LIÇÃO 3 - A Natureza e o Objetivo da Metafísica
TEXTO DE ARISTÓTELES: Capítulo 2: 982b 11-983a 23
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Que esta não é uma ciência prática é evidente a partir daqueles que primeiro filosofaram. Pois é por causa da admiração que os homens, tanto agora como antigamente, começaram a filosofar, sobre assuntos menos importantes, e depois progredindo pouco a pouco, levantaram questões sobre assuntos mais importantes, tais como as fases da lua e os cursos do sol e das estrelas e a geração do universo. Mas aquele que levanta questões e se admira parece ser ignorante. Por isso, o filósofo é também, até certo ponto, um amante do mito, pois os mitos são compostos de maravilhas. Se eles filosofaram, então, para escapar da ignorância, evidentemente buscaram seus estudos pelo conhecimento e não por qualquer utilidade.
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E o que aconteceu dá testemunho disso; pois quando quase todas as coisas necessárias para a vida, o lazer e o aprendizado foram adquiridas, esse tipo de prudência começou a ser buscado. É evidente, então, que não buscamos esse conhecimento por causa de nenhuma outra necessidade.
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Mas assim como dizemos que um homem é livre que existe para si mesmo e não para outro, de maneira semelhante esta é a única ciência livre, porque ela existe para si mesma.
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Por essa razão, também, poder-se-ia pensar com razão que esta ciência não é uma possessão humana, já que em muitos aspectos a natureza humana é servil.
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Daí, segundo Simônides, "Só Deus tem esta honra", e é inconveniente que um homem não busque um conhecimento que lhe seja adequado. Alguns poetas, portanto, dizem que a divindade é naturalmente invejosa; e é muito provável que isso aconteça neste caso, e que todos aqueles que são imperfeitos sejam infelizes. Mas não é adequado que a divindade seja invejosa, pois como diz o provérbio: "Os poetas contam muitas mentiras."
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Nem devemos pensar que qualquer outra ciência é mais honrosa do que esta. Pois o que é mais divino é o mais honroso. Mas então só ela será assim, e de duas maneiras. Pois de todo conhecimento, aquele que Deus possui mais propriamente é divino; e se existe algum conhecimento desse tipo, ele diz respeito a assuntos divinos. Mas esta ciência sozinha possui ambas essas características; pois Deus parece ser uma causa e, em certo sentido, um princípio, segundo todos os homens; e tal [conhecimento como este], Deus ou o possui sozinho, ou o possui no mais alto grau. Portanto, todas as outras ciências são mais necessárias, mas nenhuma é mais excelente.
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Mas é necessário, em certo sentido, levar a progressão desta ciência a uma parada no contrário de nossas questões originais. De fato, como dissemos, todos os homens começam por se perguntar se as coisas são tão estranhas quanto os acontecimentos casuais parecem àqueles que ainda não conhecem a causa; ou por se perguntar sobre as mudanças no curso do sol, ou sobre a incomensurabilidade da diagonal [de um quadrado]. Pois pareceria um objeto de admiração para todos se algo que tem a natureza do número fosse imensurável. Mas é necessário avançar para a visão contrária e, como diz o provérbio, a mais digna, como também acontece, em certo sentido, nestas questões quando os homens as aprenderam. Pois nada surpreenderia mais um geômetra do que se a diagonal [de um quadrado] se tornasse comensurável [com um lado]. Foi afirmado, então, qual é a natureza da ciência que buscamos, e qual é o seu objetivo para o qual nossa busca e todo o método devem ser empreendidos.
COMENTÁRIO
Por que esta ciência é chamada especulativa
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Primeiro, ele apresenta este argumento. Nenhuma ciência na qual o conhecimento em si é buscado por si mesmo é uma ciência prática, mas sim especulativa. Mas essa ciência que é a sabedoria, ou filosofia como é chamada, existe por causa do conhecimento em si. Portanto, ela é especulativa e não prática. Ele prova a premissa menor desta maneira. Quem busca como fim escapar da ignorância tende ao conhecimento por si mesmo. Mas aqueles que filosofam buscam como fim escapar da ignorância. Portanto, eles tendem ao conhecimento por si mesmo.
