# 4.1. O padre Tam denuncia a reabilitação de Rosmini em seu boletim n.º 3, onde examina os textos do Osservatore Romano do ano 2001

Os comentários entre colchetes \[ \] são do padre Tam.

As citações são extraídas do *Osservatore Romano* em 2001, ano da reabilitação de Rosmini pelos modernistas.

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**Capítulo IV – A Revolução anti-filosófica\[26\]**

**O Papa e o cardeal Ratzinger abrem a porta à filosofia moderna e reabilitam Antonio Rosmini**

**A Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Ratzinger, O.R. 1.7.2001**:

*«…pode-se considerar como **ultrapassadas** as preocupações de prudência e as dificuldades doutrinais que determinaram a **promulgação do Decreto** *Post obitum* de **condenação** das **“Quarenta Proposições”** extraídas da obra de **Antonio Rosmini… A Carta Encíclica de João Paulo II** *Fides et ratio*… introduz Rosmini entre os pensadores* *mais recentes, nos quais se realiza um **encontro fecundo** entre o saber filosófico e a palavra de Deus… É preciso ainda afirmar que a empresa especulativa intelectual de Antonio Rosmini, caracterizada por muita ousadia e coragem… **se desenvolveu em um espírito ascético** e **espiritual.»***

\[É uma tese da pseudo-restauração do **Cardeal Ratzinger**: **a Revolução na Igreja é melhor feita se for feita de joelhos… e se possível em latim!** Assim como, no século XVII, a Revolução mundial precisou enraizar seu liberalismo na filosofia subjetivista de Descartes, da mesma forma, para a Revolução na Igreja, **chegou a hora de introduzir a mesma filosofia moderna e assim assentar a liberdade religiosa, a colegialidade e o ecumenismo**. Estas são as três bombas-relógio introduzidas pelo Vaticano II na Igreja, e denunciadas, com autoridade, por S. E. Dom Marcel Lefebvre\].

**Giuseppe Lorizio, *O rosminismo*, O.R. 5.7.2001:**

\[O mesmo O R. reconhece que **Rosmini é filho do *kantismo e do jansenismo*, que foi tomado como emblema pelos maçons italianos, que foi o inspirador de Fogazzaro e que sustentou a tese da mudança de natureza, ou seja, a teoria panteísta e evolucionista pela qual a matéria se torna espírito** *“de tal modo que o princípio sensitivo muda de natureza e se torna intelectivo.”*\]

*«Outro manual de filosofia… expunha uma série de observações sobre a teoria de **Rosmini** quanto à origem das ideias, fazendo notar que seu sistema **não era outra coisa senão uma exemplificação do criticismo kantiano…** quanto ao conteúdo… o início dos anos (mil novecentos) quarenta, parece querer propor novamente a polêmica que… viu se desdobrar contra os Jesuítas os **discípulos** mais ou menos conscientes de **Jansenius** e de Baïus… Na período que se seguiu à condenação e à unidade da Itália, **franges maçônicas** milanesas tomaram Rosmini como emblema anti-católico e propunham a ereção de um monumento em sua honra… Ele era tomado como emblema para uma radical reforma eclesial, inspirando, entre outros, Fogazzaro e sua **“ecclesiologia”**… A teoria da mudança de natureza consiste no fato de que “o princípio sensitivo muda de natureza e se torna intelectivo.”»*

**Antonio Livi, O.R. 12.7.2001**

\[O Cardeal Ratzinger, após ter negado o valor universal da filosofia grega, abre a porta a outros sistemas filosóficos: *«A Igreja faz sua a universalidade das linguagens do homem, de suas imagens e de seus conceitos… A doutrina da Igreja deve ser compreendida e interpretada somente na Fé…»* (O Cardeal Ratzinger, Com. Theo. Inter., Civ. Catt., 21.4.1990).

O *Osservatore Romano* reconhece que **Rosmini é filho de Descartes**\]:

***«O Magistério da Igreja confirmou*** *com autoridade… **a doutrina dos pensadores** cristãos **que**, mesmo estando na unidade da fé católica, **praticaram caminhos muito diferentes** para elaborar uma proposta própria **da filosofia cristã.** A Encíclica* **Fides et ratio\_… menciona… os filósofos… exatamente Antonio Rosmini…** *(com) muitos outros, **optaram por uma nova tradição inaugurada pelo católico René Descartes**… Henri de Lubac fez parte desta escola… **A Nota (do Card. Ratzinger) reconhece a compatibilidade substancial do sistema teosófico de Antonio Rosmini com a doutrina católica…** especialmente pela metodologia que inspirou o sistema… Com o sistema de Hegel, a teosofia rosminiana tem um outro ponto de contato mais importante. …**a teosofia rosminiana é uma verdadeira filosofia cristã**… O diálogo com o pensamento moderno, que se inicia com a virada da metodologia cartesiana, **leva Rosmini a adotar**, em diversos casos, a linguagem e o**s procedimentos** filosóficos **típicos do racionalismo…** Sem se preocupar muito em demonstrar o ponto de partida… que possa justificar a adoção de tais conceitos… Tomemos o conceito rosminiano do “divino” na natureza… o ser “ideal” concebido como “algo divino em si, ou seja, tal como pertence à natureza divina”.»*

