Capítulo II — A conversão de Romualdo à vida monástica

Enquanto ali mortificava o corpo com contínua e severa penitência, Romualdo começou a conversar diariamente com certo monge já adulto na vida religiosa. Dele ouvia com frequência bons conselhos e palavras de encorajamento, na medida em que sua compreensão ainda limitada podia recebê-los.

Esse monge o exortava repetidamente a abandonar por completo a vida secular e a ingressar sem demora na ordem da santa vida religiosa. Romualdo, porém, não conseguia de modo algum humilhar o espírito a ponto de fazê-lo.

Certo dia, o monge, como se o felicitasse por outra coisa, introduziu o assunto dizendo:

“Se eu te mostrasse o bem-aventurado Apolinário em sua aparência corporal, de modo que pudesses vê-lo claramente, que recompensa me darias?”

Romualdo respondeu:

“Comprometo-me por promessa firme e inviolável: assim que eu vir o bem-aventurado mártir, não permanecerei mais no mundo.”

O monge então aconselhou Romualdo a não dormir naquela noite e a permanecer com ele em vigília e oração na igreja. Enquanto ambos perseveravam pacientemente em oração no silêncio da noite, eis que, por volta do canto do galo, o bem-aventurado Apolinário apareceu claramente diante deles, saindo de sob o altar erguido no meio da Igreja em honra da Bem-aventurada Virgem Maria.

Foi visto sair do lado oriental, precisamente do lugar em que se encontrava uma pedra de mármore púrpura. Tamanho esplendor encheu imediatamente toda a igreja que parecia que o sol havia encerrado dentro daquelas paredes todos os raios de sua glória.

Então o bem-aventurado mártir, admiravelmente ornado com vestes sacerdotais e trazendo na mão um turíbulo de ouro, incensou todos os altares da igreja. Depois disso, voltou diretamente para o lugar de onde havia saído, e todo o esplendor que o acompanhava desapareceu imediatamente.

O monge, cobrador severo da dívida de Romualdo, começou então a insistir energicamente para que cumprisse a promessa que espontaneamente fizera. Romualdo ainda resistiu e pediu que lhe fosse concedido ver novamente a mesma visão. Na noite seguinte perseveraram outra vez em oração e viram o bem-aventurado mártir exatamente como na primeira ocasião.

Por isso, sempre que mais tarde surgia alguma questão a respeito do corpo daquele mártir, Romualdo afirmava com absoluta certeza que ele se encontrava guardado naquela igreja; e, enquanto viveu, jamais deixou de dar esse testemunho.

Romualdo tinha o costume de prostrar-se frequentemente em oração diante do altar principal da Igreja e, depois que os irmãos se retiravam, permanecia ali suplicando a Deus com muitos gemidos. Certo dia, depois das visões, enquanto rezava com grande atenção, o Espírito Santo inflamou-lhe a mente com tamanho fogo de amor divino que ele rompeu subitamente em lágrimas e já não conseguiu conter os rios que lhe corriam dos olhos.

Lançou-se então aos pés dos monges e pediu, com desejo inabalável, que lhe fosse dado o hábito monástico.

Os monges, porém, temendo a severidade de seu pai, não ousavam autorizar sua entrada na vida religiosa. Onesto, que então ocupava a sede arquiepiscopal de Ravena, havia sido anteriormente abade daquela comunidade de Classe. Romualdo foi procurá-lo e lhe revelou todo o desejo de seu coração.

Onesto alegrou-se, encorajou-o e o incitou nessa santa aspiração. Ordenou aos irmãos que o recebessem sem demora em sua comunidade. Assim, amparados pela autoridade daquele antigo membro da casa, os monges acolheram Romualdo sem oposição e lhe deram o hábito da santa vida religiosa.

Romualdo permaneceu naquele mosteiro por cerca de três anos.


Revision #2
Created 21 September 2026 00:20:35 by Admin
Updated 21 September 2026 00:50:12 by Admin