A NOVA DIREITA E SEUS FUNDAMENTOS DOUTRINÁRIOS
Entre as correntes contemporâneas subversivas do pensamento cristão ocidental, uma das mais dinâmicas é a da "Nova Direita", representada principalmente pelo GRECE.
Seu sucesso se deve, em particular, a uma ambiguidade que repousa sobre uma diversidade notável, capaz de satisfazer naturezas diferentes: ao mesmo tempo ligada aos paganismos antigos e ao modernismo mais aguçado, a Nova Direita propõe uma gnose materialista e racionalista, a meio caminho entre a ciência e o esoterismo, para um novo "amanhecer dos magos".
Após numerosos estudos sobre as ressurgências gnósticas de coloração mística, pareceu-nos interessante publicar o estudo a seguir, de um de nossos correspondentes, que analisa aqui os fundamentos doutrinários do GRECE, seus alicerces ideológicos, bem como suas primeiras realizações: de fato, e é importante notar, a "Nova Direita" não se contenta em vaticinar, mas, sabendo aliar-se muito bem às potências de esquerda, já participou amplamente da mutação ideológica de nossos contemporâneos, especialmente no que diz respeito à contracepção, ao aborto e, amanhã, à eutanásia.
A revista Nouvelle École e a associação GRECE (Grupo de Pesquisa e Estudos para a Civilização Europeia) foram lançadas praticamente simultaneamente. A revista começou a circular em fevereiro-março de 1968, e a associação foi criada no início de março de 1968.
O primeiro encontro nacional dos dirigentes ocorreu nos dias 4 e 5 de maio de 1968, em Lyon. Eles vêm essencialmente do Europe-Action, boletim dos anos 60 abertamente nacional-socialista e racista.
A natureza dessa corrente é definida no nº 17 da revista Nouvelle Ecole:
"O G.R.E.C.E. é, de acordo com seus estatutos, uma sociedade de pensamento com vocação intelectual que tem como objetivo aprofundar os diferentes campos de investigação filosófica e científica contemporâneos, contribuir mais especialmente para o conhecimento do passado, do presente e do futuro da civilização europeia; constituir uma nova corrente de pensamento; estender sua influência e praticar a mútua ajuda."
O presidente Roger Lemoine, no folheto de apresentação do GRECE, acrescentava:
"Essa influência pode resultar tanto do crescimento da associação como tal, quanto das promoções socioprofissionais de que seus membros possam eventualmente ser objeto... Os cargos que eles obterão beneficiarão, em última análise, a corrente de pensamento da qual somos o vetor."
Esclarecimentos dados pelo mesmo homem, por um lado no artigo "Laboratórios da Inteligência" (Valeurs Actuelles de 8/11/71):
"Queremos reconciliar o pensamento liberal com o rigor científico. Queremos oferecer àqueles que reivindicam a Liberdade, sejam eles crentes ou não, uma concepção de mundo coerente."
e, por outro lado, em Nouvelle Ecole nº 9:
"GRECE é uma maçonaria de direita... Do que precisamos é de homens influentes, que tenham seu lugar nas esferas de decisão de hoje e, mais ainda, nas de amanhã."
A) ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURAS
Boa parte dos homens dirigentes provém da Europe - Action: Gilles Fournier, Alain de Benoist (também conhecido como Fabrice Laroche), Dominique Venner, P. d'Arribière, Roger Lemoine, Saint-Loup, Fr. d'Orcival, J. Mabire... e outros como Jacques Bruyas, Jean Claude Valla, Jean Yves Blochet, Philippe Milliau ou Pierre Vial são quadros do GRECE e da revista.
A distinção entre os dois é, portanto, totalmente teórica...
Entre as Personalidades que aceitaram figurar no Comitê de Patrocínio de Nouvelle Ecole e participar de sua redação, é preciso citar, de forma aleatória: Robert Ardrey, Robert Blanche, Raymond Bourgine, G. H. Bousquet, A. Brissaud, Jean Cau, Pierre Debray-Ritzen, Georges Dumézil, Thierry Maulnier, Jules Monnerot, Michel Mourlet, Louis Pauwels, Louis Rougier, Paul Sérant, Gérard Swang... Alguns talvez tenham se deixado enganar...
Quanto aos participantes – conferencistas das noites de debate ou colóquios – encontramos: Jean Gaumier, Dr. Claude Peyret, Desmond Kolborne, Maurice Bardèche, Dr. R. Soufaut, Olivier Mordrel, Pierre Bercot, Roland Laudenbach...
A Associação se compõe de membros titulares (apresentados por um padrinho e após um interrogatório rigoroso), membros associados (qualidade concedida aos anteriores que comprovaram seu valor ou dedicação, pelo C.A.), membros assistentes eleitores e elegíveis ao C.A., membros fundadores que criaram a Associação ou que foram cooptados.
Segundo seu presidente, ela contava com aproximadamente 2.000 aderentes na França e Delegados na Bélgica, Itália, RDA, Suíça, Grécia, Espanha, Suécia, Argentina, EUA e República Sul-Africana.
ESTRUTURA INTERNA
O I° RANG compreende: o "núcleo duro" denominado "Central" (membros fundadores ou cooptados) tem como papel principal garantir a manutenção de uma orientação conforme o objeto da Associação. e o Conselho de Administração formado por membros eleitos para 3 anos, renováveis por terços. Seus poderes são amplos: ele institui as comissões especializadas: "Tradições, Organização, Disciplina, Auxílio Mútuo..."
A Mesa do Conselho de Administração compreende um Presidente, uma Secretaria Administrativa e Financeira (S. A. F.), um Secretário de Estudos e Pesquisas (S. E. R.) que coordena as atividades correspondentes.
O II° RANG é constituído por
- Grupos de Estudos e Pesquisas, seções criadas pelo Conselho de Administração por iniciativa do Secretário de Estudos e Pesquisas.
- Unidades de Pesquisa que coordenam os trabalhos e as atividades dos grupos de Estudos e Pesquisas e os círculos de uma mesma região.
O III° RANG é formado pelos Círculos que se reúnem a cada quinze dias. Em Paris: pelo menos 7 voltados para H. E. C., Instituto de Estudos Políticos, Quadros e Independentes, Profissionais, Liceanos... No Interior: círculos em Lyon, Estrasburgo, Nantes, Lille, Aix-en-Provence, Marselha, Toulouse, Nice, Clermont-Ferrand... bem como Participantes de Seminários regionais, Colóquios nacionais, Palestras - Debates...
Uma Assembleia Geral reúne-se uma vez por ano.
MEIOS DE AÇÃO
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Diversas atividades culturais muito orientadas: Acampamentos - Escolas; Incursões; "Árvores de Maio e Solstícios" com vigílias, fogueiras; concertos (Wagner); visitas a Museus ou Sítios (celtas e gauleses, culto solar...); Fins de semana temáticos; cineclube...
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A revista "Nouvelle Ecole", com edições consistentes, luxuosamente apresentadas. As ilustrações são de uma estética germanista, escandinava e céltica.
