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AS FORÇAS ANTAGONISTAS NO LÍBANO

A atualidade nos impõe esclarecer o leitor sobre os combates travados no interior do Líbano pelas diferentes facções árabo-muçulmanas: guerra religiosa dirigida contra os Cristãos e, nos períodos de calmaria, batalhas entre as milícias islâmicas pela conquista do poder. Essas lutas imbuídas de uma selvageria toda corânica deveriam, pobre satisfação, esclarecer os Ocidentais sobre a verdadeira natureza do Islã.

Neste artigo serão fornecidas apenas informações limitadas. A continuação do estudo publicada na revista fornecerá uma documentação mais completa.

AS FORÇAS CRISTÃS

Correligionários desta cristandade, cujo combate é um sinal de esperança para todas as minorias idênticas perdidas nas massas muçulmanas, devemos dar-lhes o primeiro lugar nesta exposição.

Essas forças defendem não apenas a estrutura do Estado Libanês, que faz deste país minúsculo "o único território aberto aos proscritos de todas as procedências, o único espaço onde cada um pode se expressar e trabalhar" frente ao totalitarismo islâmico, mas também lutam para evitar a eliminação física e a destruição sistemática dos locais de oração dos Cristãos de todos os ritos, implantados em todas as regiões e representando mais da metade da população antes de 1975, início dos massacres.

É preciso saber que neste Líbano, "refúgio de segurança e tranquilidade", viviam em boa harmonia árabes de todas as origens, drusos, curdos, persas, gregos, russos brancos, armênios, italianos, franceses, bem como outros ocidentais e americanos.

Quanto aos Cristãos, era possível contabilizar:

  • Os Sírios e os Assírio-Caldeus vindos do Iraque;
  • Os Gregos-Ortodoxos e seus refugiados da Síria ou da Jordânia;
  • Os Armênios protestantes, ortodoxos (Patriarcado de Antélias) e católicos (Patriarcado de Bzommar);
  • Os Melquitas (greco-católicos) com seu Patriarcado de Aïn-Traz;
  • Os Maronitas (católicos) e seu Patriarcado de Bkerké;
  • Os Católicos Latinos, muitos dos quais vieram da Palestina desde a criação de Israel;

TODOS intimamente misturados no terreno com os muçulmanos Sunitas e Xiitas das diferentes seitas.

Na origem das Forças Cristãs está o Círculo Esportivo das Falanges (em árabe: Kataëb), criado por Pierre Gemayel (1905-1984), pai de Béchir e Amine.

Dez anos depois, nascia o Movimento Falangista, também denominado Reunião Libanesa ou Partido Democrata Social. Os principais elementos doutrinários foram emprestados da obra de Emmanuel Mounier, falecido em 1950.

A apresentação dos Kataëb, desde 1975, pela mídia ocidental é uma questão de desinformação e mentira. Jornalistas e políticos o transformaram em um movimento fascista e de extrema direita! Os massacres dos Cristãos foram, na sequência, justificados pelas revistas e jornais franceses, salvo raras exceções, como a punição merecida por suas provocações, sua atitude sectária e suas ações terroristas.

Béchir Gemayel simbolizou a luta pela preservação dos princípios e tradições cristãs e, aos olhos de todos os habitantes, o combate por um Líbano liberal e democrático. Isso explica sua eleição à Presidência do Estado e, imediatamente, sua eliminação brutal pelos pró-sírios.

Cheik Béchir fundou em 1976 as Forças Libanesas, exército da resistência libanesa, reunindo

os Kataëbs — 75 % dos efetivos e os mais sólidos; os Noumour (tigres) do Partido Nacional Liberal de Camille Chamoun e de seu filho Dany, o atual Presidente; o Tanzim, a Organização de Abou Roy e os Guardiões do Cedro de Abou Arz. O armamento desses homens era ridiculamente fraco comparado ao dos palestinos de Arafat, financiados pelos petrodólares.

