# Tábua do livro da Ética

# Capítulo 1

### Termo 1

#### Ação

Que a ***ação***, isto é, a operação da virtude, não se faz por causa de outra coisa, mas por causa do seu próprio bem.

Que toda ***ação*** é seguida de alegria ou de tristeza.

### Termo 2

#### Acrocholi (ἀκρόχολοι)

Que os ***acrocholi*** estão na superabundância da ira e se irritam com todo aborrecimento.

### Termo 3

#### Agrios (ἄγρῐος)

Que o ***agrios*** é totalmente inútil para as falas jocosas; pois, nada contribuindo, entristece-se em tudo.

### Termo 4

#### Jogador

Que o ***jogador***, o espoliador de mortos e o ladrão estão no número dos iliberais.

### Termo 5

#### Acusação

Que as ***acusações*** e queixas ocorrem, só ou principalmente com razão, na amizade que é segundo o útil.

Que ocorrem sobretudo quando não fizerem a troca segundo a mesma medida e se dissolverem.

Que as ***acusações*** ocorrem de modo diferente nas amizades que são segundo a superexcelência.

Que as ***acusações*** na amizade deleitável acontecem sobretudo quando a amizade não se funda sobre o mesmo em ambos.

Que a ***acusação*** não existe na amizade dos costumes, porque ela existe segundo ela mesma.

Que alguém ***acusa*** se o seu amigo ama por causa do útil, mas finge amar por causa do honesto costume.

### Termo 6

#### Aquele que recebe

Que aquele que ***recebe*** daquele de quem não convinha receber, por não ser amigo, pecou imediatamente.

Que aquele que ***recebe*** deve retribuir o benefício se for capaz; mas, se for incapaz, então aquele que deu não considera digno o que recebe dele.

Que aquele que *recebe* deve ordenar e medir a retribuição quando algo é concedido sem acordo, e as leis consideram isto mais justo.

### Termo 7

#### Aquele que empresta

Que a quem ***empresta*** nem sempre se deve ***emprestar***; como se me ***emprestou*** alguém, sendo eu epyeikes (ἐπιεικεῖς), e ele julgou lucrar, e eu o julgar mau, não é igualmente digno que eu lhe ***empreste***.

Que os que ***emprestam*** não buscam o bem daqueles a quem ***emprestam*** senão por causa do lucro; mas os que fazem o bem os amam ainda que nada lhes deva advir.

### Termo 8

#### Fazer

Que, para que o homem não ***faça*** coisas más, é preciso que seja bem criado e habituado e que viva segundo empreendimentos virtuosos; e isso acontecerá se viver segundo a ordem do intelecto que tem força coativa.

### Termo 9

#### Agathon

***Agathon*** said: One thing alone is outside God's power: to make undone those things which are certainly done.

The same said: art loves fortune and fortune, art.

### Term 11

#### The Sullen

The sullen are those who hold hold on to anger for a long time and only rest once they receive recompense, for vengence is what settles their impulse of anger.

### Term 12

#### Alcmaeon

He was compelled to kill his mother.

### Term 13

#### Vulgarity

It is an excess with regard to magnificence.

### Term 14

#### Friendship

Friendship is a kind of virtue or it accompanies virtue.

It is most necessary for life since no one would chose to live without friends.

Those who are very wealthy and possess power are in most need of it.

It is necessary with respect to life in misfortune, because in need and in other misfortunes, a man takes refuge in his friends.

It is necessary for the young and the old, because the young are prevented from erring by their friends and the aged are cared for by it.

It leads men to act and to think.

It seems to occur innately in us, not only among men, but also among birds and in a great number animals.

It seems to exist naturally in men, since all men appear familiar and friendly toward others, as when a man stops someone, known or unknown to him alike, from going astray.

That is is necessary for life because states and lawgivers strive especially to sew concord.

It is an honest good, since we praise men who love their friends.

Some men think good men and friends the same.

There is a kind of likeness in friends and men are friends insofar as they are like-minded.

For some, friendship consists in opposition, since all potters quarrel with one another.

Que a causa da **amizade** é, segundo alguns, a contrariedade, pois os contrários separados se amam, como a terra seca ama a chuva úmida.

Que a **amizade** provém disto, como disse Empédocles, do fato de que o semelhante ama e deseja o que lhe é semelhante.

Que não se chama **amizade** ao amor das coisas inanimadas, pois as coisas inanimadas não podem retribuir o amor.

### Termo 15

#### A amizade útil e a deleitável

Que a **amizade útil e a deleitável** o são por acidente, pois não se amam por si mesmos, mas por causa da utilidade e do deleite.

Que a amizade útil se encontra nos velhos e nos jovens; pois os velhos buscam não o deleitável, mas o útil, e os jovens buscam-no por causa do hábito.

Que tais amizades são facilmente dissolúveis, pois, dissolvido aquilo por causa do qual eram amigos, dissolve-se também a amizade.

Que a amizade dos jovens parece existir por causa do deleite, pois vivem segundo o deleite e buscam sobretudo o deleitável.

Que nos jovens a amizade deleitável se dissolve facilmente, pois, com o passar da idade, também as coisas deleitáveis se tornam outras.

Que segundo a amizade útil e deleitável é possível ter muitos amigos, pois muitos podem tornar-se úteis e deleitáveis.

Que a amizade deleitável é mais amizade do que aquela que é útil, pois nela há maior igualdade, e tal é a amizade dos jovens.

### Termo 16

#### Sobre a amizade nos negócios

Que a amizade existe por causa da utilidade dos que negociam.

Que a amizade do honesto permanece enquanto forem bons segundo a virtude que era causa da amizade.

Que é duradoura; pois racionavelmente tolera tudo o que é preciso existir entre amigos.

Que é a melhor e a máxima amizade.

Que é rara, pois só existe nos virtuosos, que são poucos, e requer tempo e convívio.

Que a amizade deleitável tem semelhança com a amizade do honesto, pois os bons são deleitáveis a si mesmos; e também com a amizade útil, pois tais homens são bons uns para os outros.

Que, entre as outras amizades diversas da verdadeira amizade, as mais permanentes são aquelas em que se dá algo igual de parte a parte.

Que muitos permanecem na amizade deleitável por causa da semelhança de costumes advinda do convívio, sendo de costumes semelhantes.

Que segundo a amizade útil e deleitável pode acontecer que sejam amigos os maus entre si, e o virtuoso com os maus, e qualquer um que não seja nem bom nem mau com qualquer outro.

Que só a amizade dos bons, que é verdadeira, é imutável, pois tais homens, que são verdadeiros amigos, não creem facilmente em quem quer que fale mal daquele que por muito tempo foi provado por eles.

Que, embora haja muitas espécies de amizade, a principal é, contudo, aquela que é dos bons enquanto bons, pois ela se funda no bem absolutamente, isto é, no honesto, ao passo que as outras se fundam em algum bem sob certo aspecto.

Que as amizades útil e deleitável nem sempre unem os amigos entre si, pois não se conjugam por si, mas por acidente.

Que a amizade não se dissolve absolutamente por causa da distância dos lugares, mas o seu exercício é impedido; se, porém, tal distância provocar uma longa ausência, provoca o esquecimento da amizade, pois, como se diz no provérbio: muitas amizades a falta de convívio dissolve.

Que a amizade se diz igualdade, e sobretudo aquela que existe entre os bons.

Que segundo a amizade perfeita não é possível ser amigo de muitos, assim como não é possível amar muitos ao mesmo tempo; pois assemelha-se a uma superabundância, que por natureza se dirige a um só.

Que todas as amizades mencionadas consistem na igualdade, pois o mesmo é feito por ambos e querem-no reciprocamente, ou permutam uma coisa por outra, como o deleite pela utilidade; mas tais homens são menos amigos e permanecem menos tempo.

Que as outras amizades parecem ser amizades por causa da semelhança que têm com a verdadeira amizade que é segundo a virtude, na qual há o útil e o deleitável; e ao mesmo tempo parecem não ser amizades por causa da dessemelhança, pois estas passam rapidamente, ao passo que aquela é permanente, e por causa das outras coisas em que diferem.

Que as amizades que existem por superabundância e são diversas das amizades antes mencionadas, como a do pai para com o filho, a do mais velho para com o mais jovem e a do que governa para com o governado, diferem entre si; e isto ele prova por dois meios.

Que a amizade dos filhos para com o pai é duradoura quando os filhos retribuem aos pais o que é preciso, e reciprocamente os pais aos filhos.

Que nas amizades segundo a superabundância deve haver um amor análogo, de modo que, se o superior é melhor, seja mais amado do que ama, pois então, segundo a dignidade, haverá uma certa igualdade.

Que a amizade não permanece nem um estima o outro se houver muita distância segundo a quantidade de virtude, ou de malícia, ou de riqueza, como se vê nos deuses e nos reis, que superam a todos em todos os bens, e nos sábios com relação aos ignorantes, que não são dignos de nada; contudo, nestas coisas não é certo definir até que ponto a distância dissolve a amizade e até que ponto não a dissolve.

Que a amizade consiste mais em amar do que em ser amado; e disto é sinal que as mães, que têm um amor intenso pelos filhos, não se importam se não são amadas pelos filhos pequenos por causa da ignorância; elas, porém, cuidam de amá-los e providenciam que sejam criados.

Que a amizade é uma certa igualdade e semelhança.

Que a amizade útil e a deleitável permanecem mais do que a amizade do mau, pois duram enquanto proporcionam entre si deleites e utilidades.

Que a amizade fundada na contrariedade parece ser sobretudo útil, como a do pobre para com o rico e a do indisciplinado para com o instruído, pois todo aquele que busca o útil ama aquilo em que existe o que a ele mesmo falta.

Que a amizade e a justiça parecem estar nas mesmas coisas e versar sobre o mesmo, isto é, sobre as relações de comunicação.

Que a amizade existe na medida em que se compartilha; e assim se chamam companheiros de armas e companheiros de navegação.

Que, das amizades, umas são maiores e outras menores.

Que a amizade e a justiça diferem conforme as diversas relações de comunicação, pois não é a mesma relação a dos pais para com os filhos e a dos irmãos e a dos que foram criados juntos.

Que a amizade e a justiça recebem aumento das mesmas coisas, pois, segundo a maior comunicação, maior é a justiça e a amizade; por exemplo, privar de dinheiro um companheiro é mais grave do que privar um cidadão, e ferir o pai é mais grave do que ferir qualquer outro.

Que a amizade existe em cada forma de governo na medida em que se conserva aquilo que é justo, como no reino o rei presta benefício aos súditos.

Que a amizade régia e a paterna estão em situação de superioridade, e por isso nelas o justo não é o mesmo, mas deve-se dar a cada um segundo a sua dignidade.

Que a amizade do homem para com a esposa, se é como na aristocracia ou nos assuntos políticos, é tal que a cada um se dá segundo a sua virtude.

Que a amizade dos irmãos e dos que têm a mesma idade e de todos os que são de uma mesma formação e de um mesmo costume são semelhantes à amizade que corresponde à timocracia, na qual os cidadãos querem ser iguais e justos, e cada um governar em sua parte.

Que, naqueles em que nada há de comum entre o que manda e o que é mandado, não há amizade nem justiça, mas é como a do artífice para com os instrumentos.

Que a amizade não se dirige às coisas inanimadas, nem para com elas há justiça, nem para com o escravo enquanto escravo.

Que há amizade para com ele enquanto homem e não enquanto escravo.

Que a amizade, assim como o justo, pode existir para com todo aquele que é capaz de participar da lei e do pacto.

Que toda amizade está na comunicação.

Que a amizade entre parentes parece ser de muitas espécies e depender toda da amizade paterna.

Que muito contribui para a amizade a convivência e a igualdade segundo a idade; e esta se assemelha à amizade fraterna.

Que a amizade dos que foram criados juntos se assemelha à fraterna.

Que a amizade dos sobrinhos e dos parentes se aproxima da dos amigos; e são mais e menos próximos conforme mais distam do chefe, isto é, do primeiro tronco.

Que a amizade dos filhos para com os pais é como para com um bem que os supera, e é semelhante à amizade dos homens para com os deuses.

Que a amizade dos pais para com os filhos tem em si o deleitável e o útil mais do que aquela que é dos estranhos, pois a vida que compartilham é mais comum.

Que entre o homem e a esposa parece existir amizade segundo a natureza.

Que na amizade do homem e da esposa parece haver o útil e o deleitável e, se forem virtuosos, ela existirá por causa da virtude; pois assim se alegrarão um no outro.

Que em todas as amizades não é o mesmo o modo de conviver, assim como também não é o mesmo o justo.

Que, existindo três amizades e estando cada uma delas dividida em igual e superior, uma vez que acontece que um dos amigos seja igual e, por outro lado, um seja melhor, é preciso que, onde as amizades são iguais, todas as coisas iguais sejam retribuídas pelos amigos mutuamente e segundo a própria coisa; mas nas amizades desiguais é preciso que sejam retribuídas segundo a proporção.

Que somente na amizade que se funda no útil surgem acusações e queixas.

Que na amizade que se funda na virtude não há acusações, pois, se os que são amigos assim existem, estão prontos a agir bem; pois isto é obra da virtude e da amizade.

Que na amizade que existe por causa do deleite não há acusação duradoura, pois ao mesmo tempo se realiza para ambos aquilo que desejam, se se alegram em conviver, e parece ridículo aquele que acusa o que não lhe dá deleite, uma vez que pode não conviver.

Que a amizade que existe por causa do útil é dada a acusações, pois em tal amizade, usando um do outro para a utilidade que supre a sua indigência, um acusa o outro de que recebe menos do que é digno e do que necessita, e o outro, por sua vez, de que não pode bastar a tantas coisas quantas os necessitados carecem.

Que a amizade útil é em parte moral e em parte legal, e que a legal é em parte venal, de mão em mão, e em parte espera segundo o tempo, e esta é mais liberal; pois tem uma dilação amigável.

Que a amizade moral não está em acordos expressos, mas é como quando alguém dá a um amigo ou a qualquer outro, considerando que receberá do mesmo outro tanto ou mais, não como quem dá liberalmente, mas como quem empresta.

Que na amizade moral, que é sem pacto, há acusação quando um amigo não retribui de modo semelhante àquilo que o outro esperava, e então o acusa e dissolve a amizade.

Que na amizade que existe por causa do útil, a medida é a utilidade daquele que recebe.

Que nas amizades segundo a virtude não há, na verdade, acusações; contudo, as recompensas são medidas pela escolha daquele que age, a qual é o principal nas virtudes.

Que nas amizades que existem segundo a superioridade diferem as acusações.

Que a amizade se dissolve quando cada um dos amigos julga-se digno de receber mais.

Que a amizade requer que se retribua o que é possível, quando não se pode retribuir o suficiente segundo a dignidade.

Que em todas as amizades de pessoas diferentes a proporção, isto é, o retribuir a cada um segundo a sua proporção, iguala os amigos; assim como na política se dá a cada artífice segundo a dignidade da sua obra.

Que na amizade amorosa às vezes o amante acusa porque, amando em excesso, não é correspondido, embora nada tenha de amável.

Que a amizade que se funda nos costumes permanece por si mesma e por isso não tem acusações.

Sobre a amizade na qual alguém parece amar por causa do costume e ama por causa do deleitável.

Que, sendo muitas as diferenças de amizade, alguns são considerados amigos segundo uma e são amigos segundo outra.

Que a amizade deve ser dissolvida imediatamente com os incuráveis; mas àqueles que podem ser corrigidos deve-se prestar auxílio mais quanto ao costume do que quanto aos bens materiais, tanto mais quanto a virtude é melhor e mais essencial à amizade.

Se se deve conservar o exercício da amizade caso um permaneça na virtude e o outro, porém, se torne mais virtuoso e difira muito em virtude; e diz que isso não acontece.

Que a amizade não pode permanecer entre aqueles dos quais um permanece na virtude e o outro, porém, se torna mais excelente em virtude; e exemplifica com as amizades que se formam na infância, quando um cresce em virtude e o outro permanece nas coisas pueris, de modo que não podem ser amigos, uma vez que não se alegram nem se entristecem com as mesmas coisas.

Que na amizade útil não se devem fazer muitos amigos, pois é laborioso socorrer e retribuir a muitos, e não basta para a própria vida, enquanto se quer socorrer a muitos.

Que também na amizade de prazer não se devem fazer muitos amigos, pois para o prazer bastam poucos, e, se se multiplicarem, impede-se o prazer familiar.

Que a amizade do honesto pode existir com tantos quantos o homem pode conviver, mas é manifesto a qualquer um que não é possível conviver com muitos e distribuir-se a si mesmo; e confirma-o por três razões.

Que, segundo a amizade de camaradagem, que é dos que são semelhantes nos costumes, não é possível ter muitos amigos.

Que, na amizade política, é possível ter muitos amigos, pois o homem pode conviver com prazer com todos os cidadãos, e não apenas de modo complacente, mas verdadeiramente.

Que a verdadeira amizade, que existe por causa da virtude e dos próprios amigos, não se estende a muitos, pois poucos assim se podem encontrar.

Que a amizade dos maus é má, pois conduz ao mal, enquanto os que não estão firmes na virtude se associam aos maus e se assemelham a eles, e assim também se tornam maus; ao passo que a dos bons se torna melhor, enquanto em ambos cresce a bondade a partir das boas conversas e ações, e eles se dirigem mutuamente.

### Termo 17

#### Coisas amigáveis

Que os que rapidamente fazem uns aos outros obras amigáveis têm a vontade de amizade, que é veloz, mas ainda não a amizade, a não ser que sejam também amáveis e o saibam.

Que as coisas amigáveis para com os amigos nascem e se determinam a partir daquelas que o homem tem para consigo mesmo.

### Termo 18

#### O amável

Que nem tudo é amável, mas o bem.

Que é amável e elegível o que é absolutamente bom; amável sob certo aspecto, porém, é o que é bom e deleitável para cada um; e o bom é bom por causa de ambos.

### Termo 19

#### Amor

Que o amor se assemelha a uma paixão, ao passo que a amizade se assemelha a um hábito, visto que ela é acompanhada de reciprocidade e segundo a escolha, e a escolha procede do hábito, porquanto um quer o bem do outro por causa dele; mas o amor que pode existir para com as coisas inanimadas é sem reciprocidade e sem escolha.

### Termo 20

#### Amizade

Que a amizade é o meio-termo em todas as obras que pertencem à vida; aquele que excede sem qualquer propósito chama-se complacente, mas o que age por causa da utilidade, adulador; e o que peca por falta, desagradável em tudo, é litigioso e intratável.

### Termo 21

#### O amigo

Que aquilo que se faz por meio dos amigos, de algum modo é feito por nós, pois o princípio que move a agir está em nós.

Que o amigo quer o bem do amigo por causa dele mesmo; mas é ridículo querer o bem para o vinho; contudo, se se quer que ele se conserve, por acidente se lhe quer o bem, para depois bebê-lo.

Que os amigos querem permanecer juntos durante o dia e conviver.

Que os que são amigos por causa do útil são menos amigos do que os que o são por causa do deleitável, e permanecem menos tempo; pois tal amizade se dissolve junto com o proveito.

Que por causa do útil os homens se dizem amigos, assim como as cidades por causa do proveito nas alianças de guerra.

Que por causa do prazer também se dizem amigos, como as crianças que se amam mutuamente.

Que os maus podem ser amigos por causa do útil e do deleitável, sendo semelhantes nessas coisas; mas, por si mesmos, não são amigos absolutamente.

Que, assim como nas outras virtudes alguns são bons em ato, outros segundo o hábito, assim também na amizade alguns são amigos em ato, convivendo com prazer uns com os outros, e outros segundo o hábito, como os que dormem e os que estão separados pelos lugares, que têm o hábito pelo qual depois agem amigavelmente.

Que nada é tão próprio dos amigos como conviver; pois até os bem-aventurados desejam permanecer juntos durante o dia, e não lhes convém ser solitários.

Que os bem-aventurados e os demais buscam amigos deleitáveis, os quais é preciso que sejam bons e agradáveis a eles mesmos, e assim terão neles tudo aquilo que é preciso haver nos amigos.

Pergunta-se se os amigos querem para os amigos os maiores bens, por exemplo, ser deuses, visto que pelos maiores bens se dissolve a amizade.

Que o amigo que excede se torna adulador, se for arrastado para fora do meio-termo.

Que o amigo é mais louvado por amar, e disso se manifesta a imperfeição da amizade daqueles que querem mais ser amados do que amar.

Que são amigos mais duradouros, e mais duradoura é a amizade daqueles em que se ama e se é amado segundo a dignidade de cada um; pois, se são desiguais nas dignidades, por isso se tornam iguais segundo a proporção, quando cada um recebe o que lhe é devido; e os mais duradouros são os que são semelhantes na virtude.

Que o amigo virtuoso não proporciona ao amigo obras más, mas antes o proíbe; e assim, sendo constantes na virtude, serão constantes na amizade.

Que entre amigos todas as coisas são comuns.

Que, quando cada um dos amigos julga-se merecedor de receber mais do outro do que reciprocamente, surge uma queixa diversa e dissolve-se a amizade.

Que o amigo melhor e superior julga que lhe convém ter mais, pois ao melhor e mais útil se deve dar mais; porque, se não se retribui a cada um segundo a dignidade das obras, haverá servidão daquele que despende mais, e não amizade.

Que o amigo superior deve receber mais, assim como na troca de dinheiro recebem mais os que contribuem com mais.

Que o amigo necessitado e inferior, ao contrário, julga dever receber mais, pois é próprio do bom amigo que baste ao amigo também em suas necessidades; de outro modo, sua amizade seria inútil, se o inferior nada recebesse de seu amigo superior.

Que é próprio do bom amigo que ele baste ao amigo em suas necessidades.

Que cada um dos amigos parece merecer, e a ambos se deve dar mais, mas não da mesma coisa: ao superior, mais honra; ao necessitado, porém, mais proveito.

Que ao amigo que é útil pela doação de dinheiro se deve retribuir com honra.

Se se deve servir mais ao amigo ou ao homem virtuoso.

Se se deve dar liberalmente a um amigo mais do que retribuir a graça a um benfeitor pelos benefícios, caso não haja recursos para ambos.

Que para com os amigos e os irmãos devemos ter confiança e a comunicação de todas as nossas coisas.

Que o amigo é semelhante ao amigo.

Que o amigo que dissolve a amizade com um amigo que não é tal qual o amou não faz nada de inconveniente.

Se, após a dissolução da amizade, deve-se comportar em relação ao amigo de modo diferente do que se ele nunca tivesse sido amigo, ou se é preciso guardar a memória da amizade anterior.

Que o amigo quer e realiza bens para o amigo, ou o que aparenta bem, por causa do próprio amigo; e quer que o amigo exista e viva por causa do próprio amigo; e convive e escolhe as mesmas coisas que o amigo, e alegra-se e entristece-se com o amigo.

Que o amigo é outro eu mesmo.

Que o bom amigo é, por natureza, digno de ser escolhido pelo homem bom e diligente.

Que o bom amigo se comporta em relação ao amigo assim como se comporta em relação a si mesmo, pois o amigo é outro ele mesmo; e por isso, conforme escolhe o seu próprio ser, assim também escolhe o amigo, enquanto este partilha com ele conversas honestas e pensamentos.

Se alguém deve fazer para si muitos amigos. E resolve as razões; o exemplo dos peregrinos: pois, assim como é enfadonho não receber nenhum estranho e peregrino, e não é seguro receber a todos, assim é enfadonho não ter nenhum amigo e perigoso admitir qualquer um.

### Termo 22

#### Amar

Se alguém ama o bem absolutamente ou o bem para si mesmo, visto que às vezes há dissonância entre estes; e resolve que o bem absolutamente é amável, e para cada um é amável o seu próprio bem.

Que alguns buscam ser amados mais do que amar, por amor da honra; e por isso são muitos os que amam a adulação.

Que ser amado e ser honrado parecem próximos, e, porque muitos desejam ser honrados por causa de serem amados, muitos buscam ser amados por causa de serem honrados.

Que ser amado é melhor do que ser honrado, porque é digno de ser escolhido por si mesmo, ao passo que ser honrado o é por causa de outra coisa ou por causa da esperança de lucro, assim como alguns, indignos de honra, alegram-se por serem honrados por aqueles que estão no poder.

Que não é preciso que alguém ame o homem mau, nem que se assemelhe ao perverso.

### Termo 23

#### Amantes

Que os que amam as flautas não podem atender às palavras que lhes são ditas; e por isso, quando muito nos alegramos na amizade, não podemos discernir as outras coisas.

### Termo 24

#### O amante

Que os amantes parecem ridículos, os que julgam ser amados tanto quanto amam, se porventura não há neles aquilo que deve ser amado; mas, se há, talvez devam ser considerados dignos de modo igual.

Que os que amam a si mesmos são censurados.

Que os que amam a si mesmos são, segundo a opinião do vulgo, aqueles que atribuem a si mesmos mais de bens materiais, de honras temporais e de deleites, porque creem que tais coisas são as melhores, e entregam tudo às concupiscências e à parte irracional da alma; e por isso tais homens são justamente repreendidos.

### Termo 25

#### Amar

Se alguém deve amar sobretudo a si mesmo ou ao amigo.

### Termo 26

#### Amor

Que o amor não é de qualquer coisa, mas do objeto desejado que é amável; o qual, de fato, divide-se em bem, deleitável e útil, dos quais dois, a saber, o bem e o deleitável, são amados como fins, e o útil, porém, como aquilo que conduz a um e a outro.

### Termo 27

#### A alma

Que acerca das partes da alma se determinou o quanto pertence às questões investigadas, porque certificar-se em mais é mais trabalhoso do que o proposto, e suficientemente se disse nos discursos exteriores, isto é, no livro Da alma.

Que, das partes da alma, uma é irracional e outra tem razão; e nada importa, para o presente, se as duas coisas mencionadas são distintas entre si como partes ou como todo.

Que na alma há algo inato que se opõe e resiste à razão.

Que na alma, ainda que não o vejamos, há um movimento distorcido como nos corpos.

Que na alma há três coisas: paixões, potências e hábitos, e a virtude será alguma dentre estas; e exemplifica cada uma delas.

### Termo 28

#### O animal

Que todos os animais discernem os alimentos e com estes se alegram, mas com aqueles não.

Que, dentre os animais, um é agressivo, outro estúpido, outro voraz.

Que o animal sempre se esforça em ver e em ouvir.

Que todos os animais carecem de felicidade, porque estão privados da operação especulativa.

Que nenhum dos demais animais é feliz, porque de modo algum participam da especulação.

### Termo 29

#### Amação

Que, como a amação é semelhante à ação, mais está naquele que é abundante no agir.

### Termo 30

#### Apetite

Que o apetite do deleitável é insaciável e, de toda parte, próprio do insensato, e a concupiscência aumenta suas próprias obras conforme estas são semelhantes.

Que o apetite é do meio.

### Termo 31

#### O homem que observa o meio

Que o autecasto é aquele que é veraz na vida e na palavra, confessando serem a respeito de si mesmo as coisas tais como existem, e nem maiores nem menores.

### Termo 32

#### Arte

Que todas as artes se possuem juntamente com a prudência, segundo as quais alguém é dito absolutamente bom.

Que as artes se ordenam sob uma certa virtude, assim como sob a equestre a de construir navios.

Que as artes superiores são chamadas arquitetônicas.

Que a arte e a virtude versam sobre o que é mais difícil.

Que aquilo que é feito pelas artes possui em si o bem, isto é, o modo pelo qual é bem feito.

Que a arte visa o meio-termo, pois, quando alguma obra de arte está bem feita, nada há a retirar nem a acrescentar.

Que as artes seriam destruídas se aquele que dá não desse quanto e qual convém, e aquele que recebe não recebesse tanto e tal quanto vale a sua obra.

Que a arte não se ocupa daquilo que ocorre por acidente.

Que a arte é um hábito produtivo acompanhado de razão.

