Capítulo VII — Romualdo luta contra o demônio
O demônio costumava atacar Romualdo. Muitas e variadas eram as tentações que lançava contra ele, sobretudo no começo de sua conversão.
Ora lhe prendia a mente por meio de diversos estímulos dos vícios, fazendo-o recordar quanto um homem vigoroso poderia adquirir no mundo e quão grandes eram as coisas que deixara para trás, destinadas a ser avidamente herdadas, depois de sua morte, por parentes ingratos. Ora lhe sugeria que tudo quanto fazia era muito pouco e de mérito algum; ora lhe incutia horror diante da grandeza do esforço e lhe prometia uma vida longa.
Quantas vezes golpeou sua pequena cela, despertando-o quando mal começava a adormecer e obrigando-o, desde o cair da tarde, a permanecer em vigília durante toda a noite! Durante cerca de cinco anos consecutivos, o demônio deitava-se à noite sobre seus pés e pernas, oprimindo-o sob a aparência de um peso fantasmagórico, para que não pudesse voltar-se facilmente de um lado para o outro.
Quem poderia descrever quantas feras dos vícios, a rugir, ele teve de enfrentar? Ou quantas vezes obrigou espíritos obstinadamente hostis a fugir com repreensões duríssimas e tonitruantes?
Por isso, se algum dos irmãos, ainda que forçado pela necessidade, se aproximasse de sua cela durante o tempo de silêncio, o soldado de Cristo, sempre pronto para o combate, julgava imediatamente que fosse o demônio e bradava em alta voz:
“Para onde vais agora, criatura horrenda? O que tens tu a fazer num eremitério, tu que foste expulso do Céu? Sai daqui, cão imundo! Desaparece, serpente envelhecida!”
Com estas e outras palavras semelhantes, declarava que permaneceria sempre em ordem de batalha contra os espíritos malignos e que, sempre que o inimigo o desafiasse, sairia imediatamente ao campo para enfrentá-lo, revestido das armas da fé.