# Conclusão de nosso estudo

Para tomar uma analogia, **um Malcolm Muggeridge pode parecer para alguns, à primeira vista, uma espécie de André Frossard ou Maurice Clavel britânico.**

André Frossard se converteu ao catolicismo em sua juventude, enquanto seu pai era secretário geral do Partido Comunista Francês.

Maurice Clavel se converteu mais tarde, após ter estado bastante envolvido à esquerda.

Ambos não faltavam com talentos para a escrita e possuíam gostos e uma formação literária.

**Mas não se trata de maneira alguma desse tipo de personalidade no caso de Muggeridge, que, pelos seus laços familiares com a *Fabian Society*, se encontra em contato com indivíduos e uma mouvance semi-secreta que estão no cerne dos círculos mundialistas mais influentes e em contato com ambientes teosóficos ou seitas muito poderosas.**

**Um de seus filhos, aliás, se juntará à seita dos *Frères de Plymouth*, cujas teorias milenaristas circulam nos círculos protestantes do poder atualmente nos Estados Unidos.**

Ao expressar sua veneração por esse mestre de sua juventude, em quem continua a ver uma espécie de “***profeta do século XX***”, **Monsenhor Williamson elogia, portanto, uma pessoa que, apenas por suas ligações mundialistas, é das mais duvidosas e perigosas.** Como se explica que ele mantenha sua afeição por Muggeridge, sabendo que todos os fatos que revelam as origens familiares de Muggeridge são públicos e não são de agora?

**Malcolm Muggeridge também permaneceu muito ligado a um teólogo anglicano, Alec Vidler, durante 60 anos.** **Este clérigo é um especialista em modernismo, é anglo-católico e pertence à *High Church*, ou seja, ao movimento herdeiro do pastor Pusey e do movimento de Oxford**, do qual sabemos agora, pelos trabalhos do ***Comitê Internacional Rore Sanctifica***, que está **no cerne do ataque mortal contra a Igreja Católica que representaram os movimentos litúrgico e ecumênico, que culminaram na fabricação e na instituição de um rito de consagração episcopal inválido em 1968 (*Pontificalis Romani*)**.

**Frequentando Malcolm Muggeridge, Monsenhor Williamson teria sido apresentado a Alec Vidler, o grande amigo de Malcolm?**

Constatamos, de qualquer forma, o papel decisivo de Monsenhor Williamson em barrar o estudo da invalidade do novo ritual de sagrações episcopais, como bispo encarregado de supervisionar a revista dos dominicanos de Avrillé (*Le Sel de la terre*), que publicou as falsas “*demonstrações*” (SdT n°54 e 56) do Padre Pierre-Marie de Kergorlay, ou ainda **como diretor do seminário de La Reja, sendo que um de seus professores, o padre Calderon, se destacou por uma nova falsa “*demonstração*” da suposta validade sacramental do novo ritual de sagrações (SdT, n°58).**

Outro fato que merece ser citado é que **nunca a revista *Le Sel de la terre* estudou o papel do anglicanismo e sua ação subversiva contra a Igreja Católica. Em 1996, durante o centenário de *Apostolicae Curae*, esta revista ficou muda como um peixe sobre o assunto.**

**Quais são os relacionamentos de Monsenhor Williamson com os meio anglicanos?**

**Ele teria se beneficiado das conexões de Muggeridge e suas poderosas relações nesse campo?**

**Malcolm Muggeridge tem outro filho que se compromete com uma seita milenarista protestante (Irmãos de Plymouth), que desenvolve toda uma doutrina sobre a vinda iminente do Anticristo e do Grande Castigo do qual alguns “*happy fews*” serão preservados por um “*arrebatamento*” providencial.**

**De onde vêm esses laços do filho de Malcolm Muggeridge com esses fundamentalistas?**

**Passam eles pelo meio mundialista fabiano, cujos relacionamentos com a teosofia e doutrinas mais estranhas são bem conhecidos?**