Que a arte versa sobre a produção e o artefato, e sobre considerar como se faz algo dentre as coisas contingentes cujo fim está naquele que produz e não no que é produzido.

Que a arte versa sobre as coisas factíveis, ao passo que a prudência versa sobre as coisas agíveis.

Que a arte arquitetônica é a que estabelece a lei.

Que a arte cosmética e a culinária parecem ordenar-se ao prazer.

### Termo 33

#### O asno

Que o asno certamente prefere o feno ao ouro, pois para os asnos o alimento é mais deleitável que o ouro, como diz Heráclito.

### Termo 34

#### O artífice

Que o artífice que quer tornar-se perfeito deve começar pelo conhecimento dos universais, e assim chegar a conhecer isto ou aquilo, pois já se disse que as ciências versam sobre isso.

### Termo 35

#### Os argivos

Que os argivos, julgando lutar apenas contra os sicônios, depararam-se com os lacônios, que eram belicosíssimos, e por isso fugiram imediatamente; assim, os ignorantes, desconhecendo as condições do combate, fogem de imediato.

### Termo 36

#### O certame

Que nos certames não são os mais valentes que mais combatem, mas os mais potentes e os que possuem os melhores corpos.

### Termo 37

#### O adúltero

Que os adúlteros, por concupiscência, realizam muitos atos audaciosos; contudo, nem por isso são corajosos.

### Termo 38

#### O atleta

Que, assim como os atletas combatem com os inexperientes.

### Termo 39

#### A inépcia

Que a inépcia é uma arte produtiva acompanhada de razão falsa.

### Termo 40

#### Anaxágoras

Que Anaxágoras e outros que se ocupam de coisas admiráveis e difíceis são chamados sábios, e não prudentes.

### Termo 41

#### O avaro

Que o avaro é injusto e, por isso, ocupa-se não de todos os bens, mas de quaisquer fortunas e infortúnios.

Que o avaro está contido sob o desigual como sob algo comum.

### Termo 42

#### O audaz

Que o audaz é aquele que excede no ousar diante das coisas terríveis, pois se lança a tudo.

Que os audazes voam adiante antes dos perigos e, quando neles se encontram, afastam-se; mas com o corajoso ocorre o contrário.

# Capítulo 2

### Termo 1

#### Banausius βᾰ́ναυσος

Que o banausius é aquele que gasta os seus bens em grandes despesas não conforme é preciso, como quem alimenta atores nas núpcias e concede aos comediantes, ao passarem, estendendo-lhes púrpura.

### Termo 2

#### Blanditor

Que o adulador é aquele que busca agradar por causa de alguma utilidade em dinheiro.

### Termo 3

#### Beatus

Que se devem chamar felizes aqueles que estão entre os viventes, nos quais se encontram as condições da felicidade.

Que chamamos felizes os homens.

Que os felizes de nada carecem quanto às coisas úteis, mas quanto às deleitáveis.

Que ninguém é feliz sem querer.

### Termo 4

#### Bomolochus βωμολόχος

Que se chamam bomolochi aqueles que se alegram desmedidamente com o riso e a brincadeira.

Que os bomolochi também se chamam graciosos.

Que o bomolochus é menor que o zombador, porque não poupa nem a si mesmo nem aos outros.

### Termo 5

#### Bonum

Que o bem é aquilo que todas as coisas apetecem.

### Termo 6

#### Bestiae

Que os animais não participam da ação, ainda que tenham sentido.

Que se diz que alguns animais são prudentes, pois parecem ter, acerca da vida, uma capacidade de previdência.

Que os animais não são nem continentes nem incontinentes, porque não têm opinião universal.

Que os animais não são nem temperantes nem intemperantes, a não ser metaforicamente, porque não têm nem razão nem escolha.

### Termo 7

#### Bestialitas

Que a torpeza ou o deleite bestial está fora dos limites da malícia.

Que à bestialidade se opõe uma virtude divina e heroica.

Que a bestialidade se encontra sobretudo nos bárbaros.

Que a bestialidade é uma malícia menor que a incontinência humana, mas mais terrível.

Que são deleites bestiais cortar as mulheres grávidas e devorar as crianças.

### Termo 8

#### Barbari

Que alguns gêneros de bárbaros são por natureza irracionais, vivendo apenas pelo sentido.

### Termo 9

#### Bellare

Que ninguém escolhe guerrear por si mesmo, nem em vista do próprio guerrear ou de preparar a guerra; de outro modo, faltando os inimigos, atacariam os concidadãos e os amigos para que não faltassem combates, mas tal pessoa seria um assassino violento.

### Termo 10

#### Benefacere

Que beneficiar é mais trabalhoso, ao passo que receber o benefício parece não dar trabalho; e por isso os que beneficiam amam mais os beneficiados, visto que se amam mais as coisas que se fazem com trabalho.

### Termo 11

#### Benefactor

Que os benfeitores parecem amar mais os beneficiados do que os beneficiados aos que os beneficiam; e, como isso pareça contra a razão, busca-se a razão disto.

Que o benfeitor ama mais o beneficiado, porque o beneficiado é obra do que o beneficia, e, assim como todo homem ama a própria obra mais do que é amado por ela, como acontece aos poetas, que amam mais os seus poemas.

Que o benfeitor ama mais o beneficiado do que o contrário; e apresenta seis pontos que confirmam a sua solução.

### Termo 12

#### Beneficium

Que, se alguém recebe um benefício de um amigo que espera ser retribuído, deve retribuir-lhe espontaneamente conforme a dignidade daquilo que recebe.

Que os que recebem benefícios os depreciam, ao passo que os que dão exaltam os benefícios que deram.

Que os benefícios recebidos devem ser retribuídos mais do que dar algo aos amigos, assim como um empréstimo que se deve restituir tem prioridade sobre um presente a ser dado a um amigo.

### Termo 13

#### Benevolência

Que a benevolência parece ser amizade e não o é; pois ela se dirige a desconhecidos e permanece oculta, ao passo que a amizade não.

Que a benevolência não é afeição, porque a afeição vem com o hábito, ao passo que a benevolência surge repentinamente, tal como acontece em relação aos atletas.

Que a benevolência é o princípio da amizade.

Que a benevolência, se se tornar duradoura, torna-se amizade, mas não aquela que é por causa do útil e do deleitável.

### Termo 14

#### Os benévolos

Que os benévolos amam superficialmente, porque nada querem cooperar.

Que se dizem benévolos os que querem bens aos outros, se destes não se faz o mesmo em troca; e se acontecer que a este suceda o mesmo por parte daquele, isto é, que o ame, haverá aí benevolência com reciprocidade.

### Termo 15

#### O bem

Que o bem é aquilo que todas as coisas desejam.

Que o mesmo é o bem de um só homem e o da cidade, mas o do povo e o da cidade é maior, mais perfeito e mais divino.

Que a respeito do bem humano se determinará suficientemente, se for manifestado segundo a matéria que lhe está subjacente.

Que os bens de que trata a ciência política não foram estabelecidos pela natureza, mas pela lei.

Que os platônicos sustentaram que o bem é aquilo que é bem por si mesmo e é causa de todas as coisas serem boas formalmente, e não efetivamente; pois, se o dissessem, teriam falado bem.

Que o bem por si se diz antes e mais universalmente bem do que aquilo que é uma espécie de derivação ou acidente.

Que o bem se diz igualmente ao ente.

Que não há uma só ideia de todos os bens, pois assim haveria uma só ciência.

Que não é mais bem aquilo que é mais duradouro do que aquilo que dura um só dia.

Que o bem é duplo: por si, e algo conservativo e proibitivo.

Que todas as coisas boas por si não convêm numa só razão de bem por si, como fica manifesto no caso da honra e nas outras coisas que ele enumera.

Que o bem universal é inútil, porque nem o tecelão nem nenhum outro artífice é ajudado em sua arte, se considerar este bem separado, nem operará melhor.

Que o bem que aqui se busca é operado e possuído pelo homem por meio de suas operações; mas o bem separado não é desse gênero.

Pergunta-se o que seja o bem, que é a felicidade segundo a opinião de Aristóteles.

Que o bem operado, que é a felicidade, é único e, se se dissessem muitos, um se ordenaria ao outro, de modo que apenas *um* seria o operado e o ótimo.

Que o bem suficiente por si é aquele segundo o qual alguém é suficiente não somente se levasse uma vida solitária, mas também para os pais, os filhos, a esposa, os amigos e os concidadãos.

Que o maior bem deve ser mais escolhido.

Que o bem humano se realiza segundo a virtude mais perfeita e ótima.

Que os bens se dizem de três maneiras; pois alguns são exteriores, como os bens da fortuna; alguns interiores, como as virtudes e as ciências; alguns dizem respeito aos corpos, como a saúde e a beleza.

Que os bens que dizem respeito à alma são os bens mais principais.

### Termo 16

#### Bom

Que ninguém é bom se não se alegra com as boas obras; e o mesmo se deve dizer a respeito do justo.

Que alguns bens são requeridos necessariamente para a felicidade, como as virtudes, e alguns operam para ela como instrumentos.

Que os grandes bens tornam o homem mais feliz, porque são feitos por natureza para ornamentar, e o uso deles é bom e virtuoso.

### Termo 17

#### Os bens da fortuna

Que os bens da fortuna são aqueles que são bens absolutamente, mas nem sempre são bens para alguém.

Que os homens perseguem os bens da fortuna com o máximo desejo e rogam por eles.

Que o homem não deve pedir aquilo que é bem absolutamente, mas aquilo que é bem para os próprios que o possuem.

Que não é o mesmo ser cidadão e ser homem bom.

### Termo 18

#### O homem bom

Que os bons e os absolutamente bons são entre si úteis e deleitáveis, porque as ações dos bons são semelhantes.

Que três são as coisas que parecem tornar os homens bons, a saber, a natureza, o hábito e a doutrina.

Que, para que alguém se torne bom por meio da doutrina, é preciso que preexista um costume, isto é, um hábito, consoante à virtude.

Que os bens temporais têm excessos viciosos, e por isso acontece que alguém, ao perseguir os deleites excessivos, é depravado.

Que todos desejam o bem aparente, segundo os pitagóricos.

Que o bom deve ser amante de si mesmo, porque tanto ele próprio se beneficiará agindo bem quanto ajudará os outros.

Que ninguém escolheria possuir para si todos os bens, se tivesse de viver solitário.

Que aquilo que é bom segundo a natureza e deleitável por si mesmo é também assim em comparação com o homem virtuoso.

Que todo bem, acrescentado a outro bem, é mais desejável do que sozinho.

Que os que dizem que nem todas as coisas apetecem o bem não dizem a verdade, porque dizemos ser verdadeiro aquilo que a todos parece; ora, afirma-se comumente que todas as coisas apetecem o bem.

Que é impossível ser bom sem prudência e ter prudência sem virtude moral.

Que o bem se divide de três modos.

Que o bem nos costumes é duplo: um é a operação, outro é o hábito.

# Capítulo 3

### Termo 1

#### O presunçoso

Que o presunçoso se julga digno de grandes coisas, sendo indigno delas.

Que o presunçoso é excessivo com respeito a si mesmo, mas não com respeito ao magnânimo.

Que os presunçosos são insensatos e ignorantes de si mesmos, porque se julgam dignos de bens mais do que são dignos.

### Termo 2

#### Os cães

Que os cães não se alegram com o odor das lebres, mas com o alimento que lhes é apresentado pelo odor.

### Termo 3

#### As carnes

Que as carnes bem digeríveis e leves, como as das aves, são saudáveis.

### Termo 4

#### Calipso

Que Calipso advertia isto: mantém a nau longe da fumaça e da onda.

### Termo 5

#### As causas

Que as causas parecem ser quatro, a saber: a natureza, a necessidade, a fortuna e o intelecto.

### Termo 6

#### O citarista

Que, assim como tocando cítara alguém se torna citarista, assim, praticando ações justas, torna-se justo, e assim das demais coisas.

### Termo 7

#### O cego

Que ninguém censurará o cego por natureza, seja por enfermidade seja por golpe, mas antes terá compaixão dele; aquele, porém, que se tornou cego pela bebida do vinho ou por alguma outra incontinência, todos certamente o repreenderão.

### Termo 8

#### Os glutões

Que se chamam glutões os que enchem o ventre além da necessidade e tomam para si acima da quantidade que lhes é devida; e tais homens são muito bestiais.

### Termo 9

#### A clavícula

Que "clavícula" se diz de modo equívoco: a que está sob o pescoço do animal e aquela com que se fecham as portas.

### Termo 10

#### O deleite do alimento

Que o deleite do alimento é comum e natural, proveniente da natureza comum, porque todo homem apetece o alimento quando tem fome, e o líquido quando tem sede, e às vezes ambos.

### Termo 11

#### A causa

Que, se ninguém é causa para si daquilo que é fazer o mal, assim também não o é daquilo que é fazer o bem.

### Termo 12

#### A concausa

Que somos concausas dos hábitos das virtudes.

### Termo 13

#### Sobre as circunstâncias

Que não é mau tratar das circunstâncias.

### Termo 14

#### Da comparação

Da comparação do meio com os extremos e dos extremos entre si.

### Termo 15

#### Da concupiscência

Que a concupiscência e a ira não são causa do involuntário.

Que a concupiscência é deleitável e triste, mas a escolha não.

Que nas concupiscências naturais poucos erram.

Que algumas concupiscências são comuns e outras próprias.

Que não é louvável deixar de seguir as concupiscências fracas e não perversas.

Que a concupiscência parece ter o caráter de pai e de amigos.

Que as concupiscências das coisas boas são louváveis, mas as das coisas torpes são censuráveis.

Que as concupiscências venéreas causam loucuras.

Que a concupiscência, assim que algo deleitável lhe é anunciado pelo sentido ou pela razão, tende à fruição.

### Termo 16

#### Conselho

Que ninguém toma conselho sobre as coisas eternas, por exemplo, se o mundo é eterno, e sobre o lado e a diagonal, nem sobre as coisas em movimento que se comportam sempre do mesmo modo.

Que o conselho versa sobre as coisas realizáveis que estão em nosso poder.

Que nenhum dos lacedemônios toma conselho sobre o modo como os citas melhor se conduziriam.

Que o conselho não versa sobre certas disciplinas, por exemplo, de que modo se deve escrever com as letras.

Que o conselho versa sobre aquilo que é feito por nós, mas não do mesmo modo, como na prática da medicina, do comércio e da navegação.

Que o conselho versa mais sobre a navegação do que sobre a ginástica.

Que o conselho versa mais sobre as artes mecânicas do que sobre as ciências, pois a respeito delas duvidamos mais.

Que o conselho versa sobre aquilo que na maioria das vezes é incerto, e cujo desfecho se ignora; e quanto menos certo é algo, tanto mais há conselho a seu respeito.

Que o conselho não versa sobre as coisas pequenas, mas sobre as grandes, nas quais desconfiamos de nós mesmos como não sendo suficientes para discernir.

Que o conselho não versa sobre o fim, mas sobre aquilo que conduz ao fim; assim, o médico não toma conselho sobre a saúde, mas sobre como curar; e dá outros exemplos.

Que o conselho versa sobre aquilo que conduz ao fim, de que maneira e de que modo, e se por muitos meios ou por um só, e por qual deles se chega ao fim mais facilmente e da melhor forma.

Que aquele que toma conselho parece resolver o posterior no anterior, à maneira de um diagrama.

Que todo conselho é uma investigação, mas não reciprocamente.

Que, se o último ponto no conselho for impossível de realizar, desistimos dele; mas, se for possível, começamos a agir.

Que, nos conselhos, às vezes se buscam os instrumentos, como quando alguém busca um navio, às vezes a necessidade deles; e assim também nos demais casos, às vezes por qual meio, de que modo e por que causa.

Que o conselho versa sobre as coisas realizáveis pelo homem, pois o homem é o princípio de suas operações.

Que o conselho não versa sobre os singulares que se manifestam ao sentido, por exemplo, se é este o pão de que necessitamos, pois, se houvesse conselho sobre tudo, ele prosseguiria quase ao infinito.

Que o objeto do conselho e o objeto da escolha são o mesmo, quando o objeto do conselho está determinado.

Que o conselho versa sobre o futuro e sobre as coisas contingentes.

Que ninguém toma conselho sobre aquilo que não pode de outro modo ser.

Que é preciso tomar conselho por muito tempo, mas executar rapidamente o que se decidiu em conselho.

### Termo 17

#### O conselheiro

Que o bom conselheiro é aquele que, segundo o raciocínio, é capaz de conjecturar o melhor entre as coisas realizáveis pelo homem.

### Termo 18

#### Certeza

Que não se deve buscar a mesma certeza em todos os modos das ciências.

### Termo 19

#### A ciência política

Que compete à ciência política determinar quais disciplinas, dentre o seu número, cada um deve aprender.

Que a ciência política tem sob si as mais preciosas dentre as artes, a saber, a militar, a econômica e a retórica.

Que os cidadãos enfrentam perigos por causa das repreensões que provêm das leis.

Que a ciência política se serve de todas as outras, impondo-lhes o que se deve fazer e do que se deve abster.

Que a ciência política visa tornar os cidadãos bons e obedientes às leis.

Que se diz que agem politicamente aqueles que operam acerca dos particulares.

### Termo 20

#### Convergência

Sobre a convergência do intelecto especulativo e do prático, porque ambos versam sobre os extremos, e não sobre a razão.

### Termo 21

#### Contínuo

Que em todo contínuo divisível é possível tomar isto como maior, aquilo como menor, e este outro como igual.

### Termo 22

#### O continente

Que o continente, quando opera, permanece na razão, e o incontinente dela se afasta.

Que o continente, sabendo que as concupiscências são más, não as segue por causa da razão, mas o incontinente é vencido pela paixão.

Que o continente permanece na razão e o incontinente dela se afasta.

Que se diz continente aquele que vence as paixões pelas quais muitos são vencidos.

Que o continente é o meio-termo entre dois, dos quais uns se deleitam mais do que é preciso, e outros menos.

Que o continente e o temperado são capazes, por hábito, de não abandonar a ordem da razão por causa das paixões corporais.

Que o continente tem muitíssimas concupiscências, mas não é levado por elas; o temperado, porém, não as tem nem se deleita nelas.

### Termo 23

#### Continência

Que a continência não é uma virtude, mas algo misturado.

Que a continência e a perseverança parecem ser próprias dos virtuosos e louváveis.

Que a continência e a incontinência, a temperança e a intemperança, ditas absolutamente, versam apenas sobre as paixões humanas.

Que a continência é mais desejável do que a perseverança, assim como vencer é melhor do que apenas conter-se.

Que a continência, sendo o meio-termo, está entre o número dos virtuosos.

Que a continência e a incontinência versam sobre o que excede o hábito de muitos.

### Termo 24

#### O comer carvões

Que o comer carvões e terra e o jazer com homens, tudo isso acontece por causa de uma natureza perniciosa e do costume, e a estes não pertence propriamente a continência, visto que não são por si deleitáveis à natureza humana.

### Termo 25

#### A cinta da cípria

Que a cinta da cípria é variegada.

### Termo 26

#### Costume

Que o costume é difícil, porquanto se assemelha à natureza. Donde: a meditação prolongada permanece e, quando chega ao perfeito, torna-se natureza nos homens.

### Termo 27

#### O concupiscível

Que o concupiscível e o apetível participam de algum modo da razão.

### Termo 28

#### Contemplação

Que a contemplação da sabedoria é amada unicamente por si mesma, porque dela nada resulta senão o contemplar; mas nas coisas operáveis buscamos algo diverso, que adquirimos pela obra.

Que o contemplativo é o mais feliz.

Que o contemplativo, operando segundo o intelecto, é o mais amado por Deus.

# Capítulo 4

### Termo 1

#### Dívida

Que a dívida deve ser paga universalmente, e não que se deva dar ao amigo.

### Termo 2

#### Enganar

Que quem é enganado, crendo ser amado por causa do honesto, deve acusar-se a si mesmo, se não viu no que ama algo de operação honesta.

### Termo 3

#### O enganador

Que o enganador que engana pela simulação do amor é mais censurável no amor do que o falsificador de moedas.

### Termo 4

#### O deleitável

Que o deleitável é para cada um aquilo em relação a que se diz amigo de tais coisas.

Que o justo é deleitável para quem ama as coisas justas, e assim as coisas conformes à virtude o são para quem ama a virtude.

Que para muitos os deleitáveis se opõem entre si, porque diversos desejam coisas diversas que não são naturais.

Que são deleitáveis para os que amam o bem aquelas coisas que são naturais.

Que o deleitável parece comum a todos os animais; e tanto o bem quanto o útil são deleitáveis.

Que os deleitáveis são diversos para os diversos, e mais deleitáveis, conforme acontece serem convenientes à natureza.

Que aquele para quem nada é deleitável nem difere uma coisa da outra está bem longe de ser humano.

Que os deleitáveis ocorrem na vida com mais frequência do que os terríveis; pois na vida estamos habituados a tais coisas, e os hábitos são sem perigo.

Que o deleitável não corrompe todo juízo, mas aquele que se refere ao operável.

Que dos deleitáveis alguns são desejáveis por natureza, outros porém contrários a estes, e outros intermediários.

Que alguns deleitáveis o são segundo a natureza para todos, outros segundo os gêneros de animais e os gêneros de homens, e outros por causa da paixão, do costume ou de uma natureza perniciosa.

### Termo 5

#### O deleite

Que o deleite cresce com todos desde a infância.

Que o deleite e a tristeza são as regras das operações.

Que resistir ao deleite é mais difícil do que resistir à ira, como diz Heráclito.

Que devemos guardar-nos ao máximo dos deleites e dos deleitáveis, e devemos comportar-nos diante deles como os anciãos do povo diante de Helena; e assim, afastando-os, pecaremos menos.

Que não há deleite nos atos das virtudes senão na medida em que atingem o fim.

Que os deleites se dividem em deleites da alma e deleites corporais.

Que os deleites que a temperança regula são servis e bestiais.

Que os deleites do tato tornam o homem brutal, porque não existem segundo aquilo pelo qual somos homens.

Que os deleites mais liberais estão separados da matéria da temperança, como os que há nos ginásios.

Que a respeito dos deleites há um excesso que se chama intemperança, e é censurável.

Sobre o deleite que há nas conversações.

Que alguns deleites são necessários, como os alimentos para a conservação do indivíduo e os venéreos para a conservação da espécie; outros são desejáveis, como a vitória, o poder, a honra e as riquezas.

Que a respeito dos deleites da ira, do lucro, das riquezas e da honra não somos ditos incontinentes em sentido próprio.

Que quanto aos deleites desejáveis alguém é dito incontinente não absolutamente, mas como o mau médico e o mau ator.

Que os deleitáveis por acidente são os deleitáveis curativos.

Que não é admirável que aquilo que é deleitável para um seja penoso para outro, porque muitas são as corrupções e os danos que ocorrem aos homens; por isso, aquilo em que se deleitam não é deleitável absolutamente, mas para os assim dispostos.

Que deleitáveis e preciosos são aqueles que assim parecem ao virtuoso, cuja operação é segundo a virtude.

Que nos deleites bestiais e mórbidos há algo semelhante à continência ou à incontinência, porque se pode vencer ou ser vencido, como se Fálaris mantivesse um menino para devorá-lo e depois o soltasse.

Que dos deleites corporais alguns são humanos, outros bestiais e outros mórbidos.

Que alguns deleites são necessários até certo ponto, isto é, na devida quantidade, mas não no excesso e no defeito; e o mesmo se dá nas concupiscências, nas tristezas e nas fugas.

Que os deleites não são bons, segundo a opinião de outros, prova-o por seis razões.

Que no deleite dos prazeres venéreos ninguém pode entender coisa alguma.

Que o deleite é uma geração sensível na natureza, segundo Platão.

Que os deleites que são sem tristeza não têm excesso; e estes são os dos deleitáveis segundo a natureza e não por acidente.

Que nenhum deleite é o ótimo, segundo outra opinião.

Que o deleite perfeito não se encontra nas concupiscências e tristezas, mas na operação perfeita se alegra a natureza que de nada carece.

Que não são os mesmos os deleites da natureza indigente e os da natureza já perfeita e constituída, porque a que é perfeita se alegra absolutamente com os deleitáveis, ao passo que a que se saceia se alegra com os contrários, como as coisas amargas e picantes.

Que os deleites não ocorrem sempre naquilo que se faz, mas naquilo em que já se usa um hábito anteriormente gerado.

Que o deleite não é uma geração sensível, mas a operação, não impedida, de um hábito já tornado connatural, segundo o Filósofo.

Que os deleites sejam maus por serem nocivos e causadores de doença é semelhante a dizer que os remédios são maus porque prejudicam o dinheiro.

Que o deleite não impede a prudência enquanto é próprio dela, mas enquanto é alheio; antes, faz especular e aprender mais.

Que nada impede que algum deleite seja o ótimo e o mais desejável, ainda que alguns sejam maus.

Que todos desejam o deleite, tanto as bestas quanto os homens; e assim é o ótimo.

Que os prazeres corporais herdaram esse nome pelo fato de que a maioria dos homens se inclina a eles, e são comuns a todos e conhecidos.

Que algum prazer é o melhor dos bens, é manifesto; caso contrário, não seria possível ao feliz viver deleitavelmente.

Que alguns prazeres são muito desejáveis, mas não os prazeres corporais, com os quais se ocupa o intemperante.

Que os prazeres corporais parecem muito desejáveis pelo fato de serem remédios veementes que expelem os excessos da tristeza, e parece que fazem existir sem o contrário, que é a tristeza, e por isso são requeridos com excesso.

Que os prazeres corporais não são bons por duas causas: ou pela necessidade das compleições ou por um hábito transmitido pelos pais, como nas feras e nos homens bestiais, e pelo costume, como nos homens perversos.

Que os prazeres corporais são virtuosos por acidente.

Que os prazeres corporais são veementemente buscados por cinco causas.

Que alguns desejam muito os prazeres corporais para extinguir a sede do desejo, e a si mesmos preparam a sede.

Que o prazer, se for excessivo, expele toda tristeza; e por isso são muito desejados, e por causa disso os homens se tornam intemperantes e perversos.

Que o prazer está mais no repouso do que no movimento.

Que acerca do prazer há muita dúvida entre os filósofos, dos quais alguns o dizem bem, outros porém mal; e estes se dividem, porque alguns estão persuadidos por algumas razões, outros porém julgam que convém dizer que todos os prazeres são maus, não porque assim seja, mas para que os homens se afastem dos prazeres e sejam conduzidos ao meio-termo.

Que o prazer é bom por si, como Eudoxo julgava, pelo fato de que tudo parece desejá-lo, tanto os seres racionais quanto os irracionais, e cada um apetece aquilo que lhe é bom, e assim aquilo que todos apetecem é bom por si para todos.

Que o prazer é desejável por si, porque se opõe à tristeza, que por si é evitada por todos, e é reconhecido por todos que não o escolhemos por causa de outra coisa nem em vista de outra coisa; e sinal disso é que ninguém é interrogado por que ou em vista de que se deleita, como se ele próprio fosse o fim em vista do qual as outras coisas são escolhidas.

Que o prazer, acrescentado a qualquer dos bens, o torna mais desejável, por exemplo, ao agir com justiça e ao ser temperante.

Que, pelo fato de o prazer se tornar mais desejável com a prudência, o prazer não é bom por si, porque pela mistura de nada se torna mais desejável aquilo que é bom por si; e é o argumento de Platão contra Eudoxo.

Que o prazer e a tristeza se opõem como o bem e o mal, porque se ambos fossem males, deveriam igualmente ser evitados, e se nenhum fosse mal, nenhum deveria ser evitado; ora, porém, parece que uns evitam esta como mal, a saber, a tristeza, e escolhem aquela como bem.

Que o prazer não é um bem, segundo a opinião de Platão e de Pitágoras; prova-se por três razões, todas as quais o Filósofo refuta.

