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LIÇÃO 5 - Os Cinco Sentidos do Termo Natureza

TEXTO DE ARISTÓTELES Capítulo 4: 1014b 15-1015a 20

413. Natureza significa, em um sentido, a geração das coisas que nascem, como se alguém pronunciasse a letra u [em φύσις] prolongada. E em outro sentido significa o princípio imanente do qual qualquer coisa gerada é primeiramente produzida. Novamente, significa a fonte do movimento primário em quaisquer entes que são por natureza, e está em cada um enquanto tal. Ora, todas aquelas coisas são ditas nascer que crescem através de algo outro por contato e por coexistência, ou por estarem naturalmente unidas, como no caso dos embriões. Mas nascer junto difere do tocar, pois neste último caso não é necessário nada além do contato. Mas nas coisas que estão naturalmente unidas há algo uno e mesmo em ambas, em vez de contato, que as faz ser uma, e que as faz ser uma em quantidade e continuidade, mas não em qualidade. Novamente, natureza significa a coisa primária da qual um ente natural é composto ou a partir da qual vem a ser, quando é informe e imutável por sua própria potência; por exemplo, o bronze de uma estátua ou de objetos de bronze é dito ser sua natureza, e a madeira das coisas de madeira, e o mesmo se aplica no caso de outras coisas. Pois cada coisa vem destas, embora sua matéria primária seja preservada. Pois é também neste sentido que os homens falam dos elementos dos entes naturais como sua natureza; alguns chamando-a de fogo, outros de terra, outros de água, outros de ar, e outros de algo semelhante a estes, enquanto outros chamam todos eles de natureza. Em ainda outro sentido, natureza significa a substância das coisas que são por natureza, como aqueles que dizem que natureza é a composição primária de uma coisa, como Empédocles diz: "De nada que existe há natureza, mas apenas a mistura e a separação do que foi misturado. Natureza é apenas o nome que os homens dão a estas coisas." Por esta razão, não dizemos que as coisas que são ou vêm a ser por natureza têm uma natureza, mesmo quando aquilo a partir do qual elas podem ser ou vir a ser já está presente, enquanto não tiverem sua forma ou espécie. Portanto, aquilo que é composto de ambas estas coisas existe por natureza, como os animais e suas partes.

414. Novamente, natureza é a matéria primária de uma coisa, e isto em dois sentidos: ou o que é primário com respeito a esta coisa particular, ou primário em geral; por exemplo, a matéria primária de objetos de bronze é o bronze, mas em geral é talvez a água, se tudo que é capaz de ser liquefeito é água. E natureza é também a forma ou substância de uma coisa, i.e., o termo do processo de geração. Mas metaforicamente falando, toda substância em geral é chamada natureza por causa da forma ou espécie, pois a natureza de uma coisa é também um tipo de substância.

415. Portanto, a partir do que foi dito, em seu sentido primário e próprio, natureza é a substância daquelas coisas que têm dentro de si mesmas enquanto tais a fonte de seu movimento. Pois a matéria é chamada natureza porque é receptiva disto. E os processos de geração e crescimento são chamados natureza porque são movimentos que procedem dela. E natureza é a fonte de movimento naquelas coisas que são por natureza, e é algo presente nelas seja em potência seja em completa atualidade.

COMENTÁRIO

Natureza

808. Aqui ele dá os diferentes significados do termo natureza. E embora uma investigação do termo natureza pareça não pertencer à filosofia primeira, mas antes à filosofia da natureza, ele dá todavia os diferentes significados deste termo aqui, porque segundo um de seus significados comuns, natureza é predicada de toda substância, como ele tornará claro. Portanto, cai sob a consideração da filosofia primeira assim como a substância universal.

Quanto ao primeiro, ele faz duas coisas. Primeiro (808), ele distingue os diferentes sentidos em que o termo natureza é usado. Segundo (824), ele reduz todos estes a uma noção primária ("Portanto, a partir do que").

Quanto ao primeiro, ele faz duas coisas. Primeiro, ele dá cinco sentidos principais em que o termo natureza é usado. Segundo (821), ele dá dois sentidos adicionais ligados aos dois últimos destes ("Novamente, natureza").