A orientação da revista (a ideologia da Nova Direita) será estudada mais adiante. No entanto, é preciso notar que a ideologia do GRECE é destilada na revista com precauções de estilo notáveis e sob pretexto de examinar os conhecimentos atuais à luz da cultura europeia.
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Um boletim oficial "Elements", desde 1973.
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Publicação dos trabalhos sob todas as formas possíveis: livros, cadernos, fichas doutrinárias...
INFLUÊNCIA
Sobre certas revistas, trata-se de uma influência oculta, "suave", que pode levar as revistas a uma transformação insidiosa, resultando na adesão dos leitores... não "vacinados".
As mais importantes são: Figaro Magazine, Valeurs Actuelles, Spectacle du Monde, Magazine-Hebdo... através de homens como R. Bourgine, A. de Benoist, Patrice de Plunkett, Jean Jacques Mourreau, Michel Marmin, Jean Claude Valla...
Muitas revistas são mais locais ou mais confidenciais: "Le mouvement normand", "Jeune Bretagne", "La Bretagne réelle - Keltia", "Le Courrier Lillois", "Grande Burgondie", e "La Société Nietzsche"...
Existe também uma influência sobre certos movimentos separatistas, como o FLB - ARB e o FPLC.
De modo mais geral, é difícil medir exatamente o nível de penetração das ideias do GRECE nas mentes de nossos contemporâneos e, consequentemente, avaliar sua influência.
No entanto, é preciso reconhecer que, dado o pequeno número de membros do grupo, o resultado obtido — e visível — é notável.
Dois grupos bem definidos exibem visões idênticas:
O Instituto da Vida, que desenvolve seus esforços nas três grandes categorias de "tecnologia biológica": a tecnologia "eugênica", "genética" (mutações dirigidas, ação sobre os genes humanos) e a tecnologia "eufênica" (controle da expressão dos genes). (cf. Nouvelle Ecole n° 7. p. 88).
O Clube do Relógio, presidido por Michel Norey, também conhecido como Yvan Blot, ex-diretor do Secretariado de Estudos e Pesquisa do GRECE, ex-chefe de gabinete do RPR. Alain Devaquet. (2).
Todos os homens que defendem os Direitos do Homem em uma sociedade materialista da qual Deus foi completamente evacuado estavam dispostos, conscientemente ou não, a se tornar adeptos e até mesmo cúmplices zelosos da Nouvelle Ecole.
A lógica fria do "Direito" sem a opinião de uma consciência iluminada por uma moral transcendental ao Homem, ou seja, sem o reconhecimento prévio dos deveres do Homem para com Deus, seu Criador, deveres que se resumem a "fazer a Sua Vontade", leva inevitavelmente os fortes e poderosos a desconhecer e negar os direitos dos fracos e dos governados, mesmo que isso esteja inscrito em uma declaração dita "universal" e em uma proclamação dita "solene".
Para os maçons, a lógica cientificista da gnose: "Nada antes. Sem Criador. Nada depois", portanto tudo deixado ao livre uso do Homem, "encaixa" muito bem com as ideias do GRECE. Quem infiltra quem?
Para não sair do Hexágono, há mais de quinze anos o mundo político (os eleitos pelo povo), da Sras. Weill-Hale, Simone Veil, Monique Peltier, Roudy, Iff, Halimi... etc., aos Srs. RRPP Pohier e Ribes, Caillavet, Doutor Peyret, Doutor Pierre Simon, Professor Jacob, Neuwirth, Attali... etc., não se tornou o difusor e o legislador da ética da "Nova Direita"?
Isso com a bênção da Presidência da República, feliz em satisfazer a demanda do Grande Oriente da França. De fato, o Sr. F. Corneloup, Grande Comendador de Honra ad vitam do Grande Colégio dos Ritos, durante o colóquio de março de 1974, considerava que é necessário substituir a ética corrente (a moral cristã) compartilhada pela maioria dos Homens por uma nova ética que será imposta por via legal num primeiro momento, pela educação em seguida. (3)
E é preciso perguntar se Valery Giscard d'Estaing, por seu discurso de encerramento do Colóquio "Biologia e devir do Homem" (20 a 25 de setembro de 1974 na Sorbonne) afirmando: "Cabe a nós inventar uma moral da espécie", e François Mitterrand colocando em funcionamento o Comitê Nacional de Ética, não testemunham a Declaração Universal dos Direitos do Homem, ou pelo menos o fato de que ela agoniza e não durará muito (4) sem serem, a priori, membros da Associação GRECE?
Voltar-se-á com mais ênfase à demonstração do acordo, da similitude de ação entre os legisladores e cientistas que nos dirigem e as concepções humanistas defendidas por essa "nova direita".
É necessário agora analisar o fenômeno de forma mais aprofundada.
B) A IDEOLOGIA DA NOVA DIREITA
1. Fundamentos Filosóficos
Nesta matéria, HERÁCLITO é o mestre e o GRECE adota uma variante moderna da filosofia do devir, que ele denomina "antropologia filosófica" e cuja apresentação geral é feita no folheto nº 2 do Secretariado de Estudos e Pesquisas:
Na história das ideias filosóficas, o autor distingue:
"A corrente dos filósofos do espírito = filósofos do ser (corrente igualitária) com Sócrates, Santo Tomás de Aquino... os racionalistas do século XVIII... Hegel, Marx... e o existencialismo."
É preciso notar a amalgama feita para atender às necessidades da causa.
"A corrente dos filósofos da Liberdade: filósofos do devir (corrente integritária), todos oriundos de Heráclito... com Mestre Eckhart, os alemães Fichte, Schopenhauer... Nietzsche... a filosofia assume o papel... e no século XX a filosofia da vida, renovada pelas descobertas recentes da biologia, torna-se antropologia filosófica."
Este é o campo do GRECE, cuja filosofia está bem vinculada a Heráclito: não há metafísica "insignificante no sentido próprio do termo, na medida em que não é passível de verificação." (Alain de Benoist).
Não há verdade absoluta:
"O cérebro do homem e seus órgãos de percepção lhe mostram apenas uma certa imagem do mundo... Inexistência de uma razão que extraia automaticamente verdades universais... Não há outra verdade senão as verdades de experiência."
"O Homem não possui uma Alma, uma Consciência, uma Razão, ou seja, um atributo metafísico que lhe dite sua conduta, mas, ao contrário, ele constrói seu próprio universo de percepção e reflexão agindo. Isso não é outra coisa senão o 'Torna-te quem és' (pela ação) nietzschiano."
O Homem não é um "Ser", mas um "devir" (6).
A segunda contribuição é O NEO-POSITIVISMO ou positivismo lógico, conforme Nouvelle École nº 16.
Esta atitude filosófica reunia no Círculo de Viena, entre as duas guerras, um certo número de cientistas, lógicos e filósofos europeus influenciados pela lógica matemática de Bertrand Russell e pelos progressos da física moderna.
Em 1931, vários deixam o Círculo e vão, seja para a Tchecoslováquia, seja para os EUA e Inglaterra, onde fazem discípulos.
