Capítulo XXXVIII — Milagres são realizados por intermédio de um jovem discípulo
Não poucos filhos da nobreza, desprezando os desejos de seus pais, fugiam também para junto do bem-aventurado homem.
Entre eles estava o filho do conde Guido. Pouco depois de se tornar monge, ainda em plena infância, aproximou-se da morte e viu dois espíritos malignos, semelhantes a abutres negríssimos e aterradores, fixarem-se diante de seus olhos.
O menino chamou Romualdo, que estava ao seu lado, e disse:
“Olha, mestre! Agora estão entrando etíopes tão grandes que já enchem todo o edifício.”
Pediu então que lhe fosse permitido confessar aquilo que fizera de errado.
Aquele afortunado pecador confessou com grande temor apenas esta falta: o prior lhe ordenara que recebesse determinado número de golpes — não sei quantos — e ele ainda não os havia recebido.
Romualdo absolveu-o daquele grande pecado, e o menino morreu em paz.
No dia seguinte, certo cego, que pertencia à casa de seu pai, foi até o sepulcro do menino e clamou em alta voz:
“Ó meu senhor, se estás com Deus, como creio, oferece por mim tuas preces a Ele e restitui-me a luz dos olhos!”
Mal terminara de dizer isso e a luz lhe foi devolvida.
Assim, aquele que por amor de Deus desprezara em vida a herança de seus pais segundo a carne mereceu depois da morte ser honrado por Deus dessa maneira.