John, outro filho de Malcolm Muggeridge, **casa-se com uma mulher tradicionalista, que se revela "ralimã" e que encontraria sua felicidade apenas com a reversão dos altares e o conservadorismo de Wojtyla-João Paulo II, com o casal fazendo do "combate pela vida" o cerne de seu engajamento.**

**Monsenhor Williamson, cujas posições sobre questões de moral são especialmente visíveis, se encontra nessa forma de tradicionalismo que não é, na verdade, mais do que uma deserção do combate doutrinal e um ralliement?**

Seria este o fundo de seu pensamento e seu objetivo secreto e último: o ralliement a Ratzinger?

Seu duplo jogo, que não deixamos de denunciar, coincide com isso.

Malcolm Muggeridge desenvolve **todo um elogio à dúvida, que Monsenhor Williamson desculpa**. Deve-se ver uma coincidência com **a falsa argumentação de Monsenhor Williamson sobre o “*espírito doente*” dos conciliares ou os sofismas do “*dois e dois são quatro ou cinco*” que nos foram apresentados no dia 29 de junho de 2007**, durante as ordenações em Ecône? Ou ainda com sua teoria pueril do “*mentevacantismo*” de Ratzinger?

**Ao explicar que o “*coração*” de Malcolm Muggeridge estava “*convertido*”, mas que “*parte de sua cabeça*” não estava, Monsenhor Williamson não cairia ele mesmo na armadilha modernista que pretende denunciar de outra forma?**

O que significam todas essas incoerências de Monsenhor Williamson, o ex-aluno de Cambridge?

Se considerarmos as datas, Monsenhor Williamson sofreu a influência de Malcolm Muggeridge a partir dos anos 60, depois se converteu à Fé católica em 1970 e **finalmente entrou em Ecône em 1972, após duas tentativas frustradas em seminários conciliares.**

**Naquela época, Muggeridge ainda não era católico, mas já era conhecido por suas declarações bombásticas sobre questões de moral.**

Vale mencionar que, para um agente do *Intelligence Service*, **é uma excelente cobertura passar por um “*ultra conservador*” através de algumas posições como fez Muggeridge.** **Sua carreira na mídia não sofrerá com esse comprometimento, bem pelo contrário.**

**Observamos em Monsenhor Williamson, assim como em Muggeridge, posturas provocativas sobre a questão da moral ou a proibição de universidades para mulheres, ou ainda sobre questões políticas, o que lhe conferiu a reputação de “*ultra*” muito útil para aparecer como alguém que rejeita o ralliement.**

Já denunciamos esse jogo, que não engana mais ninguém entre os clérigos e os fiéis.

**Monsenhor Williamson, por um mimetismo aplicado ao campo religioso, o da FSSPX, apresenta comportamentos semelhantes aos de Muggeridge no meio da sociedade civil e midiática britânica. O aluno estaria reproduzindo o exemplo do mestre?**

Segundo o politólogo francês Pierre Faillant de Villemarest, citando fontes originais:

*« O dogma fabiano, lê-se nas publicações internas de Londres, é de permanecer ao mesmo tempo o inspirador de todos os socialismos e estar sempre presente à esquerda, ao centro e à direita. »*

Ora, a trajetória de Malcolm Muggeridge **não exemplifica esse aspecto inclassificável que seus biógrafos lhe reconhecem? Seria isso que Malcolm Muggeridge é um Fabiano disfarçado e sutil?**

**Agora muitas questões estão abertas** sobre as associações e as posições de Monsenhor Williamson.

Nenhum outro bispo da FSSPX se encontra em tal situação, **nem se ostenta um mestre de pensamento tão influente.**

Mais clareza sobre a juventude de Monsenhor Williamson é necessária agora.

**Está claro que, em nenhuma hipótese, um tal bispo pode representar uma oposição séria e credível à Roma dos anticristos denunciada por Monsenhor Lefebvre.**

Continuemos a boa luta.

Padre Marchiset