tomar emprestada ao relatório sua definição de ética.

"Segundo o Presidente do C.N.E., Prof. J. Bernard, o 'termo ética tem duas etimologias: a primeira, ITHOS, que significa o porte da alma: o estilo do Homem, e a segunda, ETHOS, que designa o conjunto das normas — hábitos comuns — nascidas do respeito da medida.

"A Ética é a CIÊNCIA que leva em consideração o ithos e o ethos. É a garantia da harmonia que resulta do bom porte de toda coisa, de todo ato, do acordo, em suma, 'entre a alma e o ambiente'. Supõe uma ação racional. É própria do Homem".

De origem recente. O Conselho de Estado revela a impregnação mundialista da ideia de Ética, bem como as principais etapas de sua elaboração.

A Ética "nasceu da contestação da consciência médica por certos fatos da história ocidental, os crimes contra a Humanidade durante a II Guerra mundial".

Encontra suas bases "no Código de Nuremberg de 1947, nas Declarações de Helsinque de 1964 e de 1973 e, desde a reunião de Manila em 1981, nas Diretrizes propostas pelo Conselho das Organizações Internacionais das Ciências Médicas, da O.M.S. e do Conselho da Europa".

Condição de uma boa ética. A lei ou a ética legal que será, um dia talvez, promulgada será conforme às orientações dos organismos citados e seguirá as recomendações dos "Sábios".

O texto deverá, portanto: levar "suficientemente em conta as considerações morais diversificadas em nossa sociedade, sem fixar demais essa moral comum, que é contingente e deve ser apreciada à luz da evolução social".

respeitar "o princípio de solidariedade, o princípio do direito de todos, notadamente das Mulheres, de se realizarem e de concretizarem seus desejos, o princípio do respeito aos progressos da Medicina, do respeito à liberdade da Pesquisa, de uma avaliação atenta dos interesses em presença, por vezes contraditórios: interesse da criança, da mulher, da família, da sociedade, o princípio de um balanço custo–benefício de cada solução."

ser o de uma lei evolutiva e flexível "para acompanhar a evolução acelerada das técnicas e as mudanças do estado da opinião".

Com todas essas condições, os Mágicos das Ciências da Vida podem continuar pesquisas e experimentações. A lei seguirá o fato científico ou técnico, resultado da desmesura natural do pesquisador.

A todos esses homens, Sábios, médicos, técnicos, e aos que os seguem, aplicam-se estas palavras de S.S. Pio XII, colhidas na Encíclica "Summi Pontificatus" (X–1939):

"Renunciando à lei infinitamente sábia e paterna de Deus e à doutrina de amor do Cristo, que unifica e eleva, entregaram-se ao arbítrio de uma pobre e mutável sabedoria humana: falaram de progresso quando recuavam; de elevação quando se degradavam; de ascensão rumo à maturidade quando caíam na escravidão; não percebiam a inanidade de todo esforço humano que tende a substituir a lei de Cristo por qualquer outra coisa que a iguale: 'perderam-se na vaidade de seus pensamentos'".

A OLHOS HUMANOS, TUDO ESTÁ CONSUMADO.

A Revolução sexual animaliza a natureza humana. Essa constatação, estabelecida neste estudo, justifica o prognóstico, pois toda mutação é letal. Mas os que, perturbados, o percebem sentimentalmente ao reclamar a intervenção do Estado desconhecem as causas dessa evolução. Sua anamnese é largamente insuficiente, daí seu erro de diagnóstico. Seus pedidos dirigem-se aos responsáveis pela situação, aos herdeiros — autores do processo iniciado. Como poderiam estes renegar suas crenças e desautorizar o trabalho de seus predecessores?

Só podem continuar a ser os cúmplices zelosos "da substituição que opera o Príncipe deste mundo no coração do Homem: erigir-se em duplo a fim de desalojar Deus; colar-se ao ser como parasita e fazer do Homem o cúmplice de sua mentira; substituir Deus pela terrível presença do ídolo humano; excitar o Homem a apaixonar-se por paisagens lunares, construções artificiais, paraísos terrestres fantasmagóricos; vampirizar o Homem dando-lhe a ilusão de que poderá, sem Deus, estabelecer finalmente na terra o reino da prosperidade, da paz mundial e da felicidade universal..."

E, prosseguindo, o R.P. Brancolini, O.S.B., sublinha que se trata aí de um aspecto dos objetivos e do trabalho do "Mundialismo" e de sua "Igreja Universal, consciência da Humanidade":

"fim de século em que o panteísmo materialista substitui o Deus Único, Trindade Santa, Indivisível e Consubstancial, e em que a apostasia geral coloca o Homem no lugar de Jesus Cristo e faz prostrar-se diante do ídolo dizendo: 'Quem se iguala à Besta e quem pode lutar contra ela?', manifesta-se o poder de uma verdadeira sinarquia, união dessas forças ocultas de todas as ordens e de todas as escolas, unidas para assegurar-se definitivamente o poder".

