LIÇÃO 7 - O Composto, e não a Forma, é Gerado. As Ideias não são nem Princípios de Geração nem Exemplares TEXTO DE ARISTÓTELES Capítulo 8: 1033a 24-1034a 8 611. Ora, visto que aquilo que vem a ser vem a ser por algo (e por isso entendo o princípio de geração), e a partir de algo (e por isso entendamos não a privação, mas a matéria; pois isso já foi definido [601] em nossa discussão sobre essas coisas), e torna-se algo (i.e., uma esfera, um círculo ou qualquer outra coisa que seja), assim como o agente não produz o sujeito subjacente, i.e., o bronze, também não produz uma esfera, exceto acidentalmente, porque uma esfera de bronze é uma esfera e ele produz a primeira. Pois fazer esta coisa particular é fazê-la a partir do sujeito totalmente. Quero dizer que tornar o bronze redondo não é fazer o redondo ou a esfera, mas algo diferente, i.e., causar esta forma em outra coisa. Pois, se ele faz uma forma, ele a faz a partir de outra coisa (isso foi assumido acima); por exemplo, ele faz uma esfera de bronze. E ele faz isso no sentido de que faz esta coisa, que é uma esfera, a partir desta coisa, que é bronze. Logo, se ele também produz o próprio sujeito subjacente, evidentemente o produzirá da mesma maneira, e os processos de geração prosseguirão então ao infinito. Portanto, é evidente que nem a forma nem qualquer outra coisa que denominamos forma em uma coisa sensível vêm a ser; i.e., a forma ou essência não é gerada, pois é isso que vem a ser em alguma outra coisa, seja por arte, por natureza ou por potência. 612. Mas ele faz existir uma esfera de bronze. Pois ele a faz a partir do bronze e de uma esfera, porque ele causa esta forma nesta matéria, e isso constitui uma esfera de bronze; e isso é o ser de uma esfera. Mas se o ser da esfera em geral fosse produzido, algo seria produzido a partir do nada; pois aquilo que vem a ser deve ser divisível, e isto é isto e aquilo é aquilo. E por isso entendo a matéria, e por aquilo, a forma. Portanto, se uma esfera é uma figura equidistante em toda parte do centro, uma parte disso será aquilo em que a coisa produzida existe, e a outra será o que existe nisto. Mas isto é tudo o que foi produzido, como no caso de uma esfera de bronze. Fica evidente, a partir do que foi dito, então, que não é a coisa chamada forma ou substância que é gerada, mas o todo concreto que recebe seu nome a partir disso; e há matéria em tudo que é gerado; e que isto é isto e aquilo é aquilo. 613. O problema, então, é o seguinte: existe uma esfera aparte destas esferas particulares, ou uma casa aparte dos tijolos, ou uma que nunca foi produzida? Ora, se isso fosse verdade, nenhuma coisa particular existiria. Mas, visto que casa significa o que é tal e tal, não é uma coisa definida; contudo, o agente faz e gera algo que é tal e tal a partir disto. E quando isto foi gerado, é tal e tal coisa particular; e esta coisa particular toda, como Cálias ou Sócrates, é como uma esfera de bronze, mas homem e animal são como esfera de bronze em geral. É evidente, então, que a causa que consiste nas Formas, no sentido em que alguns costumam falar delas, i.e., supondo que elas existam aparte das coisas singulares, é inútil no que diz respeito aos processos de geração e às substâncias. Nem as Formas serão, por essa razão, substâncias existentes por si mesmas. 614. E em alguns casos é evidente que a coisa que gera é do mesmo tipo que a coisa que é gerada, embora não sejam as mesmas numericamente, mas especificamente; por exemplo, no caso das gerações naturais (pois homem gera homem), a menos que algo contrário à natureza seja gerado, como quando um cavalo gera uma mula. E mesmo esses casos são semelhantes; pois o que é comum tanto ao cavalo quanto ao jumento como seu gênero próximo não tem nome, mas talvez ambos sejam algo como mula. Logo, evidentemente não há necessidade de fornecer uma Forma como exemplar; pois os homens teriam buscado Formas especialmente nas coisas sensíveis, já que estas são substâncias no mais alto grau. Mas a coisa que gera é adequada para produzir a coisa e para causar a forma