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LIÇÃO 8 - A Divisão da Enunciação em Simples e Composta, Afirmativa e Negativa

17a 8 Primeiro a afirmação, depois a negação, é discurso enunciativo que é uno; os outros são unos por conjunção.

17a 9 Todo discurso enunciativo, porém, deve conter um verbo ou um modo do verbo; pois a definição de homem, se "é" ou "era" ou "será" ou algo do gênero não for acrescentado, ainda não é discurso enunciativo;

17a 13 (mas então surge a questão de por que a definição "animal bípede terrestre" é algo uno e não múltiplo — pois é claro que não será uno pelo fato de as palavras serem ditas em justaposição — mas isto pertence a outro assunto de investigação).

17a 15 O discurso enunciativo é uno quando significa uma coisa ou é uno por conjunção; mas é múltiplo quando significa muitas coisas e não uma, ou muitas coisas não unidas entre si.

17a 17 Chamemos o nome ou o verbo apenas de palavra, já que falar deste modo não é significar algo com a voz de modo a enunciar, seja em resposta a alguém que faz uma pergunta, seja por escolha própria.

17a 20 Das enunciações que são unas, a enunciação simples é um tipo, isto é, algo afirmado de algo ou algo negado de algo; o outro tipo é a composta, isto é, o discurso composto destas enunciações simples.

17a 23 A enunciação simples é som vocal que significa que algo pertence ou não pertence a um sujeito segundo as divisões do tempo.

17a 25 A afirmação é a enunciação de algo acerca de algo; a negação, a enunciação de algo separado de algo.

1. Tendo definido a enunciação, o Filósofo agora a divide. Primeiro ele apresenta a divisão e depois a manifesta onde diz: Todo discurso enunciativo, porém, deve conter um verbo, etc.

2. Deve-se notar que Aristóteles, em seu estilo conciso, apresenta duas divisões da enunciação. A primeira é a divisão em una simplesmente e una por conjunção. Isto é paralelo às coisas fora da alma, onde também há algo uno simplesmente, por exemplo, o indivisível ou o contínuo, e algo uno por agregação, composição ou ordem. De fato, uma vez que ente e uno são conversíveis, toda enunciação deve, de algum modo, ser una, assim como toda coisa o é.

3. A outra é uma subdivisão da enunciação: a divisão dela enquanto una em afirmativa e negativa.

A enunciação afirmativa é anterior à negativa por três razões, que se referem a três coisas já enunciadas. Foi dito que o som vocal é sinal do pensamento e o pensamento, sinal da coisa. Consequentemente, em relação ao som vocal, a enunciação afirmativa é anterior à negativa porque é mais simples, pois a enunciação negativa acrescenta uma partícula negativa à afirmativa. Em relação ao pensamento, a enunciação afirmativa, que significa composição pelo intelecto, é anterior à negativa, que significa divisão, pois a divisão é por natureza posterior à composição, já que a divisão é apenas de coisas compostas — assim como a corrupção é apenas de coisas geradas. Em relação à coisa, a enunciação afirmativa, que significa ser, é anterior à negativa, que significa não ser, assim como a posse de algo é naturalmente anterior à privação dele.

4. O que ele diz, então, é isto: Afirmação, isto é, a enunciação afirmativa, é uno e o primeiro discurso enunciativo. E em oposição a primeiro ele acrescenta: depois a negação, isto é, o discurso negativo, pois este é posterior ao afirmativo, como dissemos. Em oposição a uno, isto é, uno simplesmente, ele acrescenta: certos outros são unos, não simplesmente, mas unos por conjunção.

5. Do que Aristóteles diz aqui, Alexandre argumenta que a divisão da enunciação em afirmação e negação não é uma divisão de um gênero em espécies, mas uma divisão de um nome múltiplo em suas significações; pois um gênero não é predicado segundo o anterior e o posterior, mas é predicado univocamente de suas espécies; esta é a razão pela qual Aristóteles não admitiria que o ente é um gênero comum de todas as coisas, pois é predicado primeiro da substância e depois dos nove gêneros de acidentes.