Ele reforça o juízo que decorre dos fatos:

"Toda a política moderna, mesmo a dita de direita, está à esquerda desse absoluto que é constituído pelo direito natural, à esquerda da lei moral natural que funda o direito, à esquerda do Decálogo em sua tradição e interpretação católica".

Tudo parece inelutavelmente programado.

"Os suicídios de jovens em aumento contínuo, o uso desenfreado de diversas drogas, o turismo sexual, o assassinato dos inocentes, a recusa multiforme da criança", associados a um amor do próximo dissoluto que vomita todo sentimento nacional, permite a invasão muçulmana e a ereção de mesquitas no solo privilegiado das intervenções de N.S. Jesus Cristo e de Nossa Senhora, "manifestam a presunção hipócrita, a torpeza e o nada espiritual deste mundo (abortador da sociedade cristã) em marcha para o intrinsecamente perverso".

FICAR IMÓVEIS E FIRMES.

Nas rajadas do vento da história, nas correntes de uma marcha para a frente organizada por "homens que, qualquer que seja a reputação e a autoridade que adquiriram, com ou sem razão, em suas especialidades, pretendem decidir questões que estão além de suas competências declaradas", é preciso ficar imóveis e amarrar-se solidamente aos Dogmas e aos princípios da Igreja tradicional.

Os fiéis íntegros recusam de antemão, ainda que um dia tenham de sofrer-lhes, a contragosto, as consequências, as regras de uma ética moderna, viva, evolutiva, dócil às ideologias políticas e aos desejos dos eleitores.

Não se deixar desencaminhar. Os problemas que levantam os "Sábios", as soluções práticas que lhes dão, não devem influenciar nossa fé. Pois Charles Péguy o enunciou muito bem:

"O Cristianismo não é de modo algum, não é de forma alguma uma religião de progresso, ou talvez ainda menos, se possível, do progresso. É a religião da Salvação".

"Não se trata de aperfeiçoar. Trata-se de manter, de guardar o ponto fixo. E, quando se tentou, descobre-se que isso não é tão fácil assim..."

"O Cristianismo é natural e sobrenaturalmente FIXO. Assim os pontos fixos foram dados de uma vez por todas num e noutro mundo, no mundo natural e no mundo sobrenatural, no mundo físico e no mundo místico. E todo o trabalho, todo o esforço consiste, ao contrário, em guardá-los, em mantê-los..."

É preciso igualmente dar testemunho deles e fazê-los reconhecer por todos os Homens, que a sociedade ocidental conduz à dúvida e ao desespero. Com efeito, constata Gustave Thibon: "O Homem esvaziou-se de tal modo de seu equilíbrio natural e de suas seguranças terrestres que já só pode ser retido na ladeira do nada pelo contrapeso do absoluto..."

O dilema: Deus ou nada, já não se apresenta como tema de dissertação filosófica ou de arroubo oratório. Penetrou até o núcleo de nossa carne e de nosso espírito; coloca-se com a urgência de uma manobra de salvamento a bordo de um navio em perdição".

Três razões para combater. A moral cristã é a única fonte transcendental do Bem para o Homem. Deve ser seguida, como a ordem social cristã é a única ordem mundial a construir.

Uma primeira razão é dada a contrario pelos partidários da Ética moderna. Primeiro, os Conselheiros de Estado, por um rápido levantamento das legislações existentes no plano internacional a respeito do Amor e da sexualidade humana, constataram que o conjunto não formava senão uma nova Torre de Babel.

E, por fim, tiveram de reconhecer que "somente a Igreja Católica, fiel à tradição de seu ensinamento de 'conservar à procriação humana a dignidade que lhe é própria e conatural'", perturba e freia a evolução jurídica desejada, chegando mesmo a "encorajar certo espírito de resistência contra as leis civis moralmente inaceitáveis e as práticas ilegítimas".

As outras duas razões, infinitamente mais sólidas, são tomadas às Escrituras. Uma é destacada pelo Sr. Pierre Chaunu:

"É preciso lembrar que o massacre dos pequeninos por nascer, prestes a abrir-se à luz do sol de Deus — (o planejamento do massacre feito pelo Faraó, ordenado primeiro às parteiras hebreias, que se recusaram a aplicar o genocídio, depois a todos os cidadãos egípcios (Êxodo I, 15–19) — constitui o detonador do engajamento brusco de Deus — o salvamento espiritual de Moisés no Horeb (Êx II, 11–12) e as condições do fim dos sofrimentos — a saída do Egito (Êx III, 1–6) — que, seja por toques discretos, seja com mão forte e braço estendido, conduz, com a Fé de seu povo e a esperança de seus Profetas, todas as coisas na direção que Ele, uma vez por todas, assinalou à história."

O que nos leva à terceira e fundamental razão, ensinada por N.S. Jesus Cristo:

"Aconteça o que acontecer, é a Igreja Santa, Una, Católica que sobreviverá: tal é a nossa fé".