Que os platônicos dizem que o prazer é movimento e geração, e por isso não é um bem, porque tudo o que é assim é imperfeito.

Que o prazer não é movimento, nem geração, nem restauração, como dizia Platão.

Que ao prazer o homem pode ser levado rápida ou lentamente, mas operar segundo o prazer rápida ou lentamente não é possível.

Que o prazer não é restauração, mas, feita porventura a restauração, alguém certamente se deleitará, e pelo fato de lhe ser subtraído aquilo que lhe é conveniente, entristecer-se-á.

Que o prazer seja restauração parecia surgir daquelas tristezas e prazeres que dizem respeito ao alimento.

Que os prazeres matemáticos e os dos sentidos, pelo olfato, pela audição e pela visão, não têm uma tristeza contrária.

Acerca dos que sustentam que todos os prazeres são perversos, e isto porque traziam para o meio certos prazeres muito vergonhosos, que era preciso dizer maus.

Que os prazeres não naturais não são deleitáveis absolutamente, ainda que sejam deleitáveis para os mal dispostos, como para os doentes as coisas sadias ou doces que são amargas, nem as brancas que assim parecem aos que padecem de oftalmia.

Que os prazeres, se não forem inaturais, são certamente desejáveis absolutamente e por boas razões, mas por certas razões não o são, porque são perigosos, como enriquecer para o traidor, e ser sadio não é desejável para quem come qualquer coisa, porque assim se empanturrará e morrerá.

Que os prazeres que provêm dos homens bons e das coisas boas diferem como daqueles que provêm das coisas torpes, pois os maus não se deleitam nas coisas boas, porque não é próprio das coisas justas deleitar quem não é justo, nem das coisas musicais deleitar quem não é músico.

Que o prazer não é bom por si, parece manifestá-lo o amigo verdadeiro, que difere do adulador; pois o adulador é censurado.

Sobre o prazer: o que é ou que espécie de coisa é, segundo Aristóteles.

Que o prazer é como um todo que existe simultaneamente, como a visão, que não necessita de algo posterior que aperfeiçoe a sua espécie, e assim ninguém, com prolongamento de tempo, obterá porventura maior prazer.

Que os que dizem ser o prazer movimento ou geração não dizem bem, porque a geração e o movimento se dizem apenas das coisas particulares e não dos todos, porque nem da visão há geração, nem do ponto, nem da unidade, nem de nada disso há movimento nem prazer.

Que o prazer é segundo todo sentido e o intelecto e a especulação.

Que o prazer aperfeiçoa a operação, como a beleza aperfeiçoa a juventude, mas não do mesmo modo.

Que o prazer estará na operação do sentido e do intelecto enquanto o sensível ou o inteligível for tal como é preciso, e aquele que discerne ou especula também.

De que modo ninguém se deleita continuamente? E responde que nenhuma coisa humana pode operar continuamente, e assim tampouco deleitar-se, o que segue a operação.

Que o homem por vezes se deleita mais nas coisas novas, na medida em que a mente, pelos desejos, se inclina mais intensamente a elas e opera mais fervorosamente, como os que olham com a vista.

Que alguém julgaria porventura que todos apetecem o prazer; pois o prazer aperfeiçoa o viver, que todos apetecem.

Que o prazer aperfeiçoa as operações e o viver, que todos apetecem.

Que o prazer não se separa da operação; pois sem a operação não há prazer.

Que o prazer aumenta a operação; pois julgam mais os particulares e os investigam com mais certeza os que operam com prazer, por exemplo, tornam-se geômetras os que se alegram.

Que, quando nos deleitamos em uma coisa, não atendemos às outras, como os que amam as flautas não atendem às palavras que lhes são ditas; pois o que é mais deleitável repele o outro; e se nos deleitamos frouxamente em algo, bem podemos fazer outras coisas, como os que veem nos teatros os que atuam mal podem ao mesmo tempo comer legumes.

Que o prazer próprio confirma as operações e as torna mais duradouras e melhores, ao passo que os alheios as impedem, e assim é manifesto que distam muito.

Que os prazeres alheios fazem quase o que fazem as tristezas próprias, porque ambos corrompem a operação própria, todavia não do mesmo modo.

Que os prazeres se comportam de modo semelhante às operações, que diferem em bondade e em pluralidade.

Que os prazeres pertencem mais propriamente às operações do que às concupiscências. Donde se duvidou se o prazer e a operação seriam o mesmo.

Que o prazer não é a mente nem o sentido, isto é, a operação da mente e do sentido; mas, por não se separarem, parecem a alguns o mesmo.

Que os prazeres são diversos e diferem do mesmo modo que as operações.

Que os prazeres da mente e do sentido diferem entre si em pureza, assim como as operações; e igualmente os sensitivos diferem entre si, e igualmente os que são da mente diferem entre si, porque os espirituais são mais puros do que os naturais.

Que para cada um dos demais animais há um prazer próprio, assim como uma operação, e dos diversos são diversos e de um só é um, como o prazer do cavalo, do cão e do asno.

Que se dizem deleitáveis e prazeres absolutamente aqueles que assim parecem ao virtuoso e nos quais ele próprio se alegra, porque o virtuoso é a medida de todas as coisas humanas.

Questiona-se sobre os prazeres dos virtuosos, quantos deles pertençam ao número dos prazeres, e sobre o que seja absolutamente o prazer do homem; e responde que são humanos aqueles prazeres do homem perfeito e bem-aventurado.

Que os prazeres que estão nos jogos, aos quais os poderosos recorrem, não se deve dizer que sejam os melhores pelo fato de eles mesmos os desejarem, assim como também não são os melhores aquelas coisas que as crianças julgam preciosas.

### Termo 6

#### O débil

Que o débil se assemelha aos que se embriagam com pouco vinho.

Que os débeis, ainda que tenham deliberado muito de antemão, não permanecem no bem da razão e por isso são piores.

Que o débil incontinente se assemelha à cidade que queria leis, mas não tinha nenhum cuidado com as leis.

### Termo 7

#### Desejo

Que o desejo seria vão e vazio se o processo se estendesse ao infinito.

Que todo desejo de algum fim segue a imaginação daquele que deseja, da qual não somos senhores.

Que o desejo do fim não é espontâneo, mas é preciso que seja inato.

### Termo 8

#### Habilidade

Que a habilidade é a diligência cuja função é operar em direção à intenção proposta.

### Termo 9

#### O hábil

Que o hábil pode muito bem ser incontinente, mas não é aquele que não considera em ato a proposição menor, mas está como quem dorme e está ébrio, é conhecedor, e não é mau absolutamente, mas semimau.

### Termo 10

#### Divino

Que o divino e o bestial raramente se encontram nos homens.

### Termo 11

#### Deus

Que chamamos os deuses bem-aventurados e felizes, e também os homens divíssimos.

Que Deus se alegra com um único e simples prazer.

Que supusemos que todos os deuses são bem-aventurados e felizes.

Que atribuir aos deuses as virtudes morais é ridículo.

Que para os deuses todas as coisas que se referem aos louvores e às ações das virtudes morais são pequenas e indignas.

Que para os deuses, cuja vida inteira é contemplação, a vida inteira é bem-aventurada; para os homens, porém, na medida em que existe alguma semelhança de tal operação; mas nenhum dos outros animais é feliz.

Que os deuses têm cuidado das coisas humanas e por isso amam sobremaneira aquele que lhes é o mais semelhante, e tal é o contemplativo, que também opera bem e retamente segundo a virtude moral.

### Termo 12

#### Diferença

Sobre a diferença entre o uso e a operação, e entre o hábito e a posse.

Sobre a diferença entre o ato e o feito.

Sobre a diferença entre o conselho e a questão.

Que há diferença entre o especulativo e o prático, porque o especulativo versa sobre os primeiros princípios, dos quais se fazem as demonstrações.

### Termo 13

#### O instruído

Que é próprio do instruído buscar a certeza em cada gênero na medida em que a natureza o admite.

### Termo 14

#### Riquezas

Que as riquezas não são o bem que se busca; pois são úteis e existem em vista de outra coisa.

### Termo 15

#### O diligente

Que acontece de alguém não ser diligente por causa do costume, na medida em que vive de modo negligente.

### Termo 17

#### A metade da vida

Que, segundo a metade da vida, em nada diferem os felizes dos miseráveis.

### Termo 17

#### Os intratáveis

Que se chamam desabridos e litigiosos os que se opõem a tudo o que é dito ou feito pelos outros.

Que o desabrido e litigioso é o que perturba a todos.

### Termo 18

#### Dignidade

Que nem todos afirmam ser a dignidade a mesma coisa, mas alguns dizem que é a liberdade, outros as riquezas, outros a nobreza de linhagem.

### Termo 19

#### Dicha

Que, quando o todo é dividido pela dicha, então dizem ter aquilo que é seu.

### Termo 20

#### Democracia

Que a democracia parece existir naquelas comunidades em que não há domínio e naquelas em que o que governa é fraco.

Que nas democracias há muito de amizade, na medida em que põem as coisas em comum.

### Termo 21

#### A casa

Que a casa é mais e primeiramente necessária do que a cidade.

### Termo 22

#### Faculdades dominantes

Que as faculdades dominantes do ato são três: o sentido, o intelecto e o apetite.

### Termo 23

#### Demonstrações

Que as demonstrações nas coisas operáveis procedem da razão do fim.

### Termo 24

#### Adivinhar

Que todos parecem adivinhar que a virtude moral é certo hábito segundo a prudência.

Que para os deuses e para os homens não convém o mesmo, nem no templo nem no sepulcro.

Que há algo de divino em todas as coisas por parte do apetite, que inclina a desejar o mesmo no exemplar.

# Capítulo 5

### Termo 1

#### O ébrio

Que o ébrio, se comete homicídio, merece dobradas maldições.

Que os ébrios, por causa da embriaguez, tornam-se contudo confiantes, e todavia não são corajosos.

### Termo 2

#### Escolha

Que a escolha parece ser própria da virtude.

Que a escolha parece certamente ser algo voluntário.

Que a escolha não existe nas crianças nem nos animais.

Que a escolha não é ira, nem concupiscência, nem vontade, nem certa opinião.

Que a escolha não existe nos seres irracionais.

Que à escolha se opõe a concupiscência.

Que a escolha não é nem triste nem deleitável.

Que a escolha não é ira, porque as coisas feitas por causa da ira de modo algum parecem ser feitas segundo a escolha.

Que a escolha não é vontade, ainda que pareça próxima dela.

Que a escolha não é das coisas impossíveis, e, se alguém dissesse que as escolhe, pareceria de fato insensato.

Que a escolha é das coisas que são para o fim; pois escolhemos aquilo por meio do qual seremos sãos, e queremos a saúde.

Que a escolha, universalmente, parece ser acerca daquelas coisas que estão em nós.

Que a escolha não é opinião.

Que a escolha se divide em boa e má.

Que segundo a escolha escolhemos aceitar ou fugir, ou algo desse tipo; mas não opinamos, e sim podemos opinar sobre o que ela traz de proveito.

Que a escolha é das coisas que sabemos ao máximo serem boas, ao passo que a opinião é das coisas que não sabemos muito.

Que a escolha é o voluntário previamente deliberado, porque a escolha se dá com razão e intelecto.

Que a escolha é o desejo, resultante da deliberação, das coisas que estão em nosso poder.

### Termo 3

#### Escolhendo

Que, ao escolher bens ou males, tornamo-nos de certo modo tais (bons ou maus).

### Termo 4

#### Escolher

Que escolher o que é melhor e ter opinião não parecem ser o mesmo, pois acontece que alguém tenha opinião do que é melhor mas não escolha o melhor.

### Termo 5

#### O objeto de escolha

Que aquilo que foi previamente julgado a partir da deliberação é passível de escolha, pois cada um cessa de indagar como deve agir quando pode reconduzir a questão a si mesmo.

Que o passível de escolha é algo deliberável e desejado, dentre as coisas que estão em nosso poder.

### Termo 6

#### Doença

Que a doença e a pobreza não devem ser temidas pelo sábio.

### Termo 7

#### Eyron

Que o eyron é aquele que nega ter as grandes qualidades que possui, ou as diminui.

Que os eyrones são aqueles que, dizendo de si mesmos menos do que são, parecem graciosos em seus costumes e negam de si mesmos coisas gloriosas, como fez Sócrates.

### Termo 8

#### O igual

Que o igual, quanto ao seu ser, é o meio-termo entre o excesso, que é o mais, e a falta, que é o menos.

Que o igual é ou segundo a coisa ou em relação a nós, aquilo que nem excede nem falta; mas isto não é idêntico nem único para todos; e exemplifica.

Que o igual se dá pelo menos entre dois, pois é um termo relativo.

Que o igual, nesta justiça comutativa, se toma assim: quando uma linha for dividida em partes desiguais, retira-se da maior e acrescenta-se à menor, e assim se faz a igualdade.

Que o igual não parece existir do mesmo modo na justiça e na amizade.

### Termo 9

#### Igualdade

Que a igualdade segundo a proporcionalidade se dá segundo a conjunção da diagonal.

### Termo 10

#### Aquele que é justo na igualdade

Que aquele que é justo na igualdade é o que age segundo a proporcionalidade entre si e o outro, e entre um outro e outro.

### Termo 11

#### A virtude do cavalo

Que a virtude do cavalo é a que faz o cavalo bom, e faz que corra bem, suporte bem quem o monta e enfrente os guerreiros.

### Termo 12

#### Epyeikia

Que a epiqueia não parece ser absolutamente o mesmo que a justiça, nem algo de gênero diverso.

Que louvamos o homem equitativo como um homem de tal índole, isto é, diligente, e transferimos o seu louvor a tais coisas, isto é, às obras das virtudes, louvando-o mais como bom do que como justo.

Que, se o equitativo é algo diverso do justo, é inconveniente dizê-lo louvável, se seguirmos a noção de justiça.

Que o equitativo é melhor do que o justo, e que está no gênero do justo, e que é justo; todas estas afirmações têm a sua razão.

Que, sendo bons tanto o equitativo quanto o justo, o equitativo é melhor; pois é a direção do justo legal.

Que a natureza do equitativo consiste em ser a direção da lei onde a lei é deficiente por causa do caso particular.

Que o equitativo, tendo retidão quanto à intenção da lei, é justo e é melhor do que o justo legal, porque o dirige.

Que o homem equitativo é aquele que escolhe e realiza tais coisas, isto é, aquelas pelas quais se dirige o justo legal, e é o que atenua as penas da lei; ainda que tenha a lei a auxiliá-lo, segue mais a epiqueia.

Que o homem equitativo parece ser aquele que serve estando em posição de poder.

### Termo 13

#### Ser

Que o ser é um bem para o homem bom.

Que o ser é, para todos, digno de escolha e amável; e, como o ser é aquilo que está em ato, pois somos na medida em que vivemos e agimos, daí resulta que cada um ama aquilo que está em ato.

### Termo 14

#### Os experientes

Que os experientes julgam retamente a respeito dos casos particulares e compreendem por meio de que e de que modo estes se realizam, mas os inexperientes não.

### Termo 15

#### Eutrapelia

Que a eutrapelia é o meio-termo a respeito do prazer nas brincadeiras; aquele que excede é chamado bufão, e o que é deficiente, rústico.

Que é próprio do homem eutrapélico ser epidéxio, isto é, sempre apto a conversar.

Que o eutrapélico ou epidéxio nunca insulta, mas, como homem gracioso e liberal, comporta-se como se fosse uma lei para si mesmo.

Epidéxio. Que é próprio do epidéxio dizer e ouvir aquilo que convém ao homem modesto e liberal.

### Termo 16

#### Os extremos

Que os extremos são contrários ao meio-termo e são contrários entre si.

Que os extremos empurram o meio-termo um em direção ao outro.

Que os extremos se opõem mais entre si do que ao meio-termo, porque distam mais um do outro do que do meio-termo.

Que entre os extremos há a máxima dessemelhança e, por isso, são mais contrários entre si.

De Eurípides. Que são ridículos os motivos de Eurípides que compelem Alcméon a matar sua mãe.

### Termo 17

#### As coisas exteriores

Que as coisas exteriores compelem tudo.

### Termo 18

#### Eudoxo

Sobre Eudoxo.

# Capítulo 6

### Termo 1

#### A fama

Que a fama comum de muitos povos não pode ser inteiramente falsa.

### Termo 2

#### O agente

Que o agente governa e comanda a respeito do que é singular.

### Termo 3

#### O feito

Que nem o feito nem a produção são fim de modo absoluto, mas em vista de algo e de alguém; ao passo que a ação é fim.

### Termo 4

#### As fantasias

Que as fantasias dos homens virtuosos são melhores que as dos outros, porque sempre sonham que agem de modo virtuoso, em razão dos movimentos deixados pela vigília.

Que não somos senhores da nossa fantasia.

### Termo 5

#### O febricitante

Que ao febricitante, de modo universal, aproveitam a abstinência e o repouso, mas a algum, talvez, não.

### Termo 6

#### A felicidade

Que a felicidade, que é o maior bem entre os bens humanos, é um dom dos deuses.

Que a felicidade é o que há de mais excelente e mais divino, enquanto é fim da virtude, a qual é algo ótimo, divino e bem-aventurado.

Que a felicidade pode caber a todos os que não estão privados de tender à virtude por meio da disciplina e do estudo.

Que colocar a felicidade nos bens da fortuna será, sem dúvida, muito pernicioso, uma vez que ela é o que há de maior e de melhor.

Que a felicidade é o fim da política, porque esta muito se empenha em tornar os cidadãos bons e praticantes de boas ações.

Que diversos colocaram a felicidade em coisas diversas, por exemplo, alguns no prazer e nas riquezas, ou na honra.

Que alguns sustentaram que a felicidade é a honra.

Que a felicidade é o bem ótimo e último, em vista do qual todas as outras coisas são feitas.

Que a felicidade é o bem perfeito.

Que a felicidade requer uma vida e uma virtude perfeitas.

Se a felicidade se dá segundo o termo da vida ou se alguém pode ser feliz durante a vida.

Que é inconveniente chamar o homem de feliz quando morre.

Que a felicidade não se diz existir segundo o termo da vida como se o morrer fosse da essência da felicidade, pois nem Sólon quis isso, mas porque então se declarará firmemente feliz o homem, como já existente fora dos males e dos infortúnios.

Que a felicidade do pai não se transmuta pela transmutação dos filhos, pois a transmutação dos vivos não introduz transmutação nos mortos.

### Termo 7

#### Feliz

Que o feliz não se diz enquanto vivo por causa das transmutações.

Que, se seguimos as fortunas, chamaremos alguém muitas vezes de feliz e de miserável, como um camaleão.

Que, na consideração da felicidade, não se devem incluir os bens da fortuna, pois neles não há bem nem mal, mas apenas servem instrumentalmente à felicidade.

Que o feliz é imóvel por toda a sua vida, e age e contempla aquilo que é segundo a virtude, e suporta muito bem as fortunas e em toda parte se comportará prudentemente.

Que o feliz é um homem bom e perfeito e quadrado, sem censura.

Que o feliz não se inclina nem se muda por pequenos bens ou males.

Que o feliz é atribulado pelos grandes males, pois lhe é infligida tristeza, mas neles resplandece o seu bem, pois neles se mostra viril e magnânimo.

Que o feliz se torna mais feliz pelos grandes bens.

Que o feliz não pratica males e atos odiosos quando as fortunas se transmutam, mas suporta dignamente todas as fortunas.

Que o feliz nunca se tornará miserável quando as fortunas se transmutam.

Que o feliz não se muda facilmente pelos infortúnios que sobrevêm, mas pelos grandes e pelos muitos e por tais infortúnios não voltará a ser feliz em pouco tempo.

Que o feliz que caiu dos grandes bens dos quais era abundante não se torna novamente feliz, a não ser que, em muito tempo, se torne abundante de grandes bens.

Que se diz feliz aquele que age segundo a virtude perfeita e está suficientemente dotado de bens exteriores.

Que o feliz necessita de bens exteriores e de fortaleza e de beleza e de fortuna.

Que não é feliz aquele que é de aparência torpíssima ou de baixa origem ou solitário ou sem prole.

Que é menos feliz aquele cujos filhos ou amigos são péssimos, ou que morreram sendo bons.

Que as mulheres, por causa da fragilidade do sexo, são delicadas, e nisso diferem dos homens.

Que a felicidade não a faz um só dia nem um breve tempo, assim como uma andorinha não faz a primavera.

Que a vida dos felizes é deleitável em si mesma.

Que não se diz feliz aquele que padece muitos males e infortúnios.

Que o feliz se alegra nas ações que são segundo a virtude e se entristece com aquelas que provêm da malícia, assim como o músico se deleita com as boas melodias e se entristece com as más.

### Termo 8

#### Felicidade

Que escolhemos a felicidade por si mesma e nunca por causa de outra coisa.

Que a felicidade é um bem por si suficiente.

Que a felicidade é o mais elegível, não contada juntamente com outros bens, e é mais elegível quando contada juntamente com o menor dos bens.

Que a felicidade é um bem perfeito e por si suficiente e o fim de todas as ações.

Que a felicidade é a obra do homem segundo a razão e o hábito perfeito e a operação numa vida perfeita.

Que a felicidade se dá segundo a operação numa vida perfeita.

Que a felicidade se adquire pela operação de muito tempo.

Que tudo o que os antigos disseram acerca da felicidade parece existir em conformidade com o que ele disse.

Que alguns diziam que a felicidade é a virtude, alguns a prudência, alguns porém a sabedoria, acrescentando a isto o prazer, que é o bem do corpo, e outros ainda acrescentavam os bens exteriores.

Que a opinião de Aristóteles acerca da felicidade concorda em muitos pontos com os que dizem que a felicidade é a virtude.

Que a felicidade não necessita de prazer fora de si como algo acrescentado, mas tem o prazer em si mesma.

Que a felicidade é algo ótimo e belíssimo e deleitabilíssimo.

Que a felicidade é a operação ótima segundo uma só virtude ou várias.

Que a felicidade necessita de bens exteriores que sirvam instrumentalmente.

Se a felicidade é das coisas louváveis ou das honoráveis.

Que ninguém louva a felicidade, mas a declara feliz como algo divino.

Que a felicidade não é louvável, mas é algo melhor que o louvor.

Que a felicidade é das coisas honoráveis e perfeitas.

Que a felicidade é o princípio por cuja causa todos praticam todas as demais coisas.

### Termo 9

#### O Fim

Que o fim é o princípio e a causa dos bens e algo honroso.

Que alguns fins são operações, como tocar cítara, ao passo que outros são obras produzidas.

Que há muitos fins, tantos quantas são as operações, as artes e as doutrinas; e dá exemplos.

Que o fim da medicina é a saúde; o da arte naval, a navegação; o da arte militar, a vitória.

Que os fins das artes superiores são mais desejáveis do que os das que lhes estão subordinadas.

Que há algum fim das ações que queremos por si mesmo, e as demais coisas por causa dele, já que não se pode ir ao infinito; e é manifesto que este será o bem e o ótimo.

Que o conhecimento do fim último traz grande proveito para a vida em seu conjunto e para o conhecimento.

Que o fim da ciência política é o bem humano.

Que o fim desta ciência não é o conhecimento, mas a ação.

Que o fim da operação se dá segundo o tempo.

Que o fim não é objeto de deliberação, mas sim os meios que conduzem ao fim.

Que o fim é para cada um tal qual ele próprio é, segundo a disposição de seu hábito.

Que o fim e os meios que a ele conduzem, tanto no bem quanto no mal, provêm da natureza ou da vontade; e apresenta uma divisão de três membros pela qual conclui que as virtudes e os vícios são igualmente voluntários.

Que o fim nas ações não é conhecê-las, mas praticá-las, pois é por isso que nos tornamos bons, ou se há algo mais pelo qual podemos tornar-nos bons, como a pena ou a lei.

Que o fim desta obra não é que saibamos, mas que nos tornemos bons.

Que o fim das operações do forte é conveniente segundo o seu hábito, de modo que conserve a fortaleza, que é o seu bem pretendido.

Que o fim parece a cada um tal qual cada um é.

Que a eupraxia é fim para si mesma.

Que a produção tem sempre outro fim, ao passo que a ação não.

Que os fins nas ações são princípios, assim como os pressupostos na matemática.

### Termo 10

#### Filho

Que o filho, ao ser arrastado, mandou parar junto à porta.

Que por causa dos filhos parece existir a principal união entre o marido e a esposa; e por isso os estéreis se separam mais depressa.

Que os filhos são um bem comum a ambos, isto é, ao marido e à esposa.

Que o filho não pode renegar o pai, mas o pai pode renegar o filho.

Que o filho nada faz ao pai que seja digno daquilo que dele recebeu; por isso está sempre em dívida.

Que a procriação dos filhos é comum a todos os animais.

### Termo 11

#### Forte

Que não se diz que alguém é forte pelo fato de não temer a flagelação do corpo.

Que se diz forte principalmente aquele que é impávido diante de uma boa morte e das coisas súbitas que podem levar a ela.

Que o forte é destemido no mar, mas não à maneira dos marinheiros, que têm esperança por causa da experiência.

Que o forte não se deixa aturdir, e teme e suporta tais coisas, isto é, aquilo que a razão dita, em vista do bem.

Que se diz forte aquele que teme e suporta bem segundo todas as circunstâncias, e igualmente ousa bem a respeito de todas.

Que o forte padece e age segundo o que é digno, como a razão dita.

Que o forte, ao ousar, é de boa esperança, ao passo que o tímido se desespera.

Que os fortes são impetuosos na guerra, mas antes dela estão tranquilos e serenos.

Que é preciso ser forte não por necessidade, mas por causa do bem.

Que o forte, em relação ao audaz, é tímido, e em relação ao tímido, é audaz.

Que não são fortes os que se lançam aos perigos por causa da dor da paixão e do furor, e não por previsão dos perigos, pois assim os asnos famintos seriam fortes; com efeito, mesmo golpeados não desistem da pastagem.

Que o forte age por causa do bem.

Que os que têm boa esperança de vitória são semelhantes aos fortes, pois ambos ousam enfrentar os perigos, mas não são verdadeiramente fortes.

Que é próprio do forte suportar as coisas terríveis proporcionadas ao homem, e não as aparentes.

Que parece próprio de um homem mais forte ser impávido e imperturbável diante das coisas súbitas do que diante das já conhecidas de antemão.

Que para o forte a morte e as feridas são penosas, mas ele as suporta por causa do bem da fortaleza.

Que para o forte a morte é penosa até mais do que para os outros, pois é privado dos maiores bens; contudo, não perde a razão de forte, mas antes a adquire em maior grau.

Que o forte, na guerra, escolhe o bem da fortaleza em lugar daqueles bens que perde pela morte.

Que ser forte contra o débil e não avançar rumo às coisas árduas que são honrosas é oneroso.

Que os fortes exalavam por cada uma das narinas uma áspera força; o sangue fervia, no que havia sinal de furor.

Que os corajosos agem verdadeiramente em vista do bem da virtude, mas as feras, isto é, os animais, agem furiosamente — e os homens que se enfurecem à maneira delas —, agem por causa da tristeza infligida, pois, se não estivessem na floresta ou no pântano, não a encontrariam.

Que os corajosos segundo a arte militar, quando veem um perigo que excede a sua estimativa, seja quanto à multidão dos inimigos, seja quanto à preparação das armas, fogem; mas os corajosos segundo a ordem civil permanecem e permitem-se ser mortos, como aconteceu em Hermeon.

Que o corajoso nem foge imediatamente como o soldado, nem se permite ser morto, quando se conserva para a salvação dos cidadãos.

Que o corajoso tem a aparência do furor, pois o furor é impetuoso diante dos perigos.

Que os corajosos na guerra são honrados nas cidades e junto às monarquias.

### Termo 12

#### Fortaleza

Que a fortaleza não diz respeito a todas as coisas que devem ser temidas por todos, como a infâmia, nem às que não devem ser temidas, como a indigência, nem às coisas temíveis que pouco comovem.