6. Contudo, na divisão daquilo que é comum, um dos membros divisores pode ser anterior a outro de dois modos: segundo as noções próprias ou naturezas dos membros divisores, ou segundo a participação daquela noção comum que é dividida neles. O primeiro modo não destrói a univocidade de um gênero, como é evidente nos números. A dualidade, segundo sua noção própria, é naturalmente anterior à trindade, no entanto ambas participam igualmente da noção de seu gênero, isto é, o número; pois tanto uma multidão que consta de três quanto uma multidão que consta de dois é medida pelo um. O segundo modo, porém, impede a univocidade de um gênero. É por isso que o ente não pode ser o gênero da substância e do acidente, pois na própria noção de ente, a substância, que é ente por si, tem prioridade em relação ao acidente, que é ente por outro e em outro.

Aplicando esta distinção à matéria em questão, vemos que a afirmação é anterior à negação no primeiro modo, isto é, segundo sua noção, contudo elas participam igualmente da definição que Aristóteles deu da enunciação, isto é, discurso em que há verdade ou falsidade.

7. Onde ele diz: Todo discurso enunciativo, porém, deve conter um verbo ou um modo do verbo, etc., ele explica as divisões. Ele dá duas explicações: uma da divisão da enunciação em una simplesmente e una por conjunção; a segunda, da divisão da enunciação que é una simplesmente em afirmativa ou negativa. Esta última explicação começa onde ele diz: A enunciação simples é som vocal que significa que algo pertence ou não pertence a um sujeito, etc. Antes de explicar a primeira divisão, isto é, em una simplesmente e una por conjunção, ele enuncia certas coisas que são necessárias para a evidência da explicação, e então explica a divisão onde diz: O discurso enunciativo é uno quando significa uma coisa, etc.

8. Ele enuncia a primeira coisa que é necessária para sua explicação quando diz que todo discurso enunciativo deve conter um verbo no tempo presente, ou um caso do verbo, isto é, no tempo passado ou futuro. (O verbo infinito não é mencionado porque tem a mesma função na enunciação que o verbo negativo.) Para manifestar isto, ele mostra que um nome, sem um verbo, não constitui sequer um discurso enunciativo imperfeito, muito menos um discurso perfeito. A definição, ele assinala, é um certo tipo de discurso, e contudo, se o verbo "é" ou modos do verbo tais como "era" ou "tem sido" ou algo do gênero não forem acrescentados à noção de homem, isto é, à definição, não é discurso enunciativo.

9. Mas, poder-se-ia perguntar: por que mencionar o verbo e não o nome, pois a enunciação consiste de um nome e um verbo?

Isto pode ser respondido de três modos. Primeiro, porque o discurso enunciativo não é alcançado sem um verbo ou um modo do verbo, mas o é sem um nome, por exemplo, quando formas infinitivas do verbo são usadas no lugar de nomes, como em "Correr é mover-se".

Uma segunda e melhor razão para falar apenas do verbo é que o verbo é sinal do que é predicado de outro. Ora, o predicado é a parte principal da enunciação porque é a parte formal e a completa. Esta é a razão pela qual os gregos chamavam a enunciação de proposição categórica, isto é, predicativa. Deve-se notar também que a denominação é feita a partir da forma que dá espécie à coisa. Ele fala do verbo, então, mas não do nome, porque ele é a parte mais principal e formal da enunciação. Um sinal disto é que a enunciação categórica é dita afirmativa ou negativa unicamente pelo fato de o verbo ser afirmado ou negado, e a enunciação condicional é dita afirmativa ou negativa pelo fato de a conjunção pela qual é denominada ser afirmada ou negada.

Uma terceira e ainda melhor razão é que Aristóteles não pretendia mostrar que o nome ou o verbo não são suficientes para uma enunciação completa, pois ele explicou isto anteriormente. Ao contrário, ele está excluindo um mal-entendido que poderia surgir do fato de ter dito que um tipo de enunciação é una simplesmente e outro tipo é una por conjunção. Alguns poderiam pensar que isto significa que o tipo que é uno simplesmente carece de toda composição. Mas ele exclui isto ao dizer que deve haver um verbo em toda enunciação; pois o verbo implica composição e a composição não pode ser entendida separadamente das coisas compostas, como ele disse anteriormente. O nome, por outro lado, não implica composição e, portanto, não precisava ser mencionado.