E: "Essa Igreja e essa religião, ditas antigas, tradicionais e superadas, são aquelas de que vivemos... e sabemos desde sempre que nenhuma obediência aos homens pode pretender fazer-nos ir contra a obediência a Deus e a suas Leis."

VIGIAI E ORAI

Fracos, facilmente arrastados pela gravidade, não é possível resistir e lutar sem que Deus intervenha. As próprias recomendações de Seu Filho N.S. Jesus Cristo traçam os caminhos para obter as Graças necessárias e suficientes para defender o que cremos.

Vigilância contínua. "Se nos esquecemos de vigiar, diz-nos Jean Daujat, se nossa vontade adormece, a tentação introduz-se em nós, os maus pensamentos e os maus desejos, os movimentos de orgulho, de mentira ou de impaciência nos surpreenderão. Vigiar é, pois, projetar sobre toda a nossa vida, a todo instante, a luz de um juízo esclarecido, o domínio de uma vontade movida pela caridade".

VIGIAR é, pois, projetar sobre toda a nossa vida, a todo instante, a luz de um juízo esclarecido, o domínio de uma vontade movida pela caridade."

No quadro da contrarrevolução sexual, a luz é emitida pelos textos do Magistério supremo, que explicitam os princípios da Moral. É preciso impregnar-se deles. Por fim, é dever sagrado de caridade pública dar a conhecer esses princípios ao maior número.

Lembretes elementares:

"Toda vida humana, desde a concepção e através de todas as etapas seguintes, é sagrada porque criada à imagem e semelhança de Deus; preciosa porque é Dom de Deus, cujo Amor é infinito; "Para o Homem e o Cristão existe uma lei de integridade e de pureza pessoal, de estima pessoal de si, que proíbe mergulhar tão totalmente no mundo das representações e das tendências sexuais". "Quando o matrimônio é abandonado ao egoísmo humano ou reduzido a um arranjo temporário e condicional que se pode terminar facilmente, o vínculo matrimonial é indissolúvel".

Quando a criança é considerada um fardo ou um simples meio de satisfazer uma necessidade emocional (da qual o orgulho, por meio da medicina preditiva, é um componente), afirmar que cada criança (tal como Deus permitiu que fosse) é um dom de Deus único e insubstituível e que tem direito ao acolhimento de sua família;

"É preciso respeitar as exigências da moral natural, que proíbem considerar o cadáver de um Homem (Embrião, feto, recém-nascido, jovem ou adulto) como uma coisa ou como o de um animal". "Todo o problema é agir no respeito à pessoa e a seus próximos, trate-se dos doadores de órgãos ou dos beneficiários, jamais transformar o Homem em objeto de experiência."

Quando se propõe a organização da autolibertação, saber que "tudo o que se opõe à própria vida... e mesmo o suicídio deliberado... todas essas práticas são, em verdade, infames."

"A eutanásia é uma violação de uma lei divina, uma ofensa à dignidade da pessoa humana, um crime contra a vida, um atentado contra a humanidade."

Vigilância e Oração contínua.

"A vigilância aparece muito melhor como o regime normal da vida cristã, e como algo espontâneo, vivo, alegre, se se compreende que ela forma um só com a oração contínua". "Vigiai orando em todo tempo (Lc XXI, 36)", pede N.S. Jesus Cristo, e São Paulo insiste: "Sede assíduos na oração; que ela vos mantenha vigilantes na ação de graças" (Col IV, 2). "Deus não deixa suas obras inacabadas". Ora, prossegue o Sr. Jean Vaquié, por todas as Profecias da Revelação privada, assegura à nossa França a restauração política, a restauração da Igreja quando "tudo parecer perdido" e quando Ele julgar atingida "nossa maturidade sobrenatural". Será miraculoso!

"Eis-nos, pois, em nosso posto, responsáveis por grandes acontecimentos. É preciso que arranquemos um milagre ao Céu, mas um milagre que o Céu tem pressa de nos conceder. Para obtê-lo, é preciso que a soma dos desejos tenha atingido a medida plena..."

"É preciso obter, na ordem sobrenatural, um milagre que supere os milagres da Ciência moderna." "A religião da ciência pretende hoje substituir a religião da fé. É preciso agora que a fé prevaleça sobre a ciência..."

"É pela ORAÇÃO de nossa fé que deve ser obtido esse milagre. É preciso importunar o Espírito Santo para que desça sobre a França como nos dias de São Remígio e de Clóvis. É preciso importuná-lo por Maria, sua Esposa".

Assim, a poucos anos do décimo quinto centenário do batismo da França, no Natal de 496, sustentados pela oração, os Cristãos fiéis caminham em meio às tribulações pela estrada da reconquista, firmemente conduzidos pela mão da

"fé que mais amo, diz Deus, "aquela menina esperança que parece não ser nada, "aquela menina esperança".

L.D.