na matéria. E quando o todo é tal e tal forma nesta carne e nestes ossos, isso é Cálias ou Sócrates; e eles diferem em sua matéria (pois a matéria de cada um é diferente), mas são os mesmos na forma, porque a forma é indivisível. COMENTÁRIO 1417. O Filósofo estabeleceu acima certos pontos sobre os processos de geração no mundo como pré-requisitos para provar sua tese, a saber, mostrar que as causas da geração das coisas não devem ser consideradas como Formas separadas. E, visto que dois destes já foram esclarecidos na discussão anterior — i.e., que todo processo de geração é a partir da matéria, e que tudo que é gerado é gerado por algo semelhante a si mesmo —, ele agora visa provar sua tese a partir das questões que foram investigadas acima. Isso se divide em duas partes. Na primeira (611:C 1417), ele mostra quais coisas são geradas. Na segunda (613:C 1427), ele mostra que a causa da geração não é uma Forma separada ("O problema, então"). Na terceira (615:C 1436), ele esclarece certas coisas que poderiam ser consideradas problemas relativos aos pontos já estabelecidos ("No entanto, alguém"). Quanto ao primeiro, ele faz duas coisas. Primeiro (611), mostra que uma forma é gerada apenas acidentalmente; e segundo (612:C 1424), que é uma coisa composta que é gerada ("Mas ele faz existir"). Ele diz, portanto, primeiro (611), que os pontos explicados acima são verdadeiros. O primeiro deles é que tudo que vem a ser vem a ser por algo, e isso é o agente ou gerador, que é o princípio de geração; e o segundo é que tudo que vem a ser vem a ser a partir de algo, e por esse algo a partir do qual a geração ocorre entendemos a matéria e não a privação. Pois foi dito acima que algo vem a ser a partir da matéria de uma maneira diferente do que a partir de uma privação. O terceiro ponto é que em todo processo de geração deve haver algo que vem a ser; e isso é ou uma esfera, um círculo ou algo mais. 1418. A partir do que foi posto, deve ficar evidente que, assim como um agente não produz a matéria ou o sujeito da geração, por exemplo, o bronze, quando gera algo, da mesma forma "tampouco ele produz a forma", a saber, a própria coisa que é uma esfera, exceto talvez acidentalmente; pois ele faz uma esfera de bronze, que é um composto. E, como uma esfera de bronze é também uma esfera, ele, portanto, produz acidentalmente uma esfera. 1419. Ora, o fato de que o agente não produz a matéria é evidente por si mesmo, porque a matéria é anterior ao ato de fazer. Portanto, não era necessário que Aristóteles provasse que a matéria não é gerada. No entanto, quanto às formas, poderia haver uma dificuldade, porque uma forma só é encontrada ao término de uma atividade; e, por isso, foi necessário que ele provasse que uma forma é produzida apenas acidentalmente. E a razão é que as formas não têm ser, propriamente falando, mas são antes os princípios pelos quais as coisas têm ser. Assim, se o processo de vir a ser é o caminho para o ser, apenas aquelas coisas propriamente vêm a ser que têm ser por suas formas; e as formas começam a ser no sentido de que existem nas coisas geradas, as quais têm ser por essas formas. 1420. A prova de que as formas não são geradas é a seguinte. Fazer esta coisa particular é fazê-la a partir de um sujeito, e isso é "totalmente", i.e., universalmente, verdadeiro para toda geração. Pois fazer o que é redondo de bronze não é fazer o "redondo" em si, i.e., a redondeza, ou a "esfera" em si, a saber, a forma de uma esfera, mas fazer "algo mais", a saber, uma forma, não de qualquer maneira, "mas em algo mais", a saber, na matéria; e isso é fazer o composto. Isso é tornado evidente da seguinte forma. Se um agente faz algo, ele deve fazê-lo a partir de algo mais como sua matéria. E "isso foi suposto acima", a saber, que todo processo de geração é a partir da matéria, por causa da prova aduzida acima; como se diz que um agente, por exemplo, faz uma esfera de bronze. E isso é verdade porque ele faz a coisa que é uma esfera de bronze a partir do bronze. Logo, se ele também faz a própria forma, é claro que a fará