Capítulo 13

Termo 1

Operações

Que as operações existem por causa das coisas realizadas.

Que as operações das virtudes são deleitáveis por si mesmas.

Que as operações segundo a virtude são as senhoras da felicidade.

Que as operações segundo a virtude são mais permanentes do que os saberes.

Que as operações são as senhoras, e por isso é preciso considerar as operações que se fazem segundo a reta razão da prudência.

Que de operações semelhantes se fazem hábitos semelhantes.

Que acerca das operações das virtudes não se deve falar com certeza, mas de modo esquemático, por meio de argumentações imperfeitas e por exemplo.

Que as operações nada têm de estável e fixo, assim como também não o têm as coisas relativas à saúde.

Que certas operações, como por exemplo os adultérios, não podem ser feitas bem.

Que as operações versam sobre os singulares.

Que em certas operações às vezes alguém é louvado, às vezes é censurado.

Que as operações que dizem respeito aos fins e as que estão ordenadas a eles se dão segundo a escolha e voluntariamente.

Que as operações das virtudes são voluntárias e estão em nosso poder; e, assim como a virtude, também os vícios estão em nosso poder.

Que nem toda operação da alma admite um meio-termo, como o adultério, o furto, o homicídio; pois todas estas coisas e as que se dizem semelhantes são más em si mesmas.

Que as operações e os hábitos não são voluntários do mesmo modo, porque somos senhores das operações desde o princípio até o fim e conhecemos tudo o que nelas ocorre, mas o acréscimo inicial dos hábitos é desconhecido.

Que alguns julgam que a operação é uma geração, o que é falso.

Que nenhuma operação impedida é perfeita.

Que, tais como são as operações, tais se tornam os hábitos, e quem ignora que de operações semelhantes se formam hábitos semelhantes é quase insensato.

Que as operações da virtude são boas e em vista do bem.

Que a operação que está no presente é mais deleitável do que a esperança do futuro ou a memória das coisas passadas.

Que a operação do homem feliz, que deve viver deleitavelmente, é mantida pelos amigos, e tal operação será mais deleitável.

Que a boa operação é mantida mais facilmente por aquele que está com os outros do que por quem está sozinho.

Que a operação da virtude não é uma qualidade.

Que a operação perfeita do sentido é a do sentido bem disposto para o mais belo sensível, isto é, bem proporcionado à harmonia do sentido, entre todas as coisas que estão sujeitas ao sentido.

Que a operação de qualquer coisa é ótima quando é a do operante otimamente disposto para o mais potente, isto é, o mais nobre, dentre aquilo que está sujeito àquele operante; e tal operação é deleitabilíssima e perfeita segundo todo sentido.

Que dentre as operações algumas são necessárias e elegíveis em vista de outra coisa, e outras em vista de si mesmas.

Que para cada um é elegibilíssima a operação segundo o próprio hábito.

Que a operação que é do homem, isto é, segundo a sua melhor parte, é mais virtuosa e mais feliz do que a que é da besta, isto é, do homem segundo o que nele há de bestial.

Que a operação continuíssima, que é a especulativa, diz-se ser a felicidade.

Que a operação segundo a sabedoria é a mais deleitável dentre as operações que se dão segundo a virtude, como é reconhecido por todos.

Que as operações das virtudes práticas se dão nas coisas civis e bélicas, e tais ações não parecem ser ociosas na bondade perfeita.

Que as operações civis não são ociosas, porque, por meio do próprio convívio civil, adquire-se poder, honras e ainda a felicidade, tanto para si quanto para os cidadãos, felicidade distinta da política.

Que as operações bélicas e políticas, entre todas as operações das virtudes práticas, sobressaem em beleza e grandeza e, contudo, não são ociosas, porque buscam algum fim e, assim, não são elegíveis por si mesmas; e disso se segue que as condições da felicidade não se encontram nelas.

Que somente a operação do intelecto especulativo é a felicidade perfeita, porquanto não busca nenhum fim além de si mesma e possui deleite próprio, e quaisquer outras coisas que se atribuem ao bem-aventurado, contanto que recebam a perfeição da longa duração da vida.