Que a fortaleza diz respeito às coisas mais terríveis.

Que a fortaleza diz respeito às melhores mortes, que são as que ocorrem na guerra, e não no mar nem nas doenças.

Que a fortaleza é o bem do corajoso, que é visado por meio das suas operações.

Que a fortaleza é um meio-termo acerca das coisas ousáveis e das terríveis, nas quais deseja e suporta o que deve, para que não sobrevenha algo torpe.

Que a fortaleza se diz segundo cinco modos distintos da verdadeira fortaleza; e o primeiro entre eles é a fortaleza política.

Que a fortaleza, como estimou Sócrates, é uma certa ciência experimental.

Que a fortaleza diz respeito mais às coisas terríveis do que às ousáveis.

Que a fortaleza é mais louvável entre as outras virtudes, porque consiste em suportar as coisas terríveis, o que é mais difícil do que abster-se dos prazeres.

Que na fortaleza parece haver deleite em razão do fim, enquanto se suportam tais coisas em vista do bem.

Que a fortaleza se obtém de tomar muito alimento e suportar muitos trabalhos; pois o exercício torna forte.

Que a fortaleza é um meio-termo acerca dos temores e das ousadias.

### Termo 13

#### Irmão

Que o governo dos irmãos que são iguais se assemelha à timocracia.

Que, se os irmãos diferem muito em idade, não há entre eles amizade fraterna, mas como que a de pai para filho.

Que os irmãos se amam enquanto nascem dos mesmos pais, e por isso se diz que são o mesmo em sangue e em raiz.

### Termo 14

#### Fortuna

Que as fortunas dos descendentes em nada contribuem para a felicidade.

Que, tendo as fortunas muitas diferenças, se se falasse de todas, isso seria longuíssimo e infinito.

Que, dentre as fortunas, algumas têm peso porque impedem, outras são auxílio para a vida porque servem como instrumentos, e outras são mais leves; e do mesmo modo as que dizem respeito aos amigos.

Que as fortunas e os infortúnios dos amigos parecem contribuir em algo para os que já morreram, mas não algo tal que os torne felizes ou miseráveis.

Que todos censuram a fortuna, porque os bens da fortuna são dados aos indignos e os mais dignos não são enriquecidos.

Se há maior necessidade de amigos nas fortunas ou nos infortúnios.

Que os afortunados e os desafortunados precisam de amigos; aqueles precisam de pessoas com quem conviver e a quem fazer o bem, e estes precisam de auxílio.

Que, para as boas fortunas, os amigos devem ser chamados prontamente, porque o homem bom é também benfeitor e então pode fazer o bem ao máximo; mas, para as más, com vagar, isto é, tardiamente, e somente sob a pressão de grande necessidade, e então sobretudo quando, com pequena tribulação, possam ajudá-lo em algo grande.

Que, nas boas fortunas, o amigo deve cooperar prontamente, pois para isso há necessidade dos amigos; mas, para receber algum benefício dele, deve ir com tranquilidade e discrição, porque se deve respeitar e acautelar-se para que não seja considerado inconveniente, o que às vezes acontece.

### Termo 15

#### Furor

Que o furor, por causa da semelhança com a verdadeira fortaleza, se chama fortaleza, porque os corajosos se lançam audazmente aos perigos, e de modo semelhante os que se enfurecem; como as feras e os animais cruéis se lançam contra os que os ferem.

Que o furor é o mais impetuoso diante dos perigos.

### Termo 16

#### Sobre a figura da proporcionalidade

Que, na figura da proporcionalidade, é preciso reduzir as obras e os artífices a isto: que a equiparação se faça segundo a proporcionalidade.

### Termo 17

#### Felicidade

Que a felicidade não está no hábito, mas na operação, pois os hábitos podem existir naquele que dorme e no desafortunado.

Que a felicidade está na operação eligível por si mesma.

Que a felicidade não está nas operações do divertimento.

Que ninguém atribui felicidade ao homem bestial, a não ser que alguém lhe atribua a vida contemplativa, e isso seria falso.

Que a felicidade é a operação segundo a melhor virtude e é do que há de melhor, a saber, o intelecto, ou de alguma outra coisa que, segundo a natureza, parece reger e dominar e ter inteligência das coisas boas e divinas.

Que a felicidade é a operação mais contínua, e tal é a operação da parte especulativa.

Que julgamos ser preciso que à felicidade esteja mesclado o prazer, e por isso ela será segundo a operação da sabedoria, que é a mais deleitável.

Que a felicidade parece estar no ócio, na medida em que o ócio exclui um ato ulterior.

Que na felicidade nada deve ser imperfeito.

Que a felicidade civil, que vive segundo as virtudes morais, é uma felicidade secundária.

Que a felicidade contemplativa pouco necessita da generosidade exterior, isto é, dos bens exteriores, e menos do que a moral.

Que a felicidade contemplativa e a moral igualmente necessitam do que é necessário à vida, embora quanto a isso trabalhe mais o homem civil; mas é pequena a diferença entre ambas quanto a tais necessidades, ao passo que quanto às operações difere muito, pois o liberal necessita de dinheiro para praticar atos liberais, ao passo que o intelectual não.

Que a felicidade perfeita é uma certa operação especulativa.

### Termo 18

#### Feliz

Que a vida feliz parece consistir na virtude e não no divertimento.

Que o homem feliz, por ser homem, necessita da prosperidade exterior, pois não é suficiente por si para contemplar, mas é preciso que o corpo seja saudável e que existam o alimento e as demais coisas que o servem.

Que, embora o feliz necessite dos bens exteriores, não se deve, contudo, julgar que aquele que há de ser feliz necessite de muitos e grandes bens, pois na superabundância dos bens exteriores o homem não é suficiente por si mesmo para o juízo da contemplação e para a ação da virtude moral, mas é preciso ter muitos auxiliares.

Que ao feliz basta que existam tantos bens exteriores quantos bastam para viver bem.

# Capítulo 7

### Termo 1

#### Alegrar-se

Que a reta disciplina consiste em alegrar-se e entristecer-se com aquilo que é devido.

### Termo 2

#### Gramático

Que acontece ao não gramático fazer algo de modo gramatical por acaso e com a ajuda de outrem.

### Termo 3

#### Gosto

Que o gosto é o juízo dos sabores, o que fazem os que provam os vinhos e temperam os pratos.

### Termo 4

#### Garganta

Que certo homem rogou que a sua garganta fosse mais longa que a de uma grua, para que, pelo contato com o alimento, se deleitasse por mais tempo.

### Termo 5

#### Gratidão

Que é próprio da gratidão que se retribua favor por favor, pois é preciso prestar serviço àquele que fez um favor.

### Termo 6

#### Gnome

Que o homem tem por natureza a gnome, a sínese e o intelecto, pois alcançam uma idade determinada.

Que todos se alegram de algum modo com os pratos, o vinho e os prazeres venéreos, mas não como é preciso.

# Capítulo 8

### Termo 1

#### Hábito

Que os hábitos das virtudes, uma vez gerados, produzem operações semelhantes.

Que os hábitos são aquilo segundo o qual nos comportamos bem ou mal em relação às paixões; e exemplifica.

Que segundo cada hábito há coisas próprias, tanto bens quanto deleites.

Que os hábitos do meio, em relação ao defeito, são de abundância, e em relação à abundância são de defeito; e apresenta um exemplo nas paixões em torno das quais está a fortaleza.

Que o hábito do meio é louvável em tudo.

Que o hábito contrário muitas vezes é conhecido a partir do hábito contrário, e frequentemente é conhecido a partir dos sujeitos; e exemplifica.

Que todos esses hábitos são dos extremos e dos singulares.

### Termo 2

#### Homero

Que Homero, ao escrever a história troiana, representa alguns homens tais, por exemplo Diomedes e Heitor.

Que Homero chamou Júpiter de pai, o qual foi rei da terra de Creta, porque o reino deve ser como um principado paterno.

Que Homero chamou Agamêmnon de pastor dos povos.

Que Homero disse que o cinto da Ciprígena era, por causa das ciladas, matizado, e por isso se significa o vínculo da concupiscência pelo qual o ânimo do homem é arrastado; e esta é a decepção que roubou o intelecto do sábio.

### Termo 3

#### Homem

Que o homem é naturalmente político.

Que há alguma operação própria do homem, assim como de todas as artes, cada uma das quais tem sua operação própria, e assim também das partes do homem, como o olho, o pé e a mão.

Que o homem é princípio das operações sobre as quais há deliberação.

Que não se deve dizer que o homem seja princípio de suas operações, nem gerador delas do mesmo modo que o é dos filhos.

Que o homem é um princípio que opera por meio do apetite e do intelecto.

Que o homem não é o melhor dentre as coisas que há no mundo.

Que dos homens alguns se tornam divinos por causa da excelência da virtude.

Que se chamam selvagens os homens que habitam junto ao Ponto, que se alimentam de carnes cruas e de carnes humanas e dão os filhos uns aos outros para banquete.

Que a malícia que é segundo o homem se diz malícia absolutamente, mas a bestial e a mórbida, não.

Que o homem faz muito mais males do que a besta.

Que os homens dignos de honra desejam ser honrados pelos virtuosos (epieikes) e pelos sábios, porque pelo juízo deles podem ter certeza sobre a própria vida e firmar a própria opinião de que são bons.

Que o homem é naturalmente mais conjugal do que político.

Que os homens coabitam não só por causa da procriação dos filhos, mas também por causa daquilo que contribui para a vida.

Que o homem, tornado outro quando falta à virtude, não escolheria ter todas as coisas que são segundo o intelecto.

Que cada homem parece ser o seu intelecto, ou ao menos principalmente.

Que o homem é naturalmente político e nascido apto a conviver.

Que o homem não deve ocupar-se somente com as coisas humanas, mas estender-se às imortais tanto quanto pode.

### Termo 4

#### Honra

Que se diz que a honra está mais naquele que honra do que naquele que é honrado.

Que a honra é mais imperfeita do que a felicidade.

Que a honra é o prêmio da virtude.

Que por causa da honra o poder e as riquezas são desejáveis.

Que a honra é a retribuição da virtude e do benefício.

Que as honras não podem ser prestadas a todos segundo a dignidade, como no caso das honras devidas aos pais e aos deuses, que ninguém poderá jamais retribuir conforme a dignidade.

Que os homens buscam ser honrados pelos prudentes e junto àqueles por quem são conhecidos e na virtude.

Que no apetite de honra há um meio-termo e um excesso, assim como no receber de dinheiro.

Que não devemos a mesma honra ao pai e à mãe.

Que devemos honra aos anciãos levantando-nos diante deles.

Que não é honrado quem não confere nenhum bem à comunidade, mas àquele que beneficia o bem comum se lhe dá algo comum, isto é, a honra.

Que só o bom e virtuoso deve ser honrado.

### Termo 5

#### Heitor

Que Heitor era um jovem tão bom que não parecia filho de homem mortal, mas de um deus.

# Capítulo 9

### Termo 1

#### Idronomones

Que os idronomones se alegram ao vencer com as suas opiniões e se entristecem se as suas opiniões são julgadas fracas.

### Termo 2

#### Indução

Que a indução é do princípio e do universal.

### Termo 3

#### Ideia

Que não há uma única ideia de todos os bens.

Que aquelas coisas das quais há uma única ideia devem convir na noção segundo aquela forma, como a neve e a cerusa numa única noção de brancura.

Que ter certeza acerca da ideia é mais próprio de outra ciência ou de outro filósofo.

### Termo 4

#### O jactancioso

O que é o jactancioso.

### Termo 5

#### Ignorância

Que tudo o que se faz por ignorância não é voluntário, mas não é necessariamente involuntário.

Que aquele que age por ignorância, seja o que for, não se entristece na ação.

Que uma coisa é agir por ignorância e outra é agir de modo ignorante, como o ébrio e o irado que não sabem o que fazem; contudo, a causa não é a ignorância, mas a embriaguez.

Que a ignorância daquilo que é conveniente não torna a ação involuntária, porque não é ignorância, mas malícia, pois assim todo mau seria ignorante.

Que a ignorância que recai sobre os particulares causa o involuntário; nesses casos há misericórdia e perdão.

Que os homens são censurados por causa da ignorância do universal.

Que ninguém ignora todas as circunstâncias, a não ser que esteja insano, pois ninguém ignora o agente, uma vez que é ele mesmo quem age.

Que ignora o que faz aquele que mata o próprio filho julgando ser seu agressor, como Mérope, que matou o filho tomando-o por inimigo.

Sobre a ignorância acerca do instrumento e da finalidade; e apresenta um exemplo.

Que aquele que ignora as coisas principais parece agir sem querer, e segundo tal ignorância se diz involuntário; mas é preciso que estejam presentes o arrependimento e a tristeza.

Que os ignorantes são punidos se as causas da ignorância estão neles mesmos.

Que os que ignoram as coisas universais da lei, que é preciso saber e que não são difíceis, são punidos.

Que os ignorantes por negligência são punidos, porque está em nós ser diligentes.

Que aquele que ignora que de ações semelhantes se produzem hábitos semelhantes é quase insensível.

Que se alguém, não ignorando, faz algo pelo qual se tornará injusto, tornar-se-á injusto voluntariamente. Todavia, não é verdade que, se quisesse, o que já é injusto deixaria de sê-lo e se tornaria justo.

Que os ignorantes parecem ser corajosos e não estão longe daqueles que agem por boa esperança; mas os ignorantes são piores, porque aqueles têm alguma dignidade, pois investem conhecendo, ao passo que estes não têm nenhuma.

Que alguns ignoram o que dizem, quando aquilo que dizem lhes é inefável, como os mistérios de Ésquilo.

### Termo 6

#### Avareza

Que a avareza sempre se associa àqueles que se empenham pelo dinheiro mais do que é preciso.

Que a avareza é deficiente no dar, mas excessiva no receber.

Que a avareza é incurável, porque a velhice e toda impotência tornam os homens avarentos.

Que a avareza é mais conatural a todos do que a prodigalidade.

Que a avareza peca por defeito no dar e por excesso no receber; mas não é preciso que todo avarento peque segundo esses dois modos, porque às vezes eles se separam.

Que os avarentos que são chamados mesquinhos deficiem todos no dar e também no receber, porque nem cobiçam o alheio nem querem receber se lhes for oferecido; e são chamados sovinas.

Que há certos avarentos que nem querem dar o que é seu nem receber o alheio, por uma certa moderação e temor das coisas torpes, porque, se dessem o seu, seria preciso que lucrassem torpemente o alheio.

Que alguns avarentos não querem receber para que não seja preciso que deem.

Que alguns avarentos abundam em receber qualquer coisa, como os que exercem ocupações torpes e os que se sustentam da prostituição e os usurários.

Que os avarentos, por um pequeno lucro, suportam a desonra.

Que do número dos avarentos são o jogador, o espoliador dos mortos e o ladrão, porque negociam ilicitamente e suportam a desonra.

Que são avarentos todos os lucros torpes, a saber, lucrar dos amigos a quem é preciso dar e querer lucrar de onde não é preciso.

Que a avareza é dita, com razão, contrária à liberalidade e é um mal maior do que a prodigalidade, porque nela pecam mais pessoas.

### Termo 7

#### O incontinente

Que o movimento dos incontinentes é contrário à razão.

Que o incontinente nada faz por escolha.

Que alguém se torna incontinente passando o tempo em bebedeiras.

Que o incontinente e o mau alcançam por raciocínio aquilo que se propõem a ver.

Que alguns são ditos incontinentes em relação à ira, à honra e ao lucro.

Que o incontinente que é persuadido e age fazendo coisas deleitáveis é melhor, segundo a opinião de outros, do que aquele que age não por razão, mas por incontinência.

Que ao incontinente se aplica o provérbio: se a água sufoca, é preciso ainda beber.

Que o incontinente e o intemperante diferem quanto ao modo, porque o intemperante segue o deleitável por escolha como se fosse um fim, ao passo que o incontinente não julga que se deva agir assim, mas é vencido pelo ímpeto das paixões.

Que os incontinentes, à maneira dos que fingem, pronunciam palavras sem ter a compreensão.

Que a ignorância do incontinente se desfaz depois do movimento da paixão, como a do embriagado e a do que dorme, e isso pertence mais ao naturalista do que ao moralista.

Que o incontinente tem o hábito da ciência atado, assim como o embriagado profere as palavras de Empédocles.

O que é o incontinente absolutamente.

Que é manifesto que os incontinentes e os continentes e os perseverantes e os moles versam sobre os deleites e as tristezas.

Que se diz incontinente absolutamente aquele que versa sobre os prazeres corporais, acerca dos quais versam o temperante e o intemperante, não os escolhendo, mas à revelia da escolha e do intelecto.

Que o incontinente e o intemperante se ocupam do mesmo, mas não do mesmo modo; estes escolhem, aqueles porém não escolhem.

Que se diz incontinente aquele que é vencido pelas coisas deleitáveis ou pelos deleites que muitos vencem.

Que o incontinente é melhor que o intemperante e não é mau absolutamente; pois se conserva nele a verdadeira opinião acerca do fim.

Que o incontinente e o intemperante são semelhantes nisto: que ambos perseguem os deleites corporais; mas são dessemelhantes, porque este julga que deve, ao passo que aquele não julga.

Que o incontinente faz aquilo que não julga que deva fazer, por causa da paixão que o impele.

Que o incontinente não é prudente, porque todo prudente é virtuoso e prático; ora, o incontinente não é assim.

### Termo 8

#### Incontinência

Que a incontinência não se refere a todas as paixões.

Que a incontinência e a intemperança se ocupam do mesmo.

Que a incontinência é censurada não apenas como pecado, mas como certa malícia universal ou particular; ora, nada disto se aplica à ira, ao lucro e à honra.

Que a incontinência ou a continência não se referem absolutamente, mas segundo semelhanças, aos deleites bestiais.

Que a incontinência e a continência se dizem absolutamente daquilo que corresponde à intemperança humana, mas quanto às demais coisas segundo metáfora.

Que a incontinência da concupiscência é mais torpe que a da ira, como se prova por quatro razões.

Que a incontinência e a intemperança são semelhantes por causa das ações e por causa da mesma matéria.

Que a incontinência é um hábito mau, ao passo que a continência é um hábito virtuoso.

Que a incontinência que padecem os melancólicos é mais sanável que a dos débeis que não permanecem firmes nos conselhos.

### Termo 9

#### O intemperante

Que não chamamos intemperantes os que se comprazem nos odores das rosas e dos incensos.

Que o intemperante é aquele que excede nos deleites do tato.

Que o intemperante se apodera de todo prazer e de nenhum se afasta.

Que o intemperante se entristece mais do que é preciso enquanto não alcança o deleitável, e o próprio deleite lhe causa tristeza enquanto não o sacia.

Que o intemperante deseja todas as coisas deleitáveis, ou as que são de maior deleite, e é conduzido pela concupiscência mais do que o contém o governo da razão, e prefere, no lugar dos bens da razão, as coisas deleitáveis segundo o sentido.

Que o intemperante se entristece tanto por não alcançar quanto por desejar.

Que, se o intemperante deve ser curado, é preciso que tenha poucos e comedidos pensamentos, e nenhum contrário à razão.

Que o intemperante é mais censurável que o incontinente, porque persegue, sem desejo, as coisas supérfluas e foge das tristezas moderadas.

Que o intemperante é aquele que persegue os deleites supérfluos por escolha e não se arrepende no ato, sendo insanável.

Que o intemperante é pior que o incontinente, porque não é dado ao arrependimento e por isso é insanável, ao passo que o incontinente é sanável.

### Termo 10

#### Intemperança

Que a intemperança é mais voluntária que o temor, porque a intemperança é deleitável, ao passo que o temor é penoso.

Que a intemperança é mais repreensível.

Que a intemperança se transfere aos pecados pueris, ao passo que o temor aos viris.

### Termo 11

#### Entendimento

Que o entendimento é dos princípios, dos quais não há arte, nem ciência, nem prudência, porque a ciência é das coisas demonstráveis, ao passo que a arte e a prudência são das coisas contingentes.

Que o entendimento é dos termos extremos e primeiros.

Que todo entendimento apetece e escolhe o bem para si.

Que o entendimento é algo divino, cuja operação, segundo a própria virtude, é a mais perfeita felicidade.

Que o entendimento, ainda que seja pequeno em volume, sobreexcede muito mais a todas as coisas em preciosidade e em virtude.

### Termo 12

#### Em razão da parte intelectiva

Que cada um parece existir em razão da parte intelectiva.

### Termo 13

#### Entender

Que entender e sentir são principalmente bens.

### Termo 14

#### Os cidadãos comuns

Que os cidadãos comuns se mostram fazendo o bem até mais que os príncipes.

### Termo 15

#### As virtudes intelectuais

Que chamamos virtudes intelectuais a sabedoria, o intelecto e a prudência.

Que a virtude intelectual tem, em grande parte, a sua geração e o seu aumento a partir do ensino.

### Termo 16

#### O jactancioso

Que o jactancioso é aquele que simula coisas gloriosas e inexistentes, e maiores do que existem.

Que, entre os jactanciosos, alguns fingem ter coisas maiores do que são sem nenhum motivo; outros por causa da honra e da glória, e tal pessoa não é muito repreensível; outros por causa do dinheiro, e estes são mais torpes.

Que o jactancioso não o é por uma potência, mas por escolha e por hábito, este que deseja glória ou lucro; e os que se jactam por causa da glória fingem aquilo em que há louvor e felicidade, ao passo que os que fingem por causa do lucro apresentam-se como médicos, adivinhos ou sábios.

Que o jactancioso se opõe mais ao veraz do que o irônico, porque é pior.

Que a mediania da jactância refere-se quase às mesmas coisas, isto é, aos ditos e aos feitos no convívio.

### Termo 17

#### O juiz

Que cada um é bom juiz das coisas que conhece.

Que o juiz quer ser como que o justo animado.

Que os juízes são chamados mediadores, isto é, os que dizem o meio; pois o juiz iguala.

### Termo 18

#### A justiça

Que a justiça é o hábito pelo qual se realizam as coisas justas.

Que a justiça legal é uma virtude perfeita, mas não absolutamente, e sim enquanto ordena para outrem, e é a mais preclara das virtudes, e nem o Vésper nem o Lúcifer são tão admiráveis.

Que, na justiça que se dá nas comutações, o dano ocorre de três modos, a saber: quando a ação injusta procede da ignorância; quando não procede de deliberação prévia; e quando alguém, sabendo e tendo deliberado, age injustamente por malícia.

Que a justiça é toda virtude ao mesmo tempo e a virtude sobretudo perfeita, porque faz portar-se bem tanto para consigo mesmo quanto para com outrem.

Que somente a justiça, dentre as virtudes, parece referir-se ao bem alheio; pois opera o que é proveitoso quer ao príncipe quer à comunidade.

Que a justiça legal não é uma parte da virtude, mas a virtude inteira, e o seu contrário não é uma parte da malícia, mas a malícia inteira.

Que a justiça o é enquanto aperfeiçoa para com outrem nas obras de todas as virtudes, ao passo que é virtude enquanto é absolutamente um hábito.

Que a justiça que é segundo uma parte é unívoca àquela que é a virtude inteira, na medida em que ambas têm a potência de operar para com outrem.

Que a justiça especial refere-se àquilo que produz deleite no lucro e tristeza no dano; a legal, porém, refere-se a tudo aquilo em que há uma operação virtuosa.

Que a justiça especial divide-se em distribuição e comutação.

Que a justiça distributiva consiste nas distribuições tanto de honras quanto de bens pecuniários; a comutativa, por sua vez, consiste nas relações mútuas, como quando alguém recebe a coisa de outrem em troca da sua.

Que, na justiça comutativa, uma é voluntária, como a venda e coisas semelhantes; outra é involuntária, como o furto e as demais coisas que ele enumera.

Que, na justiça comutativa, atende-se somente à diferença do dano. Pois nada difere se foi o virtuoso que privou o mau, ou o contrário.

Que a justiça dita segundo uma parte existe somente entre aqueles a quem a lei ordena.

Que a justiça é o hábito segundo o qual o justo é dito operativo por escolha, e distributivo, tanto para si mesmo quanto para outrem.

Que há uma certa justiça diretiva nas comutações voluntárias e involuntárias, e é distinta da distributiva.

Que a justiça se diz *dikaion* e o justo *dicastes*, como que diretivo para o *dican*; e dá exemplos.

Que a justiça se diz o bem alheio.

Que não há justiça do senhor para com o servo, nem do pai para com o filho, ao menos até que esteja na idade adulta.

Que nenhuma parte da justiça é útil aos incuráveis e aos maus, mas tudo lhes é nocivo.

### Termo 19

#### O justo

Que o justo e o temperante não se dizem assim por realizarem coisas justas, mas por realizá-las como as realizam o justo e o temperante.

Que não é justo aquele que não se alegra com as operações justas.

Que o justo é o que respeita a lei e é equânime.

Que o justo, quando opera o justo sabendo, querendo e escolhendo, é justo; mas, se apenas querendo e não escolhendo, opera o justo e não é justo, porque não age a partir do hábito da justiça.

Que o justo quer viver e conservar-se, e sobretudo quanto ao intelecto pelo qual conhece.

Que o justo quer conviver consigo mesmo, porque o faz deleitosamente, tanto na memória dos benefícios passados quanto na esperança de fazer o bem quanto ao futuro; e no presente se deleita, porque a sua mente está cheia de objetos de contemplação.

Que se dizem justas e temperantes as coisas que são tais quais as opera o justo e o temperante.

### Termo 20

#### O justo

Que o justo é o que se diz igual, o que sem razão parece evidente a todos.

Que o justo necessariamente envolve ao menos quatro termos: duas partes entre as quais se distribui e duas coisas que se distribuem.

Que todos reconhecem que o justo nas distribuições deve ser segundo certo mérito.

Que o justo da justiça distributiva é proporcional.

Que o justo envolve no mínimo quatro termos, pois é a mesma proporção; divide-se do mesmo modo tanto as pessoas quanto as coisas.

Que o justo distributivo daquilo que é comum, seja à comunidade seja à sociedade, se toma segundo a proporção geométrica.

Que nas transações o justo não é igual segundo a proporção geométrica, mas segundo a aritmética.

Que o justo diretivo é o meio igual entre o dano e o lucro; por isso, quando os litigantes têm dúvida, recorrem ao juiz.

Que o justo não é o mesmo que a reciprocidade, como diziam os pitagóricos, pois não convém nem ao justo distributivo nem ao diretivo na transação, porque nem sempre se deve dar a tua obra pela minha.

Que nas comunicações comutativas o justo contém a reciprocidade segundo a proporcionalidade e não segundo a igualdade.

Que o justo dominativo e o paterno não são o mesmo justo que o distributivo e o comutativo, mas são semelhantes.

Que o justo e o injusto político só existem entre aqueles que a lei ordena, e estes são aqueles nos quais há igualdade de governar e de ser governado.

Que algumas coisas são chamadas justas pela justiça legal, a saber, as que são segundo toda virtude ordenada pela lei.

Que o justo e o injusto não se dizem de um homem para consigo mesmo, mas necessariamente entre vários.

Que alguns julgam não ser preciso ser sábio para conhecer as coisas justas e injustas, porque não é difícil entender aquilo que as leis prescrevem; mas estas coisas só são justas materialmente e por acidente.

Que as coisas são justas formalmente quando se aplicam aos casos particulares segundo modos especiais, e isto é mais do que saber o que é saudável.

Que as coisas justas se encontram naqueles nos quais estão os bens absolutamente, a saber, o ouro e a prata, que vêm ao uso dos homens; ora, nestes bens os homens têm superabundância e falta, mas para alguns não há superabundância deles, a saber, para os deuses.

Que é mais justo o que alguém tem para com a sua esposa do que para com os filhos ou as suas posses e servos, e isto é o justo econômico e é distinto do político.