**Antonio Staglianò. Espiritualidade de Rosmini, O.R. 19.7.01**

\[Neste artigo, o O.R. ensina que: 1. – Um autor com uma má doutrina, se for devoto, sua devoção é uma *«garantia de ortodoxia.»*

2 – No caso de Rosmini, a *«garantia de ortodoxia»* é, além disso, confirmada por uma revelação privada que Deus lhe concedeu. **Na Revolução na Igreja, muitos subversivos que quiseram ensinar algo contrário à Revelação pública, interpretada exclusivamente pelo Magistério romano tradicional, sentiram a necessidade de apoiar sua doutrina em uma revelação privada.** Um outro exemplo importante é o do cardeal **Nicolau de Cusa** com sua visão do *“Congresso das religiões”* (ver *Pseudo-restauração*, Doc. Rév. Égl. N° 4, p. 27), realizado pelo Papa no Congresso de Assis de 1986\].

*«Assim, a recente **Nota (do Card. Ratzinger)… credibiliza com autoridade a ortodoxia de Rosmini** e conduz à solução da longa e complexa “questão rosminiana”, deslocando o foco do verdadeiro problema de ontem e de hoje, que é o da inculturação da fé.* \[Ou seja, a fé “inculturada” na filosofia moderna\].

***A ascese e a espiritualidade de Rosmini*** *acreditam a interpretação ortodoxa de seu empreendimento especulativo: **elas são como a garantia suprema** da impossibilidade de ler seu pensamento sob uma ótica idealista e ontológica…*

(Rosmini diz): **“*Estou convencido de que minha doutrina vem de Deus*** *e que somente Ele me a comunica, eu até acrescentaria, sem fazer grande uso dos meios humanos, mas **por meio da luz*** *da graça…”*

*Essa consciência que parece conferir à pensamento de Rosmini uma unção particular, **justifica**… a obra das reformas da filosofia e do renascimento da teologia… Sua filosofia desenvolvia nele a certeza de ter descoberto um sistema de pensamento único, capaz de ser **o único** instrumento científico utilizável para um desenvolvimento teológico **coerente da doutrina da fé.»***

**Leão XIII, Decreto do Santo Ofício *Post Obitum* que condena os erros de Antonio Rosmini Serbati, sintetizados em 40 proposições:**

**Enunciado de algumas das 40 erros condenadas em 14 de dezembro de 1887**

**n° 1**. Na ordem das coisas criadas, se manifesta imediatamente à inteligência humana algo que é divino em si mesmo, tal como pertence à natureza divina.

**n° 2.** Quando falamos do divino da natureza, não tomamos esta palavra “divino” para significar um efeito não divino de uma causa divina; e não é nossa intenção falar de algo que seria divino por participação.

**n° 3**. Na natureza do universo, isto é, nas inteligências que nele se encontram, há portanto algo a que convém a denominação de divino, não em sentido figurado, mas em sentido próprio – é uma realidade que não é distinta do resto da realidade divina…

**n° 19**. O Verbo é essa matéria invisível da qual, como diz a Sabedoria 11, 18, todas as coisas do universo foram criadas.

**n° 20.** Não repugna que a alma se multiplique por geração, de modo que seja concebida como progredindo do imperfeito, isto é, do grau sensitivo, ao perfeito, ao grau intelectual.

**n° 21**. Quando o ser se torna objeto de intuição para o princípio sensitivo, por este único contato, por esta única união, este princípio que primeiro apenas sentia e que agora compreende, se eleva a um estado mais nobre, muda de natureza e se torna inteligente, subsistente e imortal.

**n° 22.** Não é impossível conceber que, pela potência divina, possa ocorrer que a alma intelectiva seja separada do corpo animado, e que este continue a ser animal; pois permanecendo nela, como a base do puro animal, o princípio animal que anteriormente estava nela como apêndice.