da mesma maneira, a saber, a partir de alguma matéria. E assim, assim como uma esfera de bronze será composta de matéria e forma, também a forma da esfera de bronze será composta de matéria e forma; e a mesma questão será levantada, por sua vez, sobre a forma desta forma, e assim ao infinito; e dessa maneira os processos de geração prosseguirão ao infinito, porque tudo o que é gerado tem matéria e forma. É evidente, então, que a forma da coisa gerada não vem a ser; e tampouco qualquer outra coisa, seja ela o que for, que deva ser chamada de forma nas coisas sensíveis, por exemplo, ordem, combinação e figura, que tem o caráter de uma forma em algumas coisas, especialmente naquelas feitas pela arte. 1421. E, como a geração pertence à coisa gerada, é evidente que não é a forma que é gerada, mas o composto. E assim também a essência da coisa gerada não é gerada em si mesma, exceto acidentalmente; pois a forma ou essência "é o que vem a ser em algo mais", i.e., na matéria, mas não por si mesma. E eu digo que ela vem a ser ou pela arte, pela natureza "ou pelo poder", i.e., por qualquer coisa que aja por violência. 1422. Ora, ele diz que a essência de uma coisa não é gerada, mesmo que seja a mesma que a coisa gerada; pois foi mostrado acima (C 1362) que cada coisa é a mesma que sua própria essência. Mas a essência de uma coisa se refere propriamente à sua forma. Portanto, as condições individuais, que pertencem acidentalmente a uma forma, são excluídas dela. E a espécie e outros universais são gerados apenas acidentalmente quando as coisas singulares são geradas. 1423. No entanto, deve-se notar que, embora se diga no texto que a forma vem a ser na matéria, esta não é uma maneira própria de falar; pois não é uma forma que vem a ser, mas um composto. Pois se diz que a forma existe na matéria, embora uma forma não exista [propriamente], mas um composto existe por sua forma. Assim, a maneira própria de falar é dizer que um composto é gerado a partir da matéria de acordo com tal e tal forma. Pois as formas não são geradas, propriamente falando, mas são trazidas da potência da matéria, na medida em que a matéria, que está em potência para a forma, torna-se atual sob alguma forma; e isso é produzir um composto. 1424. Mas ele faz (612). Aqui ele mostra que são as coisas compostas que são geradas. Ele diz que um agente realmente faz uma esfera ser; pois ele a faz a partir do bronze, que é a matéria, como princípio da geração, e a partir da esfera, que é a forma e termo da geração. Pois ele causa "esta forma", i.e., a figura de uma esfera, "nisto", i.e., na matéria, no sentido de que ele transforma este bronze em uma esfera, e isso é uma esfera de bronze, ou a forma de uma esfera no bronze. 1425. "Mas isto", a saber, a figura de uma esfera, "é o ser de uma esfera", i.e., a quididade de uma esfera. "Mas do ser da esfera em geral", i.e., da quididade da forma, não há geração alguma, porque se fosse gerada, teria que ser gerada a partir de algo como sua matéria. Pois tudo o que vem a ser deve ser divisível, de modo que "isto é isto", i.e., uma parte dele é isto, "e aquilo é aquilo", i.e., outra parte é aquilo. Ele explica isso dizendo que uma parte dele é matéria e a outra, forma. Portanto, se a quididade de uma esfera em referência à própria forma é "que é uma figura equidistante do centro em toda parte", i.e., que é uma certa figura sólida da qual todas as linhas traçadas do centro à circunferência são iguais, então "uma parte", i.e., a matéria "disto", a saber, de uma esfera de bronze, deve ser aquilo em que "a coisa produzida existirá", a saber, a matéria, e a outra será o que existe nisto, a saber, a forma, que é a figura equidistante do centro em toda parte, "e isto é tudo", i.e., o todo, "que foi produzido", a saber, uma esfera de bronze. 1426. Portanto, é evidente a partir de nossas observações que, se tudo o que vem a ser deve ser divisível, a parte que é chamada forma ou "substância", i.e., a essência, não vem a ser; mas é "o todo concreto", ou o composto, que é mencionado e recebe seu nome de tal forma ou quididade ou essência que vem a ser. Novamente, é evidente que a matéria é encontrada em tudo o que é gerado, e que de tudo o que é gerado "isto é isto e aquilo é aquilo", i.e., uma parte é matéria e a outra é forma. 