Após o desaparecimento em setembro de 1982 do chefe incontestado de todos os libaneses e a ascensão de seu irmão Amine à Presidência, a estrutura multiconfessional do Estado foi imediatamente posta em questão.

Com a cumplicidade das forças de Israel, que haviam obrigado os palestinos a se reembarcarem, o assalto final contra os cristãos começou em 1983. Os xiitas, excitados pelos pregadores iranianos, entregaram-se às piores atrocidades no sul do Líbano e ao longo da costa mediterrânea até Beirute-Oeste. Os drusos socialistas da família feudal Joumblatt fizeram o mesmo no Chouf. Diante desses militares com armamento pesado soviético entregue pelos sírios, sob o olhar do Tsahal, o combate só pôde ser uma manobra de retardamento.

Já em 1984, o novo chefe das F.L., Fadi Frem, ajudado por seu chefe de Estado-Maior Fouad Abou Nader e pelo Comandante da frente norte Samir Géagéa, reorganizou seu exército. Ele montou um batalhão motorizado e uma unidade de paraquedistas.

Desde 1978, as bases doutrinárias do nacionalismo cristão eram fornecidas pelos pensadores do Reagrupamento dos Intelectuais Cristãos, partidários de um regime federal com identidade libanesa em oposição à identidade árabe e único capaz de assegurar os direitos do povo cristão. Seu líder era o advogado Walid Farès.

As manobras de Amine Gemayel, chefe do Partido Kataëb e Presidente do Estado, as pressões da Igreja Grega Ortodoxa, habituada à "dhimmitude", provocavam uma asfixia progressiva, política, financeira e moral da Resistência Cristã. No início do ano de 1985, um movimento de renovação foi desencadeado por Samir Géagéa e Elie Hobeika. Além disso, uma nova coalizão cristã (Frente Libanesa) foi criada, tendo como Presidente Camille Chamoun, secretário-geral Edouard Honein e, no Comitê Diretor, Fouad Frem Boustani, Dany Chamoun, Presidente do P.N.L., e Walid Farès.

A reação muçulmana não tardou. Os massacres recomeçaram... Finalmente, Samir Géagéa se afastou e Hobeika teve que se aproximar de Damasco. Isso não convenceu aquele que se quer protetor do Líbano, pois um atentado com caminhão-bomba durante uma reunião do estado-maior da Frente por pouco não atingiu seu alvo no outono do mesmo ano.

Atualmente, as Forças Libanesas foram eliminadas do Chouf. Elas defendem uma zona apoiada na montanha, começando por Beirute Leste e seguindo pela beira-mar até Batroun. O principal porto é o de Jounieh. Elas mantêm esse reduto cristão, onde se apertam dezenas de milhares de refugiados.

Pouco distante dessa zona, mas cercada pelas tropas sírias, mantém-se a cidade de Zahlé e seus quinze mil cristãos. No sul do Chouf, em frente a Saïda, um enclave maronita resiste à pressão xiita, em torno da cidade de Jezzine. Esse setor parece ser defendido pelas forças cristãs do General Antoine Lahad.

Por enquanto, a calma parece ter voltado. Uma partição do território libanês foi realizada manu militari. O entendimento israelo-sírio tornou-se flagrante. O que o futuro reserva? Enquanto isso, aqueles que pagaram o preço das operações são os cristãos e esses exilados árabes da Palestina, que são os palestinos.

OS PALESTINOS

Catalisadores do ódio anticristão e primeiros responsáveis pelo caos libanês, esses homens começaram a deixar o novo Estado de Israel já em 1948. Refugiaram-se nos países vizinhos: na faixa egípcia de Gaza, na Jordânia e no Líbano. Esses dois últimos receberam a maioria. Finalmente, após a anexação da Cisjordânia e a repressão antifeddayin do Rei Hussein, só restou o Líbano para acolhê-los, segundo sua tradição ancestral de tolerância e caridade.

