# Capítulo 15

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> Nós, os fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não procurar o nosso próprio agrado. Cada um de nós procure agradar ao próximo, no que é bom, para a edificação. Pois também Cristo não buscou o seu próprio agrado, mas, como está escrito: Os insultos dos que te insultavam caíram sobre mim (Sl 68,10). Porque tudo o que foi escrito foi escrito para nosso ensinamento, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. O Deus da paciência e da consolação vos conceda ter o mesmo sentir uns para com os outros, segundo Jesus Cristo; para que unânimes, a uma só voz, glorifiqueis a Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu, para a glória de Deus. Digo, com efeito, que Cristo Jesus foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos pais; e que os gentios glorificam a Deus por sua misericórdia, como está escrito: Por isso te louvarei entre os gentios, Senhor, e cantarei ao teu nome (Sl 17,50). E diz também: Alegrai-vos, gentios, com o seu povo. E ainda: Louvai o Senhor, todos os gentios; exaltai-o, todos os povos (Sl 116,1). E de novo diz Isaías: Haverá a raiz de Jessé, e aquele que se levantará para reger os gentios; nele os gentios esperarão (Is 11,10). O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que abundeis em esperança, pela virtude do Espírito Santo. Estou persuadido, meus irmãos, também eu mesmo, a respeito de vós, de que estais cheios de amor, repletos de todo conhecimento, a ponto de poderdes admoestar-vos uns aos outros. Escrevi-vos, porém, com certa ousadia, irmãos, em parte, como para vos trazer de novo à memória, pela graça que me foi dada por Deus, de ser ministro de Cristo Jesus entre os gentios, consagrando o Evangelho de Deus, para que a oferta dos gentios seja aceita e santificada no Espírito Santo. Tenho, pois, glória em Cristo Jesus nas coisas que dizem respeito a Deus. Pois não ouso falar de coisa alguma que Cristo não tenha realizado por meu intermédio, para a obediência dos gentios, por palavra e por obras, com a virtude de sinais e prodígios, com a virtude do Espírito Santo; de modo que, de Jerusalém e arredores até a Ilíria, tenho levado a plenitude do Evangelho de Cristo. Assim, porém, preguei este Evangelho, não onde Cristo já fora nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; mas, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado verão; e os que não ouviram entenderão (Is 52,15). Por isso fui muitas vezes impedido de ir ter convosco, e fui impedido até agora. Agora, porém, não tendo mais campo nestas regiões, e tendo desde muitos anos o desejo de ir ter convosco, quando me dirigir à Espanha, espero que, de passagem, vos veja e seja por vós encaminhado para lá, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia. Agora, pois, vou a Jerusalém, a serviço dos santos. A Macedônia e a Acaia houveram por bem fazer uma coleta em favor dos pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. Houveram por bem, e são devedores deles; pois, se os gentios participaram dos seus bens espirituais, devem também servi-los nos bens materiais. Concluído isto, e entregue a eles este fruto, partirei por vós para a Espanha. Sei que, ao ir ter convosco, irei na plenitude da bênção do Evangelho de Cristo. Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pela caridade do Espírito Santo, que me ajudeis com as vossas orações a Deus por mim, para que eu seja livrado dos infiéis que estão na Judeia, e a oferta do meu serviço seja bem aceita pelos santos em Jerusalém, para que eu vá ter convosco com alegria, pela vontade de Deus, e repouse convosco. O Deus da paz seja com todos vós. Amém.