1427. O problema, então (613). Como não são as formas que são geradas, mas as coisas compostas, ele mostra que não é necessário postular Formas separadas como causas da geração nestes corpos inferiores. E deve-se entender que os platônicos afirmavam que as Formas separadas causam a geração de duas maneiras: primeiro, à maneira de um gerador, e segundo, à maneira de um exemplar. Por isso, ele mostra, primeiro (613), que as Formas separadas não são causas da geração à maneira de um gerador; e segundo (614:C 1432), que não são causas à maneira de um exemplar ("E em alguns casos"). Ele diz, portanto, primeiro (613), que é necessário considerar se há uma forma "que é universal" e existe separadamente das formas singulares deste tipo", i.e., se há uma esfera sem matéria além destas esferas encontradas na matéria; ou novamente se há uma casa universal sem matéria além dos tijolos de que estas casas particulares são feitas. Ora, ele levanta a questão com referência às coisas artificiais para lançar luz sobre as naturais, cujas formas os platônicos afirmavam ser separadas da matéria; de modo que a questão é entendida como sendo se há um homem universal além da carne e dos ossos de que os homens individuais são compostos. 1428. E para o propósito de responder a esta questão, ele postula aqui que, se alguma substância é produzida desta maneira, não será uma coisa particular em nenhum sentido, mas significará apenas tal e tal coisa, que não é um indivíduo definido. Pois Sócrates significa esta coisa particular e um indivíduo definido, mas homem significa tal e tal coisa, porque significa uma forma comum e indefinida, já que significa sem a definitude de um isto ou aquilo. Portanto, se houver um homem separado de Sócrates e Platão e de outros indivíduos deste tipo, ele ainda será uma coisa particular ou definida. Mas nos processos de geração, vemos que a coisa que faz e gera algo "disto", i.e., de alguma matéria particular, é "tal e tal coisa particular", i.e., esta coisa definida que tem uma forma definida; pois assim como a coisa gerada deve ser uma coisa particular, também a coisa que a gera deve ser uma coisa particular, já que a coisa gerada é semelhante à coisa que a gera, como foi provado acima (C 1390). Ora, que a coisa gerada é uma coisa particular é claro pelo fato de que é um composto. "E este ser", i.e., o composto, quando é "tal e tal coisa", i.e., uma coisa definida, é como Cálias ou Sócrates, assim como quando falamos desta esfera de bronze. Mas homem e animal não significam esta matéria da qual a geração procede, e tampouco esfera de bronze, tomada universalmente. Portanto, se o composto é gerado, e é gerado apenas a partir desta matéria pela qual é esta coisa particular, então o que é gerado deve ser uma coisa particular. E, como a coisa gerada é semelhante à que a gera, esta última também deve ser uma coisa particular. Portanto, não há forma universal sem matéria. 1429. Portanto, fica evidente pelo que foi dito que, se existem formas separadas das coisas singulares, elas não servem para as gerações e substâncias das coisas, assim como alguns costumam falar da “causa que consiste nas Formas”, pretendendo com isso postular tais formas. Pois uma das razões pelas quais os platônicos postularam Formas separadas era que elas fossem a causa dos processos de geração no mundo. Logo, se as Formas separadas não podem ser a causa da geração, é evidente que as formas não serão certas substâncias existentes por si mesmas. 1430. E deve-se notar que todos aqueles que deixaram de considerar o que o Filósofo provou acima — que as formas não vêm a ser — enfrentam a mesma dificuldade quanto à produção das formas, porque foi por essa razão que alguns homens foram compelidos a dizer que todas as formas são criadas; pois, embora sustentassem que as formas vêm a ser, não podiam sustentar que elas vêm da matéria, uma vez que a matéria não é parte da forma; e, portanto, concluíram que as formas vêm do nada e, consequentemente, que são criadas. Mas, por causa dessa dificuldade, por outro lado, alguns homens afirmaram que as formas preexistem em ato na matéria, e isso é supor que as formas estão ocultas, como sustentava Anaxágoras. 