Até 1939, Congressos Internacionais sobre a Unidade da Ciência (denominação próxima à do I.C.U.S., caro a Moon) reuniam, em torno dos "vienenses", outros pensadores que também participavam de outros congressos na França, Grã-Bretanha e EUA. É necessário citar Bertrand Russell... G. Moore... Louis Rougier... etc.
O neopositivismo se difundiu com sucesso no mundo anglo-saxão do período entre guerras, com sua forte corrente "pragmatista", e nos países escandinavos.
Na França, a influência do Círculo de Viena era nula na época.
Do ponto de vista de seu conteúdo, o neopositivismo baseava-se na vontade de aproximar a filosofia e a ciência, "exorcizando os falsos problemas" denunciados sob o nome de metafísica.
Apegados ao empirismo, atribuem à experiência todo o conteúdo do nosso saber, rejeitando qualquer metafísica, qualquer conhecimento não experimental e qualquer ideia de um mundo suprassensível ou espiritual; reduzem a filosofia a ser apenas uma lógica da ciência, ou seja, "uma sintaxe lógica da linguagem da ciência" (Carnap).
Nouvelle École procede diretamente do neopositivismo mais radical. Ela assume para si o positivismo lógico mais extremado.
Vai ainda mais longe, estendendo-se à etnologia, à biologia, à genética.
A lógica é o puro produto absolutamente determinado de uma linguagem. A linguagem é o puro produto absolutamente determinado de uma estrutura cerebral particular.
Essa estrutura é particular a uma certa classe de Homens, específica de um certo "substrato étnico" geneticamente determinado, fruto momentâneo da Evolução e da Seleção.
A conclusão pode ser extraída de Nouvelle École n° 16:
"Não existe lógica universal válida para todo Homem enquanto ser racional. É necessário rejeitar os sistemas de valores universais: 'o Belo em si, o Verdadeiro, o Bem... o Justo' com maiúsculas são meras visões do espírito."
É bom, é verdadeiro, é belo para tal tipo de Homem o que corresponde ao seu "substrato étnico": constituição, composição genética, hereditariedade, meio social e racial.
"O Homem" não existe e a "Humanidade" é apenas um conceito zoológico: as raças que resultam do poder separador da vida caminham para um máximo de diferenciação.
Os Homens são apenas realidades biológicas, conjuntos de genes, frutos de uma obscura "necessidade" e da seleção.
2. O Nietzscheísmo
A associação e sua revista reivindicam abertamente Nietzsche, que é contraposto a Marx e a Cristo. É necessário consultar o artigo de Giorgio Locchi em Nouvelle Ecole nº 18:
"... Nietzsche não é um filósofo como os outros... O filósofo deve ser um artista que toma o próprio homem como sua matéria-prima. Ele deve ser aquele que atribui seus objetivos à humanidade e, por meio de sua obra, a obriga a buscar os meios para alcançá-los. Nietzsche proclama assim o fim da antiga filosofia. Ele anuncia o evento de um pensamento que finalmente escapou do preconceito 'moral'... Nietzsche empreende demonstrar os limites da razão prática: não pode haver 'verdade absoluta'. O verdadeiro e o falso são apenas pontos de vista interessados... tudo é arbitrário.
..."O destino da humanidade inteira, em cada 'momento' histórico, é comandado pela perspectiva mais vasta, a mais elevada, aquela que engloba todas as outras e as organiza hierarquicamente em seu seio. Essa perspectiva é a do Homem Superior. E é apenas na medida em que triunfassem definitivamente o igualitarismo e o nivelamento... que haveria efetivamente apenas uma perspectiva, uma 'verdade absoluta', uma miserável verdade.
Nietzsche diz: isso pode acontecer. Portanto, é preciso impedir. É por isso que Nietzsche quer que sua obra seja uma gigantesca empresa de provocação e sedução, que suscite, pelo 'meio poético', um novo tipo de homem, um 'Homem superior eternamente voltado para o Super-Homem', assegurando assim à humanidade um eterno devir histórico, uma eterna criação e recriação de si."
O próprio Nietzsche pede que "a ética individual, esse jardim onde os outros não poderiam penetrar", seja "um discurso psicologicamente ativo, criador de um novo tipo de homem"; o esboço de um projeto de "grande política" e "a colocação em andamento dos meios necessários à sua realização".
Tal é o projeto retomado pelo GRECE e Nouvelle Ecole segundo Alain de Benoist:
"Será preciso ensinar ao homem a sentir que o futuro depende de sua própria vontade, que esse futuro depende do querer humano; será preciso preparar grandes experiências coletivas de disciplina e de seleção... Precisaremos um dia de uma nova espécie de filosofia e de chefes..."
"Nietzsche declara guerra ao igualitarismo sob todas as suas formas históricas, que ele assimila em seu desprezo ao Cristianismo – este, com a fórmula da igualdade dos homens perante Deus, inoculou a doutrina igualitária no mundo greco-romano; ao 'Liberalismo' explicitado pela revolução de 1789; à democracia, ao socialismo, ao comunismo, ao anarquismo." (7).
"O Super-Homem de Nietzsche é aquele cuja afirmação do Eu dá nascimento a uma nova espécie... Livremente criador, o homem é criador de si mesmo, ele basta a si mesmo." (8).
C) AS TEORIAS CIENTÍFICAS FUNDAMENTAIS DA NOVA DIREITA
Um certo número de teorias surgidas durante o século XIX sustentam o pensamento da nova direita e convém relembrá-las antes de passar aos aspectos propriamente doutrinários, ou seja, a ética do movimento.
I. A EVOLUÇÃO TRANSFORMISTA DAS ESPÉCIES
O tema é tratado principalmente em um número especial (nº 18), em três artigos do nº 16 e alguns outros sobre o DNA, a biologia moderna e J. Rostand.
a) Aparecimento da Vida – Origem das Espécies
Nouvelle Ecole retém a origem comum e única dos seres vivos, lembrando que todos os seres vivos são constituídos de molécula de carbono assimétrica do mesmo tipo levógiro.
Alguns grandes geneticistas contemporâneos observam que a universalidade de estrutura talvez seja apenas uma condição necessária e determinante da constituição de seres vivos e que uma pluralidade de filos originais evoluindo de forma diferente é perfeitamente plausível.
A teoria obviamente questiona a unicidade do ser vivo. Os seres vivos não decorrem todos de uma mesma "alga azul".
Nouvelle Ecole, neste momento, retoma os termos da teoria de Jacques Monod, exposta em "O Acaso e a Necessidade", segundo a qual o mecanismo da evolução nos ensinaria que "o transformismo se traduz por uma mistura de acasos e anti-acasos, de invariância e teleonomia."
Nouvelle Ecole n° 18 retoma:
"O acaso governa, se assim podemos dizer, o nascimento desordenado de novas formas, oriundas de mutações naturais. A necessidade impõe um processo rigoroso, pelo qual a seleção peneira essas novas formas e só 'autoriza' a perdurar as mais bem adaptadas."
