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Capítulo LXIII — A discórdia entre os discípulos de Romualdo alegra o demônio

Em outra ocasião, Romualdo determinou que se construísse em Valbona um mosteiro para as servas de Deus.

Surgiu então uma discórdia entre seus discípulos: alguns se recusavam terminantemente a aceitar que o mosteiro fosse construído, enquanto outros insistiam com grande veemência para que a obra fosse realizada.

Enquanto as duas partes discutiam diante do venerável homem, apresentando diferentes argumentos, o demônio começou a golpear incessantemente um barril diante do pórtico da cela, como se o ferisse com um martelo.

O estrondo de suas pancadas rápidas ressoava por todo o bosque.

Mais tarde, quando todos já estavam de acordo e consentiam unanimemente na construção do mosteiro, eis que o espírito maligno, ouvido por todos, começou a uivar, lamentar-se e soltar incessantes gemidos.

Por fim, quando se separaram e cada um regressava à sua hospedagem, o antigo inimigo perseguiu-os com tamanha tempestade e redemoinho que parecia agitar ao mesmo tempo todos os ventos e arrancar pela raiz o bosque inteiro.

Então um dos irmãos o repreendeu, dizendo:

“Eu te ordeno, em nome da Santíssima Trindade, espírito imundo: deixa de nos perseguir!”

E assim o demônio foi posto em fuga.

Com razão o autor da discórdia, depois de restabelecida a paz, foi levado a lamentar-se e chorar, ele que antes fora ouvido alegrando-se com o crescimento da contenda.

Aquele que antes procurava romper o aro do recipiente vazio e espalhar as partes de que ele era formado retirou-se entristecido quando viu os discípulos unidos pela corrente da paz e pelo vínculo da caridade. (nota de rodapé: A imagem alude a um barril formado por tábuas de madeira, mantidas unidas por aros. Assim como a retirada de um aro faria o barril se desfazer, a discórdia poderia dispersar os discípulos de Romualdo. A paz e a caridade são apresentadas como os vínculos que preservam a unidade da comunidade.)