## Comentário

A isto diria aquele que fosse de fé sã: se eu, como tu mesmo confessas, sou de fé sã, crendo puras todas as coisas, e este, porém, é fraco na fé, parece causa mais justa que o fraco siga o forte do que eu, forte, siga a fraqueza dele. Não é assim, diz Paulo, mas, embora tu sejas de fé sã e este de fé fraca, *nós, os fortes, devemos, contudo, suportar as fraquezas dos fracos* e, por certa participação, nutri-las para o melhor, *e não devemos procurar o nosso próprio agrado* em tudo. Não procuremos agradar a nós mesmos, mas *cada um procure agradar ao próximo*, e isto *no que é bom*, porque *para a edificação* do próximo, que deve ser edificado segundo a caridade. Não procuremos agradar a nós mesmos; *pois também Cristo* (a quem devemos seguir em tudo) *não buscou o seu próprio agrado*, isto é, não consentiu à carne fraca, mas, *como está escrito* no salmo (68,10), diz Cristo ao Pai: *Os insultos dos que te insultavam* caíram sobre mim como um peso, e na morte me oprimiram; como se dissesse: porque expulsei do templo os que vendiam e compravam, no qual te insultavam, por isso me adjudicaram à morte. Que se segue daí, diria alguém, se assim está escrito? Muito, certamente, porque *tudo o que foi escrito* de Cristo *foi escrito para nosso ensinamento*, a fim de que, pelo ensinamento, tenhamos paciência, e na paciência tenhamos a consolação das Escrituras, que é muitíssimo útil aos que padecem; e para que, pela paciência e por esta consolação, *tenhamos esperança* da retribuição futura. E porque vejo que os vossos méritos e a minha doutrina são insuficientes para obter estas coisas, desejo que *o Deus da paciência e da consolação*, doador da paciência e do consolo, *vos conceda ter o mesmo sentir*, de modo que todos tenhais um pensamento verdadeiro, e isto *uns para com os outros*, de modo que o que este sente com acerto o sinta também aquele, e vice-versa; sentir, digo, *segundo*, isto é, por *Jesus Cristo*; *para que unânimes, a uma só voz*, com uma só vontade e a mesma confissão, *glorifiqueis a Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo*: não que Deus e Pai signifiquem pessoas diversas, mas no mesmo atribui causas diversas, dizendo que deve ser glorificado ora porque é Deus, ora porque é Pai do Senhor Jesus Cristo, por quem nos vem todo bem.

*Por isso*, isto é, para que tenhais o mesmo sentir e glorifiqueis a Deus com o mesmo ânimo e uma só confissão, *acolhei-vos uns aos outros*, de modo que um acolha o outro com toda benignidade para o instruir, suportando-vos mutuamente; acolhei, digo, *como também Cristo vos acolheu*, com grande altura; acolheu-vos certamente *para a glória* — a maior honra foi perdoar os pecados, honra que aumentará ao dar a incorrupção — para a honra, digo, *de Deus*, isto é, dada só por Deus; Deus, com efeito, dá e dará por graça esta honra, para a qual honrar faltam os nossos méritos.

Prova o que disse: acolheu a vós, romanos; pois acolheu judeus e gentios. E primeiro diz dos judeus: na verdade Cristo vos acolheu, ó judeus; pois eu digo (em quem se deve crer) que *Cristo Jesus foi ministro da circuncisão*, isto é, dos judeus. Cristo, com efeito, foi ministro e como Apóstolo dos judeus, a quem pregou em pessoa; isto, porém, não foi por mérito dos judeus, mas *por causa da verdade de Deus*, isto é, por causa das promessas de Deus: por isso, por causa das promessas, *para confirmar*, isto é, para que pelo próprio ato fossem confirmadas *as promessas feitas aos pais*, isto é, feitas a seus pais. Ou assim: Cristo foi ministro por causa da verdade de Deus, isto é, por causa do cumprimento das promessas de Deus; e para confirmar pela verdade do fato as promessas dos pais, isto é, as que fizeram os pais, isto é, os Profetas, pais dos judeus; Deus, com efeito, havia prometido também por si mesmo, como a Abraão, e mais frequentemente pelos Profetas.

Provou que Deus acolheu os judeus; para o provar não aduziu autoridade alguma, porque era como que patente a todos; prova o mesmo dos gentios por autoridades, porque alguns tinham dúvida a respeito, dizendo: isto digo dos judeus; digo também que *os gentios glorificam a Deus por sua misericórdia* (isto é, pela misericórdia que lhes foi feita). E digo isto *como está escrito* no salmo (17,50): *por isso*; esse "por isso" tem força na ordem do salmo; voz do Filho ao Pai: ó Senhor Pai, *te louvarei entre os gentios*, isto é, farei que os gentios louvem o teu nome; e não só louvarei, mas também *cantarei e exultarei ao teu nome*. E diz de novo a Escritura por Isaías<sup>[1]</sup>: *Alegrai-vos, ó gentios, com o seu povo* (Dt 32,43, segundo os Setenta), isto é, com os judeus, que se diziam povo peculiar de Deus, gentios que Isaías<sup>[2]</sup> convidaria em vão à alegria, se não considerasse o acolhimento deles. E de novo Davi sobre os gentios: *Louvai o Senhor, todos os gentios*, isto é, cada um dos gentios; e não só louvai, mas ainda *exaltai-o*, mostrando-o grande por boas obras, *todos os povos* que estais em cada uma das nações (Sl 116,1). E de novo diz Isaías sobre o mesmo: Jessé, pai de Davi, será *a raiz* dessa origem, da qual nascerá Cristo, *que se levantará para reger os gentios; e naquele Rei os gentios esperarão* (Is 11,10). Cristo levantou-se, porque só ele, entre todos, foi imune de pecado; levantou-se mais alto ao terceiro dia, retomada a incorrupção, quando Deus Pai deu todo o julgamento a este Filho Rei.

