Prólogo
Escreve de novo esta Epístola aos tessalonicenses porque, na precedente, das palavras de Paulo, onde dissera: «nós, os que vivemos, seremos arrebatados ao encontro do Senhor nos ares», etc., tinham tomado a suspeita de que, estando eles vivos, viria o Anticristo e o dia do juízo; por isso estavam muitíssimo aterrados. Mas, como era mau que fossem aterrados por uma falsidade, julgou Paulo escrever-lhes de novo, para que, não se determinando esta ambiguidade, não acontecesse que, passados os dias de Paulo, achassem que não ocorrera o que julgavam que Paulo assim predissera, e nisto e em tudo o que ensinara acusassem Paulo de mentira, e assim se afastassem do caminho da verdade que lhes transmitira. Além disso, outro mal podia advir desta dúvida: que Satanás, vendo-os crer em juízo futuro e próximo, se mostrasse no ar insignemente ornado de diadema e, afirmando-se Cristo que vem para o juízo, enganasse os tessalonicenses, para cuja perversão tanto mais trabalhava quanto sabia serem mais perfeitos; ou, aparecendo-lhes em sonhos, os iludisse no mesmo. Escreveu também de novo porque aqueles curiosos e ociosos não tinham sido corrigidos pela ordem de Paulo. Escreveu de novo porque as perseguições, para cuja paciência os armara na primeira, ainda não tinham cessado, mas talvez tivessem aumentado. Estas três coisas — as perseguições, o dia do juízo e aqueles incorrigidos — tiveram por matéria, armando-os para tudo padecer, mostrando aos justos que são atribulados a glória, e a seus atribuladores a futura condenação; determinando também por sinais certos e evidentes o futuro dia do juízo; e mandando que aqueles incorrigidos fossem separados da comunhão da Igreja, não escrevendo contudo a eles, mas à Igreja a respeito deles. Com esta intenção assim age: para que os que padecem por Cristo perseverem no sofrimento; para que os que estavam aterrados, julgando próximo o juízo, não sejam aterrados por uma falsidade; e para que os que ainda estavam incorrigidos, ao menos envergonhados de se verem lançados fora da comunhão dos outros, recobrem o juízo.