### Termo 21

#### O justo natural e o legal

Que dos justos políticos um é natural e outro é legal; e é natural aquele que tem a mesma força para com todos e em toda parte, e não pelo fato de assim parecer ou não parecer; legal, porém, é aquele que só tem diferença a partir da posição da lei, como ele exemplifica.

Que as coisas justas legais são as que se estabelecem segundo a composição da lei e segundo o que é conveniente, e são semelhantes às medidas, que não são iguais em toda parte; do mesmo modo, as coisas justas que não são naturais mas humanas são diversas entre diversos povos, mas alguma é a melhor.

Que cada uma das coisas justas, a saber, das naturais e das legais, se relaciona com cada uma das obras deste ou daquele como o universal, porque as obras são muitas e são reguladas por um único universal.

Que não se deve dizer que age justamente nem que pratica ato de justiça (dycaioprage) aquele que restitui um penhor contra a vontade e por temor, mas somente por acidente; e do mesmo modo a respeito do injusto.

Que aquele justo que se diz segundo metáfora e semelhança não convém que seja justo de alguém para consigo mesmo.

Que parece haver certo justo de todo homem para com todo aquele que pode participar da lei e do pacto, e do mesmo modo a amizade, enquanto homem.

Que o justo é duplo: um não escrito e outro segundo a lei.

### Termo 22

#### A injustiça

Que há certa injustiça especial além da injustiça geral, e esta se manifesta em muitos vícios.

Que a injustiça desigual e do avaro, que consiste em receber mais, se relaciona como a parte para com o todo.

Que a injustiça pratica muitos males formalmente, mas o injusto efetivamente.

Que a injustiça que é contrária à justiça é operativa do injusto, e isto é a superabundância e a falta, seja do útil seja do nocivo, que está fora do proporcional.

Que a injustiça não está em todos os que praticam o injusto, porque sempre que alguém atribui a si mais dos bens e menos dos males pratica o injusto, mas nem por isso há sempre injustiça.

Que a injustiça pode ser para consigo mesmo, porque acontece nas potências da alma que alguém sofra algo contra o próprio apetite, e nestas há o justo como entre o que impera e o que é imperado.

### Termo 23

#### O injusto

Que o injusto parece ser transgressor da lei, avaro e desigual.

Que o injusto nem sempre escolhe o mais, mas também o menos nas coisas absolutamente más.

Indaga-se de quais obras alguém se torna injusto.

Que ninguém é injusto senão pelo princípio da escolha, de modo que, se alguém se une a outra mulher sabendo-o, não por este princípio mas por uma paixão inata, pratica o injusto mas não é injusto.

Que não são injustos os que agem por ira ou por outras paixões não naturais, mas, sendo nocivos e pecando, praticam o injusto e injustiças, mas contudo não são chamados maus e injustos, porque agem não por injustiça mas por paixão.

Que alguém é injusto e mau quando age por escolha e com a intenção de prejudicar.

### Termo 24

#### O injusto / uma injustiça

Que o injusto está fora do proporcional de dois modos, a saber, no mais e no menos, e isto ocorre também nas obras da justiça distributiva; pois quem pratica o injusto tem mais, ao passo que quem o sofre tem menos do bem.

Que ninguém pode fazer injustiça a si mesmo, porque então sofreria o injusto voluntariamente; e prova-o nos injustos particulares, porque ninguém comete adultério com a própria esposa, mas com outra, nem arromba o próprio muro; pois é da noção da injustiça que se sofra contra a vontade.

Que ninguém faz injustiça a si mesmo voluntariamente.

Que faz injustiça à cidade aquele que se mata a si mesmo, pelo que a cidade sofre dano, e há certa desonra infligida pela cidade, como o fato de a lei prescrever que tais homens não sejam sepultados.

Que não faz injustiça a si mesmo aquele que pratica apenas um ato injusto, mas não é totalmente depravado segundo a malícia universal que está compreendida na injustiça legal.

Que todo praticar o injusto é voluntário e por escolha.

Que não parece cometer injustiça aquele que a sofreu e reage contra ela do mesmo modo.

Que mais se aproxima de cometer injustiça aquele que distribui, quando distribui voluntariamente, porque nele está o princípio da ação; o que recebe nem sempre comete injustiça, a não ser que esteja em sua vontade ter mais por meio de alguma maquinação.

Que se diz que alguém comete injustiça de muitos modos: ou como primeiro motor, ou como instrumento conjunto, como a mão, ou separado, como o servo e o machado, os quais praticam coisas injustas não formalmente, mas materialmente.

Que não comete injustiça formalmente quem, ignorando ambos os direitos, isto é, o legal e o natural, julga à margem da justiça de um e de outro; mas, se julgou injustamente conhecendo-os, em favor de alguém que ama ou por temor da pena, age avaramente também por si e injustamente.

Que aquele que julga injustamente por causa de amizade tem mais, não daquilo sobre que versa o litígio, porque não recebeu o campo sobre o qual julgou, mas dinheiro.

Que os homens julgam ser fácil cometer injustiça e estar em seu próprio poder; mas isto não é assim, porque unir-se à mulher do vizinho e ferir o próximo é fácil e está em seu poder, mas isto não é cometer injustiça formalmente; ao passo que agir como agem os injustos não é fácil nem está em seu poder, a não ser que primeiro adquira o hábito.

Que cometer injustiça formalmente e por si é agir assim como age o injusto e por hábito, assim como dar um fármaco, isto é, um medicamento laxativo, não é curar, mas fazer como faz o médico.

Que sofrer injustiça, como disse Eurípides, e inconvenientemente, é voluntário.

Se acontece que alguém cometa injustiça contra si mesmo.

Que sofrer injustiça é aquilo que se dá à margem da vontade daquele que a sofre.

Que ninguém sofre injustiça querendo-o, nem mesmo o incontinente, mas à margem da vontade.

Que não sofre coisas injustas quem dá o que é seu; e prova-o pelo dito de Homero, que diz que um chamado Glauco deu coisas de ouro por coisas de bronze a Diomedes, e um outro cem bois por nove. Pois no próprio dar há injustiça, isto é, materialmente, mas o sofrê-la não está no poder do que padece, e antes é preciso que aquele que age seja injusto.

### Termo 25

#### O injusto

Que cometer injustiça e sofrer injustiça são ambos, na verdade, coisas más, porque um e outro se afastam do meio no qual está o bem da justiça, um pelo mais e o outro pelo menos.

Que cometer injustiça é pior do que sofrê-la, porque sempre é acompanhado de malícia e é repreensível, seja de modo perfeito, seja quase; ao passo que sofrer injustiça é sem malícia e sem injustiça.

Que sofrer injustiça por si é um mal menor do que cometê-la; mas, por acidente, nada impede que seja um mal maior, assim como acontece que uma lesão no pé seja, por acidente, pior do que uma pleurisia, se por causa dela acontecer cair e ser capturado pelos adversários e morrer; contudo, o médico diz absolutamente que a pleurisia é pior.

Se comete injustiça aquele que, sabendo e querendo, distribui a outro mais do que a si mesmo, à margem do mérito.

Que não comete injustiça contra si mesmo quem dá a si próprio menos, mas apenas sofre um dano.

Que o injusto e a injustificação diferem, porque o injusto se diz pela natureza ou pela ordem, ao passo que a injustificação se diz quando é exercida numa obra.

Que alguém pratica o injusto e o justo quando os realiza querendo; mas, quando os realiza sem querer, nem comete injustiça nem pratica justiça, a não ser por acidente.

### Termo 26

#### Justificação

Que a justificação é comumente chamada dycaiopragema, isto é, operação de justiça.

Que a justificação e o dycaiopragema se determinam pelo voluntário e pelo involuntário.

Que de modo algum há injustificação se não é voluntária.

### Termo 27

#### Ira

Que aquele que age por ira segue de algum modo a razão, mas o que age por concupiscência não; portanto, esta é mais torpe.

Que a ira é mais natural do que as concupiscências supérfluas.

Que as iras e as concupiscências dos prazeres venéreos transformam os homens e provocam loucuras.

Que aquele que faz algo por ira não se diz que age por premeditação e, por isso, parece iniciar mais o mal aquele que provoca do que aquele que age por ira.

Que a superabundância da ira ocorre segundo todas as circunstâncias, porque alguém se irrita com aqueles com quem não convém e igualmente nas outras circunstâncias; contudo, nem todas se encontram numa mesma pessoa.

Que a iracúndia é a superabundância no tocante às iras.

Que o irado age entristecido, mas o que causa injúria age com deleite; e entende-se isto da injúria do adultério.

Que aquele que abunda pouco na ira é digno de perdão, mas o que abunda mais é repreensível, e o que abunda muito ou é muito deficiente é grandemente repreensível.

Que a ira é uma certa paixão, mas as coisas que a produzem são muitas e diferentes.

Que a ira e a concupiscência são paixões racionais.

Que é louvado aquele que se irrita com as coisas e com as pessoas com que convém, e como, e quando, e pelo tempo que convém.

Que não se irar com aquilo com que convém parece ser próprio do insensato, e segundo todas as circunstâncias, porque não parece sentir nem entristecer-se.

Que aquele que, ao irar-se, se afasta pouco do meio, seja por abundância, seja por deficiência, não é repreendido, mas antes louvado; e aos que são um pouco deficientes chamamos também mansos.

Que louvamos os que se iram como viris e capazes de governar.

### Termo 28

#### Inirascibilidade

Que a inirascibilidade é um defeito.

### Termo 29

#### Os iracundos

Que os iracundos, que se iram rapidamente e com as coisas e as pessoas com que não convém e mais do que convém, têm isto de ótimo: que se acalmam rapidamente; pois não retêm a ira, mas a expelem.

Que o iracundo não é insidioso.

### Termo 30

#### Irar-se

Que não é fácil determinar com quem e o quanto se deve irar, e até que ponto se age retamente ou se peca.

### Termo 31

#### O irado

Que o irado sofre antes da vingança, mas se deleita ao punir.

Que os irados que lutam por causa da ira não são corajosos, pois não o fazem pelo bem nem como diz a razão, mas por causa da paixão.

### Termo 32

#### O irracional

Que o irracional participa de algum modo da razão.

### Termo 33

#### A andorinha

Que uma só andorinha não faz a primavera, nem um só dia; assim, tampouco uma só virtude faz feliz, nem um curto tempo.

### Termo 34

#### O involuntário

Do involuntário misto de violento e voluntário: o exemplo do tirano e do marinheiro que lança seus bens ao mar em tempo de tempestade; pois tais operações parecem mistas e assemelham-se mais às voluntárias.

Que aquelas coisas que em si mesmas são involuntárias, mas cujo princípio está no que age, são voluntárias no momento presente, como o que tem seus bens no navio em tempo de tempestade.

### Termo 35

#### O involuntário por ignorância

Do involuntário por ignorância.

### Termo 36

#### O involuntário

Que nas coisas involuntárias há misericórdia e perdão.

Que o involuntário se diz por ignorância e por violência.

Que o involuntário é acompanhado de tristeza e arrependimento.

Que é inconveniente chamar de involuntárias as coisas que em certos casos se deve desejar e das quais irar-se.

Que todo involuntário é penoso, ao passo que o que é segundo a concupiscência é deleitável.

Que é inconveniente sustentar que sejam involuntárias as coisas que procedem da ira e da concupiscência.

Que, dentre os involuntários, são perdoáveis aqueles que se cometem não só por quem ignora, mas por causa da ignorância; ao passo que aqueles que não são por causa da ignorância, mas cometidos por quem ignora em razão da paixão, não são perdoáveis.

### Termo 37

#### O pobre

Que o pobre não pode ser magnífico.

### Termo 38

#### A doença

Que as doenças do corpo são voluntárias quando a causa é voluntária, como censuramos aquele que perdeu a própria visão.

### Termo 39

#### O desavergonhado

Que o desavergonhado é chamado corajoso por metáfora, pois tem algo de semelhante ao corajoso, já que ambos são destemidos.

### Termo 40

#### O insensível

Que se dizem insensíveis os que muito faltam nos deleites do tato.

### Termo 41

#### O doente

Que, assim como o doente que ouve o conselho do médico e nada faz não estará bem no corpo, assim os que filosofam sobre a virtude e nada praticam nunca estarão bem na alma.

### Termo 42

#### Os ischironomones

Que os ischironomones são opiniáticos, indisciplinados e rústicos.

### Termo 43

#### Níobe

Que Níobe, por causa de um amor desmedido, se rebelou contra os deuses.

### Termo 44

#### Juízo

Que o juízo dos singulares se dá pelos sentidos, e as virtudes pelas coisas particulares.

### Termo 45

#### Os jovens

Que os jovens são inclinados ao amor, porque, por causa do deleite e da paixão que perseguem, vivem muito amorosamente.

Que os jovens rapidamente amam e rapidamente cessam de amar, e muitas vezes num mesmo dia caem do amor.

Que os jovens, por causa do deleite, querem permanecer juntos e conviver o dia todo, porque assim se forma neles a amizade, quando são deleitáveis uns aos outros.

Que os jovens se tornam amigos rapidamente, mas não amigos de todo perfeitos, porque não permanecem na amizade; ora, conviver e alegrar-se mutuamente parecem ser as coisas mais próprias da amizade; por isso são benevolentes.

### Termo 46

#### Os infortunados

Que aos infortunados o amigo deve ir prontamente, sem ser chamado, para lhes fazer bem, e sobretudo àqueles que estão em necessidade e não se dignam pedir, isto é, que não exigem; pois é melhor e mais deleitável para ambos, quando a um se socorre na necessidade e o outro realiza obra de virtude.

### Termo 47

#### O jovem

Que os jovens se tornam geômetras, mas não prudentes.

Que, desde a juventude, como diz Platão, deve-se habituar quando alegrar-se e entristecer-se, e naquilo em que é preciso.

Que os jovens, por causa do crescimento, têm um fluxo de humores no corpo, como também os que estão embriagados de vinho, e por isso são muito ardentes nas concupiscências dos deleites.

Que o jovem não é ouvinte apropriado da política; pois é inexperiente dos atos que se dão segundo a vida.

Que o jovem segundo a idade ou segundo o modo juvenil em nada diferem.

Que não é fácil que o jovem seja retamente conduzido à virtude pelo costume, a não ser que tenha sido criado sob leis coativas.

Que para os jovens, nos quais vigoram as paixões, as obras das virtudes não são deleitáveis por si mesmas.

Que, para que os jovens e as crianças sejam bons, é preciso que a sua criação seja ordenada por leis.

Que não basta que alguém seja criado retamente na juventude, mas é preciso que, chegando à idade viril, se habitue às obras de virtude; e a respeito disso necessitamos de leis por toda a vida.

# Capítulo 10

### Termo 1

#### Louvamos

Que louvamos a virtude por causa das obras e dos atos; e o forte e o corredor.

Que, se os deuses fossem louvados em referência a nós, seria uma irrisão.

### Termo 2

#### Louvor

Que o louvor não é das coisas ótimas, das quais é a felicidade, mas algo maior e melhor.

Que o louvor é da virtude e das obras da virtude.

Que o louvor é maior no dar do que no receber.

### Termo 3

#### As coisas louváveis

Que chamamos as virtudes de louváveis.

### Termo 4

#### O louvável

Que o louvável está em algo qualitativo e em algo relativo.

### Termo 5

#### A lei

Que os legisladores punem os que agem mal, mas honram os que agem bem.

Que é próprio do legislador determinar o que é voluntário e involuntário.

Que as leis a respeito de tudo visam àquilo que é útil a todos ou aos melhores.

Que não é difícil entender as leis.

Que a lei prescreve as obras de todos, como as obras do forte, não abandonar a linha de batalha, e não cometer adultério nem injuriar.

Que a lei prescreve viver segundo cada uma das virtudes, e proíbe cada uma das malícias.

Que toda lei propõe universalmente, mas em certas obras não é possível dizer algo reto de modo universal.

Que a lei toma aquilo que na maior parte e mais frequentemente se faz retamente e o estabelece universalmente; contudo, o legislador não ignora que da sua lei sucede erro se em todos os casos for mantida uniformemente; não obstante, a lei é reta, porque atende àquilo que sucede na maioria dos casos.

Que segundo a lei não devem ser feitas todas as coisas, porque a respeito de algumas não se pode estabelecer uma lei uniforme; e por isso é necessário um juízo que discirna em quais casos, a saber, a lei deve ser observada, como exemplifica com a régua da construção de Lesbos.

Que tudo o que a lei não ordena, isso proíbe; por exemplo, a lei não ordena matar-se a si mesmo.

Que as leis são feitas em toda parte para que, acerca das convenções voluntárias, não se faça punição de modo que um seja obrigado a pagar mais do que prometeu.

Que as leis julgam ser mais justo que aquele a quem foi concedido meça a recompensa, do que quem concede.

### Termo 6

#### A lei

Que necessitamos das leis por toda a vida, porque muitos obedecem mais à necessidade do que à palavra.

Que alguns legisladores ou instituidores de leis dizem que é preciso incitar à virtude alguns, em vista do bem, por meio dos prêmios que concedem àqueles que se tornaram obedientes pelos bons costumes precedentes, e dar penas aos desobedientes, e exterminar totalmente os incuráveis.

Que é preciso viver segundo uma lei que tenha poder coercitivo, para que ninguém pratique males voluntária ou involuntariamente.

Que a lei, sendo uma palavra proveniente de alguma prudência e inteligência, tem poder coercitivo.

Que a lei que prescreve a equidade não é onerosa.

Que somente na cidade dos lacedemônios, ou em poucas, os legisladores parecem ter cuidado da criação das crianças e das ocupações em que se deve viver; nas outras cidades, porém, isso foi negligenciado e cada um vive como quer.

Que, assim como as leis estão nas cidades, assim as palavras paternas estão nas casas.

Que, visto que alguém se torna bom por meio das leis, se quer tornar melhores a alguns, sejam muitos ou poucos, deve tornar-se legislador; porque não é de qualquer um dispor bem, mas de quem sabe segundo alguma disciplina, assim como conhecer as coisas medicinais não é senão do médico.

Pergunta-se de onde e de que modo alguém pode tornar-se legislador.

Que as leis se assemelham às obras políticas.

Que, pelo conhecimento e pela reunião das leis, os homens se tornam mais capazes de entender as coisas civis e mais preparados do que os outros.

### Termo 7

#### As coisas legais

Que todas as coisas legais são de algum modo justas.

Que as coisas legais são as que estão determinadas pela lei, e cada uma delas é justa.

Que as coisas legais são produtoras e conservadoras da felicidade e de suas partes na comunicação política.

Que as coisas legais são tudo aquilo que é estabelecido por lei pelos que têm autoridade em casos particulares, como sacrificar a Brásidas.

### Termo 8

#### A liberalidade

Que a liberalidade é uma mediania acerca das riquezas.

Que a liberalidade está mais em dar do que em receber.

### Termo 9

#### O homem liberal

Que o homem liberal é louvado quanto à doação e ao recebimento de riquezas, e mais quanto à doação, e não nas coisas bélicas, nem nos prazeres, nem nos juízos.

Que o homem liberal é aquele que usa da melhor maneira as riquezas, acerca das quais existe a liberalidade.

Que se chamam liberais os que dão mais do que recebem.

Que não são muito louvados os que não recebem.

Que os liberais são amados ao máximo, pois são úteis na doação.

Que os liberais se comportam audaciosamente quanto ao desembolso das riquezas, mas são temerosos nos perigos bélicos; e por isso a fortaleza não se dá acerca desse tipo de coisas.

Que não é liberal aquele que dá a quem não deve, ou não em vista do bem, mas por outra causa; mas tem outro nome.

Que nenhum liberal se entristece com aquilo que dá, e isso é o que convém.

Que o liberal não recebe de onde não deve, porque todo aquele que assim recebe honra as riquezas como se fossem desejáveis por si mesmas.

Que o liberal não é pedinte, pois não é próprio de quem beneficia ser beneficiado por outros.

Que o liberal tira das próprias posses não como um bem, mas como algo necessário, para que tenha o que dar.

Que o liberal procura os bens para que sempre possa ter o suficiente para dar.

Que o liberal não dá a todos, para que tenha o que dar a quem deve, e quando e onde é bom.

Que é próprio do liberal dar superabundantemente, de modo que deixe para si o menos, porque não lhe cabe olhar para si mesmo, mas para os outros.

Que são mais liberais para dar não os que adquiriram, mas os que receberam o patrimônio, porque não experimentaram a indigência.

Que o liberal não se enriquece facilmente, nem é dado a receber nem a guardar as riquezas, mas a desembolsá-las e a dá-las, pois não ama as riquezas senão em vista da doação.

Que o liberal não dá a quem não deve, nem o que não deve, nem quaisquer outras coisas semelhantes, porque isso não seria próprio da liberalidade.

Que o liberal é aquele que gasta segundo o patrimônio e nas coisas que deve o que deve; e nisto difere do pródigo, que gasta em excesso.

Que o liberal dará e gastará com prazer naquilo que deve, indiferentemente nas coisas grandes e pequenas; e recebe de onde deve e o que deve.

Que o liberal, se gasta algo de modo diverso do ótimo, entristece-se, mas moderadamente.

Que o liberal é bastante comunicativo nas riquezas e pode suportar bem injustiças, e mais se aflige se não dá o que deve ser dado do que se dá o que não deve ser dado.

Que a liberalidade não deve ser medida segundo a quantidade do que é dado, mas segundo o patrimônio e o hábito de quem dá.

### Termo 10

#### Os Lacônios

Que os Lacônios não recontavam os serviços que haviam prestado aos atenienses, porque não os ouviam de bom grado.

### Termo 11

#### Aquele que lança a pedra

Que aquele que lança a pedra o faz voluntariamente, mas não está em sua vontade retomá-la; assim se dá com o justo.

### Termo 12

#### O Leão

Que o leão não se alegra com a voz do boi, mas com o comê-lo, quando pela voz percebe que está próximo.

### Termo 13

#### O Leito

Que todos desejam o leito, diz Homero, tanto o jovem quanto o que está a crescer.

### Termo 14

#### As Madeiras

Que se endireitam as madeiras tortuosas.

### Termo 15

#### O Luxurioso

Que, se alguém se entrega à luxúria por causa do lucro, não é luxurioso, mas avaro; mas quem consome muito com luxúria é mais luxurioso do que avaro.

### Termo 16

#### O Jogo

Que o jogo é um certo repouso na vida.

Que aquele que, sendo excessivo no jogo, querendo de todo modo provocar o riso mais do que dizer coisas belas e honestas, é chamado bomolochus; mas os que nem querem dizer algo jocoso nem ouvem com prazer são chamados agrici e duri; e os que usam do jogo com moderação são chamados eutrapeli.

Que o jogo do homem liberal difere do jogo do servil, e o do disciplinado, do indisciplinado.

Que o jogo e o repouso são necessários na vida.

Que alguns jogos são deleitáveis, os quais são buscados por si mesmos.

Que é inconveniente estabelecer o jogo como fim da vida humana.

Que esforçar-se e trabalhar por causa do jogo parece insensato e muito pueril.

Que o jogo se ordene ao estudo, segundo Anacársis, parece estar correto; pois o jogo se assemelha ao repouso.

# Capítulo 11

### Termo 1

#### O Magnânimo

Que o magnânimo se comporta bem em todas as coisas, tanto nas riquezas quanto nos poderes e em toda boa fortuna, e nem se alegra demasiadamente na prosperidade, nem se entristece na adversidade, nem se alegra muito acerca da honra.

Que não são magnânimos os que têm os bens da fortuna sem virtude.

Sobre as propriedades do magnânimo.

Que os magnânimos guardam na memória aqueles a quem fizeram o bem, mas não aqueles de quem receberam bens.

Que é próprio do magnânimo não precisar de nada, ou de muito pouco.

Que é próprio do magnânimo fazer algo grande em relação àqueles que estão em posição de dignidade, porque é difícil superar os grandes e ser venerado por eles.

Que é próprio do magnânimo ser ocioso e vagaroso, enquanto não se intromete em quaisquer obras, mas apenas onde há grande honra e necessidade; e realiza poucas obras, mas grandes e nobres.

Que o magnânimo é necessariamente manifesto no ódio e na amizade, porque esconder-se é próprio do covarde.

Que o magnânimo se importa mais com a verdade do que com a opinião, porque a opinião dos homens é por ele reputada em pouco.

Que o magnânimo é manifesto nas palavras e nos atos, porque livremente divulga o que faz, visto que despreza os outros.

Que o magnânimo é verídico no que diz, exceto quando fala por ironia.

Que é próprio do magnânimo não poder conviver com os outros, mas convive com o amigo, porque conviver com os outros é servil.

Que o magnânimo não é dado à admiração; pois nada é grande para ele.

Que o magnânimo não guarda memória do mal que lhe foi infligido, mas antes o despreza.

Que o magnânimo não é falador, nem sobre si nem sobre os outros, nem se importa em ser louvado nem que os outros sejam censurados, nem fala mal dos inimigos, a não ser por causa de uma injúria.

Que o magnânimo não costuma suplicar por coisas necessárias e pequenas.

Que o magnânimo é capaz de possuir antes coisas boas e infrutíferas do que frutíferas e úteis.

Que parece próprio do magnânimo ter movimento lento e grave, voz grave e um modo de falar estável.

Que o magnânimo não é apressado nem contencioso, porque nada considera grande.

Que o magnânimo é aquele que se julga digno de grandes coisas, sendo de fato digno.

Que o magnânimo é extremo pela grandeza, mas é meio-termo porque busca o que é preciso e como é preciso.

Que o magnânimo se ocupa de uma única coisa máxima.

Que o magnânimo parece ocupar-se das honras; pois os grandes julgam-se a si mesmos dignos de honra.

Que o magnânimo é digno das coisas máximas de que se julga digno e, por isso, é o melhor.

Que o magnânimo realiza o que há de grande em cada virtude e nunca fugirá de quem o convoca à guerra.

Que o magnânimo parece ser ridículo não sendo bom.

Que ser verdadeiramente magnânimo é difícil.

Que o magnânimo se ocupa sobretudo das honras e das desonras, e nas coisas grandes e virtuosas se deleitará moderadamente.

Que o magnânimo dá pouco valor à honra que provém de coisas fortuitas e em coisas pequenas.

### Termo 2

#### Os maus

Que os maus desejam o que é deleitável como se fosse o bem e fogem da tristeza como se fosse o mal; pois não lhes parece haver bem verdadeiro.

Que ninguém é mau querendo nem bem-aventurado sem querer; isto, de um lado, assemelha-se ao falso, de outro, ao verdadeiro.

Que nos tornamos maus voluntariamente, mas, uma vez feitos os atos, já não está em nós não sê-lo.

Que nenhum mau é prudente.

Que os maus não têm nada de firme, nem no hábito nem na amizade, e por isso não permanecem nem semelhantes a si mesmos e por pouco tempo se tornam amigos, alegrando-se mutuamente na malícia.

Que muitos maus querem, de fato, receber o bem, mas evitam fazê-lo como algo inútil.

Que se deve escolher o menor dos males quando é difícil atingir o meio-termo.

Que o mal ocorre de múltiplos modos, mas o bem de um só modo.

Que o mal a si mesmo se destrói, e, se fosse íntegro, tornar-se-ia insuportável.

Que o mal menor é, de certo modo, bom.

Que o mal menor é mais preferível do que o maior.

### Termo 3

#### Malícia

Que a malícia é algo voluntário.

Que as malícias corporais que estão em nosso poder são censuradas; mas as que não estão em nosso poder não são censuradas.

Que as malícias são certamente voluntárias, assim como as virtudes.

Que a malícia não é da besta, nem a virtude, como tampouco são de Deus.

Que nem à malícia nem a qualquer coisa censurável se deve perdão.

Que a malícia perverte e faz mentir acerca dos princípios particulares.

Que a malícia corrompe o princípio, mas a virtude o preserva.

Que se deve fugir intensamente da malícia e esforçar-se por ser virtuoso, pois assim se comportará amigavelmente para consigo mesmo e será amigo do próximo.

