Capítulo LXVI — Romualdo é invocado para salvar um monge que planejava matá-lo
Certo monge, inflamado de furor insensato contra Romualdo, afiou às escondidas uma faca, guardou-a e começou a esperar uma ocasião favorável para matar o bem-aventurado homem.
Durante a noite, porém, enquanto repousava vencido pelo sono, eis que viu um espírito maligno lançar-se monstruosamente sobre ele.
O espírito colocou-lhe ao redor do pescoço uma corda feita de ramos trançados e começou a apertar-lhe a garganta com tamanha violência que o monge rapidamente chegou às portas da morte.
Levado pelo espírito maligno ao extremo da vida, o monge implorou que Romualdo viesse em seu auxílio.
E Romualdo, segundo lhe pareceu, voou imediatamente até ele e o arrancou das mãos do perverso inimigo.
Então o monge lançou-se aos pés do venerável homem, pediu-lhe que examinasse a marca deixada em seu pescoço e confessou sem hesitação o pecado de sua malícia.
Agradeceu-lhe por ter conservado sua vida e recebeu a penitência correspondente a tão grave falta.
E assim aquele que havia armado uma emboscada para tirar a vida de Romualdo recebeu, por intermédio desse mesmo santíssimo homem, a graça de conservar a própria vida; e escapou do perigo da morte graças àquele a quem ele próprio tentara levar à morte.