É sobre esse postulado que repousa a teoria transformista neodarwiniana, que explica a macroevolução, ou seja, o surgimento dos filos, dos ramos e das ordens...
E esse postulado se baseia unicamente na noção de acaso!
Essa falta de rigor intelectual e de austeridade científica permite restaurar o binômio darwiniano.
b) O Binômio Mutação – Seleção
Do ponto de vista de suas origens, essa teoria se fundamenta na fusão de um fato científico (mutações e seleção) com uma hipótese filosófica (evolução de Spencer). A confusão entre ambos ocorreu de imediato, apesar da reserva de Darwin – por duas razões:
O consenso da época vitoriana.
Expansão mundial; classe dirigente adepta do cientificismo, da gnose e da teosofia, influenciada por John Ruskin e seus discípulos em torno de Cecile Rhodes e W. T. Stead (ver capítulo Mundialismo); o inglês, julgando-se o melhor, pretendia levar aos indígenas do Império a luz!
O livro de Darwin, "A Descendência do Homem", é lido e aceito com fervor: no princípio era o macaco – depois veio o homem – e, finalmente, no topo do homem – o britânico.
O africano, o asiático ou o árabe eram para o inglês o "elo perdido", a prova palpável da luta pela vida, da seleção natural e da evolução.
A vontade antirreligiosa.
Quis-se inscrever o nome de Darwin ao lado dos de Galileu e Copérnico.
A refutação do antropocentrismo respondia à refutação do geocentrismo. Darwin, rejeitando o fixismo, rejeitava a criação e concordava com Spencer.
Para Nouvelle Ecole, a evolução é bem mais importante do que o modo de organização do universo e do mundo vivo.
Ela autoriza os cientistas a rejeitar "esse tipo de neutralidade, de compatibilidade tática do dogma em relação ao saber científico".
Incentiva-os a aderir à opinião de Julian Huxley:
"Não há lugar para seres sobrenaturais capazes de influenciar o curso dos eventos humanos, e sua necessidade não se faz presente. A Terra não foi criada, ela evolui. O corpo, a mente, a alma do Homem e tudo o que produzem, incluindo as leis, os costumes, as religiões, os deuses, resultam inteiramente da evolução."
Quando se analisa, vê-se que as mutações constituem o elemento motor fundamental do fenômeno da evolução. Essas variações fazem surgir raças, espécies, famílias, ordens, classes, ramos múltiplos dentro de uma mesma espécie. Elas seriam fortuitas, acidentais, sem relação com os efeitos que acarretam, vantajosas ou desvantajosas, e, por fim, súbitas.
Nouvelle Ecole n° 18 afirma:
"Qualquer que seja sua natureza, as mutações aparecem sempre abruptamente e são de imediato hereditárias e totais."
A Seleção Natural se traduz por uma espécie de lei que resultaria na sobrevivência dos mais aptos e na eliminação dos menos aptos...
A Seleção Sexual será acrescentada mais tarde por Darwin: os machos mais fortes são os únicos capazes de procriar.
A seleção natural é um processo de eliminação "dos inválidos e dos defeituosos inviáveis". É também um processo de reprodução diferencial. Ela conferiria às mutações seu valor específico...
MAS, a maioria das mutações não apresenta nenhum caráter positivo, e os cruzamentos, bem como a miscigenação, desempenham um certo papel "desvantajoso".
GRECE conclui que, para o desenvolvimento de uma nova raça de mutantes, é absolutamente necessário permitir-lhes apenas o cruzamento entre si por meio de um isolamento... geográfico, ecológico ou genético. (Nouvelle Ecole n° 18).
Ela descarta sistematicamente, na escolha dos fatos e das observações, as descobertas e perspectivas recentes que infirmam seu raciocínio e demonstram que o problema da evolução permanece em grande parte inexplicado, e está longe de estar resolvido.
Se os últimos estados da pesquisa científica favorecem o monogenismo (as raças humanas atuais derivam de uma fonte comum), a GRECE é fundamentalmente poligenista e se empenha em sustentar tanto a tese do neodarwinismo quanto a do poligenismo, pois sua ideologia e a ética dela decorrente não podem prescindir dessas bases.
II. O Materialismo Biológico
O realismo biológico é frequentemente evocado nos estudos publicados pela GRECE. Do que se trata rapidamente?
Ele se fundamenta no neodarwinismo, que explica a macroevolução e a diferenciação dos filos.
Graças a um conjunto de condições resumidas acima, a especiação (passagem do estado de população ao de espécies distintas) se seguiria.
Do Polifiletismo chega-se ao Poligenismo:
"cada um dos grandes grupos raciais derivaria de uma estirpe distinta de símios antropoides: os Brancos dos Chimpanzés (erro cientificamente demonstrado atualmente), os amarelos do Orangotango, os negros do Gorila." (Nouvelle Ecole n° 18).
A noção de raça implicando uma dimensão cronológica, as raças não têm necessariamente a mesma idade. Além disso, elas evoluem de forma diferente.
As raças "geram" espécies diferentes, ou seja, "um conjunto de seres vivos semelhantes que geralmente são suscetíveis de cruzar entre si." (Nouvelle Ecole n° 18).
O isolamento favorecendo a especiação (exceto qualitativo), "Longe de ser um progresso, a convergência, a mistura, a fusão universal equivalem, portanto, a uma regressão em relação à Vida."
E somos levados ao ponto seguinte.
III. O Racismo Científico
Embora seja fundamentado e aprofundado em vários artigos da Nouvelle Ecole,Ecole, precisamos nos ater aos estudos que recorrem às posições de cientistas americanos de renome mundial.
Os trabalhos de Arthur R. Jensen, Professor de Psicologia da Educação na Universidade da Califórnia, Diretor Executivo do Institute of Human Learning em Berkeley e "Fellow" da American Educational Research Association;Association; de Hans J. Eysenck, grande e famoso psicólogo britânico; de W. Shockley, Universidade de Stanford (EUA), Prêmio Nobel de Física; de J. D. Hofmeyer, ex-diretor do departamento de genética da Universidade de Pretória; de Wesley C. George, ex-Presidente da Academia de Ciências da Carolina do Norte,
concluem pela superioridade de 15 pontos do Q.I. médio dos Brancos em relação aos Negros, com uma diferença especialmente clara no domínio do raciocínio abstrato...
estabelecemEstabelecem uma hierarquia formal entre as raças: os Brancos em primeiro lugar, depois os sujeitos de origem asiática. Cerca de 85% dos Negros estão abaixo da média dos Brancos, apesar de uma miscigenação de 20% que melhora os resultados gerais..
MAS, há uma escolha particular nos dados científicos, uma preocupação com a diferenciação, com a especiação a partir de diferenças bem reais, mas exaltadas por um anti-igualitarismo obsessivo e uma psicose da indiferenciação, para levar a Nouvelle Ecole a preconizar "o desenvolvimento separado" e "o isolamento genético".