1431. Ora, a visão de Aristóteles, que afirmou que as formas não são geradas, mas apenas as coisas compostas, exclui ambas as outras opiniões. Pois não é necessário dizer que as formas são causadas por algum agente externo, ou que estarão sempre presentes na matéria em ato, mas apenas em potência, e que, na geração do composto, elas são levadas da potência ao ato. 1432. E em alguns casos (614). Ele mostra que as Formas separadas não podem ser a causa da geração das coisas à maneira de um exemplar. Ele diz que, mesmo que em alguns casos se possa encontrar o problema de saber se o gerador é semelhante à coisa gerada, ainda assim, no caso de algumas coisas, é evidente que o gerador é do mesmo tipo que a coisa gerada: não numericamente o mesmo, mas especificamente, como fica claro no caso dos seres naturais; pois o homem gera o homem, e da mesma forma um cavalo gera um cavalo, e cada coisa natural produz algo semelhante a si mesmo em espécie, a menos que algo além da natureza aconteça, como quando um cavalo gera uma mula. E essa geração está além da natureza, porque está fora do objetivo de uma natureza particular. 1433. Pois o poder formativo, que está no esperma do macho, é projetado pela natureza para produzir algo completamente igual àquilo do qual o esperma foi separado; mas seu objetivo secundário, quando não pode induzir uma semelhança perfeita, é induzir qualquer tipo de semelhança que puder. E, uma vez que na geração de uma mula o esperma de um cavalo não pode induzir a forma de um cavalo na matéria, porque ela não está adaptada para receber a forma de um cavalo, ele induz, portanto, uma forma relacionada. Daí, na geração de uma mula, o gerador é, de certo modo, semelhante à coisa gerada; pois há um gênero próximo, que carece de nome, comum ao cavalo e ao asno; e a mula também está contida sob esse gênero. Portanto, com referência a esse gênero, pode-se dizer que o semelhante gera o semelhante; por exemplo, se pudéssemos dizer que esse gênero próximo é animal de carga, poderíamos dizer que, mesmo que um cavalo não gere um cavalo, mas uma mula, ainda assim um animal de carga gera um animal de carga. 1434. Portanto, é evidente que tudo que é gerado recebe a semelhança de sua forma a partir do poder da coisa que o gera. E por essa razão, obviamente não é necessário postular alguma Forma separada, como o exemplar das coisas que são geradas, de cuja imagem as coisas geradas recebem uma forma semelhante, como afirmavam os platônicos. Pois exemplares desse tipo são especialmente necessários no caso das substâncias naturais mencionadas acima, que são substâncias em maior grau quando comparadas às coisas artificiais. Ora, no caso das substâncias anteriores, o gerador é suficiente para causar uma semelhança de forma; e basta sustentar que o gerador causa a forma na matéria, isto é, que a coisa que faz a coisa gerada receber tal forma não é alguma forma fora da matéria, mas uma forma na matéria. 1435. “E toda forma” que está na matéria, a saber, “nesta carne e nesses ossos”, é alguma coisa singular, como Cálias ou Sócrates. E essa forma, que causa uma semelhança em espécie no processo de geração, também difere numericamente da forma da coisa gerada por causa da diferença na matéria; pois a diversidade material é o princípio da diversidade entre os indivíduos na mesma espécie; pois a matéria que contém a forma do homem que gera e a do homem que é gerado são diferentes. Mas ambas as formas são as mesmas em espécie; pois a própria forma é “indivisível”, isto é, não difere naquele que gera e naquele que é gerado. Daí segue que não é necessário postular uma forma separada das coisas singulares, que cause a forma nas coisas geradas, como afirmavam os platônicos.