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Conclusão Geral

Não há nenhuma dúvida de que existe hoje, na França e provavelmente também no exterior, uma escola de pensamento, de formação relativamente recente, inteiramente ocupada em fazer penetrar o esoterismo na Religião cristã. Não queremos por prova senão o título dado, por Fr. Chénique e J. Borella, à compilação póstuma do Padre Stéphane: "Introduction à l'Ésotérisme Chrétien". Ao compor esse título, quiseram, evidentemente, designar uma doutrina à qual eles mesmos subscrevem, que procuram dar a conhecer e da qual sabem igualmente que já é partilhada por certo número de partidários.

Não inventamos o nome dessa doutrina e dessa escola de pensamento, pois já é proclamado por um dos mais cultos e mais ativos de seus membros, o Prof. Borella.

Essa escola não se satisfaz com o estado atual do cristianismo e, nisso ao menos, seria comparável ao Movimento tradicionalista que surgiu, no curso dos anos 60 e 70, contestando a validade e as produções do Concílio e recusando-se a aceitar a nova liturgia da Missa, que é seu fruto mais amargo.

  • O Movimento tradicionalista vê um remédio para a crise pós-conciliar no recurso à Tradição apostólica e ao ensinamento constante do Magistério romano.

  • A escola do esoterismo cristão invoca, ela também, uma "tradição", mas não é a mesma. Essa escola refere-se ao que chama de Tradição universal e primordial, a qual está precisamente carregada de noções esotéricas.

  • Pois o esoterismo cristão não é apenas uma atitude de espírito. Veicula um incontestável CONTEÚDO NOCIONAL, cujos elementos constitutivos foram objeto, um a um, do presente estudo. Retomemos, uma última vez, os principais conceitos desenvolvidos nas obras do esoterismo cristão:

    • A teoria dos três mundos.
    • A (que lhe é conexa) das duas almas humanas, das quais uma é uma parcela divina.
    • A do "Além" de Deus (Hiperteos).
    • O "Sacrifício in divinis" de natureza ontológica e independente da Redenção.
    • A teoria dos Ciclos cósmicos (eterno recomeço).
    • O mito do Andrógino.
    • A Tradição universal imemorial.
    • A complementaridade do esoterismo e do exoterismo.
    • A alquimia espiritual.
    • O legitimismo esotérico.

Esses são apenas os temas mais frequentes. Pode-se juntar-lhes certo número de VETORES, como o mito do Graal, que servem para veicular todo esse conteúdo nocional sob formas poéticas.

  • Os temas assim desenvolvidos pelo esoterismo cristão não são outra coisa senão os do velho OCULTISMO, do qual só diferem pelo cuidado que se põe em apresentá-los como COMPATÍVEIS com o dogma católico.

  • Em suma, o esoterismo cristão faz penetrar no interior da Igreja todo um arsenal de ocultismo que, até agora, lhe permanecia exterior.

  • Mas é preciso bem compreender que o esoterismo cristão é um ocultismo de TOPO DE LINHA. Nisso mantém uma verdadeira rivalidade, quase uma hostilidade, com o ocultismo de NÍVEL BÁSICO, o qual é construído sobre duas ideias principais:

    • A busca dos Poderes mágicos.
    • A Reencarnação das almas.

O ocultismo de "nível básico" tende ao sincretismo das religiões, que é uma uniformização por via de redução a um consenso mínimo. É o caso, por exemplo, da New Age.

  • Ao passo que o esoterismo cristão tende ao pluralismo, que deixa subsistir certa especificidade exotérica das diversas confissões, realizando-se a unidade "por cima" (título do livro de Fr. Schuon: "L'Unité transcendante des religions").

Muitos esoteristas cristãos estão persuadidos de que prestam serviço à Igreja pondo-a a salvo de um sincretismo de baixo nível que a destruiria, ao passo que seu pluralismo lhe conservará a individualidade.

