Capítulo XL — Romualdo representa a majestade de Deus diante dos pecadores
Esse Rainier havia repudiado a esposa sob o pretexto de parentesco próximo e se unido em matrimônio à mulher de seu irmão, a quem ele próprio matara, embora contra a vontade, enquanto era perseguido por ele.
Por essa razão Romualdo não queria permanecer gratuitamente em suas terras, para não se tornar participante de seu crime. Pagava, portanto, uma moeda de ouro pela água e outra pela madeira.
Rainier recusava terminantemente receber o dinheiro, preferindo dar de seus bens a receber qualquer coisa do santo homem. Por fim, contudo, cedeu e aceitou, antes que Romualdo fosse embora.
Mais tarde, quando já havia recebido o marquesado, Rainier costumava dizer:
“Nem mesmo o imperador — nenhum mortal — consegue infundir em mim temor semelhante ao que sinto quando vejo Romualdo. Diante de seu rosto não sei o que dizer e não encontro desculpa alguma com que me possa defender.”
O santo homem possuía, por dom divino, esta graça: os pecadores que se apresentavam diante dele — quem quer que fossem, mas sobretudo os poderosos do mundo — eram imediatamente tomados de tal temor que sua carne estremecia como se estivessem diante da majestade de Deus.
Sem dúvida era o Espírito Santo, que habitava em seu peito, quem por meio daquele terror ameaçava divinamente os injustos.
Naquele mesmo período, o venerável homem construiu um mosteiro não longe do castelo de Marsiliana.