Capítulo XXVI — Romualdo conduz seus convertidos de Monte Cassino a Pereo
Romualdo, portanto, acompanhado daquele Tammus de quem falamos, do celebérrimo Bonifácio, isto é, Bruno de Querfurt,[^bruno-bonifacio] que agora a Igreja se gloria de possuir como felicíssimo mártir, e de outros convertidos alemães, partiu de Tívoli para o mosteiro de São Bento situado em Monte Cassino.
Ali Romualdo adoeceu gravemente, mas pela misericórdia divina recuperou-se rapidamente.
Possuía também um excelente cavalo, que lhe fora dado pelo filho do rei eslavo Boleslau, a quem ele havia feito monge. Movido pelo zelo da humildade, o santo homem trocou o cavalo e, como excelente negociante das coisas espirituais, recebeu em seu lugar um jumento.
Desejando ardentemente imitar nosso Redentor, que se sentara sobre o dorso de um pequeno jumento, o venerável homem cavalgava de boa vontade até mesmo esse animal.
Com todos os que foram mencionados acima, Romualdo retornou então a Pereo, onde já havia vivido anteriormente.
Ali reuniu estes e muitos outros irmãos e os estabeleceu em celas separadas. Conservou com tamanho fervor, em si mesmo e nos demais, o rigor da vida eremítica que todos aqueles a quem chegava a fama de sua maneira de viver ficavam maravilhados.
Quem não se admiraria, quem não atribuiria tal mudança à destra divina, ao ver homens que antes vestiam sedas, ou mesmo vestes douradas, agora reunidos em fileiras obedientes; homens acostumados à abundância de todos os luxos, contentes agora com uma única cogula, reclusos, descalços, desgrenhados e consumidos por tão abrasadora abstinência?
Todos, além disso, trabalhavam com as próprias mãos: alguns fabricavam colheres, outros fiavam, outros teciam redes.
Fim do Capítulo XXVI.
(nota de rodapé) [^bruno-bonifacio]: Bruno de Querfurt adotou o nome religioso Bonifácio. Pedro Damião o chama normalmente de Bonifácio no corpo da Vita, enquanto a tradição historiográfica moderna costuma chamá-lo Bruno de Querfurt.