(1) Ele diz, portanto, primeiramente, que em um sentido natureza significa o processo de geração das coisas que são geradas, ou, segundo outro texto que o afirma de modo melhor, "das coisas que nascem". Pois nem tudo que é gerado pode ser dito nascer, mas apenas as coisas vivas, por exemplo, plantas e animais e suas partes. A geração de coisas não vivas não pode ser chamada natureza, propriamente falando, segundo o uso comum do termo, mas apenas a geração de coisas vivas, na medida em que natureza pode significar a natividade ou nascimento de uma coisa... Contudo, mesmo a partir deste texto pode-se entender que o termo natureza significa a geração das coisas vivas por um certo alongamento ou extensão de uso.

809. Novamente, do fato de que natureza foi usada primeiramente para designar o nascimento de uma coisa seguiu-se um segundo uso do termo, de modo que natureza veio a significar o princípio de geração a partir do qual uma coisa vem a ser, ou aquilo a partir do qual como de um princípio intrínseco algo nascido é primeiramente gerado.

810. E como resultado da semelhança entre nascimento e outros tipos de movimento, o significado do termo natureza foi estendido mais adiante, de modo que em um terceiro sentido significa a fonte da qual o movimento começa em qualquer ente segundo sua natureza, desde que esteja presente nele enquanto tal ente e não acidentalmente. Por exemplo, o princípio da saúde, que é a arte médica, não está presente num médico que está doente enquanto está doente, mas enquanto é médico. E ele não é curado enquanto é médico, mas enquanto está doente; e assim a fonte do movimento não está nele enquanto é movido. Esta é a definição de natureza dada no Livro II da Física.

811. E porque ele mencionou coisas que nascem, ele mostra também o que significa propriamente "nascer", como diz outro texto, e em lugar do qual este texto diz incorretamente "ser gerado". Pois a geração das coisas vivas difere da das coisas não vivas, porque uma coisa não viva não é gerada por ser unida ou ligada ao seu gerador, como o fogo é gerado pelo fogo e a água pela água. Mas a geração de uma coisa viva vem a ser através de algum tipo de união com o princípio de geração. E porque a adição de quantidade à quantidade causa aumento, portanto na geração das coisas vivas parece haver um certo aumento, como quando uma árvore produz folhas e frutos. Portanto, ele diz que aquelas coisas são ditas nascer que "crescem", i.e., têm algum aumento junto com o princípio de geração [i.e., multiplicam-se].

812. Mas esse tipo de aumento difere daquela classe de movimento que é chamada de aumento [ou crescimento], pela qual as coisas já nascidas são movidas ou alteradas. Pois uma coisa que aumenta dentro de si o faz porque a parte adicionada se transmite à substância dessa coisa, assim como o alimento se transmite à substância do ser nutrido. Mas qualquer coisa que nasce é adicionada à coisa da qual nasce como algo outro e diferente, e não como algo que se transmite à sua substância. Por isso ele diz que aumenta "através de algo distinto" ou algo outro, como se dissesse que esse aumento ocorre pela adição de algo que é outro ou diferente.

813. Mas a adição que produz aumento pode ser entendida de duas maneiras: de um modo, "pelo toque", i.e., apenas pelo contato; de outro modo, "pela existência conjunta", i.e., pelo fato de duas coisas serem produzidas juntas e naturalmente conectadas entre si, como os braços e os tendões; "e pela união", i.e., pelo fato de algo estar naturalmente adaptado a algo outro já existente, como o cabelo à cabeça e os dentes às gengivas. No lugar disso, outro texto lê, mais apropriadamente, "por nascer junto com" e "por estar conectado ao nascer". Ora, na geração dos seres vivos, a adição não ocorre apenas pelo contato, mas também por um tipo de junção ou conexão natural, como é evidente no caso dos embriões, que não apenas estão em contato no útero, mas também estão ligados a ele no início de sua geração.

814. Além disso, ele indica a diferença entre esses dois, dizendo que "ser fundido", i.e., estar ligado, ou "estar conectado ao nascer", como diz outro texto, difere do contato, porque no caso do contato não é necessário haver nada além das coisas em contato que as torne uma. Mas no caso das coisas que estão ligadas, seja naturalmente conectadas ou nascidas juntas e unidas ao nascer, deve haver algo uno "em vez do contato", i.e., no lugar do contato, que as faça "estar naturalmente unidas", i.e., unidas ou ligadas ou nascidas juntas. Além disso, deve-se entender que a coisa que as faz ser uma as torna uma em quantidade e continuidade, mas não em qualidade; porque um vínculo não altera as coisas ligadas de suas próprias disposições.

