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O LEGADO DO PADRE LEFEVRE

O Senhor Padre Luc Lefevre, diretor da revista "O Pensamento Católico" e das Edições do Cedro, faleceu na terça-feira, 28 de abril de 1987, aos 92 anos. Formado no seminário francês de Roma, o do Padre Le Floch, sacerdote há mais de sessenta anos, ele encarnou após a guerra, e por muito tempo sozinho, o próprio tipo do verdadeiro pensador católico tradicional.

Infelizmente! Parece que relações preocupantes o levaram, durante os anos sessenta, ao caminho de uma Tradição ambígua e, em 1962, apareceu em sua revista um artigo agora famoso sobre René Guénon, assinado pela Senhora Maurice Bouley-Denis.

Essa mesma pessoa havia sido, quarenta anos antes, no final da guerra de 14-18, a intermediária entre Jacques Maritain e Guénon, um Guénon que, ao final de sua formação orientalista e maçônica, esforçava-se para penetrar o meio dos pensadores cristãos dos quais Maritain era então a joia da coroa (tanto mais que ainda não havia feito sua virada progressista). Graças à lucidez do mestre tomista, a manobra fracassou, mas Guénon conseguiu passar por tradicional junto a alguns antirrevolucionários, e não dos menores, os da Ação Francesa; o próprio Léon de Poncins ficou por um tempo deslumbrado por suas posições antimodernas.

As redes guenonianas perceberam bem todo o interesse desse novo amigo e daqueles que o cercavam como "cavalo de troia" no seio dos meios católicos opostos à Revolução na Igreja, tal como ela surgiu do Modernismo e do Concílio Vaticano II. Chegou-se assim a esse duplo escândalo: primeiro, a publicação de "A Caridade Profanada" pelas Edições do Cedro em 1979, e a participação regular de Jean Borella no Pensamento Católico; depois, a defesa desse livro e de seu autor por religiosos tradicionais, capuchinhos e dominicanos, contra a denúncia documentada que fizemos.

Esse escândalo produziu então, logicamente, seus frutos: jovens espíritos frágeis e indefesos deixaram-se seduzir pelas doutrinas neognósticas e seu autor; jovens vocações foram desviadas do verdadeiro Deus e, no entanto, conduzidas à ordenação sacerdotal, culminando na enormidade do artigo do jornal L'Est Républicain publicado no Boletim nº 16.

O padre Lefevre desapareceu, o neognosticismo perdeu um apoio sério, mas ganhou um legado precioso: Yves Daoudal, já conhecido de nossos leitores por suas posições guenonianas (nota), torna-se Editor-Chefe da revista "O Pensamento Católico", enquanto o fundo das Edições do Cedro é assumido pelas Edições Dominique Martin Morin. Esta última casa, muito próxima da revista "Itinerários", da qual é o duplo editorial, também assumiu há pouco uma pequena revista intitulada "Boletim do CICES", na qual Yves Daoudal recentemente publicou alguns artigos muito instrutivos!

A teia de aranha gnóstica se estende e, por isso, se revela um pouco mais a cada dia, para aqueles que são de boa fé, é claro!

P. R.