Que o mau prejudica a si mesmo e ao próximo, seguindo paixões depravadas.

Que todo mau é, de algum modo, ignorante.

Que no mau dissoam o que se deve fazer e o que ele faz.

Magnanimidade. Que para a magnanimidade parecem contribuir a nobreza, as riquezas e o poder, pois estão numa certa excelência e tornam alguém digno de honra.

Que a magnanimidade se ocupa da grande honra.

Que a magnanimidade se ocupa das honras e das desonras; o excesso, porém, é a presunção, e a falta, a pusilanimidade.

Que a magnanimidade é o ornato das outras virtudes.

Que a maior coisa de que se ocupa a magnanimidade é aquilo que atribuímos aos deuses, que desejam os que estão em dignidade e que é o prêmio das virtudes; e isto é a honra.

### Termo 4

#### Magnificência

Que a magnificência é um meio-termo acerca das riquezas, mas a magnificência difere do liberal.

Que a magnificência é uma certa virtude acerca dos grandes gastos em riquezas.

Que a magnificência é dos gastos que dizemos honrosos, por exemplo, as oferendas votivas aos deuses, os preparativos e os sacrifícios.

Que há magnificência mesmo no presente pueril de uma bola e de um pequeno jarro, ainda que quanto ao preço seja pequeno e mesquinho.

O magnífico. Que o magnífico se ocupa das coisas grandes, o liberal das pequenas.

Que o magnífico excede o liberal na grandeza.

Que não se chama magnífico aquele que gasta segundo a dignidade em coisas pequenas e moderadas, mas aquele que gasta em coisas grandes.

Que o magnífico se assemelha ao sábio.

Que o magnânimo se preocupa mais com o modo de fazer o que é ótimo e mais conveniente do que com que qualidade e em que quantidade.

Que o magnífico deve ser liberal, porque gasta o que é preciso e como é preciso.

Que a contemplação do magnífico é admirável, porque tudo o que o magnífico faz é admirável.

Que em tudo o que concerne ao magnífico é preciso considerar de que condição ele é e de que posses dispõe.

Que ao renome da pessoa do magnífico pertencem amplas posses, adquiridas ou por si mesmo ou pelos antepassados, e que sejam nobres de linhagem e ilustres por dignidade.

Que os gastos do magnífico a respeito das coisas próprias são quaisquer que se façam de uma só vez, como as bodas dos filhos, ou alguma festa com que toda a cidade se ocupa, ou a recepção de estrangeiros, e as doações, e coisas semelhantes.

Que é próprio do magnífico preparar habitações de modo condizente com as riquezas, porque é próprio do magnífico fazer gastos com aquelas coisas com que se adorna a sua magnificência.

Que o magnífico, em cada gênero, gasta muito segundo aquele gênero.

Mansidão. Que a mansidão é uma mediania a respeito da ira; o que a excede é chamado irascível.

Sobre a mansidão, que é uma mediania a respeito das iras, que tende a um defeito inominado que existe.

### Voz 5

#### O manso

Que o manso é louvado porque quer estar imperturbado e não ser conduzido pela paixão, mas conforme a razão ordena segundo todas as circunstâncias; e aproxima-se mais do defeito, porque não é dado a punir, mas antes a perdoar.

Que à mansidão se opõe mais o excesso do que o defeito.

Mão. Que a mão direita, segundo a natureza, é melhor do que a esquerda, mas acontece que alguém seja ambidestro, em quem a esquerda é mais apta.

### Voz 6

#### Remédio

Que os remédios são naturalmente feitos para atuar pelos contrários.

### Voz 7

#### O médico

Que o médico não considera a saúde em universal, mas esta saúde do homem e do homem deste tipo.

Que os médicos excelentes consideram e se ocupam do conhecimento do corpo.

Que saber aquilo pelo qual os médicos curam é fácil, mas de que modo é preciso usá-lo nos diversos casos segundo as diversas compleições é tão difícil de saber quanto o é ser médico.

Que o médico e todo artífice operativo operará da melhor forma quando sabe o universal, porque isto, com efeito, é útil a todos.

Que alguns médicos parecem ser ótimos para si mesmos, mas incapazes de socorrer qualquer outro, porque não podem curar aqueles cujo mal não experimentaram.

O meio. Que quem se afasta pouco do meio não é censurado, mas quem se afasta mais, e tal não passa despercebido, isto é, quem não está no meio; ora, este, enquanto censurável, não é fácil de determinar.

Que os que conjeturam o meio devem atentar para aquilo em direção ao qual somos facilmente movidos por natureza, porque diversos tendem a coisas diversas; e isto se conhece a partir do deleite e da tristeza, e a partir destes é preciso puxarmo-nos para o contrário, e assim, afastando-nos muito do pecado, chegaremos ao meio.

Que é difícil determinar o meio nos casos singulares, porque às vezes os deficientes são louvados e chamados mansos, e às vezes os agressivos são chamados viris.

Que o meio é contrário aos extremos, assim como o igual, que é o meio entre o grande e o pequeno, com respeito ao pequeno é maior, com respeito ao grande é menor.

Que o meio às vezes tem semelhança com um dos extremos, assim como a fortaleza se assemelha à audácia e a liberalidade à prodigalidade.

Que em cada coisa tomar o meio é difícil, por exemplo, o meio do círculo não é para qualquer um, mas para quem sabe; desviar-se, porém, é fácil.

Que quem conjetura o meio deve, primeiro, afastar-se mais do contrário; o exemplo de Calipso.

Que o meio da coisa é aquilo que dista igualmente de um e outro dos extremos, o qual é um só e o mesmo para todos.

Que o meio quanto a nós não se toma assim segundo a distância da quantidade em relação a um e outro dos extremos, porque não é necessário que, se para alguém é excessivo comer dez minas e para alguém pouco, o mestre, isto é, o sábio, prescreva que coma seis como meio, porque isto para alguém será muito e para alguém será pouco; e exemplifica com Milão e o mestre dos ginásios.

Que todo aquele que sabe deseja o meio e foge do excesso e do defeito; digo o meio quanto a nós.

Que atingir o meio é difícil.

Que o meio é a reta razão nas coisas morais.

Que o meio é determinado segundo a reta razão em todos os hábitos.

Que o meio em todos os afazeres é a reta razão, da qual não é preciso exceder-se.

### Voz 8

#### A mediania

Sobre as medianias a respeito das operações e das paixões.

Que a mediania em todas as coisas deve ser louvada, mas os extremos não são retos nem louváveis, e sim censuráveis.

Que há medianias nas paixões.

Curadores. Que alguns não se tornam curadores por lerem os livros de medicina, mas por serem versados na arte da medicina.

### Voz 9

#### O hábito médio

Que o hábito médio em todas as coisas é louvável.

Que o hábito médio é louvável, segundo o qual nos iramos como é preciso, segundo todas as circunstâncias, ao passo que o excesso e o defeito são censuráveis.

Que o hábito médio é louvável quando aceita o que é preciso e despreza o que é preciso.

### Termo 10

#### Mentira

Que a mentira é má em si mesma e deve ser evitada; a verdade, porém, é também um bem louvável.

Que os mentirosos são censuráveis, mas ainda mais o jactancioso.

**Medida. (Deve ser uma nova categoria.)** Que as medidas não são iguais em toda parte.

Se a retribuição de um benefício deve ser feita segundo a medida da utilidade que aquele que recebe ou padece obteve, ou segundo a quantidade do benefício que o outro despende.

Sobre a medida da amizade que é segundo a virtude.

Que na amizade de utilidade se encontrou uma medida comum, e esta é o dinheiro, ao qual todas as coisas se referem e pelo qual são medidas.

Que a medida de todas as coisas é a virtude e o homem virtuoso.

### Termo 11

#### Medição

Como se faz a medição quando há dons deste gênero sem pacto, mas com esperança de retribuição; e diz o Filósofo que não só é necessário, mas também justo, que aquele que possuía antes ordene e meça a retribuição, de modo que, quanto foi ajudado aquele que recebe, tanto tenha por isso o que dá a devida dignidade, como se vê acontecer nas compras.

Que é preciso que todas as coisas se meçam por uma única que, segundo a verdade, contém todas as coisas.

### Termo 12

#### Modo / método

Que é diverso o modo de proceder nos raciocínios que vão dos princípios ou aos princípios, como Platão põe o exemplo dos estádios e dos atletas.

### Termo 13

#### O homem modesto

Que o homem modesto se diminui.

### Termo 14

#### Movimento

Que, assim como os corpos são julgados pelos seus movimentos, assim também os costumes.

Que o movimento é o princípio do ato na razão de causa eficiente.

Que a todo movimento parece ser próprio a rapidez e a lentidão, ainda que não por si mesmo; e diz isto por causa do movimento do último orbe.

Que todo movimento se dá no tempo, porque o movimento espera algo no futuro pelo qual se aperfeiçoe a sua espécie, como exemplifica na construção, cuja uma parte, como a composição das pedras, é distinta da estriação da coluna.

### Termo 15

#### Morte

Que dizer que a morte induz a felicidade parece inconveniente.

Que os mortos não participam dos bens ou dos males dos amigos, mas, se algo reflui sobre eles, isto é frágil e pequeno; ou o que há neles não é tão grande nem de tal natureza que lhes dê ou lhes tire a felicidade.

Que a morte é o fim das coisas terríveis e a mais terrível, porque é o termo.

Que aos mortos nada parece ser nem bom nem mau.

Que morrer para fugir da pobreza ou da cobiça ou de alguma coisa triste não é próprio do homem corajoso, mas antes do covarde.

**Costumes. (Deve ser uma nova categoria.)** Que nos costumes é preciso haver algo que dirija a isto: que alguém não faça coisas más, nem voluntária nem involuntariamente.

Que o hábito moral parece existir de algum modo por natureza, como o do justo e o do temperante.

Que a virtude moral não só é segundo a reta razão, mas com a reta razão.

Que aqueles que são de um mesmo costume, criados juntos e educados de modo semelhante, mais se amam entre si.

### Termo 16

#### Empréstimo

Que, assim como os que emprestam querem a saúde daqueles a quem emprestam, para não perderem o seu, e não o contrário, assim é nos benefícios; e o autor principal desta solução foi Epicário.

Que se deve pagar antes o empréstimo devido do que dar a um amigo.

### Termo 17

#### Recompensa

Que a recompensa deve ser retribuída ao homem segundo a utilidade que obtém aquele que recebe.

Que a recompensa do príncipe é a honra e a glória.

### Termo 18

#### Mães

Que certo homem, a saber, o rei dos persas, sacrificou a mãe por causa da loucura e a devorava.

Que as mães amam os filhos mais do que os pais, porque estão mais certas de que são seus.

Que as mães amam mais os filhos, porque trabalham mais em torno deles; pois é mais laboriosa a geração deles.

### Termo 19

#### Matéria

Que se deve investigar tanto quanto a matéria o exige, na medida em que é próprio da doutrina.

### Termo 20

#### Soldados

Que, porque os soldados são peritos nas coisas da guerra, nas quais há muitas coisas vãs que não devem ser temidas, por isso parecem corajosos ao empreenderem as batalhas com mais segurança; pois sabem infligir dano aos outros e proteger-se dos danos que lhes são infligidos.

Que os melhores soldados não são corajosos, ainda que estejam preparados para os perigos, não tendo nenhum outro bem em vista; pois lutam por bens temporais e trocam a vida por pequenos ganhos, mas o corajoso o faz pelo que é ótimo e pelo bem da virtude.

### Termo 21

#### Multiplicidade

Que na multiplicidade há muita diferença, pois algumas são latentes e outras aparentes, e algumas próximas e outras remotas.

### Termo 22

#### As coisas mais evidentes

Que as coisas mais evidentes, das quais o mundo é constituído, são mais nobres do que o homem.

### Termo 23

#### A mente

Que a mente especulativa nada move.

### Termo 24

#### A premissa menor

Que as premissas menores são os princípios da obra final por meio da execução.

Que a premissa menor é o princípio na operação.

### Termo 25

#### A molície

Que a molície e a incontinência são coisas más e dignas de censura.

Que se diz mole aquele que é vencido pelas tristezas que muitos vencem.

Que ao mole se opõe o perseverante.

Os melancólicos. Que os melancólicos e os coléricos são os mais desenfreados.

Que os melancólicos estão sempre em veemente apetite.

### Termo 26

#### As mulheres

Que as mulheres não são chamadas incontinentes absolutamente, pois não conduzem, mas são conduzidas pela molície da natureza e pela deficiência da razão.

### Termo 27

#### O guincho do rato

Que alguns temem o guincho do rato e da doninha por causa da bestialidade.

#### Os milésios

Que os milésios não são de fato tolos, mas agem como agem os tolos; assim os incontinentes não são injustos, mas praticam coisas injustas.

# Capítulo 12

### Termo 1

#### A natureza

Que nada do que existe por natureza provém do costume; exemplo da pedra e do fogo.

Que, naquelas coisas que estão em nós por natureza, primeiro recebemos suas potências e depois as operações.

Que ninguém censura os que são feios por natureza.

Que, porque a nossa natureza não é simples, mas composta, algo lhe é deleitável segundo a parte corporal e algo segundo a incorporal.

Que, se alguma natureza for simples, a sua ação será sempre a mesma e deleitabilíssima.

Que a natureza que necessita de mudança tem em si defeito, pois não é simples nem boa por si, como o homem que, sendo facilmente mutável, é mau.

### Termo 2

#### As coisas naturais

Que nos desejos naturais poucos erram.

Que dizer que as coisas naturais não se movem não é assim, isto é, universalmente verdadeiro, pois segundo a essência não são removidas, mas segundo o uso podem ser removidas; porém de modo algum é assim entre os deuses como entre nós.

Que as coisas naturais são imóveis e têm a mesma potência, assim como o fogo queima tanto aqui como na Pérsia.

Que as coisas naturais têm o princípio em si mesmas.

Que os apetites naturais são mais dignos de perdão do que outros menos naturais.

### Termo 3

#### Nenhum dos dois

Que não se deve crer que nenhum destes dois modos de pensar errava em tudo o que dizia acerca da felicidade.

### Termo 4

#### Termos

Que estes termos, perda e ganho, se encontram nas trocas voluntárias, porque ter mais nelas se diz ganhar e ter menos em tais coisas se diz sofrer perda.

### Termo 5

#### Dinheiro

Que o dinheiro foi inventado como uma espécie de medida pela qual o excesso e a falta são reconduzidos ao meio-termo.

Que o dinheiro foi feito por causa da necessidade da troca. O dinheiro surgiu da necessidade de realizar a troca.

Que o dinheiro é como um fiador da necessidade futura, porque contém todas as obras como preço delas.

Que o dinheiro, entre outras coisas, deve mais ser a medida, porque é mais permanente.

Que o dinheiro iguala todas as coisas medidas.

### Termo 6

#### Núpcias

Que às núpcias são convidados os parentes e os que são de uma mesma linhagem.

### Termo 7

#### Em nosso poder

Que está em nosso poder ser bons ou maus.

### Termo 8

#### Nascemos

Que nascemos mais inclinados aos prazeres e por isso somos mais facilmente movidos à intemperança do que à temperança.

### Termo 9

#### Indignação justa

Que a indignação justa é o meio-termo da inveja quanto aos bens que acontecem aos indignos; diz-se, porém, invejoso o que excede, aquele que se entristece com os bens dos maus e dos bons, e deficiente o epykairekakus.

### Termo 10

#### O homem justamente indignado

Que o homem justamente indignado se entristece com os que prosperam indignamente, ao passo que o epykairekakus se alegra com todo o mal.

### Termo 11

#### Neoptólemo

Que Neoptólemo, persuadido por Ulisses a enganar Filoctetes com uma mentira, primeiro consentindo, depois se afastou daquela opinião e foi louvado.

### Termo 12

#### A parte nutritiva

Que a parte nutritiva parece operar sobretudo durante o sono.

Que a parte nutritiva é destituída de virtude humana.

Que a parte nutritiva não é aperfeiçoada por nenhuma virtude moral; pois nada há nela de operar ou não operar.

# Capítulo 13

### Termo 1

#### Operações

Que as operações existem por causa das coisas realizadas.

Que as operações das virtudes são deleitáveis por si mesmas.

Que as operações segundo a virtude são as senhoras da felicidade.

Que as operações segundo a virtude são mais permanentes do que os saberes.

Que as operações são as senhoras, e por isso é preciso considerar as operações que se fazem segundo a reta razão da prudência.

Que de operações semelhantes se fazem hábitos semelhantes.

Que acerca das operações das virtudes não se deve falar com certeza, mas de modo esquemático, por meio de argumentações imperfeitas e por exemplo.

Que as operações nada têm de estável e fixo, assim como também não o têm as coisas relativas à saúde.

Que certas operações, como por exemplo os adultérios, não podem ser feitas bem.

Que as operações versam sobre os singulares.

Que em certas operações às vezes alguém é louvado, às vezes é censurado.

Que as operações que dizem respeito aos fins e as que estão ordenadas a eles se dão segundo a escolha e voluntariamente.

Que as operações das virtudes são voluntárias e estão em nosso poder; e, assim como a virtude, também os vícios estão em nosso poder.

Que nem toda operação da alma admite um meio-termo, como o adultério, o furto, o homicídio; pois todas estas coisas e as que se dizem semelhantes são más em si mesmas.

Que as operações e os hábitos não são voluntários do mesmo modo, porque somos senhores das operações desde o princípio até o fim e conhecemos tudo o que nelas ocorre, mas o acréscimo inicial dos hábitos é desconhecido.

Que alguns julgam que a operação é uma geração, o que é falso.

Que nenhuma operação impedida é perfeita.

Que, tais como são as operações, tais se tornam os hábitos, e quem ignora que de operações semelhantes se formam hábitos semelhantes é quase insensato.

Que as operações da virtude são boas e em vista do bem.

Que a operação que está no presente é mais deleitável do que a esperança do futuro ou a memória das coisas passadas.

Que a operação do homem feliz, que deve viver deleitavelmente, é mantida pelos amigos, e tal operação será mais deleitável.

Que a boa operação é mantida mais facilmente por aquele que está com os outros do que por quem está sozinho.

Que a operação da virtude não é uma qualidade.

Que a operação perfeita do sentido é a do sentido bem disposto para o mais belo sensível, isto é, bem proporcionado à harmonia do sentido, entre todas as coisas que estão sujeitas ao sentido.

Que a operação de qualquer coisa é ótima quando é a do operante otimamente disposto para o mais potente, isto é, o mais nobre, dentre aquilo que está sujeito àquele operante; e tal operação é deleitabilíssima e perfeita segundo todo sentido.

Que dentre as operações algumas são necessárias e elegíveis em vista de outra coisa, e outras em vista de si mesmas.

Que para cada um é elegibilíssima a operação segundo o próprio hábito.

Que a operação que é do homem, isto é, segundo a sua melhor parte, é mais virtuosa e mais feliz do que a que é da besta, isto é, do homem segundo o que nele há de bestial.

Que a operação continuíssima, que é a especulativa, diz-se ser a felicidade.

Que a operação segundo a sabedoria é a mais deleitável dentre as operações que se dão segundo a virtude, como é reconhecido por todos.

Que as operações das virtudes práticas se dão nas coisas civis e bélicas, e tais ações não parecem ser ociosas na bondade perfeita.

Que as operações civis não são ociosas, porque, por meio do próprio convívio civil, adquire-se poder, honras e ainda a felicidade, tanto para si quanto para os cidadãos, felicidade distinta da política.

Que as operações bélicas e políticas, entre todas as operações das virtudes práticas, sobressaem em beleza e grandeza e, contudo, não são ociosas, porque buscam algum fim e, assim, não são elegíveis por si mesmas; e disso se segue que as condições da felicidade não se encontram nelas.

Que somente a operação do intelecto especulativo é a felicidade perfeita, porquanto não busca nenhum fim além de si mesma e possui deleite próprio, e quaisquer outras coisas que se atribuem ao bem-aventurado, contanto que recebam a perfeição da longa duração da vida.

Que as operações segundo as virtudes morais são humanas, porque as coisas justas e corajosas e as demais que fazemos segundo as virtudes, nas permutas, nas paixões e em outras coisas, todas são humanas; e o mesmo parece valer para a prudência; e assim a felicidade civil, que é segundo a prudência e as demais virtudes morais, será humana, ao passo que a que é segundo o intelecto será separada e divina.

### Termo 2

#### Obras

Que nas obras das virtudes é máxima a constância em permanecer.

Que, por causa das obras digníssimas de honra, não sobrevém o esquecimento dos homens.

Que das boas obras se geram as virtudes e as artes, e pelas más se corrompem; pois com efeito de tocar a cítara tornam-se bons e maus citaristas.

### Termo 3

#### Operar

Que quem não se importa de operar coisas justas não se importa de tornar-se bom.

Que operar e não operar pertence àqueles que têm em si mesmos o princípio do operar.

Que operar o bem ou o mal está em nosso poder.

Que não se opera senão aquilo que se julga ser melhor.

Que operar mal se dá por causa da ignorância.

### Termo 4

#### Operante

Que os que operam retamente tornam-se ilustres na vida dos bons.

Que é preciso que o que opera segundo a virtude saiba o que se deve operar e o escolha em vista do fim, firmemente estabelecido pelo hábito.

Que o que opera coisas justas e castas de modo algum se diz justo e casto se, por exemplo, operar o que as leis ordenam por temor, ou contra a vontade, ou por ignorância.

Que parece irracional que o que opera coisas injustas não queira ser injusto, ou que aquele que comete estupro não queira ser incontinente.

### Termo 5

#### Obra

Que a obra do homem é ou segundo a razão ou não sem a razão, isto é, com participação da razão.

Que a obra é a mesma em gênero para o homem e para o homem bom, e para o citarista e para o ótimo citarista.

Que estabelecemos a obra do homem como uma certa vida, isto é, um modo de viver.

Que a obra civil se realiza segundo a prudência e a virtude moral; pois a virtude torna reta a intenção, ao passo que a prudência ordena os meios que a ela conduzem.

### Termo 6

#### Coisas realizadas

Que os produtos são melhores que as operações naquelas coisas em que ambos se encontram.

### Termo 7

#### nos Jogos Olímpicos

Que nos Jogos Olímpicos não são coroados os melhores e os mais fortes, mas os que competem.

### Termo 8

#### Oligarquia

Que a oligarquia é a malícia dos governantes que distribuem indignamente aquilo que é da cidade, sem consideração do mérito, e atribuem a si mesmos a maior parte dos bens e os cargos sempre aos mesmos amigos, para se enriquecerem facilmente.

### Termo 9

#### Odor

Que não chamamos intemperantes os que se deleitam com os odores das rosas e dos incensos.

Que alguns se deleitam com os odores dos alimentos quando têm fome.

### Termo 10

#### O olho

Que a virtude do olho torna bom tanto o olho quanto a sua operação.

### Termo 11

#### Opinião

Que a opinião parece versar sobre todas as coisas: sobre as eternas, as impossíveis e as que estão em nosso poder.

Que a opinião se divide em verdadeira e falsa.

Que a opinião é louvada se é verdadeira, e a escolha se é daquilo que é preciso ou se é feita retamente.

Que não importa se a opinião precede a escolha ou a segue, pois não é isso que se busca, mas apenas que não sejam a mesma coisa.

Que a opinião enuncia algo de modo determinado.

Que a opinião é dupla: uma universal, isto é, da premissa maior, e outra particular, isto é, da menor.

Que não há diferença entre estar fora da opinião e não estar fora da ciência.

Que é possível agir de modo incontinente contra a própria opinião.

Que a opinião não é contrária à razão por si, mas por acidente, enquanto se lhe mistura a concupiscência.

Que há três opiniões acerca do prazer.

Que a opinião de Aristóteles parece estar em consonância com as demais e com as obras.

Que o esquecimento não é próprio da prudência, pois esta não está somente na razão, mas tem princípios inatos.

Que nas coisas práticas se julga mais pela vida e pelas obras do que pelos discursos e, por isso, é preciso confrontar o que foi dito, mediante consideração, com a vida e as obras.

# Capítulo 14

### Termo 1

#### Pereceram

Que alguns pereceram por causa das riquezas, outros por causa da fortaleza.

### Termo 2

#### Parvificência

Que a parvificência é o defeito desse hábito da magnificência.

### Termo 3

#### O parvífico

Que o parvífico falha em tudo aquilo em que o magnífico se comporta bem.

### Termo 4

#### Os pequenos

Que os pequenos são formosos, mas não belos.

### Termo 5

#### O pusilânime

Que o pusilânime é aquele que se julga digno de coisas menores do que aquelas de que é digno.

Que o pusilânime fica aquém tanto de si mesmo quanto do magnânimo.

Que o pusilânime é aquele que não se julga digno dos bens de que é digno.

Que o pusilânime e o vaidoso não são maus, pois não praticam o mal, mas apenas erram.

Que os pusilânimes não são insensatos, mas antes preguiçosos, enquanto negligenciam conhecer a si mesmos.

### Termo 6

#### Pusilanimidade

Que a pusilanimidade se opõe mais à magnanimidade do que os caymotes.

### Termo 7

#### Os perversos

Que os perversos que não estão corrompidos por pecados vergonhosos, mas por certas puerilidades, parecem ser amigáveis para consigo mesmos, porque julgam ser justos; mas os muito perversos, não.

Que nos perversos não há amizade para consigo mesmos, porque não realizam os bens que julgam ótimos para si, mas escolhem em lugar deles coisas deleitáveis nocivas.

Que os perversos, por causa de sua grande malícia, são odiados e por isso fogem e matam a si mesmos.

Que o perverso que não é digno de honra.

Que nos perversos há um certo bem natural melhor do que os próprios males.

Que o perverso que apetece o deleite deve ser punido com uma tristeza contrária ao deleite, tal como um animal de carga.

Que os homens se tornam perversos ao perseguir os prazeres ou ao fugir deles, ou os que não se deve, ou segundo o que não se deve.

Que os perversos se enchem de arrependimento.

Que a alma dos perversos está em conflito, porque a parte inferior se aflige quando se afasta dos deleites e a superior se deleita.

Que o perverso não se dispõe amigavelmente para consigo mesmo, porque nada tem em si mesmo de amável.

Que os perversos não querem conviver consigo mesmos, mas buscam outros com quem permanecer, porque nada de amável encontram em si mesmos.

### Termo 8

#### Proporcionalidade

Que a proporcionalidade é uma igualdade de proporção em ao menos quatro termos.

Que toda proporcionalidade é disjunta ou contínua; disjunta quando as proporções entre as quais há proporcionalidade não se unem em algum termo comum, contínua quando se unem em um termo comum; e exemplifica.

Que tal proporcionalidade é chamada geométrica nas matemáticas, porque na geometria sucede comparar-se o todo ao todo como um ao outro.

Que a proporcionalidade que há na justiça distributiva não é contínua, porque não se faz um só termo numérico aquele a quem se dá e aquilo que se dá.

### Termo 9

#### O proporcional

Que o proporcional não é apenas do número monádico, mas do número em sua totalidade.

### Termo 10

#### O príncipe

Que se o príncipe fere, não é preciso que por justiça seja ferido de volta; mas se alguém fere o príncipe, não só deve ser ferido, mas também punido.

Que o príncipe é o guardião do justo e do igual; pois não atribui mais do bem absolutamente a si, a não ser o que lhe é proporcional; por isso trabalha para outrem.

Que a recompensa do príncipe é a honra e a glória; mas aqueles a quem estas não bastam tornam-se tiranos.

Que os comandantes do exército compelem o exército a realizar feitos corajosos.

### Termo 11

#### Governar

Que não permitimos governar o homem no qual há apenas a natureza humana, mas aquele que é perfeito segundo a razão. Pois tal homem dá a si mais dos bens e torna-se tirano.

### Termo 12

#### O governo

Que o governo revela o homem.

Que para os que são diferentes devem existir governos diferentes.

