Lição 1: Aquilo que compete à ciência natural considerar 6. Neste primeiro livro, Aristóteles começa pela primeira vez a aplicar aos corpos aquilo que foi dito de modo geral sobre o movimento no livro da Física . Por essa razão, mostra primeiro, como introdução, que compete à ciência natural determinar sobre corpos e grandezas; em segundo lugar, começa a executar seu propósito (Lição 2). Quanto ao primeiro ponto, apresenta este argumento: as coisas naturais são corpos e grandezas e tudo o que pertence a eles. Ora, a ciência natural trata das coisas naturais. Portanto, a ciência natural consiste em tratar de corpos e grandezas. 7. Primeiramente [1], portanto, ele expõe a conclusão, dizendo que a ciência que trata da natureza parece estar "na maior parte" preocupada com corpos e "grandezas", i.e., linhas e superfícies. Contudo, o filósofo natural as considera de modo diferente do geômetra. Pois o primeiro trata dos corpos enquanto móveis, e das superfícies e linhas enquanto limites dos corpos móveis; o geômetra, por outro lado, as considera enquanto grandezas mensuráveis. E porque uma ciência deve considerar não apenas os sujeitos, mas também suas afecções, como se diz nos Analíticos Posteriores I, ele acrescenta, portanto, que a ciência natural se ocupa das afecções e dos movimentos dos mencionados — entendendo por "afecções" as alterações e outros movimentos consequentes, com respeito aos quais algo se altera na substância de uma coisa; e acrescenta "e movimentos", como que indo do particular ao geral. Ou talvez por "movimentos" entenda especificamente os movimentos locais, que são os mais perfeitos nos gêneros de movimentos. Ou por "afecções" se entendem as propriedades, e por "movimentos" as operações das coisas naturais, que não ocorrem sem movimento. E porque, em toda ciência, os princípios devem ser considerados, ele acrescenta que a ciência natural se ocupa de quaisquer e todos os princípios da substância mencionada, a saber, a substância corpórea móvel. Com isso entendemos que compete à ciência natural considerar primariamente o corpo enquanto está no gênero da substância, pois é sob esse aspecto que ele é sujeito do movimento; enquanto compete ao geômetra considerá-lo enquanto está no gênero da quantidade, pois assim ele é medido. Uma vez que a premissa menor é evidente, a saber, que a ciência natural trata das coisas naturais, ele acrescenta a maior, dizendo que a razão pela qual a ciência natural se ocupa do mencionado é que, entre as coisas que são segundo a natureza, algumas são corpos e grandezas, e.g., pedras e outras coisas inanimadas; algumas têm corpo e grandeza, como as plantas e os animais, cuja parte principal é a alma (por isso elas são o que são mais com respeito à alma do que com respeito ao corpo); finalmente, algumas coisas são princípios das coisas que têm corpo e grandeza — por exemplo, a alma, e universalmente a forma, e a matéria. Disto fica claro por que ele disse que a ciência da natureza está "na maior parte" preocupada com corpos e grandezas: pois uma parte desta ciência se ocupa das coisas que têm corpo e grandeza; ocupa-se também dos princípios destas; ocupa-se ainda de algumas coisas que não existem na natureza, mas que alguns atribuíram aos corpos e grandezas, a saber, o vácuo e o infinito.