Capítulo XXXV — Romualdo funda Val di Castro

Romualdo, incapaz de suportar aquela esterilidade, começou a procurar cuidadosamente, movido por ardente desejo, onde poderia encontrar uma terra capaz de produzir frutos de almas.

Enviou mensageiros aos condes da província de Camerino. Quando ouviram o nome de Romualdo, eles se encheram de grande alegria e colocaram à sua disposição todas as propriedades submetidas à sua autoridade: não apenas bosques e montanhas, mas até campos, se assim desejasse.

Por fim encontrou-se em suas terras um lugar muito adequado à vida eremítica, cercado de todos os lados por montanhas e florestas. No centro havia uma espécie de planície, própria não apenas para produzir os frutos da terra, mas também regada por águas claras de nascente.

Desde tempos antigos o lugar se chamava Val di Castro.

Havia ali uma pequena igreja junto da qual vivia uma comunidade de algumas mulheres convertidas. Elas se retiraram do lugar; ali foram construídas pequenas celas, nas quais o venerável homem passou a viver com seus discípulos.

Quantos frutos de almas o Senhor terá recolhido naquele lugar por seu intermédio? Quem seria capaz de escrevê-los com tinta ou narrá-los por palavras?

De todas as partes começaram a acorrer homens à penitência. Distribuíam misericordiosamente seus bens aos pobres; alguns abandonavam inteiramente o mundo e, inflamados no espírito, apressavam-se a entrar na ordem da santa vida religiosa.

O bem-aventurado homem era como um dos serafins: não apenas ardia ele próprio incomparavelmente na chama do amor divino, mas, onde quer que fosse, incendiava também os outros com as tochas da santa pregação.

Muitas vezes, enquanto proferia as palavras de um sermão, tamanha compunção o excitava às lágrimas que interrompia repentinamente o discurso e fugia para algum outro lugar como se estivesse fora de si.

Mesmo quando cavalgava com os irmãos, vinha muito atrás dos demais, sempre salmodiando, e não cessava de derramar lágrimas contínuas; elas não eram em nada menos abundantes do que quando permanecia sentado em sua pequena cela.

Entre outros, repreendia com a maior severidade os clérigos seculares que haviam recebido a ordenação por dinheiro e afirmava que, se não abandonassem voluntariamente aquela situação, eram inteiramente condenáveis e heréticos.

Ao ouvirem isso, coisa nova para eles, alguns chegaram a conspirar para matá-lo. Pois, em toda aquela região, até o tempo de Romualdo, quase ninguém sabia, tão comum se tornara o costume, que a simonia fosse pecado e heresia.

Romualdo lhes disse:

“Trazei-me os livros dos cânones e provai pelo testemunho de vossas próprias páginas se aquilo que digo é verdadeiro.”

Eles os examinaram cuidadosamente, reconheceram o crime e lamentaram seus erros.

O santo homem estabeleceu então muitas casas de cônegos e ensinou os clérigos que viviam secularmente, à maneira dos leigos, a obedecer a superiores e a viver comunitariamente em congregação.

Não poucos bispos que haviam usurpado sedes sagradas pela heresia da simonia recorreram também a ele em busca de penitência. Entregaram-se ao venerável homem e prometeram abandonar o episcopado depois de um prazo determinado e ingressar na ordem da santa vida religiosa.

Não sei, porém, se o santo homem conseguiu converter plenamente sequer um deles enquanto viveu. Pois essa heresia venenosa, sobretudo na ordem episcopal, é tão dura e resistente à conversão que mais facilmente um judeu pode ser convertido à fé do que um ladrão herético, sempre adiando de dia para dia e procrastinando para o futuro, pode ser despertado para uma penitência completa.


Revision #1
Created 21 September 2026 00:34:51 by Admin
Updated 21 September 2026 00:35:00 by Admin