# Capítulo LXX — Um possesso é curado pela túnica de crina de Romualdo

Depois da santíssima partida do venerável homem, quantos sinais milagrosos Deus realizou por seu intermédio!

Quem pediria para ler sobre coisas já realizadas quando frequentemente poderia contemplar outras sempre novas?

Como são tantos os milagres que acontecem junto de seu sepulcro, julgamos melhor passar todos eles em silêncio do que relatar apenas alguns. Bastará, portanto, registrar dois milagres realizados em outros lugares por intermédio desse mesmo bem-aventurado confessor.

Certo irmão, que havia sido discípulo do santo homem, dera ao mosteiro uma pequena igreja pela salvação de sua alma.

Para essa igreja enviou a extremidade de uma manga cortada da túnica de crina do bem-aventurado homem, ordenando que fosse depositada honrosamente sob o altar.

Aquele que transportava a relíquia, porém, negligenciou a ordem recebida. Em vez de colocá-la sob o altar, lançou-a descuidadamente numa fenda da parede.

Algum tempo depois, aconteceu de levarem um possesso àquela igreja.

Enquanto permanecia no meio do edifício, voltando a cabeça de um lado para o outro e examinando tudo ao redor, seus olhos ferozes acabaram por fixar-se horrivelmente naquela mesma parede.

Fitando precisamente o lugar onde estava escondido o pequeno fragmento da santa túnica de crina, começou a gritar repetidamente:

“Ele está me expulsando! Ele está me expulsando!”

E, enquanto gritava essas palavras, o demônio foi imediatamente expulso dele.

Disso se compreende com razão: o que não poderia ele alcançar pessoalmente diante da misericórdia divina, se o demônio não conseguiu sequer permanecer diante de uma mínima porção de sua veste?

E, se ausente realizou coisas tão grandes, o que não realizaria mediante a presença de seu próprio corpo?