815. E a partir disso é evidente que qualquer coisa que nasce está sempre conectada com a coisa da qual nasce. Portanto, a natureza nunca significa um princípio extrínseco, mas em todo sentido em que é usada, é tomada como significando um princípio intrínseco.

816. (4) E deste terceiro significado de natureza segue-se um quarto. Pois se a fonte de movimento nos corpos naturais é chamada de sua natureza, e pareceu a alguns que o princípio de movimento nos corpos naturais é a matéria, foi por essa razão que a matéria passou a ser chamada de natureza, que é tomada como princípio de uma coisa tanto quanto ao seu ser quanto ao seu devir. E também é considerada sem qualquer forma, e não é movida por si mesma, mas por algo outro. Ele diz, portanto, que natureza é dita daquilo primário do qual qualquer ser é composto ou a partir do qual vem a ser.

817. Ele diz isso porque a matéria é um princípio tanto do ser quanto do devir. Por isso ele diz que "é sem ordem", i.e., forma; e por essa razão outro texto diz "quando está informe"; pois no caso de algumas coisas, sua ordem (ou arranjo) é considerada como sua forma, como no caso de um exército ou de uma cidade. E por essa razão ele diz que é "imutável por seu próprio poder", i.e., não pode ser movida por seu próprio poder, mas pelo de um agente superior. Pois a matéria não se move a si mesma para adquirir uma forma, mas é movida por um agente superior e extrínseco. Por exemplo, poderíamos dizer que "o bronze é a natureza de uma estátua ou de vasos de bronze" ou "a madeira é a natureza de objetos de madeira", como se tais vasos fossem corpos naturais. O mesmo é verdade para tudo o mais que é composto de ou vem a ser a partir da matéria; pois cada coisa vem a ser a partir de sua matéria, embora esta seja preservada. Mas no processo de geração, as disposições de uma forma não são preservadas; pois quando uma forma é introduzida, outra é expulsa. E por essa razão pareceu a alguns pensadores que as formas são acidentes e que apenas a matéria é substância e natureza, como ele aponta na Física, Livro II.

818. Eles sustentavam essa visão porque consideravam a matéria e a forma dos corpos naturais da mesma maneira que consideravam a matéria e a forma das coisas feitas pela arte, nas quais as formas são meros acidentes e apenas a matéria é substância. Foi nesse sentido que os filósofos da natureza disseram que os elementos são a matéria das coisas que vêm a ser por natureza, i.e., água, ar, fogo ou terra, que nenhum filósofo sustentou ser o elemento dos seres naturais por si só, embora alguns daqueles que não eram filósofos da natureza tenham sustentado isso, como foi dito no Livro I (134). E alguns filósofos, como Parmênides, sustentaram que alguns desses são os elementos e naturezas das coisas; outros, como Empédocles, sustentaram que todos os quatro são os elementos das coisas; e ainda outros, como Heráclito, sustentaram que algo diferente é o elemento das coisas, pois ele afirmava que o vapor desempenha esse papel.

819. (5) Ora, porque o movimento é causado nos corpos naturais pela forma mais do que pela matéria, ele acrescenta, portanto, um quinto sentido no qual o termo natureza é usado: aquele no qual natureza significa a forma de uma coisa. Portanto, em outro sentido, natureza significa "a substância das coisas", i.e., a forma das coisas, que são por natureza. Foi nesse sentido que alguns disseram que a natureza das coisas é a composição dos corpos mistos, como Empédocles disse que não há nada absoluto no mundo, mas que apenas a alteração ou afrouxamento (ou mistura, segundo outro texto) do que foi misturado é chamado de natureza pelos homens. Pois eles disseram que as coisas compostas de diferentes misturas têm naturezas diferentes.

820. Ora, eles foram levados a sustentar que a forma é natureza por este processo de raciocínio: as coisas que existem ou vêm a ser por natureza não são ditas ter uma natureza, mesmo que a matéria da qual elas estão naturalmente dispostas a ser ou vir a ser já esteja presente, a menos que tenham uma espécie própria e uma forma através da qual adquirem sua espécie. Ora, o termo espécie parece ser dado no lugar de forma substancial, e o termo forma no lugar de figura, que é um resultado natural da espécie e um sinal dela. Portanto, se a forma é natureza, uma coisa não pode ser dita ter uma natureza a menos que tenha uma forma. Portanto, aquilo que é composto de matéria e forma "é dito ser por natureza", i.e., de acordo com a natureza, como animais e as partes dos animais, como carne e ossos e coisas semelhantes.