Os jovens, emigrados quando crianças, criaram a organização "El-Fath" — a vitória — em torno de um grupo que publicava em Beirute um pequeno jornal. Os animadores do agrupamento, incluindo os dois chefes Khalil e Wasir e Yasser Arafat, estabeleceram-se em Stuttgart, na R.F.A., e fizeram seus estudos na Universidade. A ajuda da F.L.N. argelina era-lhes garantida. Desde 1962, os campos de Cherchell e de Paul-Cazelles serviram de bases de treinamento para os Fedayins. Desde 1961, os oficiais baathistas da Síria haviam acolhido, financiado e treinado outros membros do Fath. Mais ainda, em 1966, foi a ala esquerda do Baath, partidária do socialismo revolucionário, que tomou o poder. Querendo ser líder da luta contra Israel, forte do apoio da U.R.S.S., a Síria tornar-se-ia o centro organizador do Fath.

Preocupado em contrabalançar a importância desse movimento claramente pró-soviético, Nasser e a Arábia Saudita haviam criado em 1964 uma organização menos esquerdista, a Organização de Libertação da Palestina, O.L.P., dirigida por Ahmed Choukairi e que reunia, armava e treinava outros refugiados. O sucesso fulminante do Tsahal na Guerra dos Seis Dias e a ocupação da Cisjordânia forneceriam milhares de combatentes às duas organizações.

Houari Boumediene conseguiu fazer com que os protetores dos palestinos aceitassem a criação de uma estrutura idêntica à da F.L.N. e da A.L.N.: união de todos os grupos para personalizar a resistência em um governo provisório no exílio e um forte exército de libertação presente em um país vizinho de Israel, para evitar qualquer aplicação de uma solução que não tivesse seu acordo. A humilhação coletiva de todos os Estados muçulmanos permitirá a disponibilização, às tropas do Fath e da O.L.P., de enormes recursos financeiros transformados incansavelmente em material militar moderno. No plano estratégico, foi decidido que nenhuma operação seria lançada de dentro das fronteiras de Israel, mas sim a partir dos campos na Jordânia e no Líbano.

Em breve, esse infeliz país se tornou a terra de eleição dos Fedayin. Em 1969, sob pressão de Nasser, o Presidente libanês Hélou teve que aceitar a autonomia completa do exército palestino. Mais de quinhentos mil no início de 70, os emigrantes se comportaram como donos do território, escapando às leis do Estado, mas impondo as suas. Sob o pretexto de assediar Israel, a O.L.P. e Yasser Arafat talhavam um território alternativo.

Os muçulmanos xiitas ou sunitas habitantes da região, que viviam em paz com os cristãos, deixaram-se arrastar para a operação conforme a lei corânica. Em abril de 1975, os muçulmanos do Sul e os palestinos, muito melhor armados que seu futuro adversário, conseguiram, por suas selvagens atrocidades, arrastar os Kataëb para a guerra.

Os palestinos armados e seus recrutas estrangeiros dividiam-se entre:

  • El-Fath de Yasser Arafat, também Presidente do Comitê Executivo da O.L.P., tendo como segundo Abou Ayad;
  • A Frente Popular de Libertação da Palestina (F.P.L.P.), grupo marxista desejoso de suplantar o El-Fath;
  • A Frente Democrática de Libertação da Palestina (F.D.L.P.), ainda mais à esquerda que a anterior. Seu chefe é Nayef Hawamen, seu ideólogo o Doutor Habache. A Frente recebeu, desde 1972, a ajuda da organização esquerdista japonesa "Exército Vermelho". Todos os métodos violentos são admitidos;
  • O Comando Geral da F.D.L.P. (F.D.L.P. - C.G.), sob as ordens do sírio Ahmed Jibril, abertamente marxista-leninista. Seus homens são formados perto de Moscou, nos campos do K.G.B. e do G.R.U. Centros de trânsito e abastecimento existem em várias capitais de países do Leste.