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Que eles buscam escapar da ignorância fica claro pelo fato de que aqueles que primeiro filosofaram e que agora filosofam o fizeram por admiração sobre alguma causa, embora tenham feito isso no início de maneira diferente do que agora. Pois no início eles se admiravam sobre problemas menos importantes, que eram mais óbvios, para que pudessem conhecer sua causa; mas mais tarde, progredindo pouco a pouco do conhecimento de questões mais evidentes para a investigação de questões obscuras, eles começaram a levantar questões sobre assuntos mais importantes e ocultos, como as mudanças sofridas pela lua, a saber, seu eclipse e sua mudança de forma, que parece variar na medida em que se relaciona de diferentes maneiras com o sol. E similarmente eles levantaram questões sobre os fenômenos do sol, como seu eclipse, seu movimento e tamanho; e sobre os fenômenos das estrelas, como seu tamanho, arranjo, e assim por diante; e sobre a origem de todo o universo, que alguns diziam ser produzida pelo acaso, outros por uma inteligência, e outros pelo amor.
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Além disso, ele aponta que a perplexidade e a admiração surgem da ignorância. Pois quando vemos certos efeitos óbvios cuja causa desconhecemos, admiramo-nos sobre sua causa. E como a admiração foi o motivo que levou os homens à filosofia, é evidente que o filósofo é, em certo sentido, um filomito, ou seja, um amante do mito, como é característico dos poetas. Daí os primeiros homens a lidar com os princípios das coisas de maneira mítica, como Perseu e certos outros que foram os sete sábios, foram chamados de poetas teologizantes. Ora, a razão pela qual o filósofo é comparado ao poeta é que ambos se ocupam com maravilhas. Pois os mitos com os quais os poetas lidam são compostos de maravilhas, e os próprios filósofos foram movidos a filosofar como resultado da admiração. E como a admiração decorre da ignorância, eles estavam obviamente movidos a filosofar para escapar da ignorância. É, portanto, evidente a partir disso que eles "perseguiram" o conhecimento, ou diligentemente o buscaram, apenas por si mesmo e não por qualquer utilidade ou proveito.
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Agora devemos notar que, enquanto esta ciência foi primeiramente designada pelo nome de sabedoria, isso foi mais tarde mudado para o nome de filosofia, já que significam a mesma coisa. Pois enquanto os antigos que perseguiam o estudo da sabedoria eram chamados de sofistas, ou seja, sábios, Pitágoras, quando perguntado o que professava ser, recusou-se a se chamar de sábio como seus predecessores haviam feito, porque pensava que isso fosse presunçoso, mas chamou a si mesmo de filósofo, ou seja, amante da sabedoria. E a partir daí o nome "sábio" foi mudado para "filósofo", e "sabedoria" para "filosofia". Este nome também contribui para o ponto em discussão, pois aquele homem parece ser amante da sabedoria que busca a sabedoria, não por alguma outra razão, mas por si mesma apenas. Pois quem busca uma coisa por causa de outra, tem maior amor por aquilo por causa do que busca do que pelo que busca.
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E o que aconteceu (28).
Aqui ele prova o mesmo ponto por meio de um exemplo. A afirmação (ele diz) de que a sabedoria ou filosofia não é buscada por nenhuma utilidade, mas pelo conhecimento em si, é provada "pelo que aconteceu", ou seja, pelo que ocorreu no caso daqueles que perseguiram a filosofia. Pois quando quase todas aquelas [artes] foram descobertas que são necessárias para a vida, "o lazer" (ou seja, para o tipo de prazer que consiste numa vida de descanso), e o aprendizado, como as ciências lógicas, que não são buscadas por si mesmas, mas como introduções às outras artes, então o homem começou pela primeira vez a buscar este tipo de prudência, a saber, a sabedoria. E a partir disso fica claro que a sabedoria não é buscada por causa de nenhuma necessidade diferente de si mesma, mas por si mesma; pois ninguém busca algo que já possui. Daí, porque a sabedoria foi buscada depois que todo outro conhecimento tinha sido descoberto, é evidente que ela não foi buscada por alguma outra razão diferente de si mesma, mas por si mesma.