10. O outro ponto necessário para a evidência da primeira divisão é feito onde ele diz: mas então surge a questão de por que a definição "animal bípede terrestre" é algo uno, etc. Ele indica com isto que "animal bípede terrestre", que é uma definição de homem, é uno e não múltiplo. A razão pela qual é uno é a mesma que no caso de todas as definições, mas, diz ele, atribuir a razão pertence a outro assunto de investigação. Pertence, de fato, à metafísica, e ele atribui a razão nos livros VII e VIII da Metafísica [VII, 12: 1037b 7; VIII, 6: 1045a 6], que é esta: a diferença não advém ao gênero acidentalmente, mas por si, e é determinativa dele do modo como a forma determina a matéria; pois o gênero é tomado da matéria, a diferença da forma. Donde, assim como uma coisa — não muitas — vem a ser da forma e da matéria, assim também uma coisa vem a ser do gênero e da diferença.

11. A razão da unidade desta definição poderia ser suposta por alguns como sendo apenas a da justaposição das partes, isto é, que "animal bípede terrestre" é dito ser uno apenas porque as partes estão lado a lado sem conjunção ou pausa. Mas ele exclui tal noção de sua unidade.

Ora, é verdade que a não interrupção da locução é necessária para a unidade de uma definição, pois se uma conjunção fosse colocada entre as partes, a segunda parte não determinaria a primeira imediatamente e o múltiplo na locução consequentemente significaria múltiplo em ato. A pausa usada pelos retóricos no lugar de uma conjunção faria a mesma coisa. Donde, é um requisito para a unidade de uma definição que suas partes sejam proferidas sem conjunção e interpolação, sendo a razão disto que, na coisa natural, cuja definição é, nada medeia entre matéria e forma.

Contudo, a não interrupção da locução não é a única coisa necessária para a unidade da definição, pois pode haver continuidade de emissão vocal em relação a coisas que não são unas simplesmente, mas o são acidentalmente, como em "homem branco musical". Aristóteles, portanto, manifestou muito sutilmente que a unidade absoluta da enunciação não é impedida nem pela composição que o verbo implica, nem pela multidão de nomes a partir dos quais uma definição é estabelecida. E a razão é a mesma em ambos os casos, isto é, o predicado se relaciona ao sujeito como a forma à matéria, assim como a diferença ao gênero; mas da forma e da matéria uma coisa que é una simplesmente vem à existência.

12. Ele começa a explicar a divisão quando diz: O discurso enunciativo é uno quando significa uma coisa, etc. Primeiro ele torna evidente a coisa comum que é dividida, isto é, a enunciação enquanto una; em segundo lugar, ele torna evidentes as partes da divisão segundo suas próprias noções próprias, onde diz: Das enunciações que são unas, a enunciação simples é um tipo, etc. Depois de ter tornado evidente a divisão da coisa comum, isto é, a enunciação, ele então conclui que o nome e o verbo são excluídos de cada membro da divisão, onde diz: Chamemos o nome ou o verbo apenas de palavra, etc.

Ora, a pluralidade se opõe à unidade. Portanto, ele vai manifestar a unidade da enunciação através dos modos de pluralidade.

13. Ele começa sua explicação dizendo que a enunciação é ou una absolutamente, isto é, significa uma coisa dita de uma coisa, ou una relativamente, isto é, é una por conjunção. Em oposição a estas, estão as enunciações que são múltiplas, ou porque significam não uma, mas muitas coisas, o que se opõe ao primeiro modo de unidade, ou porque são proferidas sem uma partícula conectiva, o que se opõe ao segundo modo de unidade.

