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Capítulo XLV — Romualdo é expulso de Val di Castro

Depois disso, Romualdo regressou ao mosteiro de Val di Castro.

Exortou então o abade a governar os outros de tal modo que não viesse por causa disso a negligenciar a si próprio. Queria, além disso, que o abade não abandonasse, por causa de seu governo, a cela que ocupava, mas nela vivesse espiritualmente voltado para si mesmo, visitando os irmãos para admoestá-los apenas nas festas mais importantes.

O modo de vida dos abades, tal como então se praticava, era tão odioso ao bem-aventurado homem que, ao que percebemos, ele se alegrava tanto em conseguir arrancar uma abadia das mãos de alguém quanto em chamar algum poderosíssimo homem do mundo à ordem da santa vida religiosa.

Mas, como diz Salomão: “Como vinagre sobre salitre é aquele que canta canções a um coração perverso” (nota de rodapé: Alusão a Provérbios 25,20. O «salitre» designa aqui uma substância alcalina que reage ao contato com o vinagre. Pedro Damião emprega a imagem para mostrar que as advertências de Romualdo, longe de corrigirem o abade obstinado, apenas agravaram sua hostilidade.), assim também o abade, em vez de melhorar com a pregação do venerável homem, tornou-se cada vez pior.

Dirigiu-se imediatamente às condessas que eram senhoras do lugar e, com sacrílega astúcia, sugeriu-lhes que mandassem cortar em pedaços a madeira com que deveriam ser construídas as celas de Romualdo.

E assim o alto cedro do Paraíso foi expulso do bosque dos homens terrenos.