IV. A Condenação da Medicina Tradicional.
Ela é condenada por ser respeitosa da vida:
"Os progressos da medicina, da cirurgia e da higiene hoje têm o efeito de permitir que indivíduos geneticamente mal nascidos, que, em condições naturais, teriam sido eliminados na primeira infância, atinjam a idade adulta e procriem... (esses progressos da medicina) ao atacar a diferenciação, que é um princípio de vida, e a seleção, que é o motor da evolução... colocam em perigo toda a espécie, em seu futuro e em suas possibilidades de renovação." Nouvelle Ecole nº 18.
Unindo-se ao Conde de Gobineau, a Nouvelle Ecole agita o espantalho da degradação genética da espécie humana em nível geral e, no plano do homem particular, a degradação física e mental mais insuportável que a morte.
A medicina é, portanto, fundamentalmente questionada e, com ela, seu garantidor moral, a Ordem dos Médicos. A ela se opõem a Ciência e suas possibilidades eugênicas.
E eis o ponto final da abordagem:
V. Restaurar a Etnia Originária.
O Belo, o Bom, o Verdadeiro e os Valores universais não existindo, tudo o que faz o Homem provindo exclusivamente de um substrato étnico geneticamente determinado, fruto da evolução e da seleção, o GRECE nos considera como os representantes atuais DA RAÇA INDO-EUROPEIA:
"Sabemos hoje e de maneira segura que existiu um povo indo-europeu... e com não menos certeza que a herança indo-europeia moldou de forma determinante as civilizações que deram origem à 'civilização europeia'." (Nouvelle Ecole nº 21 - 22).
Nossa cultura, uma certa visão de mundo devem se identificar, identificam-se com as culturas indo-europeias: culturas dos povos celtas, arianos, gauleses e germânicos.
Paralelamente à exaltação de nosso inconsciente ariano-céltico, a Nouvelle Ecole se dá a missão de expulsar de nossa cultura, de nossa moral, de nossa mentalidade, de nossos comportamentos, todos "os germes de mentalidade oriental" que se infiltraram em nós, que nos tornam "estrangeiros a nós mesmos" e nos fizeram perder "até a consciência mesma do que somos".
Houve, há conflito cultural entre dois sistemas de pensamento: entre Roma e a Judeia, a Europa e a Afrásia, a cultura ocidental e o mundo afro-oriental...
"Nós, indo-europeus, estamos alienados culturalmente desde o triunfo, há 2.000 anos, de um tipo de pensamento estrangeiro, importado pelo cristianismo e de origem 'camito-semita'."
O que fazer para restaurar nossos valores primitivos?
"É preciso purificar as aquisições, desembaraçar a herança... somos todos bastardos... somos os produtos de uma cultura que incorporou elementos estrangeiros e os tornou seus...
É descobrindo nossos ancestrais, reconhecendo-nos no pai 'indo-europeu' do qual descendemos, que estamos aptos, ao mesmo tempo, a desmascarar 'o pai abusivo' que nos havia adotado." (Nouvelle Ecole nº 17).
"A solução para 'a crise moral' é a rejeição definitiva e completa daquilo que tivemos que absorver pela força... é o retorno a nós mesmos, estrangeiros que somos neste mundo que deveria ser o nosso, que criamos e onde não nos reconhecemos mais." (9)
No momento, esse retorno a nós mesmos se caracteriza por uma forte tendência germanista. Esse retorno às origens se caracteriza sobretudo pela reabilitação de uma espécie de paganismo neodruídico, pelo recurso às mitologias e divindades indo-europeias e pelo ressurgimento de costumes do "velho ocidente": solstícios, árvores de maio, etc.
D) A ÉTICA DA NOVA DIREITA
A concordância exata do "projeto nietzschiano" e dos temas científicos (neodarwinismo: mutações - seleção - poligenismo) escolhidos, adotados, sustentados e reforçados pela Nouvelle École e pelo GRECE, o "Científico" dando toda a sua força e autoridade ao filósofo e o corroborando, traduz-se diretamente no nível ético pela Biopolítica (realização técnica do projeto nietzschiano) e por uma moral individual "psicologicamente ativa" e criadora do "novo tipo de homem" procurado.
Primeiramente, será examinado, em nível geral, o que se deve entender por Biopolítica e as justificativas fornecidas pelo GRECE.
Em seguida, o percurso da ideologia ao longo do tempo, seu desenvolvimento e suas explicações em todos os meios ocidentais e, mais precisamente, em nossa França, será estudado em dois períodos separados pela Segunda Guerra Mundial de 1939-1945.
A essa "base" dinâmica será acrescentado o estado descritivo da situação atual do sistema em nosso país e suas tendências de evolução, incluindo aquelas que estão apenas presentes em germe.
O "percurso" assim definido permitirá esboçar uma imagem terminal, inevitavelmente realizada em um futuro muito próximo, se uma reviravolta sociopolítica radical, uma verdadeira contrarrevolução, não bloquear sua evolução ou não alterar fundamentalmente seus dados.
1) Os princípios da Biopolítica
Ela é uma verdadeira ética coletiva. Aplicada à espécie humana, consiste em agir sobre o Homem, sobre seu patrimônio genético, sobre sua reprodução, sobre sua fertilidade.
Ela se enriqueceu com os recentes progressos da genética e da cirurgia. Ela tende a se confundir com a Eugenia, ciência que considera todos os meios possíveis, das medidas sociais às intervenções genéticas, suscetíveis de assegurar a manutenção e a saúde das populações. A Biopolítica acrescenta a ela um certo número de juízos de valor, critérios, "motivos" e objetivos determinados.
O Eugenismo é ação: ele supõe certos problemas de ordem moral resolvidos, os critérios de ação e os objetivos determinados. Ele pode se justificar do ponto de vista do interesse geral atual.
A Biopolítica, que se confunde em grande parte com o Eugenismo, vai muito além: ela visa, além da simples manutenção ou melhoria do nível genético da espécie, a constituição provocada de uma hierarquia e de uma aristocracia genética:
Não se sabe para onde se vai, mas vai-se, deve-se ir...
O econômico, o social, o político são elementos muito importantes da tranquilidade, do bem-estar dos homens e dos Estados... mas a Biopolítica, revolução sexual asséptica e congelada, é a pedra angular da transformação definitiva e irreversível de nossa sociedade em um imenso criatório...
A Nouvelle École justifica esses princípios biopolíticos por vários motivos:
- em nome da evolução (Nouvelle Ecole n° 9. Alain de Benoist).
"Todo mundo deseja que o Homem melhore; uns querem agir pela educação sobre o espírito, outros pelo conforto sobre os costumes, outros sobre o Homem e pelo Homem para que ele se supere.
Estas são as únicas três filosofias possíveis: a filosofia do ser, que é a dos teólogos e sonhadores, a filosofia do ter, que é a dos consumidores e possuidores, e a filosofia do devir... a filosofia dos homens que se preocupam (não com o que é a natureza humana, mas) com o que ela será."
Observa-se a frequente cumplicidade tácita existente entre o par consumidores - possuidores e a eugenia.