821. Novamente, natureza (414).

Então ele dá dois significados de natureza que estão conectados com os dois últimos precedentes, e o primeiro deles é adicionado ao quarto sentido de natureza, no qual significa a matéria de uma coisa. E ele diz que nem todo tipo de matéria é dito ser a natureza de uma coisa, mas apenas a matéria primeira. Isso pode ser entendido em dois sentidos: ou com referência a algo genérico, ou com referência a algo que é primeiro absolutamente ou sem qualificação. Por exemplo, a matéria primeira genericamente das coisas artificiais produzidas a partir do bronze é o bronze; mas sua matéria primeira sem qualificação é a água; pois todas as coisas que são liquefeitas pelo calor e solidificadas pelo frio têm o caráter da água, como ele diz no Livro IV dos Meteoros.

822. Ele liga o segundo desses significados adicionais ao quinto sentido de natureza mencionado acima, segundo o qual natureza significa forma. E nesse sentido, não apenas a forma da parte (forma partis) é chamada de natureza, mas a espécie é a forma do todo (forma totius). Por exemplo, poderíamos dizer que a natureza do homem não é apenas uma alma, mas a humanidade e a substância significada pela definição. Pois é desse ponto de vista que Boécio diz que a natureza de uma coisa é a diferença específica que informa cada coisa, porque a diferença específica é o princípio que completa a substância de uma coisa e lhe dá sua espécie. E assim como a forma ou a matéria é chamada de natureza porque é um princípio de geração, que é o significado de natureza de acordo com o uso original do termo, de maneira semelhante a espécie ou substância de uma coisa é chamada de sua natureza porque é o fim do processo de geração. Pois o processo de geração termina na espécie da coisa gerada, que é um resultado da união de matéria e forma.

823. E por causa disso, toda substância é chamada de natureza segundo um tipo de uso metafórico e extenso do termo; pois a natureza que falamos como término da geração é uma substância. Assim, toda substância é similar ao que chamamos natureza. Boécio também dá esse significado do termo. Além disso, é por causa desse significado que o termo natureza é distinguido de outros termos comuns. Pois é comum dessa maneira, assim como substância também é.

824. Portanto, a partir disso (415).

Então ele reduz todos os sentidos anteriores do termo natureza a uma noção comum. Mas deve-se notar que a redução dos outros sentidos a um sentido primário pode acontecer de duas maneiras: de um modo, com referência à ordem que as coisas têm; e de outro modo, com referência à ordem que é observada ao dar nomes às coisas. Pois os nomes são dados às coisas conforme as entendemos, porque os nomes são sinais do que entendemos; e às vezes entendemos coisas anteriores a partir de posteriores. Portanto, algo que é anterior para nós recebe um nome que subsequentemente se adequa ao objeto desse nome. E é isso que acontece no presente caso; pois, uma vez que as formas e potências das coisas são conhecidas a partir de suas atividades, o processo de geração ou nascimento de uma coisa é o primeiro a receber o nome de natureza, e o último é a forma.

825. No que se refere, porém, à ordem que as coisas têm na realidade, o conceito de natureza se aplica primariamente à forma, porque, como foi dito (808), nada é dito ter natureza a menos que tenha uma forma.

826. Portanto, a partir do que foi dito, é evidente que "em seu sentido primário e próprio, natureza é a substância", isto é, a forma, daquelas coisas que possuem em si mesmas, como tais, a fonte de seu movimento. Pois a matéria é chamada de natureza porque é receptiva da forma; e os processos de geração recebem o nome de natureza porque são movimentos que procedem de uma forma e terminam em outras formas. E isto, ou seja, a forma, é o princípio do movimento naquelas coisas que são por natureza, seja em potência ou em ato. Pois a forma nem sempre é a causa do movimento atual, mas às vezes apenas do movimento potencial, como quando um movimento natural é impedido por um obstáculo externo, ou mesmo quando uma ação natural é impedida por um defeito na matéria.