Exorto-vos a acolher-vos mutuamente, mas, porque nem por vossas forças nem por minha doutrina podeis realizar isto, peço que *o Deus da esperança*, em quem espero e em quem deveis esperar, *vos encha de toda a alegria*, isto é, da perfeição do amor; alegria que, para que sejais dignos de ter, vos *encha de paz*, isto é, de toda concórdia; paz, digo, reformada *na fé*, isto é, em uma só e a mesma integridade da fé, para que a mesma fé faça a paz em vós; a paz, por sua vez, nutra a alegria: encha-vos, digo, de fé, paz e alegria, *para que abundeis em esperança*, isto é, para que, quanto melhor obrardes, tanto mais firme e abundantemente espereis; e, para que a vossa esperança não seja perturbada, *abundeis pela virtude do Espírito Santo*, isto é, o Espírito Santo vos ministre copiosas forças para perseverar no bem.

Paulo começa aqui a acalmar alguns dos romanos, louvando-os pela integridade da fé, pela plenitude do amor e de todo conhecimento. Contudo, toca-os um pouco, porque não haviam corrigido a imperfeição dos irmãos que erravam, quando bem o podiam, porque eram sábios; quando deviam, porque os amavam; quando era também necessário, porque Paulo, ocupado com outros, não podia vagar suficientemente para a correção dos romanos; como se dissesse: a vossa consciência está certa da integridade da fé deles; igualmente também eu mesmo estou persuadido, *meus irmãos*, a respeito de vós, *de que também vós estais cheios de fé e de amor*, e não litigais com vossos irmãos; *repletos de todo conhecimento*, a ponto de poderdes admoestar-vos uns aos outros, isto é, instruir a fé fraca dos outros. E, embora estejais cheios de amor e de conhecimento, escrevi-vos, porém, *com mais ousadia*, isto é, com um pouco de audácia, *irmãos, em parte*, isto é, segundo a parte em que, agindo um pouco imperfeitamente, não reprimistes as contendas dos irmãos; escrevi-vos, sim, não vos ensinando, que sei serdes sábios, mas *como para vos trazer de novo à memória* as coisas que creio que sabeis, mas de que não vos lembrais bastante.

Dir-me-iam: já que nos confessas perfeitos, por que nos repreendes? Diz Paulo ousadamente: *pela graça*, isto é, pela dignidade do apostolado, *que me foi dada por Deus*; e este meu magistério me obriga a admoestar-vos assim. Foi-me dada a graça *de ser ministro de Cristo Jesus entre os gentios*, isto é, por meu ministério sujeito os gentios a Cristo, *consagrando o Evangelho de Deus*; que consagro ao fazer o mesmo que prego: consagrando-o *para que a oferta dos gentios seja aceita* por Deus, isto é, eu, oferecendo os gentios, seja aceito por Deus; ou então, para que os gentios oferecidos sejam aceitos por Deus: oferta, digo, aceita e *santificada no Espírito Santo*, porque pela imposição das mãos dou o Espírito Santo, o que os falsos doutores não podem fazer. E porque consagro o Evangelho, *tenho, pois, glória*, isto é, glorio-me muito em meu apostolado; glória, digo, a referir não a mim, mas a Deus, e isto *em Cristo Jesus*, isto é, por Cristo, que me consagrou Apóstolo. Por isso tenho glória, porque *não ouso falar de coisa alguma que Cristo não tenha realizado por meu intermédio*, ministro, como fazem os falsos apóstolos, que dizem ter feito o que nunca fizeram; não falo das coisas que Deus não realiza por mim, mas falo das que Cristo realiza por mim, *para a obediência dos gentios*, isto é, para que ou eu lhe obedeça nos gentios, ou os gentios por mim lhe obedeçam. Realiza, digo, por mim *por palavra*, pois Cristo fala em mim; realiza também *por obras*, isto é, em minhas obras, porque opero o que falo bem; realiza, digo, *com a virtude de sinais e prodígios*, para os quais fazer me dá virtude (chama sinais, por exemplo, a cura de doenças; prodígios, o ressuscitar mortos); de prodígios, digo, feitos *com a virtude do Espírito Santo*. Ou então, Cristo realiza por mim na virtude do Espírito Santo, que distribui por minhas mãos. Realiza, digo, de modo que *eu tenha levado a plenitude*, isto é, pregado plenamente *o Evangelho de Cristo*, começando *de Jerusalém* e *arredores* *até a Ilíria*, o mar; e não por caminho reto, mas *em volta*, isto é, percorrendo cada lugar.

