Capítulo XLIII — A morada de um monge, pela qual Romualdo se responsabilizara, é protegida de um ladrão

Romualdo permaneceu algum tempo num desfiladeiro das montanhas de Cagli e depois partiu para Monte Pietralata, não longe do mosteiro de São Vicente, situado junto ao rio Candigliano.

Onde quer que fosse, o santo homem produzia frutos, aumentava continuamente o número das almas conquistadas e arrancava homens do mundo. Como se estivesse inteiramente transformado em fogo, inflamava os corações dos homens com o desejo das coisas celestes.

Desejando encontrar um lugar adequado para um eremitério, ordenou a certo sacerdote que voltasse à própria casa e trouxesse alimento para ele e para os que o acompanhavam.

Em seguida percorreu atentamente a montanha e, depois de dar a volta por ela, encontrou certo monge que vivia junto a uma pequena igreja.

Romualdo pediu-lhe imediatamente que o acompanhasse e lhe mostrasse um lugar onde se pudesse encontrar água.

O monge recusou energicamente, dizendo que não podia deixar sua casa sem guarda, pois temia os ladrões que rondavam o lugar.

Romualdo respondeu que, se alguma coisa acontecesse, ele próprio o indenizaria de tudo. Assumindo assim sobre si a dívida de um prejuízo alheio, levou o monge consigo.

Enquanto procuravam o lugar, eis que o sacerdote, trazendo a refeição conforme recebera ordem, encontrou um ladrão que já arrombava a casa.

Prendeu-o e o manteve sob guarda até o regresso de Romualdo.

Ao encontrá-lo, Romualdo primeiro o repreendeu com piedosa severidade; depois, admoestando-o com doçura, permitiu que voltasse ileso para casa.

Assim, sem dúvida, a providência divina conservou intacto aquilo que, na ausência de Romualdo, havia sido deixado sem guarda.


Revision #1
Created 21 September 2026 00:37:40 by Admin
Updated 21 September 2026 00:37:50 by Admin