### Termo 13

#### o que é mais principal na virtude

Pergunta-se o que é mais principal na virtude, se a escolha ou a operação exterior.

### Termo 14

#### O pródigo

Que o pródigo é melhor do que o avaro, porque é facilmente curado por causa da idade ou da penúria.

Que o pródigo não parece mau nos costumes.

Que o pródigo parece ser insensato, porque não sabe prover a si mesmo.

Que o pródigo parece ser muito melhor do que o avaro, porque faz para si muitos amigos por ser útil a muitos.

Que muitos dos pródigos são os que recebem de onde não se deve, pelo fato de quererem gastar dando e não poderem fazê-lo com os próprios bens, porque logo se esgotam, e assim recebem de outra parte.

Que os pródigos desejam ardentemente dar e por isso nada lhes importa quanto ou de onde.

Que as doações dos pródigos não são liberais.

Que muitos pródigos são intemperantes, porque consomem os seus bens em intemperanças.

Que se chamam pródigos os que gastam e consomem intemperadamente os seus bens.

Que o pródigo se diz propriamente pecar em relação a uma coisa única: o que arruína a sua substância, isto é, as posses pelas quais se sustenta.

Que é pródigo aquele que é pródigo em relação a si mesmo, porque é uma certa perdição dele próprio, a saber, a corrupção do seu ser, pois é por esses bens que se sustenta a vida do homem.

Que o pródigo não se deleita naquilo em que é preciso, nem como é preciso, nem se entristece como é preciso.

Que o pródigo é aquele que abunda no dar, mas é deficiente no receber; o iliberal, ao contrário.

### Termo 15

#### Prodigalidade

Que a prodigalidade e a iliberalidade dizem respeito ao excesso e ao defeito quanto ao dinheiro.

Que a prodigalidade às vezes se atribui aos homens intemperados.

Que a prodigalidade que consiste no dar não aumenta muito, porque com isso lhe falta a substância.

### Termo 16

#### O péssimo

Que péssimo é aquele que usa de malícia para consigo mesmo e para com os amigos; ótimo, porém, não é aquele que usa de virtude para consigo mesmo, mas aquele que a usa para com outro.

### Termo 17

#### O afável

Que afáveis são aqueles que louvam tudo o que se diz e se faz, por causa do prazer de conviver, e nada contradizem, mas julgam que é preciso conviver com os bons e com os maus sem tristeza.

Que o afável é aquele que busca o deleite no convívio, não por causa de outra coisa.

### Termo 18

#### Política

Que a política é mais honorável do que a medicina.

Que a política não busca apenas o proveito presente, mas o que se estende a toda a vida.

Que caem sob a política os que fazem sacrifícios e as congregações de ministros, os que tributam honras aos deuses e adquirem para si mesmos repouso com deleite.

Que as espécies da política são três e têm três corrupções opostas; a primeira é o reino, a segunda a aristocracia, a terceira a democracia.

Que aos que desejam conhecer a política é necessária a experiência.

### Termo 19

#### O político

Que é preciso que o político saiba de algum modo o que diz respeito à alma, assim como também aquele que cura os olhos e todo o corpo.

Que ao político é melhor escrever e falar sobre as ações civis do que discursos judiciais e deliberativos.

### Termo 20

#### As paixões

Que aquele que persegue as paixões ouvirá em vão e inutilmente, porque o fim não é o conhecimento, mas a operação.

Que as paixões são todas aquelas coisas às quais se segue deleite ou tristeza; e exemplifica com muitas.

Que as paixões não são nem virtudes nem malícias, pois não somos ditos estudiosos ou depravados segundo as paixões.

Que segundo as paixões não somos louvados nem censurados; e exemplifica.

Que as paixões não acontecem espontaneamente, assim como não nos iramos nem tememos espontaneamente.

Que segundo as paixões dizemos, de fato, ser movidos.

Que algumas paixões da alma não admitem meio-termo.

Que a paixão não parece ceder totalmente à razão.

### Termo 21

#### Filosofia

Que a filosofia tem deleites admiráveis pela firmeza e pela pureza, e mais para os que a contemplam do que para os que a buscam, os quais ainda não a possuem, mas labutam na investigação.

### Termo 22

#### O ambicioso

Que ambicioso é aquele que abunda em desejos, apetecendo imoderadamente a grande honra; o que, porém, é deficiente, chama-se inambicioso; mas o meio-termo é inominado.

### Termo 23

#### Filoxeno

Que Filoxeno Eríxio rogou que a sua garganta fosse mais longa do que a de uma grua, para que, pelo contato mais prolongado com o alimento, se deleitasse mais duradouramente.

### Termo 24

#### O pugilista

Que para os pugilistas o fim é o deleitável, por cuja causa há a coroa e as honras, mas ser golpeado é doloroso, porque têm carne sensível.

Que o pugilista talvez não disponha o mesmo combate contra todos; não obstante, cada um age com mais segurança se tem um cuidado próprio do que se tivesse apenas um cuidado comum, porque terá em maior grau aquilo que é conveniente.

### Termo 25

#### Dinheiro

Que dinheiro é tudo aquilo que se mede pela moeda.

Que não é possível ter dinheiro sem se preocupar em tê-lo, assim como acontece também nas outras coisas.

Que o dinheiro e os bens desse gênero são objeto de disputa.

### Termo 26

#### Potência

Que as potências são aquilo segundo o qual somos capazes de nos irar, de nos entristecer ou de nos compadecer.

Que somos capazes por natureza, mas não nos tornamos bons ou maus por natureza.

### Termo 27

#### Criança

Que as crianças vivem segundo a concupiscência e, sobretudo, nelas está o apetite do deleitável.

Que, assim como a criança deve viver segundo o preceito do pedagogo, assim também o concupiscível deve estar em consonância com a razão.

Que nenhuma criança é feliz, porque, por causa da idade, não é capaz de operar o bem.

Que as crianças são consideradas bem-aventuradas por causa da esperança; mas tais indivíduos necessitam de virtude perfeita e de vida perfeita.

Que a criança de fato se torna matemático, ao passo que não se torna sábio nem físico.

Que nas crianças e nos animais existem certos hábitos naturais, mas, sem o intelecto, nocivos, como, se o corpo for forte e esse forte não tiver visão, ele se engana e talvez mate o pai crendo matar o inimigo.

Que as crianças primeiro juntam palavras e as pronunciam, mas não as entendem; pois é preciso que isso se torne conatural.

### Termo 28

#### Os constituídos no poder

Que os que estão postos no poder buscam o prazer, semelhantemente a Sardanápalo.

Que os que estão em posições de poder têm alguns amigos úteis e alguns deleitáveis; mas não inteiramente ambos.

Que os constituídos no poder não buscam amigos deleitáveis dotados de virtude nem úteis para os bens, mas uns eutrapelos, isto é, bufões, desejando os deleitáveis, e outros deinos, isto é, astutos.

### Termo 29

#### Pais

Que os pais amam os filhos como algo que é deles mesmos, ao passo que os filhos amam os pais como aquilo de que provêm.

Que os pais sabem melhor que os filhos foram gerados por eles do que os filhos sabem que foram gerados de seus pais.

Que os pais amam os filhos como outros si mesmos.

Que dos pais recebemos os benefícios do ser, do sustento e da educação.

Que os pais amam mais os filhos do que os filhos aos pais.

### Termo 30

#### O governo do pai

Que o governo do pai sobre os filhos tem semelhança com a realeza, pois cabe ao pai o cuidado dos filhos.

Que, entre os persas, os pais usam tiranicamente dos filhos.

### Termo 31

#### Pai

Que o pai que usa perversamente dos filhos, quase como de servos, é corrompido e tem semelhança com o tirano.

Que os pais são tidos por máximos nos benefícios, porque são causa do ser, do sustento e da educação.

Que o pai, o progenitor e o rei governam por natureza.

Que os pais amam mais os filhos do que os filhos aos pais.

Que o pai está mais próximo do filho do que o filho do pai.

Que nenhum pai se afasta do filho, a não ser que a malícia sobreexceda no filho.

Que o pai que tem um filho mau deve afastar-se dele, se for perfeitamente mau, ou não deve apressar-se em dar-lhe o suficiente enquanto ele for mau.

Que em todas as coisas se deve assim obedecer ao pai, ou não, mas nas questões de medicina deve-se obedecer ao médico e não ao pai, e na guerra o homem belicoso deve ordenar-se segundo o preceito do chefe do exército e não do pai.

Que devo resgatar antes o meu pai do que aquele que me resgatou.

Que devemos prover o suficiente aos pais no sustento, ainda mais do que a nós mesmos, e lhes devemos honra como aos deuses, por causa dos máximos benefícios.

### Termo 32

#### O principado paterno

Que o principado paterno tende a ser reino.

### Termo 33

#### Amizade paterna

Que a amizade paterna é tal como a régia, consistindo na concessão de benefícios por parte de quem é superior em excelência.

### Termo 34

#### As instruções paternas

Que as instruções paternas se comportam na casa assim como as leis nas cidades.

### Termo 35

#### O preceito paterno

Que o preceito paterno não tem força coercitiva, nem o de qualquer outro que não seja pessoa pública, como o rei.

### Termo 36

#### A dor

Que as dores devem ser aplicadas de modo contrário aos prazeres amados, como comumente se diz.

### Termo 37

#### A presença do amigo

Que a presença dos amigos é deleitável tanto nas boas fortunas quanto nos infortúnios; pois os que estão contristados são aliviados pelos amigos que compartilham de sua dor.

Que a presença do amigo é deleitável, porque, ao entender que alguém lhe é amigo e compartilha de sua dor, torna menor a tristeza.

Que a presença do amigo nos infortúnios é mista, porque é deleitável e contristante: deleitável porque ver os próprios amigos é deleitável e porque presta certo auxílio para não se contristar, enquanto se consola com a visão deles e com suas palavras; é também contristante porque ninguém quer ser causa de tristeza para o seu amigo.

Que a presença do amigo nas boas fortunas não é mista, mas proporciona uma conversação deleitável e compreensão, enquanto o amigo entende que ele se alegra em seus bens.

### Termo 38

#### Príamo

Que Príamo, como se narra, perdeu miseravelmente todas as coisas no fim da vida.

### Termo 39

#### O rebento

Que ao rebento se assemelham os acidentes.

### Termo 40

#### A aproximação

Que é aproximadamente o mesmo o matemático aceitar quem persuade e o retórico exigir demonstrações.

### Termo 41

#### O princípio

Que, dos princípios, uns são contemplados por indução, outros pelo sentido e outros por certo costume.

Que o princípio parece ser mais do que a metade do todo e que por ele muitas coisas se tornam manifestas.

Que os princípios devem ser mais conhecidos do que a conclusão; de outro modo, a ciência seria possuída por acidente.

Que os princípios não podem ser demonstrados.

Que, no princípio, deve-se atentar para aquele de quem alguém recebe benefício e quais benefícios recebe.

### Termo 42

#### Pitágoras

Que Pitágoras, quando ensinava algo, ordenava que o discípulo o honrasse em retribuição na medida em que estimava ser digna a coisa que dele havia aprendido.

### Termo 43

#### Agradar

Que muitos dificilmente podem agradar muito à mesma pessoa, por causa da dessemelhança de costumes, e talvez nem sequer fosse algo bom.

### Termo 44

#### A prudência

Que a prudência não é ciência, nem arte, nem opinião, porque a ciência é das coisas necessárias, a opinião das contingentes e a arte acerca do que é factível.

Que a prudência é um hábito verdadeiro, acompanhado de razão, ativo acerca dos bens e dos males do homem.

Que a prudência está na parte opinativa.

Que a prudência não é a mais elevada nem versa sobre as coisas mais honoráveis, porque é acerca das coisas humanas.

Que a prudência não é somente das coisas universais, mas também das particulares.

Que a prudência deve ter dois conhecimentos, o universal e o particular, e mais ainda o particular.

Que a prudência parece ser aquela que se ocupa consigo mesmo e com o indivíduo.

Que a prudência não existe sem a econômica e a urbanidade.

Que a prudência versa sobre o particular último, do qual não há intelecto nem ciência.

Que a prudência é preceptiva; o que se deve ou não fazer, este é o seu fim.

Que a prudência não pode existir sem a virtude moral.

Que necessitamos da prudência mesmo que ela nada fizesse quanto à ação, pois é uma virtude que aperfeiçoa uma parte da alma.

### Termo 45

#### O prudente

Que é próprio do prudente poder deliberar bem acerca do que lhe é útil, não quanto a uma parte, mas quanto ao bem viver por inteiro.

Que são prudentes os que podem considerar bem os bens para si e para os outros, como Péricles, que foi muito perito nas deliberações.

Que o prudente é aquele que considera bem cada uma das coisas que lhe dizem respeito.

Que ninguém é prudente a menos que seja continente.

Que o prudente e o homem divino às vezes são chamados incontinentes.

Que o prudente é o mais forte acerca das coisas operáveis.

### Termo 46

#### As partes da alma

Que as partes da alma são tanto a que possui razão quanto a irracional.

### Termo 47

#### A razão prática

Que a razão prática é regida pelo intelecto factivo.

### Termo 48

#### Aquele que erra

Que aquele que erra voluntariamente na arte é mais preferível do que aquele que erra por injustiça; o contrário se dá com a prudência.

### Termo 49

#### O erro

Que o erro pode ocorrer no universal e no particular; ele dá o exemplo da água pesada.

### Termo 50

#### Os políticos

Que os políticos são como que os que se ocupam de muitos negócios.

### Termo 51

#### Os precipitados

Que os precipitados não deliberam antes; mas, se a razão for fortalecida pela deliberação, não são conduzidos pela paixão, assim como os que se excitam antes não são estimulados por outros.

Que a precipitação e a fraqueza são modos da incontinência.

### Termo 52

#### Pior

Que é pior se alguém que não deseja ou está tranquilo pratica algo torpe do que se o faz desejando veementemente, e é pior ferir sem estar irado do que estando irado.

### Termo 53

#### O perseverante

Que se diz perseverante aquele que vence as tristezas pelas quais muitos são vencidos.

### Termo 54

#### Fálaris

Que Fálaris foi um homem nefando que prendia os homens ao seu leito e, aos que encontrava maiores, decapitava.

### Termo 55

#### O particular

Que o particular não possui tanta ciência quanto o universal, e por isso corrompe-se mais no particular; por isso parece ser verdadeiro o que Sócrates indagava, que ao que sabe não sucede errar, pois o universal não está presente.

### Termo 56

#### A punição

Que a punição aquieta o ímpeto da ira, produzindo deleite em lugar da tristeza.

Que punir é mais humano do que perdoar.

### Termo 57

#### As contendas

Que as contendas e as acusações provêm disto: de se dar aos iguais coisas desiguais e aos desiguais coisas iguais.

### Termo 58

#### Potência e ciência

Que a potência e a ciência parecem referir-se aos contrários, mas o hábito não; assim, da saúde não procedem coisas contrárias, mas somente coisas sadias.

### Termo 59

#### O penhor

Que, se alguém restitui o penhor não de bom grado, mas por temor, não se deve dizer que age com justiça.

### Termo 60

#### Nada sofre contra a vontade

Que nada se sofre contra a vontade.

# Capítulo 15

### Termo 1

#### Razão

Que uma só e mesma razão há no homem e no homem por si, a qual é a razão do homem.

Que a razão operativa é o que há de melhor no homem e o que lhe é próprio; e segundo isto lhe cabe a obra própria que é a felicidade.

Que a reta razão impele ao que é ótimo.

Que nas forças inferiores há algo inato que se opõe à razão e a contradiz.

Que aquilo que possui razão é duplo: de um modo, em si mesmo; de outro, ao modo de algo que obedece, como quem obedece ao pai.

Que a razão é o que há de melhor no homem, e se corrompe pela incontinência bestial.

### Termo 2

#### O sacudido pela sorte

Que os que dizem ser feliz aquele que é sacudido por grandes infortúnios, ainda que bom e virtuoso, nada dizem.

### Termo 3

#### As coisas repentinas

Que as coisas repentinas não procedem de escolha.

### Termo 4

#### O ridículo

Que é ridículo lançar a culpa sobre as coisas exteriores, e não sobre si mesmo, que se deixa facilmente capturar.

### Termo 5

#### A diligência nos cálculos

Que a diligência nos cálculos é mesquinha.

### Termo 6

#### A régua

Que a régua da construção de Lesbos é de chumbo, a qual se transmuda segundo a figura da pedra e não permanece fixa; e assim a sentença se ajusta às coisas.

### Termo 7

#### O rei

Que o rei visa o proveito dos súditos, pois não é rei quem não é suficiente por si e não sobressai a todos em todos os bens.

Que o rei tem cuidado dos súditos para que ajam bem, assim como o pastor das ovelhas.

### Termo 8

#### O reino

Que o reino, entre todas as espécies de governo, é o melhor e o ótimo, mas a democracia é o pior.

### Termo 9

#### O governo da casa

Que o governo da casa, que se dá entre o marido e a esposa, se assemelha à aristocracia.

### Termo 10

#### O repouso

Que o repouso não é um fim; pois se dá em vista da operação.

### Termo 11

#### A retribuição

Pergunta-se segundo que medida se deva fazer a retribuição na amizade útil.

Que a retribuição deve ser medida segundo a utilidade de quem recebe, isto é, que deve tanto auxílio quanto recebeu, ou mais, o que é melhor.

Que, quando por parte de ambos os amigos se retribui não aquilo que se pedia, mas outra coisa, isso é o mesmo que se nada lhe fosse retribuído; o exemplo do citarista, ao qual não se retribui o que deseja.

Que não se devem retribuir todas as coisas do mesmo modo a todos, nem tampouco ao pai se oferece tudo, assim como nem a Júpiter se sacrifica tudo.

O que se deve retribuir a todos, a saber, aos pais, aos sábios, aos anciãos, aos governantes e aos amigos.

### Termo 12

#### Retribuição

Que a retribuição nas relações de troca, a qual é segundo a proporcionalidade, se faz segundo a conjunção da diagonal.

Que a retribuição pelos dons concedidos sem pacto se faz conforme o determina quem recebe.

Que nas retribuições se deve sempre inclinar para aquilo que ultrapassa.

# Capítulo 16

### Termo 1

#### Espeusipo

Que Espeusipo parece seguir mais os pitagóricos do que Platão na posição dos princípios matemáticos.

### Termo 2

#### Ciência

Que todas as ciências, ao desejar algum bem e ao investigar aquilo de que carecem, deixam de lado o conhecimento do próprio universal; e, ainda que todos os artífices ignorem tal auxílio e nem sequer o investiguem, isso não é bem racional.

Que a ciência é um conhecimento certo e se ocupa das coisas necessárias que são não geradas.

Que a ciência é um hábito demonstrativo causado pela demonstração e por quaisquer outras causas expostas nos *Analíticos.*

Que à ciência não pertence a retidão.

Que nada é melhor do que a ciência, é manifesto.

Que a ciência é dupla: em hábito e em ato.

Sobre a ciência estabelece três divisões: em hábito e em ato, em universal e em particular, e em hábito ligado e não ligado.

### Termo 3

#### O sábio

Que o sábio, como disse Sócrates, não é arrastado pelas paixões.

### Termo 4

#### Sono

Que no sono de modo algum se manifestam os bons e os maus, porque, como dizem os homens, durante metade da vida em nada diferem os felizes dos miseráveis.

Que o sono é o repouso da alma no que ela tem de estudiosa e de perversa.

### Termo 5

#### O soberbo

Que o soberbo e o que finge coragem se assemelham ao audaz, porque agem diante das coisas terríveis; mas não as suportam, razão pela qual muitos deles são temerosos.

### Termo 6

#### Saúde

Que a saúde admite o mais e o menos, visto que não há uma só medida de saúde em todos os homens.

### Termo 7

#### Sofistas

Que os sofistas, para parecerem sábios, querem argumentar coisas inopináveis.

Que alguns sofistas prometem ensinar a política, os quais, contudo, não agem segundo ela; mas antes praticam certas coisas políticas ao conviverem na vida civil, os quais parecerão fazer isso por certa capacidade e por experiência, mais do que por uma operação intelectual.

Que os sofistas, se fossem políticos, seria racional que agissem na vida civil e que formassem amigos, ou filhos, ou quaisquer outros como políticos, porque não poderiam deixar às cidades nada de melhor do que fazê-los políticos, nem a si mesmos do que agir politicamente.

Que os sofistas parecem estar muito longe não só do exercício, mas também da ciência da doutrina política, porque não sabem qual seja a ciência política nem sobre quantas coisas ela se considera.

Que os sofistas afirmavam ser a política o mesmo que a retórica.

Que os sofistas não cumprem o que prometem e por isso são convenientemente acusados.

### Termo 8

#### Discursos

Que, se os discursos que concordam nas coisas operáveis concordam com as obras, deve-se assentir a eles; mas, se discordam, devem ser recebidos apenas como coisas leves que ressoam no ar.

Que os discursos nesta ciência não bastam para conduzir a este fim, isto é, para tornar os homens estudiosos, porque, se fossem suficientes, então aqueles que os ensinam seriam dignos de grande remuneração.

Que os discursos morais exortatórios, ainda que provoquem o jovem liberal ao bem e o tornem de fato amante do bem pela virtude, contudo, quanto a muitos que não nasceram para obedecer ao pudor, mas ao temor e à pena, porque, ao perseguirem os próprios prazeres como um bem em si, não podem ser transmutados para o bem.

Que o discurso e a doutrina por si sós não bastam para tornar os homens estudiosos, porque os que vivem segundo as próprias paixões não podem ser persuadidos; e por isso é preciso que a alma esteja preparada para se alegrar nos bens e odiar os males pelo costume, assim como a terra não nutre bem a semente, a não ser que seja bem cultivada.

### Termo 9

#### Discursos

Que os discursos devem ser buscados segundo a matéria.

Que o discurso particular sobre as coisas operáveis carece de certeza e não recai sob a arte.

Que os discursos universais são mais comuns, mas os particulares são mais verdadeiros.

Que os discursos sobre as paixões e as ações são menos dignos de crédito do que as obras.

Que os discursos verdadeiros são utilíssimos não somente para o saber, mas também para a vida, pois, sendo conformes às obras de quem os pronuncia, merecem crédito e incitam os que os entendem a viver segundo eles mesmos.

Que os discursos de Eudoxo eram acreditados mais por causa da virtude de seu caráter do que por si mesmos.

### Termo 10

#### Sinal

Que o sinal do hábito gerado deve produzir prazer ou tristeza que sobrevêm na obra.

### Termo 11

#### Saber

Que o saber para as virtudes pouco ou nada pode.

### Termo 12

#### Seis

Que seis é o meio segundo a coisa, pois excede e é excedido igualmente; e isto segundo a proporção aritmética.

### Termo 13

#### Superfluidade

Que a superfluidade e o defeito corrompem, ao passo que o meio conserva.

### Termo 14

#### Superabundâncias

Que das superabundâncias e dos defeitos não há meio, porque então haveria uma superabundância da superabundância e um defeito do defeito.

### Termo 15

#### Os anciãos

De que modo os anciãos do povo se portavam em relação a Helena.

Que os anciãos e os severos não são inclinados a amar, pois é pouco o que neles há de deleite; com efeito, ninguém pode conviver durante o dia com alguém triste ou não deleitável, porque a natureza foge do triste e apetece o deleitável.

Que os anciãos e os severos tanto menos se tornam amigos quanto mais são intratáveis e menos se alegram com as conversas; pois estas coisas parecem ser sobretudo amigáveis e produtoras de amizade; e por isso os jovens, que estão muito nas alegrias, logo se tornam amigos, mas os anciãos não, nem os severos.

Que devemos honra aos anciãos, levantando-nos e inclinando-nos.

### Termo 16

#### Sentir

Que sentir e entender são deleitáveis, pois todo aquele que vê e ouve e entende sente e percebe que faz isto; ora, quem sente que sente, sente que vive e que é; e ser e viver são o que há de mais deleitável, pois viver é um bem por si mesmo.

### Termo 17

#### As coisas sensíveis

Que as coisas sensíveis não podem ser determinadas facilmente, porque o juízo sobre elas está no sentido.

### Termo 18

#### Para os sadios

Que para os sadios de corpo são sadias aquelas coisas que são absolutamente sadias, mas para os enfermos outras coisas.

### Termo 19

#### O virtuoso

Que o virtuoso, querendo, não pratica coisas más.

### Termo 20

#### Ciência

Que a ciência parece ser a mesma dos contrários.

### Termo 21

#### Sólon

Que Sólon disse: para que se seja feliz, é preciso considerar o fim.

Que Sólon disse que aqueles que possuem moderadamente os bens exteriores podem agir segundo a virtude que é preciso.

### Termo 22

#### Sabedoria

Que a sabedoria é a mais certa das ciências.

Que a sabedoria é universal, e não é algo particular, como disse Homero no *Margites.*

Que a sabedoria é a cabeça das ciências e por isso versa sobre as coisas mais honoráveis.

Que a sabedoria não versa sobre as coisas úteis, pois assim haveria muitas sabedorias.

Que a sabedoria nada especula a partir do que o homem se tornará feliz.

Que a sabedoria, sendo parte da virtude total, torna feliz no possuí-la e no operar.

Que a sabedoria é mais digna do que a prudência, como mostra pela razão e pelo exemplo.

### Termo 23

#### O sábio

Que ninguém é sábio por natureza.

Que o sábio especulativo, salvo as coisas necessárias à vida das quais todos precisam e das quais ele se contenta com pouco, é por si mesmo o mais autossuficiente para especular, ainda que para o seu bem-estar seja útil a companhia dos que filosofam com ele.

Que ao sábio pertence tudo o que foi dito acerca do homem feliz e contemplativo, e por isso será o mais amado por Deus e feliz segundo a sua operação.

### Termo 24

#### Especular

Que especular por vezes prejudica a saúde.

Que o que especula não tem necessidade de nenhuma dessas coisas, isto é, das exteriores, para a operação, mas elas são impedimentos à especulação; porém, enquanto é homem e vive com muitos, terá necessidade de tais coisas para conviver humanamente.

### Termo 25

#### Especulação

Que a especulação humana, que é a mais feliz, é a mais afim e a mais semelhante à divina, a qual por sua eminência difere de todas.

Que até onde se estende a especulação, estende-se também a felicidade; e aqueles que mais especulam são também mais felizes, não por acidente, mas segundo a especulação.

### Termo 26

#### O sentido

Que não adquirimos os sentidos por ver e ouvir muitas vezes, mas, ao contrário, tendo-os deles nos servimos.

Que nada difere dizer que o sentido opera ou que opera aquilo em que está o sentido, isto é, o animal.

Que o sentido não é ato dominativo.

### Termo 27

#### O científico

Sobre o científico e o raciocinativo.

### Termo 28

#### A suspeita

Que a suspeita e a opinião não são virtudes.

### Termo 29

#### A sínese

Que a sínese versa sobre aquilo de que alguém duvida e delibera; e por isso é acerca das mesmas coisas que a prudência.

Que a sínese apenas julga.

### Termo 30

#### Os anciãos

Que os anciãos, os experientes e os prudentes, por terem visão límpida, veem eficazmente pela experiência os princípios das coisas operáveis que os outros não veem.

### Termo 31

#### Saber

Que o saber não torna mais operativo.

### Termo 32

#### Sócrates

Que Sócrates dizia que todas as virtudes são prudências, e nisto errava; mas, ao dizer que não existem sem prudência, nisto dizia bem.

### Termo 33

#### O silogismo

Que no silogismo do continente e do incontinente é preciso que haja quatro proposições.

### Termo 34

#### Sátiro

Que Sátiro, que foi cognominado Filópator, superabundou no amor ao pai a tal ponto que parecia delirar.

### Termo 35

#### Superabundância

Que as superabundâncias dos prazeres naturalmente desejáveis são más e devem ser evitadas.

Que as superabundâncias de malícia ou de insensatez da natureza humana não são malícias absolutamente, mas bestiais ou mórbidas.