É Jibril quem obteve dos israelenses a libertação de várias centenas de prisioneiros muçulmanos, principalmente xiitas da Cisjordânia. Entre eles, o japonês Kozo Okamoto, do Exército Vermelho. Tanto quanto é possível descobrir os motivos desse gesto, parece que Israel tenta agradar a Damasco, dando importância a um de seus homens e, através dele, obter da U.R.S.S. que acalme um pouco Hafez El Assad e deixe emigrar os judeus da Rússia... cálculo tenebroso que parece estar se realizando e revelar um acordo entre Jerusalém e Damasco para eliminar os palestinos.

  • O Exército de Libertação da Palestina, milícia sírio-palestina, equipada e controlada por Damasco;
  • A Saïka, pequena milícia palestina pró-síria de Zoheir Mohsen.

Israel teve que intervir para liberar a Galileia, atacada diariamente. Foi a intervenção de 1982 que conduziu o Tsahal até Beirute. Sob a pressão das boas almas ocidentais, exclusivamente sensíveis aos justos infortúnios dos inimigos da Cristandade, Yasser Arafat e seus homens, cercados, puderam escapar do esmagamento e alcançar Estados amigos. Rearmados, voltaram no ano seguinte em torno de Trípoli. Atacados pelas tropas xiitas e sírias, foram novamente salvos pelos tão generosos socialistas europeus, entre os quais se distinguiram os dirigentes franceses!

OS XIITAS

Eles reúnem no Líbano mais de oitocentos mil seguidores, ou seja, metade da população muçulmana e um quarto dos habitantes.

Desde o início da intervenção militar israelense, os numerosos xiitas que habitam o Sul do Líbano receberam favoravelmente os soldados da estrela de Davi. No entanto, eles eram doutrinados desde os anos sessenta por líderes antijudaicos e antiocidentais, com a bênção do Xá Mohammad Reza Pahlavi. Foi em 1961 que o aiatolá Moussa Sadr, assassinado desde então na Líbia, criou o movimento Afwat al Moukawama al Lunaniya (A.M.A.L. em francês: esperança). Diante da atitude dos xiitas libaneses, que muito sofreram com as exações palestinas, e para evitar a virada do Amal para um entendimento com Israel e os cristãos a fim de restabelecer um Líbano independente, a Síria importou uma série de falsos ou verdadeiros aiatolás e mulás, bem como militantes de choque. A cidade de Baalbek, no Bekaa, tornou-se seu quartel-general. O rico advogado Nabih Berri, com passaporte americano, tornou-se secretário-geral do Amal, e Hassan Hashin, o presidente executivo.

O chefe dos xiitas do Sul do Líbano, Mahmoud El-Faqih, sinalizou o deslizamento do Amal para a órbita de Khomeini e contesta as posições de Berri. A influência iraniana acabou se concretizando na formação de dois grupos, partidários da guerra sem trégua e sob todas as formas possíveis contra os ocidentais, os cristãos, os americanos e Israel... que abastece os exércitos iranianos em guerra contra o Iraque!!

  • AMAL Islâmico, criado em 1980, dirigido por Hussein Moussawi. O centro está situado em Yanta, no Bekaa. A luta é estendida a tudo o que não é xiita.

  • HEZBOLLAH, grupo dito do Partido de Deus ou dos Loucos de Deus, ainda mais duro e que lembra por suas ações os "haxaxins" ismaelitas da fortaleza de Alamute na Idade Média. Dirigidos pelo Sheik Abbas El-Moussawi e Soubhi Toufelli, estão baseados em Baalbek, com fortes ramificações em Beirute-Oeste e no Sul do Líbano.

  • Jihad Islâmico não é uma organização, mas essa denominação cobre facilmente todos os atos terroristas dos muçulmanos e outros aventureiros que perambulam pelo Líbano. O qualificativo Islâmico é uma repetição para uso dos ocidentais ignorantes, pois só existe Jihad — guerra santa contra os infiéis — para os únicos discípulos de Maomé!

