Prólogo Filipos é uma cidade da Macedônia; daí os filipenses. Estes eram do número daqueles que Paulo, na segunda Epístola aos Coríntios, tanto engrandeceu, dizendo: «Primeiro se entregaram a si mesmos; depois, o que era seu» (2Cor 8,5). Paulo havia permanecido algum tempo entre estes filipenses, pregando-lhes a palavra de Deus, e por meio dele receberam a fé de Cristo; confirmados eles nos mandamentos de Deus, partiu de junto deles. Mas, estando ele em Roma em cadeias, por causa da ausência e da tribulação do pastor, os perseguidores da justiça e os falsos apóstolos, corruptores da verdade, julgaram ter-se-lhes dado a oportunidade de assaltar os filipenses que Paulo instruíra: para que, de um lado, cedessem mais facilmente à perseguição por causa da aflição e do desprezo do mestre, e para que, de outro, os falsos apóstolos pervertessem mais oportunamente a fé deles, ausente Paulo que os confirmasse. Percebendo Paulo ambas as lutas, a dos perseguidores e a dos falsos doutores, escreveu-lhes esta Epístola, na qual trata daquela dupla luta dos perseguidores e dos falsos doutores, de modo a provar que devem sofrer de bom grado a perseguição pela fé de Cristo, quando ouvem que o seu Apóstolo se alegra nas cadeias, ele que foi tido por digno de sofrer afronta pelo nome de Jesus; quando sabem, ainda, que Jesus padeceu pela salvação deles. Por estas e outras causas recomenda-lhes a paciência com a humildade. De novo, a doutrina desses falsos apóstolos rebaixa-a a tal ponto que a chama esterco; e dá muitas razões pelas quais não devem ser escutados. E, tratando desse modo de ambas as lutas, pretende armá-los por esta Epístola neste combate, para que nem cedam à perseguição nem consintam no erro.