Que as operações segundo as virtudes morais são humanas, porque as coisas justas e corajosas e as demais que fazemos segundo as virtudes, nas permutas, nas paixões e em outras coisas, todas são humanas; e o mesmo parece valer para a prudência; e assim a felicidade civil, que é segundo a prudência e as demais virtudes morais, será humana, ao passo que a que é segundo o intelecto será separada e divina.

Termo 2

Obras

Que nas obras das virtudes é máxima a constância em permanecer.

Que, por causa das obras digníssimas de honra, não sobrevém o esquecimento dos homens.

Que das boas obras se geram as virtudes e as artes, e pelas más se corrompem; pois com efeito de tocar a cítara tornam-se bons e maus citaristas.

Termo 3

Operar

Que quem não se importa de operar coisas justas não se importa de tornar-se bom.

Que operar e não operar pertence àqueles que têm em si mesmos o princípio do operar.

Que operar o bem ou o mal está em nosso poder.

Que não se opera senão aquilo que se julga ser melhor.

Que operar mal se dá por causa da ignorância.

Termo 4

Operante

Que os que operam retamente tornam-se ilustres na vida dos bons.

Que é preciso que o que opera segundo a virtude saiba o que se deve operar e o escolha em vista do fim, firmemente estabelecido pelo hábito.

Que o que opera coisas justas e castas de modo algum se diz justo e casto se, por exemplo, operar o que as leis ordenam por temor, ou contra a vontade, ou por ignorância.

Que parece irracional que o que opera coisas injustas não queira ser injusto, ou que aquele que comete estupro não queira ser incontinente.

Termo 5

Obra

Que a obra do homem é ou segundo a razão ou não sem a razão, isto é, com participação da razão.

Que a obra é a mesma em gênero para o homem e para o homem bom, e para o citarista e para o ótimo citarista.

Que estabelecemos a obra do homem como uma certa vida, isto é, um modo de viver.

Que a obra civil se realiza segundo a prudência e a virtude moral; pois a virtude torna reta a intenção, ao passo que a prudência ordena os meios que a ela conduzem.

Termo 6

Coisas realizadas

Que os produtos são melhores que as operações naquelas coisas em que ambos se encontram.

Termo 7

nos Jogos Olímpicos

Que nos Jogos Olímpicos não são coroados os melhores e os mais fortes, mas os que competem.

Termo 8

Oligarquia

Que a oligarquia é a malícia dos governantes que distribuem indignamente aquilo que é da cidade, sem consideração do mérito, e atribuem a si mesmos a maior parte dos bens e os cargos sempre aos mesmos amigos, para se enriquecerem facilmente.

Termo 9

Odor

Que não chamamos intemperantes os que se deleitam com os odores das rosas e dos incensos.

Que alguns se deleitam com os odores dos alimentos quando têm fome.

Termo 10

O olho

Que a virtude do olho torna bom tanto o olho quanto a sua operação.

Termo 11

Opinião

Que a opinião parece versar sobre todas as coisas: sobre as eternas, as impossíveis e as que estão em nosso poder.

Que a opinião se divide em verdadeira e falsa.

Que a opinião é louvada se é verdadeira, e a escolha se é daquilo que é preciso ou se é feita retamente.

Que não importa se a opinião precede a escolha ou a segue, pois não é isso que se busca, mas apenas que não sejam a mesma coisa.

Que a opinião enuncia algo de modo determinado.

Que a opinião é dupla: uma universal, isto é, da premissa maior, e outra particular, isto é, da menor.

Que não há diferença entre estar fora da opinião e não estar fora da ciência.

Que é possível agir de modo incontinente contra a própria opinião.

Que a opinião não é contrária à razão por si, mas por acidente, enquanto se lhe mistura a concupiscência.

Que há três opiniões acerca do prazer.

Que a opinião de Aristóteles parece estar em consonância com as demais e com as obras.

Que o esquecimento não é próprio da prudência, pois esta não está somente na razão, mas tem princípios inatos.

Que nas coisas práticas se julga mais pela vida e pelas obras do que pelos discursos e, por isso, é preciso confrontar o que foi dito, mediante consideração, com a vida e as obras.


Revision #1
Created 11 October 2026 19:23:45 by Admin
Updated 11 October 2026 19:23:45 by Admin