# 3 - AS ORIGENS RELIGIOSAS ANGLICANO-METODISTAS DE MONS. WILLIAMSON

Recebemos confidências de clérigos sobre Mons. Williamson. Elas nos permitem afinar nosso julgamento **sobre este personagem chave no plano de bloqueio da obra de Mons. Lefebvre**, visando paralisá-la e possibilitar sua tomada de controle por Ratzinger. Aqui está uma dessas reações:

> *« Ele não era um anglicano. Seu ambiente religioso remetia ao que comumente se chama na Inglaterra de “capela” - na verdade, evangélico protestante ou metodista/calvinista. Esse tipo de grupos religiosos não se interessa pela Liturgia, pela “high church” nem por um status “uni-mas não absorvido” com Roma (à maneira de Lord Halifax ou das Conversações de Malines).*
> 
> *Eu encontrei muitos anglicanos, e posso lhe assegurar que Mons. Williamson não tem uma mentalidade propriamente anglicana. »*

Temos que temperar este julgamento de nosso leitor.

O Professor Tighe\[4\] mostrou em seu estudo sobre *a Diáspora anglicana* que a questão da identidade anglicana é delicada. Ela permanece hoje o ponto comum, mas também o prisma através do qual aparecem todas as variantes dos « *Anglicanos permanentes* », em ruptura com o Anglicanismo oficial.

Da mesma forma, o Pai Van de Pol classifica **em 1967** os Metodistas nos correntes decorrentes da revolução litúrgica anglicana. Ele os distingue e até os opõe aos anglo-católicos.

> *« A via média do anglicanismo, portanto, não é um caminho entre a Igreja católica e a Reforma; ela se mantém expressamente a uma distância igual entre **o extremista da Idade Média** que está chegando ao fim de um lado, e o extremista puritano pós-Reforma do outro lado. Em princípio, o anglicanismo se posicionou, em suas declarações oficiais, **do lado da*** ***Reforma. Mas*** ***ao mesmo tempo, ele se recusou a se separar da Igreja católica****. O anglicanismo sempre nutriu a convicção de que o Concílio de Trento não cumpriu totalmente sua tarefa e não conseguiu **purificar a Igreja católica das ideias, doutrinas, hábitos e práticas medievais que, segundo a convicção dos anglicanos, são opostas ao puro catolicismo**, aquele da Escritura e da antiquidade cristã.*
> 
> *É por isso que a Igreja Anglicana sempre se considerou como **o prolongamento reformado da Igreja católica na Inglaterra**. Ela sempre atribuiu uma **grande importância a uma organização eclesiástica e a uma liturgia que manifestem claramente a continuidade com a Igreja anterior à Reforma**.*
> 
> *A marca principal e característica do anglicanismo é originalmente a **moderação**, que não deve ser confundida com a **comprehensiveness***. Esta última, frequentemente elogiada, mas também considerada uma fraqueza, é a impressão de uma época posterior, embora esteja ligada à tendência humanista que foi sempre mais poderosa nas Igrejas anglicanas do que nas Igrejas "reformadas" e luteranas. Em última análise, a «**comprehensiveness**» é um produto do **latitudinarismo** do século XVII, assim como das **tendências relacionadas dos séculos XVIII e XIX, o liberalismo e o racionalismo**.
> 
> *Até o século XVIII, a Igreja anglicana tentou manter uma certa uniformidade. No entanto, não pôde impedir que correntes mais recentes, como o metodismo e o anglo-catolicismo, obtivessem um direito de cidadania de forma duradoura até os nossos dias. É aí que reside a principal causa da atual comprehensiveness do anglicanismo.*
> 
> *O anglo-catolicismo é a tendência que encontrou a mais forte oposição. Os anglicanos da ala evangélica (*low Church*), mas também muitos modernistas (*broad Church*), têm a convicção de que a tendência romanizadora é fundamentalmente oposta ao caráter e à posição do anglicanismo autêntico. Portanto, não se poderia cometer maior equívoco do que julgar o anglicanismo com base apenas no anglo-catolicismo e classificar, consequentemente, a Igreja anglicana entre as Igrejas de tipo "católico". Que a documentação apresentada na sequência deste trabalho forneça a prova convincente disso.* \[5\]

A juventude de Mons. Williamson deve, portanto, ser relacionada, dentro da ***comprehensiveness* anglicana, à variante metodista**. Esta origem « *metodista* » de Mons. Williamson é muito preocupante. Ele não provém do meio do anglo-catolicismo, **mas de uma variante do anglicanismo muito próxima da Reforma protestante**.

---

\[4\] **[http://www.virgo-maria.org/articles/2007/VM-2007-01-03-C-00-Tighe\_commente\_Anglicans\_de\_Tradition\_2.pdf](http://www.virgo-maria.org/articles/2007/VM-2007-01-03-C-00-Tighe_commente_Anglicans_de_Tradition_2.pdf)**

\[5\] **[http://www.virgo-maria.org/articles/2007/VM-2007-01-03-D-00-Van\_de\_Pole\_1\_c.pdf](http://www.virgo-maria.org/articles/2007/VM-2007-01-03-D-00-Van_de_Pole_1_c.pdf)**