**n° 23.** No estado natural, a alma do falecido existe como se não existisse; dado que não pode exercer reflexões sobre si mesma, nem ter consciência de si mesma, pode-se dizer que sua condição é semelhante ao estado de trevas perpétuas e do sono eterno.

**n° 25.** Uma vez que o mistério da Trindade é revelado, sua existência pode ser demonstrada por argumentos puramente especulativos, com certeza negativos e indiretos, mas tais, no entanto, que por eles essa verdade é reduzida às disciplinas filosóficas e se torna uma proposição científica como as demais: porque se ela fosse negada, a doutrina teosófica da *pura razão,* não apenas permaneceria incompleta, mas seria aniquilada por ofuscações surgindo de toda parte.

**n° 27.** Na humanidade de Cristo, a vontade humana foi tão arrebatada pelo Espírito Santo e unida ao ser objetivo, isto é, ao Verbo, que lhe cedeu completamente o governo do homem, e que o Verbo a assumiu de modo pessoal ao unir-se assim à natureza humana. Por isso, a vontade humana deixou de ser pessoal no homem, e enquanto é pessoa nos outros homens, permanece natureza em Cristo.

**N° 30.** A transubstanciação completada, pode-se pensar que, ao corpo glorioso de Cristo, algumas partes incorporadas a ele, não separadas dele e igualmente gloriosas, estão unidas.

**N° 31.** No sacramento da eucaristia, em virtude das palavras, o corpo e o sangue de Cristo estão unicamente presentes na medida que corresponde à quantidade (*a quel tanto*) da substância do pão e do vinho transubstanciados: o resto do corpo de Cristo está presente por concomitância.

**n° 34**. Para preservar a Bem-Aventurada Virgem Maria do pecado original, bastava que permanecesse incorrupta uma minúscula semente de homem, negligenciada talvez pelo demônio, e dessa semente não corrompida, transmitida de geração em geração, saiu a seu tempo a Virgem Maria.

**N° 35.** Quanto mais se está atento à ordem da justificação no homem, mais justo parece o discurso da Escritura segundo o qual Deus cobre ou não imputa certos pecados. Segundo o salmista (Sl XXXII, 1), há uma diferença entre as iniquidades que são remetidas e os pecados que são cobertos: aquelas são faltas atuais e livres; estes, em contrapartida, são pecados não livres daqueles que pertencem ao povo de Deus e que por isso não recebem nenhum dano.

**…(..)…**

**\[Conclusão\] :** (Censura confirmada por **o Sumo Pontífice)**: o santo Ofício **julgou que as proposições… são a serem proscritas e desaprovadas segundo o sentido do autor, e por este decreto geral as desaprova, condena, proscreve…»**

**São Pio X, *Pascendi*:**

"Em consequência, **as fórmulas dogmáticas estão sujeitas a essas mesmas vicissitudes,** sendo, portanto, passíveis de mutação. **Assim se abre o caminho para a variação substancial dos dogmas.** Um acúmulo infinito de sofismas, onde toda religião encontra sua sentença de morte.

**Evoluir e mudar, não apenas o dogma pode, ele deve: é o que os modernistas afirmam em voz alta** e que, aliás, decorre manifestamente de seus princípios. As fórmulas religiosas, de fato, para serem verdadeiramente religiosas e não meras especulações teológicas, devem estar vivas, e da própria vida do sentimento religioso: isto é uma doutrina capital em seu sistema, deduzida do princípio da imanência vital..."

**Pio XII, *Humani Generis*:**

"É claro também que **a Igreja não pode se vincular a qualquer sistema filosófico,** cujo reinado dura pouco tempo; mas as expressões que, durante séculos, foram estabelecidas com o consentimento comum dos doutores católicos para se chegar a alguma compreensão do dogma, não repousam certamente sobre um fundamento frágil...

Assim, **é da maior imprudência** negligenciar ou rejeitar ou privar de seu valor tantos conceitos importantes que homens de um gênio e uma santidade não comuns, sob a vigilância do magistério e não sem a iluminação e a condução do Espírito Santo, conceberam, expressaram e precisaram no trabalho secular que formulou sempre exatamente as verdades da fé, **Leão XIII, *Æterni Patris*: «A filosofia grega**, pelo seu concurso, nada acrescenta ao poder da verdade; mas **como ela destrói os argumentos opostos** a essa verdade pelos sofistas, e que ela dissipa as armadilhas que lhe são tendidas, **ela foi chamada a sebe e a paliçada da qual a vinha se municiou..."**

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\[26\] [http://www.marcel-lefebvre-tam.com/pdf/francese/livre\_12.pdf](http://www.marcel-lefebvre-tam.com/pdf/francese/livre_12.pdf)