14. Boécio interpreta esta passagem do seguinte modo. "Unidade" e "pluralidade" do discurso referem-se ao que é significado, enquanto "simples" e "composto" se relacionam aos sons vocais. Consequentemente, uma enunciação é às vezes una e simples, a saber, quando uma coisa é significada pela composição de nome e verbo, como em "O homem é branco". Às vezes é una e composta. Neste caso, significa uma coisa, mas é composta ou de muitos termos, como em "Um animal racional mortal está correndo", ou de muitas enunciações, como nas condicionais que significam uma coisa e não muitas. Por outro lado, às vezes há pluralidade junto com simplicidade, a saber, quando um nome que significa muitas coisas é usado, como em "O cão ladra", caso em que a enunciação é múltipla porque significa muitas coisas [isto é, significa equivocamente], mas é simples no que diz respeito ao som vocal. Mas às vezes há pluralidade e composição, a saber, quando muitas coisas são postas da parte do sujeito ou do predicado das quais não resulta uma coisa, intervenha ou não uma conjunção, como em "O homem branco musical está argumentando". Este é também o caso se há muitas enunciações unidas entre si, com ou sem partículas conectivas, como em "Sócrates corre, Platão discute". Segundo esta exposição, o significado da passagem em questão é este: uma enunciação é una quando significa uma coisa dita de uma coisa, e este é o caso quer a enunciação seja una simplesmente, quer seja una por conjunção; uma enunciação é múltipla quando significa não uma, mas muitas coisas, e isto não apenas quando uma conjunção é inserida entre os nomes ou verbos ou entre as próprias enunciações, mas mesmo se há muitas coisas que não estão unidas. Neste último caso, elas significam muitas coisas, ou porque um nome equívoco é usado, ou porque muitos nomes que significam muitas coisas das quais não resulta uma coisa são usados sem conjunções, como em "O homem branco gramatical lógico está correndo".

15. Contudo, esta exposição não parece ser o que Aristóteles tinha em mente. Primeiro, a disjunção que ele insere parece indicar que ele está distinguindo entre o discurso que significa uma coisa e o discurso que é uno por conjunção. Em segundo lugar, ele acaba de dizer que "animal bípede terrestre" é algo uno e não múltiplo. Ademais, o que é uno por conjunção não é uno, e não múltiplo, mas uno a partir do múltiplo. Por isso, parece melhor dizer que, já que ele já disse que um tipo de enunciação é uno simplesmente e outro tipo é uno por conjunção, ele está mostrando aqui o que é a enunciação una.

Tendo dito, então, que muitos nomes unidos entre si são algo uno, como no exemplo "animal bípede terrestre", ele prossegue dizendo que uma enunciação deve ser julgada como una não a partir da unidade do nome, mas a partir da unidade do que é significado, mesmo se há muitos nomes que significam a coisa una; e se uma enunciação que significa muitas coisas é una, ela não será una simplesmente, mas una por conjunção. Por isso, a enunciação "Um animal bípede terrestre é risível" não é una no sentido de una por conjunção, como a primeira exposição a teria, mas porque significa uma coisa.

16. Então — porque um oposto é manifestado através de um oposto — ele prossegue mostrando quais enunciações são múltiplas, e ele postula dois modos de pluralidade. São ditas múltiplas as enunciações que significam muitas coisas. Muitas coisas podem ser significadas em algo uno comum, contudo; quando digo, por exemplo, "Um animal é um ser senciente", muitas coisas estão contidas sob a coisa una comum, animal, mas tal enunciação é ainda una, não múltipla. Portanto, Aristóteles acrescenta: e não uma. Seria melhor dizer, contudo, que o e não uma é acrescentado por causa da definição, que significa muitas coisas que são unas.

O modo de pluralidade de que ele falou até aqui se opõe ao primeiro modo de unidade. O segundo modo de pluralidade abrange as enunciações que não apenas significam muitas coisas, mas muitas que não estão de modo algum unidas entre si. Este modo se opõe ao segundo modo de unidade. Assim, é evidente que o segundo modo de unidade não se opõe ao primeiro modo de pluralidade. Ora, aquelas coisas que não são opostas podem estar juntas. Portanto, a enunciação que é una por conjunção é também múltipla, na medida em que significa muitas coisas e não uma.