Esses xiitas sonham em instaurar uma República Islâmica no Líbano. Os moradores do setor xiita de Beirute e do aeroporto de Khaldé sabem no que isso consiste. Nada poderá ser feito sem o acordo de Damasco. O recente assalto das tropas sírias e das milícias laicas contra as forças integristas xiitas e os fundamentalistas sunitas em Trípoli eliminou grande parte deles, lembrou o restante da obediência a Assad e forçou a URSS a modificar um pouco sua posição.

OS SUNITAS

Em número de cerca de quinhentos mil, parecem, em sua grande maioria, os mais moderados e os menos organizados dos muçulmanos do Líbano.

Sua principal milícia, os Mourabitoum (nasserianos independentes), conheceu seu apogeu em 1975-76 em Beirute-Oeste. Era totalmente dedicada aos palestinos, em sua maioria do mesmo rito. Praticamente eliminada por uma ação druso-xiita, refugiou-se em Trípoli, onde se situa o mais importante centro sunita e onde mora seu chefe, Rachid Karamé.

  • O Movimento da Unificação Islâmica tinha certa importância em Trípoli. Seu chefe é o sheik Saïd Chabanne. É um fundamentalista, assim como o diretor de sua principal instituição teológica, Hussein Kouatly. Eles são infiltrados pelos Irmãos Muçulmanos. O ataque sírio do outono de 1985 desferiu-lhes um golpe formidável.

No geral, os sunitas deixam acontecer, satisfeitos com as vitórias dos outros muçulmanos, na esperança de um Estado sob direção islâmica. É forçoso constatar que o único motivo que realiza a unidade dos fiéis de Alá é o massacre dos cristãos e, secundariamente, o dos judeus, mas isso é realmente perigoso demais.

OS DRUSOS

Fortalecidos por suas alianças e seus sucessos, os drusos parecem ter esquecido que representam apenas três por cento da população libanesa, ou seja, cerca de cento e quarenta mil pessoas. Existem outros dois grupos, um na Síria e outro em Israel, onde têm a nacionalidade e o direito de servir no exército.

Os Drusos também são, em terra libanesa, emigrantes. Seus ancestrais, curdos sunitas, vieram se instalar no Chouf, fugindo da Síria, há vários séculos. Sua religião é tão singular quanto a dos Alauítas. Eles são adoradores do VI Califa fatímida ismaelita do Cairo, Al-Hakim, o destruidor dos Lugares Santos cristãos. Embriagado pelo seu sucesso, ele se fez reconhecer como Deus em 1014! Desde essa época, os Drusos esperam seu retorno.

Os senhores drusos instalaram um verdadeiro regime feudal com uma hierarquia muito estrita. Seus servos foram durante muito tempo os primeiros ocupantes do solo, os cristãos maronitas. Nos anos de 1840 a 1860, tentativas de contestação desse odioso sistema culminaram no massacre dos Cristãos. A França ainda não estava totalmente anestesiada. As tropas de Napoleão III intervieram. Desde essa época, os Drusos confundem na mesma raiva Cristãos e Franceses.

O atual chefe Walid Joumblatt, cujo pai foi assassinado em 1977 pelos sírios, é também Presidente do Partido Socialista Progressista. Essa qualificação de socialista abriu-lhe os braços dos partidos ocidentais. Nessa qualidade, ele é um dos vice-presidentes da Internacional Socialista, onde encontra os chefes de Estado afiliados, de Mitterrand a Shimon Peres, passando por Willy Brandt, Soares, Gonzales... etc.

Os Drusos participaram da guerra contra os Cristãos para aumentar seus feudos e, pela exterminação dos habitantes de uma grande parte do Chouf, a destruição dos locais de culto e das vilas, apagar os vestígios de suas más ações. Joumblatt e seus vinte mil milicianos esqueceram suas antigas lutas contra os xiitas e os sunitas que os desprezam, sua antiga colaboração com as forças aliadas contra Damasco e o zelo empregado pelos soldados drusos do Tsahal na caça aos terroristas muçulmanos. A barbárie desencadeada contra as populações cristãs é o preço do perdão?

