Capítulo LXIV — Sitria torna-se como uma nova Nítria Naquele tempo, vivia-se em Sitria de tal maneira que, não apenas pela semelhança do nome, mas também pela semelhança das obras, parecia ter surgido ali uma nova Nítria . Todos andavam descalços; todos tinham aparência descuidada, rosto pálido e contentavam-se com extrema pobreza em todas as coisas. Não eram poucos os que, encerrados atrás de portas às quais ninguém tinha acesso, pareciam tão mortos para o mundo como se já estivessem depositados no sepulcro. Ninguém ali conhecia o vinho, a não ser quando padecia de enfermidade muito grave. Mas por que falar dos monges, se até os próprios servidores dos monges e os guardadores de seus rebanhos jejuavam, guardavam silêncio, impunham mutuamente a disciplina e exigiam penitência por qualquer palavra ociosa? Ó idade de ouro de Romualdo! Embora não conhecesse os tormentos dos perseguidores, nada lhe faltava do martírio voluntário. Idade de ouro, digo, que alimentava tantos cidadãos da Jerusalém celeste entre as feras das montanhas e dos bosques. Com o passar do tempo, porém, tornou-se tão grande o número de irmãos que mal era possível a todos habitarem naquele lugar. Então, depois de construído ali um mosteiro e colocado um abade à sua frente, Romualdo retirou-se para viver em Biforco , conservando inviolavelmente o silêncio. E naquele lugar, porque desejava viver espiritualmente e permanecer no caminho da retidão, sofreu grande injustiça e perseguição por parte do abade.