Segundo este entendimento do texto, há três modos da enunciação: a enunciação que é una simplesmente enquanto significa uma coisa; a enunciação que é múltipla simplesmente enquanto significa muitas coisas, mas é una relativamente enquanto é una por conjunção; finalmente, as enunciações que são múltiplas simplesmente — aquelas que não significam uma coisa e não são unidas por nenhuma conjunção.

Aristóteles postula quatro tipos de enunciação em vez de três, pois uma enunciação é às vezes múltipla porque significa muitas coisas, e contudo não é una por conjunção; um exemplo disso seria uma enunciação em que um nome que significa muitas coisas é usado.

17. Onde ele diz: Chamemos o nome ou o verbo apenas de palavra, etc., ele exclui o nome e o verbo da unidade do discurso. Sua razão para fazer este ponto é que sua afirmação, "uma enunciação é una enquanto significa uma coisa", poderia ser tomada como significando que uma enunciação significa uma coisa do mesmo modo que o nome ou o verbo significam uma coisa. Para prevenir tal mal-entendido, ele diz: Chamemos o nome ou o verbo apenas de palavra, isto é, uma locução que não é uma enunciação. Por seu modo de falar, pareceria que o próprio Aristóteles impôs o nome "phasis" [palavra] para significar tais partes da enunciação.

Então ele mostra que um nome ou verbo é apenas uma palavra, assinalando que não dizemos que uma pessoa está enunciando quando ela significa algo em som vocal do modo como um nome ou verbo significa. Para manifestar isto, ele sugere dois modos de usar a enunciação. Às vezes a usamos para responder a perguntas; por exemplo, se alguém pergunta "Quem é que discute", respondemos "O mestre". Outras vezes usamos a enunciação não em resposta a uma pergunta, mas por nossa própria iniciativa, como quando dizemos "Pedro está correndo".

O que Aristóteles está dizendo, então, é que a pessoa que significa algo uno por um nome ou um verbo não está enunciando do modo como enuncia a pessoa que responde a uma pergunta ou que profere uma enunciação por sua própria iniciativa. Ele introduz este ponto porque o nome simples ou verbo, quando usado em resposta a uma pergunta, parece significar verdade ou falsidade, e verdade ou falsidade é o que é próprio da enunciação. Verdade e falsidade não são próprias, contudo, do nome ou verbo, a menos que seja entendido como unido a outra parte proposta em uma pergunta; se alguém perguntasse, por exemplo, "Quem lê nas escolas", responderíamos "O mestre", entendendo também "lê ali". Se, então, algo expresso por um nome ou verbo não é uma enunciação, é evidente que a enunciação não significa uma coisa do mesmo modo que o nome ou o verbo significam uma coisa. Aristóteles extrai isto a título de conclusão a partir de Todo discurso enunciativo deve conter um verbo ou um modo do verbo, que foi enunciado anteriormente.

18. Então, quando ele diz: Das enunciações que são unas, a enunciação simples é um tipo, etc., ele manifesta a divisão da enunciação pelas naturezas das partes. Ele disse que a enunciação é una quando significa uma coisa ou é una por conjunção. A base desta divisão é a natureza do uno, que é tal que pode ser dividido em simples e composto. Por isso, Aristóteles diz: Destas, isto é, das enunciações em que o uno é dividido, que são ditas unas ou porque a enunciação significa uma coisa simplesmente, ou porque é una por conjunção, a enunciação simples é um tipo, isto é, a enunciação que significa uma coisa. E para excluir o entendimento disto como significando uma coisa do mesmo modo que o nome ou o verbo significam uma coisa, ele acrescenta: algo afirmado de algo, isto é, por modo de composição, ou algo negado de algo, isto é, por modo de divisão. O outro tipo — a enunciação que é dita una por conjunção — é composta, isto é, discurso composto destas enunciações simples. Em outras palavras, ele está dizendo que a unidade da enunciação é dividida em simples e composta, assim como o uno é dividido em simples e composto.

