Capítulo LVIII — Um irmão presunçoso é atormentado por demônios no leito de Romualdo Certo dia, o venerável homem precisou fazer uma viagem e confiou sua cela a um dos discípulos, ordenando-lhe que permanecesse ali até seu regresso. O discípulo, porém, agiu com temeridade. Não guardando a reverência devida à honra do mestre, não hesitou em deitar-se atrevidamente no próprio leito de Romualdo. E eis que, naquela mesma noite, espíritos malignos lançaram-se ferozmente sobre ele, espancaram-no com golpes violentíssimos e, depois de arremessá-lo para fora da cama, deixaram-no quase morto. Com efeito, mereceu sofrer tais e tão insolentes vingadores de seu pecado, pois, abandonando a humildade, havia pecado contra homem tão grande; e, como não mostrara reverência ao piedoso mestre, recebeu disciplina de mãos duras e impiedosas. Pouco tempo depois, o venerável homem estava novamente prestes a partir em viagem e deixou outro discípulo na mesma cela. O discípulo lhe disse: “Mestre, não me deitarei em teu leito, pois tenho medo de que me aconteça aquilo que aconteceu ao outro.” Romualdo respondeu: “Meu filho, deita-te e dorme tranquilo. Aquele homem caiu nas mãos do inimigo porque não havia recebido de mim permissão, embora eu nada seja. Tu, porém, recebeste consentimento; põe tua esperança em Deus e repousa sem medo.” Ele se deitou, portanto, conforme lhe fora ordenado, e não sofreu mal algum.