Capítulo IX — Romualdo ensina sobre o jejum e a oração

Mais tarde, Romualdo leu que São Silvestre, bispo da cidade de Roma, havia ordenado que se observasse o jejum aos sábados, à semelhança da vigília da santa Páscoa. Transferiu então imediatamente para a quinta-feira a mitigação que antes concedia no sábado.

Desse modo, com sábio discernimento, levava em conta a fraqueza dos débeis e tornava mais suportável o jejum prolongado. Propunha a todos os que seguiam a vida solitária a seguinte regra: cada um poderia considerar que guardava o jejum próprio da vida eremítica se, no decorrer da semana, tomasse às quintas-feiras e aos domingos algumas verduras ou algum líquido, com ação de graças, aliviando assim os períodos de três e de dois dias de abstinência.

Excetuava as duas quadragésimas do ano — o Advento e a Quaresma — durante as quais não apenas ele, mas também muitos de seus discípulos, costumavam prolongar o jejum por toda a semana.

E quão convenientemente aquele que sempre se aplicava ao louvor de Deus, no coro e ao toque do sino, fazia ressoar continuamente aos ouvidos da Luz infinita as especiais consonâncias da harmonia: a oitava, a quinta e a quarta.

(nota de rodapé: Oitava, quinta e quarta: referência aos três intervalos consonantes fundamentais da teoria musical medieval. A imagem joga com a distribuição do jejum: contando-se inclusivamente, de domingo a domingo há oito dias (oitava), de domingo a quinta-feira cinco (quinta) e de quinta-feira a domingo quatro (quarta). Pedro Damião apresenta assim o ritmo semanal da abstinência como uma harmonia oferecida a Deus.)

Quanto ao jejum absoluto — isto é, passar o dia inteiro sem alimento algum —, proibia-o terminantemente aos outros, embora ele próprio o praticasse com muita frequência. Costumava dizer que, para aquele que procura a perfeição, era muito melhor comer todos os dias e permanecer sempre com fome; pois, pelo hábito gradual, a carne se tornaria mais leve, embora no princípio da conversão parecesse pesada aos noviços.

Desprezava o costume de começar por um instante uma prática extraordinária e depois não perseverar nela fielmente.

Quanto às vigílias, insistia que fossem feitas com moderação e grande discernimento, para que ninguém, depois de cumprir os ofícios noturnos, viesse a sucumbir ao sono. O santo homem detestava tanto esse tipo de sono que, se alguém lhe confessasse ter adormecido depois da décima segunda vigília dos salmos — sobretudo já próximo do amanhecer —, não lhe permitia de modo algum celebrar naquele dia os sagrados mistérios da Missa.

Dizia que seria melhor, se possível, cantar um único salmo de coração e com compunção do que percorrer cem com devoção fingida.

Àquele a quem tal graça ainda não tivesse sido plenamente concedida, aconselhava que não desesperasse; mas também que não se tornasse tíbio no exercício corporal, até que Aquele que concedera a vontade concedesse, no tempo oportuno, também a facilidade.

Bastaria que a intenção da mente permanecesse fixa em Deus para preservar o incenso da oração, ainda que o vento das cogitações exteriores procurasse perturbá-lo. Pois, onde a intenção é reta, não se deve temer excessivamente o assalto dos pensamentos contra a vontade.


Revision #2
Created 21 September 2026 00:24:13 by Admin
Updated 21 September 2026 00:52:18 by Admin