19. Ele manifesta a segunda divisão da enunciação onde diz: A enunciação simples é som vocal que significa que algo pertence ou não pertence a um sujeito, isto é, a divisão da enunciação em afirmação e negação. Esta é uma divisão que pertence primariamente à enunciação simples e consequentemente à enunciação composta; portanto, a fim de sugerir a base da divisão, ele diz que uma enunciação simples é som vocal que significa que algo pertence a um sujeito, o que pertence à afirmação, ou não pertence a um sujeito, o que pertence à negação. E para tornar claro que isto não deve ser entendido apenas do tempo presente, ele acrescenta: segundo as divisões do tempo, isto é, isto vale para outros tempos tanto quanto para o presente.

20. Alexandre pensou que Aristóteles estava definindo a enunciação aqui e, porque ele parece pôr afirmação e negação na "definição", ele tomou isto como significando que a enunciação não é o gênero da afirmação e da negação, pois a espécie jamais é posta na definição do gênero. Ora, o que não é predicado univocamente de muitos (a saber, porque não significa algo uno que é comum a muitos) não pode ser dado a conhecer senão através dos muitos que são significados. "Uno" não é dito equivocamente do simples e do composto, mas primária e consequentemente, e por isso Aristóteles sempre usou tanto "simples" quanto "composto" no raciocínio precedente para dar a conhecer a unidade da enunciação. Ora, aqui ele parece usar afirmação e negação para dar a conhecer a enunciação; portanto, Alexandre tomou isto como significando que a enunciação não é dita da afirmação e da negação univocamente como um gênero de suas espécies.

21. Mas o contrário parece ser o caso, pois o Filósofo subsequentemente usa o nome "enunciação" como um gênero quando, ao definir afirmação e negação, ele diz: A afirmação é a enunciação de algo acerca de algo, isto é, por modo de composição; a negação é a enunciação de algo separado de algo, isto é, por modo de divisão.

Ademais, não é costume usar um nome equívoco para dar a conhecer as coisas que ele significa. Boécio, por esta razão, diz que Aristóteles, com sua brevidade costumeira, está usando ao mesmo tempo a definição e sua divisão. Portanto, quando ele diz que algo pertence ou não pertence a um sujeito, ele não está se referindo à definição da enunciação, mas à sua divisão.

Contudo, uma vez que as diferenças que dividem um gênero não caem em sua definição e uma vez que som vocal que significa não é uma definição suficiente da enunciação, Porfírio pensou que seria melhor dizer que toda a expressão: som vocal que significa que algo pertence ou não pertence a um sujeito é a definição da enunciação. Segundo sua exposição, não são afirmação e negação que são postas na definição, mas a capacidade para afirmação e negação, isto é, aquilo de que a enunciação é sinal, que é ser ou não ser, o que é anterior por natureza à enunciação. Então, imediatamente após isto, ele define a afirmação e a negação em termos de si mesmas quando diz: A afirmação é a enunciação de algo acerca de algo; a negação, a enunciação de algo separado de algo.

Mas, assim como as espécies não devem ser enunciadas na definição do gênero, tampouco o devem as propriedades das espécies. Ora, significar ser é a propriedade da afirmação, e significar não ser, a propriedade da negação. Portanto, Amônio pensou que seria melhor dizer que a enunciação não foi definida aqui, mas apenas dividida. Pois a definição foi postulada acima, quando foi dito que a enunciação é discurso em que há verdade ou falsidade — definição na qual não se faz menção nem de afirmação nem de negação.

Deve-se notar, contudo, que Aristóteles procede aqui com muita habilidade, pois ele divide o gênero, não em espécies, mas em diferenças específicas. Ele não diz que a enunciação é uma afirmação ou negação, mas som vocal que significa que algo pertence a um sujeito, que é a diferença específica da afirmação, ou não pertence a um sujeito, que é a diferença específica da negação. Então, quando ele acrescenta: A afirmação é a enunciação de algo acerca de algo, que significa ser, e a negação é a enunciação de algo separado de algo, que significa não ser, ele estabelece a definição das espécies unindo as diferenças ao gênero.