Prólogo
Paulo escreve de novo esta Epístola aos coríntios, dos quais havia corrigido suficientemente alguns pela primeira Epístola; mas alguns deles ainda estavam oprimidos por este erro: preferiam os falsos doutores a Paulo, acusando Paulo da simplicidade de sua linguagem, exaltando os falsos apóstolos na sabedoria carnal. Por isso nesta Epístola também se demora bastante em deprimir os falsos doutores e em recomendar o seu apostolado; antes de tudo, aconselhando no bem os que eram justos entre os coríntios, quer os que agora haviam sido bem corrigidos pela Epístola de Paulo, quer os que perseveraram desde o princípio da fé recebida; estes, com efeito, sofriam muito de irmãos perversos, que aqueles falsos apóstolos incitavam contra os santos. E, consolando indistintamente todos os bons, a respeito daquele que nominalmente repreendera, por ter presumido tomar a mulher do pai, porque soube que foi bem corrigido, dá preceito singular, para que fosse restituído à Igreja, da qual suportou humildemente ter-se alienado por causa do pecado. Quanto às coletas também, de que lhes havia escrito na primeira Epístola, trata nesta mais amplamente, para que, os que haviam abusado da breve admoestação, com a admoestação repetida e mais prolongada sobre o mesmo não ousem desprezar. Nesta Epístola, a matéria são os próprios coríntios, corrigidos ou não corrigidos: trata deles consolando os bons, para que não desfaleçam nas adversidades, mas, pela paciência das tribulações, progridam à porfia no aumento das virtudes; aos não corrigidos, porém, censura o erro e o pecado, com a intenção, tida em ambos, de reduzir a diversidade deles a certa unidade, a saber, para que tanto os bons progridam para o melhor, quanto os maus, afastando-se do seu erro, sigam os bons por salutar imitação.