PEQUENOS GRUPOS

Existem agrupamentos políticos de pouca expressão, mas que, por ocasião dos distúrbios, por meio de suas milícias, tomaram parte no massacre.

  • O Partido Comunista Libanês. Fundado em 1924, de predominância xiita. Uma milícia do P.C. participou em setembro de 1985 do ataque a Trípoli para reduzir as milícias integristas ou fundamentalistas;

  • A Organização de Ação Comunista no Líbano, que data de 1970;

  • O Partido Sírio Nacional-Social (P.S.N.S.), grupo laico-fascistizante e pró-sírio, fundado nos anos trinta por um cristão ortodoxo, Antoine Saadé. Esse grupo é o responsável pelo atentado que custou a vida ao Presidente Béchir Gemayel.

O EXÉRCITO SÍRIO

É graças à sua ação, enquadramento das milícias, abastecimento de armas e materiais pesados com o acordo tácito de Israel, que o Líbano se encontra "protegido" por Damasco e que os Cristãos, agrupados em um modesto território, só poderão se dobrar ou "fazer Camerone".

Duas razões principais guiaram a política do general-presidente Hafez El-Assad.

Em primeiro lugar, ele pertence a uma minúscula seita pseudo-muçulmana que data de 884: a Nusairiya. O sistema religioso é uma mistura de elementos cristãos, pagãos e muçulmanos. Antigamente, os adeptos estavam agrupados em uma montanha situada entre o Orontes e o Mediterrâneo, aproximadamente em frente ao porto de Lataquia. Muito mal vistos pelos muçulmanos, obtiveram do governo francês a denominação de Alauítas, no período do mandato de 1921 a 1925. Seu número nunca ultrapassou um milhão de pessoas. Com que objetivo a França favoreceu sua entrada no exército sírio? De qualquer forma, os homens dessa seita iniciática e secreta conseguiram se infiltrar no exército e tomar o poder. Eles exercem sobre os sírios uma verdadeira ditadura, com prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos e execuções sumárias. A Liga dos Direitos Humanos e a Anistia Internacional não se preocupam com isso. Aliás, o que reprovar a um chefe de Estado recebido oficialmente pelo neo-socialista Giscard e visitado obséquiosamenteobsequiosamente por François Mitterrand, durante a guerra do Líbano, 1975 no primeiro caso e 1984 no segundo.

A segunda razão é seu desejo de vingança em relação a Israel, cuja dura campanha de 1973 destruiu seu potencial militar e econômico. Tornando-se servidor dos soviéticos, ajudado pelo Irã e pela Arábia Saudita, Hafez El Assad se vê em breve como Califa da Grande Síria reconstituída. Por enquanto, ele recuperou uma boa parte do Líbano, os xiitas foram trazidos a mais moderação, os Cristãos cederam terreno e autoridade, os Drusos digerem sua vitória e os Palestinos praticamente não têm mais direito à palavra!

A liberdade, as liberdades estão em vias de desaparecer no Líbano, que foi o país do pluralismo e do respeito aos direitos e à dignidade do Homem e da Mulher. Os cristãos libaneses, e principalmente os maronitas, travaram sozinhos um terrível e demasiado desigual combate. Este último combate para o qual N.S.J.C. havia pedido antes de Sua Paixão

"... agora, aquele que tem bolsa, que a tome, bem como aquele que tem alforje, e o que não tem, venda o seu manto e compre uma espada." (São Lucas XXII – 37).

Eles obedeceram totalmente à injunção de Nosso Senhor. Que Sua Misericórdia lhes evite o pior e que possam manter-se em seu reduto, tornado o Santuário da Catolicidade.

Quanto à França, "madrinha da independência do Líbano desde São Luís", ela, mais uma vez, renegou suas tradições e suas origens; ignorou seus interesses morais e materiais permanentes. A que preço poderá obter seu perdão?

L. D.