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Capítulo XVIII — Os irmãos de Bagno entregam-se a excessos diabólicos

Certa vez Romualdo foi ao lugar chamado Bagno, situado no território de Sarsina. Permaneceu ali por tempo considerável, construiu um mosteiro em honra do bem-aventurado arcanjo Miguel e entrou numa cela não distante dele, na qual pretendia viver.

O marquês Hugo enviou-lhe, para suas necessidades, sete libras de dinheiro. Romualdo aceitou-as para poder distribuí-las com santa prodigalidade.

Ao saber que o mosteiro de Palazzolo havia sido destruído por um incêndio, destinou sessenta soldos daquele dinheiro ao socorro dos irmãos e reservou o restante para despesas de obras semelhantes.

Quando os monges de São Miguel souberam disso, inflamaram-se contra ele numa fúria brutal: em parte porque Romualdo já se opusera de muitas maneiras às práticas tortuosas deles, em parte porque não gastava consigo e com eles todo o dinheiro que lhe era oferecido, mas destinava uma parcela a outros.

Formaram então uma conspiração e, como por acordo comum, irromperam na cela armados de paus e varas. Espancaram-no violentamente, destruíram tudo e o expulsaram vergonhosamente de seus limites.

Enquanto Romualdo partia assim expulso, uma grande tristeza penetrou-lhe profundamente a mente. Começou a pensar que, dali em diante, se contentaria em cuidar da própria salvação e abandonaria inteiramente o cuidado pela salvação dos outros.

Mas, assim que concebeu esse pensamento, um grande terror invadiu-lhe o coração: compreendeu que, se persistisse obstinadamente nesse propósito, não deveria duvidar de que pereceria e se tornaria réu diante do juízo divino.

Os monges, por sua vez, satisfeitos por terem finalmente realizado a vingança que tanto desejavam e sentindo-se como que aliviados pela remoção de um pesado fardo, celebraram entre si com grande aplauso o que haviam feito ao servo de Deus e entregaram-se, com alegria desenfreada, a divertimentos e festejos imoderados.

E, como que para celebrar solenemente tamanho júbilo, prepararam para si um suntuoso banquete. Era inverno — estação que correspondia não apenas ao tempo do ano, mas também, muito apropriadamente, à frieza de suas almas.

Um deles, que se mostrara particularmente cruel contra o bem-aventurado soldado de Cristo, foi buscar mel para preparar hidromel para o banquete. Ao atravessar o rio Savio, tropeçou subitamente nas tábuas da ponte e caiu. Tragado pelas águas profundas, foi arrastado ao fundo e morreu.

Pelo justo juízo de Deus, a água turbulenta saciou até a morte aquele que, quando deveria ter chorado, buscara avidamente a doçura do mel e perseguira os prazeres da vida.

Durante a noite, quando todos repousavam como de costume, caiu enorme quantidade de neve. Subitamente, toda a estrutura do edifício comum desabou sobre eles.

A cabeça de um foi esmagada, os braços de outro, as pernas de outro ainda, ou alguma outra parte do corpo. A um deles foi arrancado um olho; e com razão carregou no corpo a divisão da luz aquele que, dividido contra o próximo, perdera uma das luzes da dupla caridade, embora conservasse a outra.