- em nome da sociedade (Nouvelle Ecole n° 4) Esta justificativa mistura motivos de proteção social e motivos políticos: de criminosos passa-se aos associais, termo clínico muito amplo onde podem ser enquadrados contestadores de todos os níveis, delinquentes, doentes e deficientes... etc.
É preciso eliminar "a escuma biológica - caldo de cultura dos parasitas legais e semilegais", e "o sedimento biológico, caldo de cultura da malandragem e do refugo."
Ela também apresenta motivos econômicos: o preço a pagar para aumentar fortemente em seu seio a quantidade de "indivíduos de elite", "da raça superior", utilizando o único meio da "educação integral" que deveria ser empregada durante "um milhão de anos": "A três gerações por século, bastariam algumas centenas de anos para povoar a terra - pelo emprego da seleção - de uma humanidade morfologicamente perfeita.
Esse prazo poderia ser encurtado em proporções consideráveis empregando a inseminação artificial... dissociando de forma definitiva... amor, volúpia e fecundidade." podia-se ler em Europe - Action em 1960.
- em nome da degenerescência genética da espécie. Esta justificativa é muito mais comumente aceita do que se pensa.
O Conde Joseph Arthur de Gobineau, adepto do neodarwinismo, autor em 1853-1855 de "um ensaio sobre a desigualdade das raças humanas", escrevia em seu tempo: "A previsão entristecedora não é a morte, mas a certeza de só chegar a ela degradado."
Sinal verde dado ao suicídio, a todas as eutanásias... Ao mesmo tempo, a crítica à medicina tradicional e à moral cristã - binômio irredutível - é precisada.
"A questão se coloca, com efeito, de saber em que medida as sociedades poderão enfrentar, mantendo um alto nível de vida, o sustento de uma multidão sempre crescente de deficientes naturais (ou acidentais)." "Além disso, deixando crescer e multiplicar estes últimos (os deficientes naturais), é a espécie inteira que é colocada em perigo, em seu futuro e suas possibilidades de desenvolvimento." (Nouvelle Ecole n° 18).
Para sustentar a ideia da eliminação "das crianças de má qualidade" e até mesmo de outras pessoas, o GRECE enuncia uma nova (SUA) DEFINIÇÃO DE VIDA em um artigo da Nouvelle Ecole n° 10.
Em nome "da solidariedade filogenética" e da "unicidade do vivo", assim como "o Homem não existe", da mesma forma que "a Humanidade é um conceito zoológico", "a Vida humana" não existe.
"O que é a Vida? Frequentemente se afirma que a vida é um valor supremo. Mas essa afirmação não se aplica de modo algum ao princípio vital em geral. O homem nunca se privou de destruir os vegetais ou de matar os animais. Ela já subentende que se restrinja a afirmação da vida humana."
Precisão adicional fornecida pelo Professor Kahane em agosto de 1967 na revista "Raison Présente": "O respeito universal pela vida não pertence aos instintos; não encontramos seu germe nas espécies das quais descendemos. Ele provavelmente só foi cultivado nos últimos milênios, por seitas de uma filosofia muito depurada." Em outras palavras (veja acima), é um efeito adicional da alienação cristã, que em 2.000 anos tentou, com fracassos risíveis, colocar a Vida Humana a salvo da Caridade, do Amor.
Erro fundamental constata a Nouvelle École nº 14: "Por que o homem, que sempre se preocupou em melhorar a qualidade das espécies que domesticou, não fez o mesmo consigo mesmo, espécie autodomesticada e cuja qualidade deixa a desejar?
A resposta é muito simples. O homem não se deu esse direito porque considerou, durante séculos, que era um ser à parte."
Sendo a vida do homem, no máximo, a de um animal... a nova moral se enuncia muito rapidamente: "Ocorre com as espécies como com os organismos: sua existência é transitória. A espécie humana não escapa à regra: ela poderá estagnar, evoluir ou desaparecer... Seja como for, uma escolha deve ser feita. Essa escolha implica em julgamentos de valor e em uma ética. A LEI MORAL para qualquer espécie é aquela que tende à sua conservação, à sua multiplicação, ao seu progresso relativamente aos lugares e aos tempos...
É primeiramente nessa perspectiva que se colocam as concepções eugenistas, a filosofia que delas decorre..."
2) O percurso da Biopolítica ao longo do tempo
Esses princípios e sua aplicação tiveram um longo percurso durante os séculos XIX e XX, e é necessário seguir seu rastro de forma detalhada para melhor compreender sua importância e amplitude.
a) Antes de 1945
Os Teóricos
1853-1855: "Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas" por Gobineau. A única raça pura é representada pelos germanos, exclusivamente os sujeitos loiros, dolicocéfalos, habitantes da Inglaterra, Bretanha e norte da França... os outros ocupantes da Alemanha tendo sido miscigenados, como os celtas...
1870: aproximadamente
Jean Rostand atribui a fundação da eugenia científica a Francis Galton, um primo de Darwin - que inaugura em Londres, em 1904, um ensino nacional de eugenia.
1871:
Assinatura do Tratado de Versalhes - Nascimento do I Reich alemão. "Transformando, em um país abalado por uma onda de febre nacionalista, devido à unificação, as lendas teutônicas em teorias pseudocientíficas a favor da higiene da raça, homens como Ranke, Treitsche, Futsch, Von Zuschlan, Von Ehrengeilo, H. S. Chamberlain, Ploetz, Schallmayer e tantos outros pensadores dessa época contribuíram amplamente para a elaboração da futura doutrina nazista." (11).
1908:
fundação na Grã-Bretanha da Eugenic Education Society.
fundação nos EUA da Connecticut Society for Mental Hygien.
1910: EUA. Criação do Eugenic Record Office.
1916: O alemão Dr. Ploetz, fundador em 1905 da Gesellschafür Rassenhygien, é eleito vice-presidente da Eugenic Education Society.
Anos 1930 e seguintes: 34 países possuíam sua associação de higiene mental. Um dos líderes franceses foi o professor Édouard Toulouse (1865-1947), alienista parisiense (Ste Anne), fundador da Liga de Higiene Mental e da Associação de Estudos Sexológicos. Na Inglaterra, a Sra. Evelyn Fox, que vinha da Eugenic Society, era secretária da Associação de Higiene Mental. Ela participou da fundação do National Council for Mental Hygiene, em cujo conselho estava Cyril Burt, fundador da MENSA.
1929: Himmler torna-se Reichsführer SS e assume a liderança da Ordem Negra, baseando-se nos trabalhos de Rudolf Virchow, iniciados em 1871, e nas definições raciais estabelecidas pelo teórico oficial do partido Hans Günther; os escritórios de recrutamento começam a busca por representantes autênticos dos povos indo-europeus, outrora vindos da Dinamarca e instalados na Alemanha desde o século III a.C.: o homem loiro, alto, dolicocéfalo, rosto estreito, queixo bem definido, nariz fino e implantado bem alto, cabelos claros e não ondulados, olhos claros e fundos, pele de um branco rosado.
1931: Criação, na Alemanha, do RUSHA, escritório superior de raça e povoamento.