*Assim, porém, preguei este Evangelho, não onde Cristo já fora nomeado*, na Judeia, *para não edificar sobre fundamento alheio*, isto é, sobre a fé que os outros Apóstolos pregaram. Nem foi, contudo, esta a causa por que não pregou ali, mas porque Deus o dirigiu aos gentios. Para não edificar, digo, assim; mas, *como está escrito* em Isaías: *Aqueles a quem não foi anunciado* os gentios, *verão* a Deus, *e os que nem ouviram, entenderão* (Is 52,15). *Por isso*, porque pregava a rudes e como que pétreos, *fui muitas vezes impedido de ir ter convosco*, ó romanos, porque era necessário que vós, que éreis sãos, edificásseis os fracos. Outrora era impedido; *agora, porém, não tendo mais campo nestas regiões*, porque todos se converteram, *e tendo desde muitos anos o desejo de ir ter convosco*, no que podeis notar quanto zelo tenho por vós; *quando me dirigir à Espanha, espero que vos veja, de passagem* por vós; não há, com efeito, razão para me demorar convosco, que sois fiéis; *vos veja*, digo, *e seja por vós encaminhado para lá*, se, contudo, tiver antes gozado de vós *em parte*, isto é, demorando-me algum tempo convosco.

Porque aqui não tenho mais campo e desejo passar a vós, *portanto*, farei o que primeiro se deve fazer, a saber, *irei a Jerusalém, a serviço dos santos*. Quando Pedro e os que estavam com ele deram a Paulo e a Barnabé a mão direita em sinal de comunhão (Gl 2,9), impuseram-lhes que nas Igrejas dos gentios fizessem coletas, de que ministrassem aos santos em Jerusalém, a quem os infiéis haviam tirado tudo. Irei servir aos santos, porque *a Macedônia e a Acaia*, isto é, as suas Igrejas, *houveram por bem*, isto é, julgaram digno *fazer uma coleta* a ser levada *em favor dos pobres dentre os santos*, isto é, os pobres santos *que estão em Jerusalém*. Houveram por bem fazê-lo não coagidos por nós, mas *porque lhes agradou*; e, se não lhes agradasse, são, contudo, *devedores deles* e deveriam fazê-lo por dever: na verdade são devedores deles; *pois, se os gentios participaram dos seus bens espirituais*, porque aqueles santos ministraram bens espirituais aos gentios, *devem também os gentios servi-los* nos bens materiais.

Visto que me resta fazer isto primeiro, *portanto, concluído isto e entregue a eles* (isto é, tendo-lhes devolvido sob selo) *este fruto, partirei por vós para a Espanha*, passando por vós. *Sei*, porém, que, indo ter convosco movido por longo desejo, *irei na plenitude da bênção de Cristo*, isto é, farei abundar em vós a bênção de Cristo, comunicando o que falta da graça de Deus. E porque agora vou a Jerusalém, *rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que me ajudeis com as orações* derramadas a Deus por mim, para que por este auxílio eu seja *livrado dos infiéis que estão na Judeia*, e para que assim *a oferta do meu serviço*, isto é, aquilo em que obsequio, *seja bem aceita pelos santos em Jerusalém*, apresentada a eles sem diminuição; para que, completado isto prosperamente, *vá ter convosco com alegria, pela vontade de Deus*, isto é, como Deus tiver disposto; *e repouse convosco*, aperfeiçoando em vós o que encontrar imperfeito. Mas, porque para isto não bastais nem por vós nem por mim: *o Deus da paz seja com todos vós*, fazendo paz com todos vós. Amém.

## Notas

1. Leia-se: Moisés.
2. Leia-se: Moisés.

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