  • A escola do esoterismo cristão é muito oposta ao MUNDO MODERNO e ao seu materialismo. Retoma contra ele os argumentos aperfeiçoados por R. Guénon e J. Evola. Cria assim, em seu benefício, uma presunção favorável em todo o público tradicionalista. Daí os sucessos, aliás relativos, que obtém.
  • Essa escola, assim definida, é de aparição recente, mas evidentemente não carece de antecedentes (antecedentes que será preciso um dia estudar também). As doutrinas ensinadas no esoterismo cristão encontram-se, desde a origem, na MAÇONARIA ESPECULATIVA, isto é, não em sua parte enciclopedista e humanista, mas em sua parte "religiosa". Qual é, com efeito, a grande ambição da maçonaria senão penetrar a Igreja e dominá-la?
  • Quer isso dizer que os escritores atuais do esoterismo cristão sejam todos maçons oficialmente iniciados? Certamente não. No entanto, o que se pode afirmar sem erro é que são vigiados e sem dúvida também influenciados por maçons espiritualistas, que têm longa experiência da penetração da Igreja (técnica preferencial: complicar o dogma e relativizá-lo a fim de fazê-lo voar em pedaços).
  • Quando, nesses textos, na maioria das vezes eruditos e brilhantes, se procura seguir o fio do pensamento, toma-se consciência de que contêm mais lirismo que lógica, mas também mais grandiloquência que verdadeira mística. As partes mais gnósticas desses textos são redigidas num estilo inapreensível que envolve de nevoeiro todos os assuntos que tratam. Espantam e inquietam, mas não conduzem à devoção. E então um versículo da Vulgata vem infalivelmente ao espírito:

Que o Senhor corte todas as línguas lisonjeiras. A língua que discursa com jactância. Aqueles que dizem: Por nossa língua somos fortes. Temos conosco nossos lábios. Quem seria nosso senhor. (Sl XI — Vulg. 4): Disperdat Dominus universa labia dolosa. Et LINGUAM MAGNILOQUAM...

  • A escola de pensamento que estudamos é suficientemente homogênea para pôr em obra uma ESTRATÉGIA verdadeiramente organizada. Essa estratégia é fundada na dualidade, ou antes na COMPLEMENTARIDADE DO ESOTERISMO E DO EXOTERISMO. Põe em aplicação a ideia guenoniana segundo a qual, para ser capaz de bem aprofundar o esoterismo, é preciso começar por praticar pontualmente os ritos de sua religião exotérica (qualquer que seja ela). Os esoteristas cristãos vão, portanto, apresentar-se como praticantes exemplares. É apenas no foro interno, portanto em segredo, que emitirão uma dogmática "aprofundada" em acordo com a "tradição imemorial e universal". Sua estratégia consiste em reformar a Igreja "por dentro". Não são os primeiros a conduzir esse tipo de combate. É o velho método do "Larvatus prodeo": avanço mascarado.
  • Quanto a nós, em todo este trabalho, fomos muito INCOMPLETOS. Fornecemos apenas uma contribuição. A prospecção dessa escola de pensamento está apenas em seus começos. Será preciso que outros preencham os vazios que deixamos.
  • Quisemos somente chamar a atenção para o problema do esoterismo cristão, que parece até agora não ser percebido pelos tradicionalistas. Não tivemos outra ambição senão a de operar um primeiro DESBASTE do assunto, com tudo o que isso comporta de hipertrofia em certos lugares e de atrofia em outros.
  • Qual foi nossa posição ao longo dessas análises? Limitou-se a fazer constatar a INCOMPATIBILIDADE dessas doutrinas ocultistas e gnósticas com a ortodoxia romana. Um velho adágio serviu-nos de base em nossas apreciações: A RELIGIÃO CATÓLICA É A ÚNICA VERDADEIRA RELIGIÃO DO ÚNICO VERDADEIRO DEUS. Essa Religião está hoje numa situação humanamente desesperada, é a convicção profunda de todos os tradicionalistas. Mas sabem também que essa provação terá seu fim. É evidente que não é a gnose que está prometida à vitória, mas o dogma. E, mais geralmente, A IGREJA INSTITUCIONAL, não remanejada, mas restaurada.

JEAN VAQUIÉ, maio de 1992