### Termo 36

#### Absolutamente

Que absolutamente é o que é por si, e sob certo aspecto o que é por acidente.

### Termo 37

#### Espécies de comportamentos

Que as espécies de comportamentos a serem evitados são três: a malícia, a incontinência e a bestialidade.

# Capítulo 17

### Termo 1

#### Temperança

Que a temperança e a fortaleza parecem ser virtudes das partes irracionais.

Que a temperança não se refere aos prazeres da visão, da audição e do olfato senão por acidente, na medida em que por eles se faz a recordação dos alimentos concupiscíveis.

Que o temperante deseja moderadamente os prazeres, tudo o que conduz à saúde e à boa disposição, conforme a razão dita.

Que o temperante deseja o que é preciso, como é preciso, e apenas o quanto a razão ordena.

Que a temperança é um meio-termo referente aos prazeres e às tristezas, mas não a todos, e sim aos que se referem ao tato, e menos às tristezas.

Que a temperança e a intemperança se referem ao odor por acidente, isto é, na medida em que por eles se lhe representam os alimentos nos quais por si se deleita.

Que a temperança e a intemperança não se referem a todas as partes do corpo, mas somente às que dizem respeito ao alimento e aos prazeres sexuais.

### Termo 2

#### O temperante

Que o temperante se comporta de modo intermediário, pois não se deleita desordenadamente nos prazeres, mas antes se entristece, nem se entristece na ausência deles, nem os deseja, mas deseja certas coisas com medida e não mais do que é preciso.

Que nos tornamos temperantes pelo afastamento dos prazeres, e, uma vez tornados tais, podemos afastar-nos deles ao máximo.

Que todo temperante é continente, mas não o contrário.

Que o temperante e o continente são o mesmo.

### Termo 3

#### Temor

Que o temor é a expectativa de um mal; e ilustra-o com muitos exemplos.

Que o temor entristece e estupefaz.

Que no temor o universal é mais voluntário do que o particular, pois o universal é sem tristeza, ao passo que o particular, por causa da tristeza, estupefaz, como suportar a morte.

Que no temor as coisas singulares parecem ser violentas.

Que quem nada teme, nem terremoto nem inundações, não tem nome; mas pode ser dito insano, como se diz dos celtas, que são estúpidos.

### Termo 4

#### O covarde

Que o covarde é aquele que no temer excede, e teme o que não é preciso e como não é preciso; e tal se denomina mais pela superabundância de temor do que pela falta de audácia.

### Termo 5

#### O terrível

Que há algo terrível que está acima do homem, e que é temido por todo aquele que tem inteligência, e algo segundo o homem, proporcionado a ele, e difere segundo o mais e o menos.

### Termo 6

#### O tirano

Que os tiranos não são ditos pródigos, pois a multidão não suporta facilmente que se dê com superabundância.

Que o tirano visa o proveito de si mesmo; o rei, porém, o dos súditos.

Que a tirania é a pior, é manifesto na medida em que é oposta à melhor.

Que a tirania é a corrupção da monarquia.

Que na tirania, que é a pior, nada ou pouca amizade há, pois nada há de comum entre o que impera e o que é imperado.

Que o tirano se comporta com o súdito como o senhor com o servo, e a alma com o corpo, e o artífice com o instrumento, pois todos os que são desse modo se servem de tais coisas em vista de sua própria utilidade.

Que os tiranos aprovam sobretudo os espirituosos, que se tornam para eles agradáveis naquilo que desejam.

Que não chamamos os tiranos de mesquinhos, mas antes de perniciosos, ímpios e injustos, como quando desolam cidades e saqueiam coisas sagradas.

### Termo 7

#### O comandante de trirreme

Que não há o mesmo gasto para o comandante de trirreme e para quem convoca uma assembleia sagrada.

### Termo 8

#### Tristeza

Que todos fogem da tristeza, não apenas da que é excessiva, mas universalmente.

Que a tristeza é como um fardo pesado que, quanto mais pessoas o assumem, mais leve se torna de carregar; e assim é a presença deleitável do amigo.

Que não se segue, se a tristeza é um mal, que o deleite a ela oposto seja um bem, pois acontece de opor-se tanto um mal a um mal como ambos àquilo que não é nem um nem outro; e esta é a objeção de Platão, e o Filósofo diz que ela nada contribui ao propósito, ainda que diga a verdade.

Que Platão diz que a tristeza é uma falta daquilo que é segundo a natureza, e o deleite, uma reposição; mas o Filósofo o exclui, porque a reposição é uma paixão do corpo, ao qual não compete deleitar-se.

### Termo 9

#### Triste

Que o que é triste alguém pode suportar por pouco tempo, mas continuamente ninguém, ainda que lhe fosse bom.

### Termo 10

#### Timocracia

Que da timocracia advém a corrupção em democracia, pois estas são limítrofes.

### Termo 11

#### Transgressão

Que nas transgressões, assim como há pouco de justo, assim há pouco de amizade.

# Capítulo 18

### Termo 1

#### Vida

Que muitos escolhem a vida voluptuosa, porque creem que o prazer é o sumo bem.

Que há três vidas em máximo grau excelentes: a voluptuosa, a civil e a contemplativa.

Que os que escolhem a vida voluptuosa, isto é, o prazer, parecem ser bestiais.

Que a vida dos felizes é deleitável por si mesma.

Que na vida ocorrem muitas mudanças e fortunas de todo tipo, e que acontece sobretudo que aquele que agora abunda venha a cair em máximas calamidades na velhice, como se narra de Príamo.

Que a vida do virtuoso não seria deleitável, mas mísera, se as suas operações não fossem deleitáveis.

Que a vida do feliz é deleitável por si, não necessitando de um deleite exterior sobreacrescentado.

Que a vida do solitário é difícil.

Que a vida do justo e do bem-aventurado é beatíssima, e para estes a vida é mais preferível.

Que a vida segundo a natureza é um bem deleitável e preferível, e sobretudo a vida dos bons, que se deleitam nisto: em perceber ao mesmo tempo, enquanto operam aquilo que é bom por si.

Que a vida é uma certa operação.

Que a vida que é segundo a felicidade contemplativa é melhor do que a vida que é segundo o homem, na medida em que o homem (homo) recebe seu nome do solo (humus).

Que a vida bem-aventurada está nos homens tanto quanto eles têm de semelhança com a operação intelectual.

### Termo 2

#### Viver

Que o viver e o sentir se determinam nos animais pela potência do sentido, nos homens pelo sentido e pelo intelecto; ora, a potência se reduz à operação.

Que o viver, por ser como que algo determinado, segundo a posição de Pitágoras, é naturalmente bom.

Que todos apetecem o viver.

Que cada um deve escolher o seu próprio viver mais do que o de outro; ora, o viver próprio do homem mesmo é segundo o que nele há de ótimo, isto é, o intelecto, pois isto é sobretudo o homem.

### Termo 3

#### Virtude

Que a virtude é melhor do que a honra, e é mais racional estimar que ela seja o sumo bem.

Que a virtude está no homem quando ele dorme e nada opera, e quando suporta muitos males e infortúnios.

Que escolhemos a virtude por si mesma e as demais coisas por causa da virtude.

Que cada coisa se aperfeiçoa segundo a sua própria virtude.

Que dizemos que umas dentre as virtudes são intelectuais e outras, morais.

Que aquilo que é segundo a virtude é deleitável e não triste, ou minimamente triste.

Que é virtude entristecer-se e deleitar-se com aquilo que é preciso e como é preciso.

Que a virtude moral se gera a partir do costume, do qual também recebe o nome, e pouco se afasta dele.

Que as virtudes morais não estão em nós por natureza nem para além da natureza, mas é inato em nós recebê-las, e sermos aperfeiçoados pela habituação.

Que toda virtude se produz e se corrompe a partir das mesmas coisas.

Que as virtudes se corrompem pelas operações que são segundo o excesso e o defeito e se preservam pelo meio-termo; e apresenta um exemplo sobre a fortaleza e a saúde.

Que a virtude moral versa sobre os prazeres e as tristezas.

Que as virtudes são certas impassibilidades e quietudes, segundo Plotino.

Que a virtude é operativa do que há de melhor a respeito dos prazeres e das tristezas.

Que, para a virtude, escolher e agir firmemente não pode pouco, mas tudo, pois é por praticar muitas vezes atos justos e temperados que se chega a ela.

Que alguns, filosofando pela razão acerca da virtude, querem tornar-se virtuosos, e tais assemelham-se aos doentes que ouvem o conselho do médico e nada fazem daquilo que ele prescreve.

Pergunta-se o que é a virtude.

Que somos louvados segundo as virtudes e censurados segundo os vícios.

Que segundo as virtudes não somos movidos, mas dispostos com a devida perfeição.

Que as virtudes não são potências; pois nem somos ditos bons por causa da capacidade de padecer, nem somos louvados nem censurados por isso.

Que as virtudes segundo as quais somos bons não provêm da natureza.

Que as virtudes são hábitos.

Pergunta-se qual hábito é a virtude quanto à espécie.

Que a virtude aperfeiçoa quem a possui e torna bom o seu ato; e exemplifica.

Que a virtude do homem é o hábito pelo qual o homem se torna bom e pelo qual é bom o seu ato.

Que a virtude é mais certa e melhor do que toda arte.

Que a virtude é a que visa o meio-termo; e esta é a virtude moral.

Que a virtude moral versa sobre as paixões e as operações nas quais o excesso é vicioso e o defeito é censurado, ao passo que o meio-termo é louvado.

Que a virtude é uma certa mediania.

Que a virtude é um hábito eletivo que consiste numa mediania relativa a nós, determinada pela razão e tal como certamente a determinará o sábio.

Que a virtude consiste em encontrar o meio-termo.

Que a virtude é a mediania entre dois vícios.

Que a virtude moral versa sobre as paixões e as operações.

Que a virtude não é mais voluntária do que o vício.

Que as virtudes são medianias, o que pertence ao gênero próximo, e que são hábitos, o que pertence ao gênero remoto, e existem em nós voluntariamente e seguem o juízo da reta razão.

Que é mais próprio da virtude fazer o bem do que receber o bem.

Que não é a mesma a virtude da posse e a da operação.

Que para a virtude perfeita não há honra digna como prêmio suficiente.

Que sem virtude não é fácil suportar as boas fortunas, porque por causa das riquezas tais homens tornam-se viciosos, desprezando os outros.

Que a virtude que versa sobre as honras parece ser indefinida e seus extremos, duvidosos.

Que a virtude que se dá nas conversas e nos convívios não tem nome próprio; parece, porém, assemelhar-se à amizade.

Que as virtudes da alma são morais e intelectuais.

Que a virtude é o melhor hábito pelo qual algo se aperfeiçoa para a obra.

Que a virtude moral é um hábito eletivo.

Que as virtudes intelectuais são cinco: a arte, a ciência, a prudência, a sabedoria e o intelecto.

Se as virtudes intelectuais são úteis ao homem.

Que as virtudes morais fazem o homem bom.

Que as virtudes intelectuais são desejáveis por si mesmas.

Que a virtude moral torna reta a escolha.

Que a operação da virtude e a felicidade não são qualidades.

Que nas virtudes se dá o mais e o menos; pois há homens mais justos e mais fortes, e é possível agir de modo justo e temperado em maior e menor grau.

Que a virtude e o virtuoso são a medida de todas as coisas humanas.

Que a virtude moral necessita de bens exteriores para a sua operação, pois o liberal precisará de dinheiro para praticar atos liberais, e o justo, para pagar o que deve; pois a vontade não basta, uma vez que os injustos fingem querer agir com justiça.

Que a virtude é duradoura.

Que a virtude e o homem virtuoso parecem ser a medida para cada um.

Que é o mais principal na virtude moral, se a escolha ou a ação exterior.

### Termo 4

#### O virtuoso

Que no virtuoso tudo está em consonância com a razão.

Que o virtuoso concorda consigo mesmo e deseja as mesmas coisas e quer para si mesmo os bens aparentes e os realiza, porque é próprio do bom empenhar-se pelo bem, e isso por causa de si mesmo.

Que o virtuoso não se arrepende.

Que o virtuoso se comporta em relação ao amigo como em relação a si mesmo.

Que o virtuoso é o que mais é filauto, isto é, o que mais ama a si mesmo, porque atribui a si mesmo as coisas ótimas e concede o máximo àquilo que é mais principal, isto é, ao intelecto, ao qual as demais coisas obedecem, assim como a cidade parece ser sobretudo aquilo que nela é mais principal.

Que o virtuoso dista daquele amante que é censurado tanto quanto dista o viver segundo a paixão do viver segundo a razão, e tanto quanto dista o apetecer o bem absolutamente do apetecer o que parece ser conveniente.

Que o virtuoso é louvado e acolhido por todos; de suas obras provêm bens para todos; e por isso é sobretudo filauto.

Que o virtuoso e o epieikes obedecem ao intelecto.

Que o virtuoso se dirige acerca de todas as coisas elegíveis, que são três: o honesto, o útil e o deleitável; e o mau peca nisso.

Que o virtuoso é a regra e a medida dos bens.

Que o virtuoso faz muitas coisas por amor dos amigos e da pátria; pois desprezará as riquezas, as honras e, em suma, os bens disputados, procurando para si os bens, isto é, as obras das virtudes.

Que o virtuoso prefere deleitar-se intensamente por pouco tempo nas obras virtuosas a deleitar-se por muito tempo em pequenas obras, ainda que das virtudes, e prefere também uma só ação boa, como quem morre, a muitas e pequenas, isto é, vivendo.

Que o virtuoso concede ao amigo as ações das virtudes e o faz operar as obras das virtudes.

Que o virtuoso, em todas as coisas máximas em bondade e louváveis, parece atribuir mais a si mesmo, e assim é preciso que ele seja filauto.

Que o virtuoso ou estudioso é ao mesmo tempo deleitável e útil; mas tal homem não se torna amigo de quem é superexcelente em poder, a não ser que o superexcelente em poder seja por ele superado em virtude; mas tais coisas não costumam de todo acontecer.

Que ser virtuoso é difícil.

### Termo 5

#### Marido

Que o principado do marido em relação à esposa parece ser uma aristocracia; pois, segundo aquilo que convém ao marido, o marido governa e deixa à esposa o que a ela é conveniente.

Que o marido que quer dominar em tudo e não deixar nenhum domínio à esposa transpõe o seu regime em oligarquia.

Que as obras do marido e da esposa, postas em comum, bastam-lhes reciprocamente.

Que o marido e a esposa se unem principalmente por causa dos filhos, e, quando são estéreis, mais rapidamente se separam.

Que as esposas às vezes governam, sendo herdeiras, e tais principados não se dão segundo a virtude, mas por causa das riquezas e do poder, como nas oligarquias.

### Termo 6

#### Uso

Que o uso torna forte, e de modo semelhante nas virtudes da alma.

### Termo 7

#### Vergonha

Que a vergonha não convém a toda idade, mas à juvenil; pois estes precisam ser envergonhados, porque neles há muitos pecados por causa do ímpeto das paixões, mas são refreados pela vergonha; e louvamos os jovens envergonhados, ao passo que nenhum velho é louvável por ser envergonhável.

Que a vergonha não pertence ao estudioso, visto que só existe acerca das coisas más, que o estudioso não pratica.

Que a vergonha, por suposição, será do estudioso, porque, se ele praticasse coisas torpes, se envergonharia de modo estudioso e louvável; mas isso não ocorre nas virtudes, que sejam louvadas por alguma suposição, mas por si mesmas.

Que o envergonhado é louvado como meio-termo, ao passo que o que excede é kataplex, e o deficiente é o sem-vergonha, que de modo algum se envergonha.

Que a vergonha se assemelha mais a uma paixão do que a um hábito.

Que a vergonha é um certo temor da desonra.

Que a vergonha se realiza por certa alteração do corpo; pois os envergonhados enrubescem, ao passo que os que temem a morte empalidecem.

### Termo 8

#### Cada um

Que se diz que cada um faz sobretudo aquilo que faz o intelecto, porque cada um é o intelecto ou é sobretudo o intelecto.

### Termo 9

#### Vontade

Que a vontade do legislador é tornar bons os cidadãos pelo costume.

Que a vontade é das coisas impossíveis, por exemplo, das imortais.

Que a vontade se refere àquilo que de modo algum foi realizado por ela mesma, por exemplo, que algum hipócrita vença. Que a vontade é do fim, por exemplo, queremos a saúde.

Que a vontade parece a alguns ser do bem por si, a outros, do bem aparente.

Que, se a vontade é do bem por si, sucede que o mal seja bem; e, se for somente do bem aparente, os contrários serão objeto de uma só potência.

Que a vontade é das coisas torpes e das boas.

### Termo 10

#### O querível

Que o querível é o bem absolutamente, que abstrai de qualquer diferença do bem.

### Termo 11

#### O voluntário

Que os louvores e os vitupérios são voluntários.

Que talvez seja necessário determinar o que é voluntário e o involuntário para os que se dedicam ao estudo da virtude.

Que é voluntário aquilo cujo princípio está no agente que move organicamente.

Que é voluntário aquilo cujo princípio está naquele mesmo que conhece as circunstâncias singulares e aquelas em que se dá a ação.

Que o voluntário se estende a mais do que a escolha, pois do voluntário participam as crianças e os demais animais, mas não da escolha.

Que é voluntário aquilo que alguém realiza dentre as coisas que estão em seu poder, sabendo e não ignorando nem quem, nem por que meio, nem em vista de quê.

Que não são voluntárias todas as coisas que fazemos sabendo, pois muitas das coisas existentes por natureza tanto fazemos quanto padecemos sabendo, e nenhuma delas é voluntária nem involuntária, como envelhecer ou morrer.

Que, dentre as coisas voluntárias, umas realizamos por prévia escolha, outras sem prévia escolha.

Que, para aquelas coisas que não são voluntárias nem estão em nosso poder, ninguém incita a agir, por exemplo, a não se aquecer, ou a sofrer dor, ou a ter fome, ou qualquer outra coisa semelhante.

### Termo 12

#### As coisas feitas sob violência

Que tudo o que se faz sob violência se faz com tristeza.

Que é violento aquilo cujo princípio é de tal modo que nada contribui para ele quem padece ou quem age.

### Termo 13

#### O homem veraz

Que o homem veraz, mantendo-se no meio, dizendo a verdade e fugindo da mentira, é digno de louvor.

Que é veraz aquele que, no discurso e na vida, diz a verdade, por ser tal segundo o hábito; e tal homem é temperante e moderado.

### Termo 14

#### O que diz a verdade

Sobre os que dizem a verdade e os que dizem a falsidade, os quais se comportam de modo semelhante nos discursos e nas ações, e sobre a simulação.

### Termo 15

#### O de pouco valor

Que a veste dos lacedemônios era de pouco valor, e por isso queriam mostrar sua abstinência, e tal atitude parece jactância.

### Termo 16

#### O vendedor

Que o vendedor de cominho e todo aquele assim chamado recebe o nome do excesso daquilo que consiste em nada dar a ninguém.

### Termo 17

#### O perdão

Que se concede o perdão àqueles que realizam algo torpe por causa de perigos que ultrapassam a vida humana.

### Termo 18

#### A verdade

Que a verdade é uma mediania acerca do verdadeiro; aquele que excede é o jactancioso, e aquele que fica aquém é o dissimulado.

Que a verdade é obra de ambas as partes intelectivas.

Que dizer a verdade não basta, mas é preciso indicar a causa do falso; pois isto contribui para a convicção.

### Termo 19

#### O verdadeiro e o falso

Que o verdadeiro e o falso são obra da mente especulativa.

### Termo 20

#### O universal

Que o universal provém dos singulares, dos quais é preciso ter a percepção sensível.

### Termo 21

#### O censurável

Que, nos prazeres por natureza dignos de escolha e nos intermediários, o censurável não é simplesmente desejar e ser afetado, mas amar de modo excessivo, como Níobe rebelde.

### Termo 22

#### Sobre a víbora

Sobre a víbora pela qual foi picado Teodecto.

### Termo 23

#### O último

Que o que é último na resolução é primeiro na geração.

### Termo 24

#### Os viris

Que os viris se envergonham, isto é, evitam, que os amigos se entristeçam com eles, e, se a tristeza não for tão grande que ultrapasse suas forças, de modo algum suportam que se compadeçam deles, pois, como eles próprios não são dados ao pranto, não se comprazem em que alguém se lamente com eles; mas os homens efeminados alegram-se com que alguns sejam igualmente afligidos pela tristeza; tais homens, porém, não se devem imitar, mas sim o viril.

### Termo 25

#### Visão

Que, segundo a visão, é sumamente deleitável a presença do amigo, assim como, entre os amantes, ver é o que há de mais deleitável, e os amantes preferem este sentido aos outros.

# Capítulo 19

##### Capítulos do livro da Ética

#### Inícios dos capítulos do livro 1

Toda arte e toda doutrina.

Digamos, porém, retomando.

Digamos, porém, de onde nos afastamos.

Voltemos, porém, novamente ao que se investiga.

Mas talvez a felicidade, na verdade.

Deve-se, portanto, examiná-la não somente a partir da conclusão.

Ademais, porém, talvez \[seja feliz\] menos, se este tem péssimos filhos.

Muitas, porém, \[são as\] mudanças.

Ocorrendo, porém, muitas coisas segundo a fortuna e diferindo entre si.

Determinadas, porém, estas coisas, examinemos a felicidade.

Se, porém, a felicidade é uma certa operação segundo a virtude.

#### Inícios dos capítulos do livro 2

Sendo, porém, dupla a virtude.

Visto que, portanto, o presente estudo.

Perguntará, porém, decerto alguém.

Depois disto, porém, deve-se examinar o que é a virtude.

Ademais, porém, também isto se tornará manifesto.

É preciso, porém, dizer não apenas universalmente.

Havendo, porém, três disposições.

#### Inícios dos capítulos do livro 3

Visto, pois, que a virtude diz respeito tanto às paixões quanto às operações.

É, porém, às vezes difícil julgar o quê em troca de quê.

Que, porém, aquilo \[que se faz\] por ignorância não é voluntário.

Havendo, porém, o involuntário.

Determinados, porém, o voluntário e o involuntário.

O que é, portanto, ou de que qualidade é.

Recorremos, porém, a conselheiros.

A vontade, porém, visto que se refere ao fim.

Sendo, pois, assim aquilo que pode ser querido.

Não somente, porém, os vícios da alma são voluntários.

Visto, pois, que há um meio-termo acerca dos temores.

Dizem-se, porém, também outras segundo cinco modos.

Acerca das audácias, porém, e dos temores.

Depois disto, falemos da temperança.

Parece, decerto, que também do paladar se usa pouco ou nada.

Quaisquer coisas, porém, que servem à saúde.

#### Inícios dos capítulos do livro 4

Falemos, porém, em seguida da liberalidade.

O pródigo, porém, também nestas coisas peca.

Parece, porém, decerto ser consequente.

A magnanimidade, porém, \[versa\] acerca das grandes coisas.

Parecerá, na verdade, portanto, a magnanimidade.

Não é, porém, mikrokindios.

Parece haver também uma certa virtude que diz respeito a isso.

A mansidão é uma mediania no que se refere às iras.

Nas conversas e no convívio.

Quase acerca das mesmas coisas está também a mediania da jactância.

Havendo também repouso na vida.

Não é possível falar do pudor como de uma certa virtude.

#### Inícios dos capítulos do livro 5

Deve-se voltar a atenção à justiça e à injustiça.

Parece que o injusto é também aquele que transgride a lei.

Buscamos, porém, aquela justiça que é parte da virtude.

Daquela justiça que é segundo a parte.

Resta, porém, uma justiça diretiva.

Parecerá a alguns que o justo, em sentido absoluto, consiste também no sofrer recíproco.

Determinadas essas coisas, é manifesto que a operação justa.

O justo dominativo.

Do justo político.

Havendo atos justos e injustos.

Alguém poderá levantar uma dúvida.

Além disso, há duas coisas que preferimos tratar.

Sobre a equidade e o equitativo.

Se é possível cometer injustiça contra si mesmo.

#### Inícios dos capítulos do livro 6

Visto que já dissemos antes.

Há certas coisas pelas quais a alma diz a verdade.

Sobre a prudência, tomemos as coisas deste modo.

Visto que a ciência é acerca dos universais.

A sabedoria, nas artes mais certas.

Será, portanto, uma certa espécie de conhecimento.

É preciso, porém, tomar em conta.

Existe também a sínese.

Alguém poderá levantar uma dúvida.

Deve-se novamente voltar a atenção.

#### Inícios dos capítulos do livro 7

Depois disto, deve-se falar, fazendo um novo começo.

Parece, na verdade, que a continência.

Primeiro, portanto, deve-se investigar.

Se há alguém absolutamente incontinente.

Visto que, das concupiscências.

Visto que a incontinência é também menos torpe.

Deve-se, porém, considerar as diferenças entre elas mesmas.

Acerca daquelas coisas que se dão pelo tato e pelo gosto.

Parece que também o amante da diversão é intemperante.

O intemperante é, como foi dito.

Se é continente aquele que de qualquer modo se atém à razão.

Visto que há também alguém tal que goza menos do que é preciso.

Sobre o prazer e a tristeza.

Visto que daí não se segue que não seja um bem.

Sobre os prazeres corporais.

#### Inícios dos capítulos do livro 8

Depois disto, e segue-se sobre a amizade.

Ora, não são poucas as dúvidas que se levantam a respeito dela.

Ora, estas diferem entre si.

Ora, aquela que se dá por causa do prazer tem semelhança com esta.

Ora, a amizade divide-se nestas espécies.

Ora, não é possível ser amigo de muitos segundo a amizade perfeita.

Ora, há outra espécie de amizade.

Ora, muitos parecem fazê-lo por amor à honra.

Ora, parece, tal como foi dito no princípio.

Ora, há três espécies de regime político.

Ora, segundo cada constituição civil.

Toda amizade, com efeito, consiste em uma comunhão.

Existindo, pois, três espécies de amizade.

Ora, surgem divergências naquelas amizades que se dão segundo a superioridade.

#### Inícios dos capítulos do livro 9

Ora, em todas as amizades de pessoas dessemelhantes.

Ora, também tais questões comportam dúvida.

Ora, há uma dúvida.

Ora, os atos de amizade que se dirigem aos amigos.

Ora, também estas coisas parecem existir em muitos.

A benevolência, com efeito, também se assemelha ao que é próprio da amizade.

Ora, também a concórdia parece ser algo próprio da amizade.

Ora, os benfeitores e os beneficiados.

Ora, discute-se se é preciso amar a si mesmo.

Ora, também se levanta uma dúvida a respeito do homem feliz.

Ora, para os que consideram a questão mais profundamente.

Se, portanto, se deve fazer o maior número possível de amigos.

Ora, se na boa fortuna há maior necessidade de amigos.

Na verdade, com efeito, assim como acontece entre os amantes.

#### Inícios dos capítulos do livro 10

Ora, depois destas coisas, segue-se talvez tratar do prazer.

Eudoxo, portanto, julgava que o prazer é um bem por si.

Todavia, ainda que o prazer não seja uma qualidade, não se segue isso.

Contra os que aduzem os prazeres torpes.

Ora, o que ele é e qual a sua natureza tornar-se-á mais manifesto.

Ora, todo sentido, ao operar, se dirige ao seu objeto sensível.

Ora, desejar o prazer.

Uma vez que, portanto, há um prazer próprio.

Ditas, pois, estas coisas que dizem respeito às virtudes.

Ora, se a felicidade é segundo a virtude.

Tal vida, decerto, será melhor.

Ora, a felicidade perfeita, visto que é contemplativa.

Ora, será necessária também a prosperidade exterior.

Se, portanto, já tratamos suficientemente destas coisas e das virtudes.

Se, portanto, assim como também foi dito.

Portanto, depois disto, deve-se examinar de onde e de que modo se adquire a ciência da legislação.