1933: Ernst Rüdin, cofundador com o Professor Ploetz da Gesellschafür Rassenhygien, é nomeado representante do Ministro do Interior do Reich na direção das duas associações alemãs de Higiene Racial.
URSS: Faltam possibilidades de investigação e elaboração de uma história. A eugenia do poder bolchevique parece mais orientada para a eliminação de contestadores ou refractários, visando a criação do homem perfeitamente dócil e passivo...
Os "expurgos" começaram bem antes do final de 1917. Passaram por períodos de intensa atividade: a leva de mujiques desculacizados em 1929-1930, a leva de 1937-1938 e a leva de 1944-1946, representando talvez cinquenta milhões de pessoas – além desses acessos... a rotina... para "limpar a terra russa de todos os insetos nocivos".
As primeiras legislações
1896: EUA. Connecticut, depois 1903 Kansas, e nos anos seguintes Nova Jersey, Ohio, Michigan, Indiana: Proibição do casamento para deficientes mentais, alienados, sifilíticos, alcoólatras, epilépticos e certos criminosos.
1907: Indiana: lei prevendo a esterilização de degenerados.
1909: Califórnia adota legislação semelhante. 28 estados norte-americanos seguirão.
1928: Suíça. Cantão de Vaud. art. 97 do Código Civil: com autorização do Conselho de Saúde, uma pessoa acometida por doença ou enfermidade mental pode ser objeto de medidas de ordem médica para impedir a sobrevivência de crianças, se essa pessoa for reconhecida como incurável e se, segundo toda previsão, só puder ter uma descendência defeituosa (na época, não existia qualquer meio científico-médico de previsão).
1922: Suécia. Lei autorizando a esterilização. 1933. Castração de reincidentes em crimes sexuais.
- Dos 59.936 processos examinados, 56.244 esterilizações. Maio de 1934. Modificação da lei de 1922: a esterilização torna-se obrigatória em um certo número de casos. O paciente deve escolher entre o asilo ou a operação.
Esta será realizada sempre que o defeito puder ser transmitido aos filhos ou sempre que estes não "puderem ser criados adequadamente".
1934: Noruega. Lei sobre esterilização.
- Dinamarca. Esterilização e castração por doença mental, epilepsia ou defeito passível de ser transmitido aos descendentes, após julgamento do Tribunal.
1937: Estônia. Esterilização ou aborto se um dos cônjuges sofrer de debilidade mental ou de uma malformação hereditária incurável. A hereditariedade do defeito deve ser demonstrada.
1935: Alemanha. Lei para a prevenção de uma descendência hereditariamente doente por meio da esterilização do genitor.
Lei para a proteção da saúde hereditária do povo alemão, ou lei de saúde do casamento.
Criação da "Sociedade Registrada Lebensborn" – creches e clínicas que, um ano depois, fica sob a tutela do Estado – Major SS. Sigilo obrigatório para os nascimentos – reservados às "genitoras" (casadas ou não) de puros "germânicos".
Após 1940, extensão da atividade dos Lebensborn a hospitais, casas de repouso para idosos, casas de crianças. Criação de um registro civil próprio dos Lebensborn.
1939: Início da eliminação sistemática dos "pequenos" anormais.
1940: Na primavera, nota de Himmler a todos os comandantes de campo:
"Todos os poloneses devem desaparecer da face da terra." Triagem racial, visando, além dos poloneses e judeus... os ucranianos, os russos brancos, os "Gorates", os "Lemken" e os "Kaschuubianos"... Triagem da juventude, Formação em escola primária única "ensinando" aos alunos que a submissão à Alemanha é um mandamento de Deus.
1941: A Inseminação Artificial, para suprir a falta de genitores masculinos – é considerada pelo Doutor Conti, ministro da Saúde, e outras personalidades.
1943: Agosto. Primeiro uso em um documento oficial do termo "Züchtungsziel", metas de criação, pelo Doutor Gregor Ebner, verdadeiro esteio dos Lebensborn.
As datas são formais. Durante quase 80 anos e até quase o fim do III Reich, estabeleceram-se laços estreitos entre as organizações anglo-saxônicas e as organizações alemãs. Lady Priscilla Norma (discípula e amiga de Evelyn Fox), esposa de um banqueiro, governador do Banco da Inglaterra, Montagu Norman, que apoiou a economia alemã mesmo após a ocupação da Tchecoslováquia, tornou-se Presidente da Provisional Association for Mental Health, que reunia as três associações já existentes.
Isso confirma de forma notável a filiação e o parentesco filosófico e metapolítico... apontados... entre o movimento internacional em favor da eugenia, por um lado, e as organizações de higiene racial e os conselheiros científicos do III Reich, por outro.
b) Desde 1945
Apesar do Julgamento de Nuremberg, talvez também devido à atividade incessante dos judeus em busca dos responsáveis por "seu" genocídio, os sofrimentos de outros povos e outras raças foram praticamente esquecidos.
Os trabalhos dos cientistas alemães, nos campos de extermínio, nas clínicas supervisionadas pela organização SS, não levaram os autores e seus colaboradores à prisão ou ao tribunal para receber uma punição justa.
Assim, o administrador-chefe dos Lebensborn, Max Sollmann, nascido em 1904, filiado ao partido nazista em 1922, carteira da SS nº 903 - e o médico-chefe, General SS Gregor Ebner, nascido em 1892, filiado ao partido nazista em 1930, carteira da SS nº 1.257, amigo íntimo de Himmler, viviam "tranquilamente", oficialmente, em 1974. O mesmo ocorria com muitos colaboradores, médicos, enfermeiros e juristas.
Por que essa clemência, essa liberdade de ação concedida a tais pessoas?
Após a guerra, o banqueiro Montagu Norman e sua esposa se dedicaram à formação de uma nova associação, federando todas as já existentes. A National Association for Mental Hygiene foi fundada em sua casa, em Thorpe Lodge (Grã-Bretanha).
Um comitê para a higiene mental se reuniu em Londres no Ministério da Saúde (início de 1945?), onde foi lançada a World Federation for Mental Health (W. F. M. H.).
Rawling Rees, psiquiatra, tornou-se Presidente no III Congresso Internacional da World Federation for Mental Health em 1948. Ele havia declarado em 1940 no congresso do NCMH: "Acho que devemos imitar os totalitários e organizar uma espécie de 5ª coluna", ou seja, a infiltração e a ação pessoal dentro de todos os grupos sociais.
Elegeram em 1948 o Doutor Carl Jung, ex-codiretor com o primo de H. Goering da "política de Higiene Mental e Racial do III Reich", ou seja, responsável pela política de eutanásia sistemática...
e o Doutor Friedrich Mang, Professor de psiquiatria na Universidade de Königsberg, cuja participação no programa de "eutanásia" aplicado em Treblinka e Sobibor não pôde ser estabelecida com certeza.
