Capítulo III — Os monges de Santo Apolinário tramam a morte de Romualdo

Quando percebeu que não poucos dos monges viviam ali de maneira relaxada, seguindo o caminho largo, e que não lhe era permitido tomar o árduo e estreito caminho da perfeição que sua consciência lhe indicava como necessário, Romualdo começou a inquietar-se interiormente e a ser agitado pelas muitas ondas de seus pensamentos.

Passou então, com pouca prudência, a censurar a vida dos religiosos e, tomando como testemunho a Regra, lembrava-lhes frequentemente seus preceitos, para vergonha deles. Como insistia com veemência em expor os vícios dos irmãos, e eles desprezavam as palavras de um jovem e noviço, por fim já não quiseram suportar suas censuras. Em vez de corrigirem a própria vida, começaram a planejar a morte daquele que os repreendia.

Romualdo costumava levantar-se durante a noite antes dos outros irmãos e, se a porta do oratório ainda estivesse fechada, fazia suas vigílias em oração no próprio dormitório. O edifício era alto, construído à maneira de um sobrado.

Instigados pelo demônio, aqueles filhos de Caim conceberam então este plano: quando Romualdo se levantasse antes dos demais, como de costume, lançá-lo-iam de cabeça ao chão desde a parte alta do edifício.

Quando um dos participantes da conspiração lhe revelou o que estava sendo tramado, Romualdo recolheu-se daí em diante ao aposento interior do coração e, fechando a porta da boca, rezou ao Pai e evitou o perigo iminente.

Assim, enquanto se preservava de uma queda corporal, fechava também para os irmãos a garganta da iniquidade, para que eles próprios não caíssem na morte da alma.


Revision #2
Created 21 September 2026 00:21:10 by Admin
Updated 21 September 2026 00:50:36 by Admin