Deveriam participar deste congresso o Doutor Wahlman, diretor de um Instituto subordinado diretamente à chancelaria do Führer e organizador dos verdadeiros extermínios de que foram vítimas soldados alemães gravemente feridos que voltavam do front, poloneses e alienados mentais - preso na época, só foi libertado em 1954;
e o Doutor Paul Nitsche, Líder do movimento correspondente ao NCMH na Alemanha... executado em 1947 por crimes massivos perpetrados contra doentes mentais.
Em 1951, ocorreu sob a égide da World Federation for Mental Health, na Inglaterra, uma conferência presidida por Rawling Rees e pelo Doutor Werner Willinger, conselheiro da chancelaria do Führer em matéria de esterilização e eutanásia de doentes mentais.
Este senhor participou em Washington de uma conferência "sobre crianças e jovens", nos trabalhos do grupo "educação do público" da World Federation for Mental Hygiene, que se reúne anualmente em Bruxelas... antes de ser preso em 1961 pelas autoridades da Alemanha Federal e cometer suicídio na prisão.
1959 O Doutor Hans Hoff, psiquiatra austríaco, admirador de Willinger, torna-se Presidente da World Federation for Mental Hygiene.
1968 O Doutor Ehrard, também admirador de Willinger e de Marc de Crinis, ex-conselheiro da Chancelaria de Hitler, é eleito para o conselho executivo da associação mundial. Em 1969, o Doutor Muller-Hegeman, antigo discípulo e assistente de Marc de Crinis, junta-se ao conselho. É necessário assinalar que Marc de Crinis está refugiado na R.D.A.
1ª constatação: Surpreendente! Longe de terem prestado contas pelos massacres que ordenaram ou apoiaram, numerosos médicos e psiquiatras alemães e nazistas reapareceram após um eclipse mais ou menos longo. Atualmente, dirigem organizações a favor da eutanásia, da eugenia, da esterilização e do aborto eugênico. Uma competência inegável, fruto de experimentações variadas e muito numerosas, permitiu-lhes recuperar influência e posição social — condizentes com seu orgulho nietzschiano. Gozam de uma impressionante impunidade.
2ª constatação: Eles introduziram seus amigos, seus antigos alunos, seus assistentes nas organizações inglesas, americanas ou internacionais, das quais assim assumiram, discretamente, o controle.
3ª constatação: As recomendações datadas de 1940, emitidas pelo Presidente Rawling Rees, foram seguidas por estes homens que conhecem bem as técnicas de infiltração.
A partir de 1957, fragmentando astuciosamente seu programa, apresentando-o progressivamente de acordo com o estado do consenso estabelecido, graças à mídia e ao poder cúmplices, no país visado, multiplicaram as organizações nacionais e setoriais que surgem sozinhas no cenário público e são conhecidas pela opinião.
A confirmação da organização é fornecida pelo jornalista alemão Bernhard Schriber, em seu livro "Os homens por trás de Hitler". O autor conseguiu estabelecer, com provas, as atividades passadas e atuais, a influência, o papel desses homens, discípulos, amigos, parentes, alunos, colaboradores uns dos outros, que dirigiram e ainda dirigem, intercambiáveis que são nos diferentes cargos, através do mundo ocidental, o movimento eugenista internacional e os satélites especializados ou nacionais.
4ª constatação: A construção, a organização do movimento de Biopolítica segundo um esquema estilo sociedades secretas, que apresenta todas as formas de manipulação humana com direção internacional.
- O Iº círculo - "Núcleo duro":
No topo, a Eugenic Society, depois a World Federation for Mental Hygiene e a Federação Internacional das Organizações Eugênicas.
A Eugenic Society recebe fundos de uma série de Fundações. No topo, a família Rockefeller, muito dedicada à causa eugenista, pois financiou o laboratório do Doutor Ernst Rüdin.
- O IIº círculo - Pela aplicação da estratégia de Rees finalmente adotada em 1960 graças aos esforços do Doutor C. P. Blacker, lançamento de duas organizações com vocação internacional:
A Family Planning Association e a International Planned Parenthood Foundation controladas financeiramente e em termos de pessoal pela Eugenic Society.
- O Terceiro Círculo - Desenvolvimento de um número significativo de Sociedades, Associações, Centros, Movimentos, Agrupamentos destinados tanto a profissionais da Medicina quanto ao público.
As criações foram tanto mais numerosas e variadas quanto maior era o número de partidários no local.
Os países nórdicos Dinamarca, Noruega, as duas Alemanhas, Canadá, Grã-Bretanha, Austrália e EUA foram os primeiros a serem envolvidos.
Neste país – que havia retomado o bastão seguido antes da guerra pela Inglaterra – as organizações se multiplicaram.
É preciso citar o Population Council, o Population Reference Bureau, a Path Finder Foundation, o Population Crisis Committee, apoiados por fundações privadas Victor Bostrom, Ford, Rockefeller... e, também, por organismos governamentais como o National Institute of Health dos EUA ou a U. S. A. I. D. (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional), mandatada pela A. C. D. A. de V. G. E.
Existem também uma multitude de associações médicas reunindo psiquiatras, neurologistas e eugenistas de todas as origens: Euthanasia Educational Fund, American Humanist Association, American National Association for Mental Hygiene, American Medical Association for Euthanasia...
Todos esses grupos são, na maioria das vezes, filiados à World Federation for Mental Hygiene.
Seus membros puderam se beneficiar das declarações do M. I. T. e do Clube de Roma quanto ao perigo da explosão demográfica mundial, dos discursos alarmistas de homens como Dumont René e Mansholt Sicco que colocavam em dúvida a sobrevivência da humanidade, para obter a audiência dos organismos internacionais que tratam do problema: Organização Mundial da Saúde, O. L. I., F. A. O., U. N. E. S. C. O., B. I. R. D.
A importância dos EUA na ajuda econômica mundial permitiu impor, de 1960 a 1974, planos de limitação da fecundidade, mesmo em países muçulmanos.
São primeiramente as raças "inferiores" que são visadas, os hindus, párias – os negros da África – os sul-americanos, porto-riquenhos... etc., que recebem meios de esterilização em grande escala ou que "experimentam" (sic) os novos produtos contraceptivos.
Mesmo nos EUA, a Fundação para a Eutanásia redige uma proposta de legalização para voluntários, retomada em 1975 pelos estados da Califórnia e da Flórida – O Arkansas aprova uma lei autorizando terceiros a decidir sobre a eutanásia de outrem. Em 1972, Maryland suprime a ajuda financeira para famílias com 6 filhos ou mais. Em 1977, os senadores Charles Percy e Robert Packwood lançam a ideia de aliviar o orçamento federal de ajuda às famílias por meio do aborto generalizado...
Um processo semelhante se desenvolveu na França a partir de 1945, e nos restará acompanhar seu percurso em um próximo artigo. Veremos se instalarem as filiais francesas dos organismos citados anteriormente, e os principais políticos desempenharem seu papel; o sistema desemboca finalmente na criação, em dezembro de 1983, do Comitê Nacional de Ética para as Ciências da Vida e da Saúde – que se destina a coordenar as realizações eugênicas, teoricamente para controlá-las, na prática para melhor encobri-las.
L. D.