Por que esta ciência é liberal
- Mas assim como (29).
Aqui ele prova o segundo atributo, a saber, que a sabedoria é livre; e usa o seguinte argumento: diz-se propriamente que o homem é livre que não existe para outro, mas para si mesmo. Pois os escravos existem para seus senhores, trabalham para eles e adquirem para eles tudo o que adquirem. Mas os homens livres existem para si mesmos, na medida em que adquirem coisas para si mesmos e trabalham para si mesmos. Ora, apenas esta ciência existe para si mesma; e, portanto, entre todas as ciências, somente esta ciência é livre.
- Devemos notar que isso pode ser entendido de duas maneiras. De um modo, a expressão "somente esta" pode indicar toda ciência especulativa como gênero. E então é verdade que apenas este gênero de ciência é buscado por si mesmo. Por isso, somente as artes que se dirigem ao conhecimento são chamadas de artes livres [ou liberais], enquanto aquelas que se dirigem a algum fim útil alcançado pela ação são chamadas de artes mecânicas ou servis.
Entendido de outro modo, a expressão pode indicar especificamente esta filosofia ou sabedoria que trata das causas mais elevadas; pois a causa final também é uma das causas mais elevadas, como foi dito acima (51). Portanto, esta ciência deve considerar o fim mais elevado e universal de todas as coisas. E, dessa forma, todas as outras ciências estão subordinadas a ela como a um fim. Daí que somente esta ciência existe no mais alto grau por si mesma.
Por que esta ciência é sobre-humana
- Por esta razão (30).
Aqui ele prova o terceiro atributo, a saber, que esta ciência não é uma [posse] humana. A respeito disso, ele faz duas coisas. Primeiro, prova sua tese. Segundo (61), critica uma visão errônea sustentada por certos homens ("Daí, segundo Simônides").
Ele prova sua tese com o seguinte argumento. Uma ciência que é livre no mais alto grau não pode ser uma posse daquela natureza que é servil e subordinada em muitos aspectos. Mas a natureza humana é servil "em muitos aspectos", isto é, de muitas maneiras. Portanto, esta ciência não é uma posse humana. Ora, a natureza humana é dita servil na medida em que necessita de muitas coisas. E por essa razão, acontece que o homem às vezes negligencia o que deveria ser buscado por si mesmo por causa das coisas necessárias para a vida. Assim, é dito no Livro III dos Tópicos que é melhor filosofar do que enriquecer, embora às vezes enriquecer seja mais desejável, isto é, para quem carece das necessidades da vida. A partir disso, fica claro que aquela sabedoria é buscada por si mesma, a qual não pertence ao homem como sua posse própria. Pois o homem tem como sua posse o que pode ter ao seu comando e usar livremente. Mas aquela ciência que é buscada por si mesma, o homem não pode usar livremente, pois muitas vezes é impedido dela pelas necessidades da vida. Nem está sujeita ao comando do homem, porque o homem não pode adquiri-la perfeitamente. No entanto, aquela parte muito pequena dela que ele possui supera todas as coisas conhecidas através das outras ciências.
- Daí, segundo Simônides (31).
Aqui ele rejeita o erro de um certo poeta, Simônides, que disse que é próprio apenas de Deus ter a honra de desejar aquele conhecimento que deve ser buscado por si mesmo e não por causa de outra coisa. Mas não é conveniente que o homem não busque aquele conhecimento que está de acordo com sua própria condição, a saber, aquele que se dirige às necessidades da vida exigidas pelo homem.
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Ora, o erro de Simônides veio daquele de certos poetas que disseram que a Divindade é invejosa, e que, sendo assim, não deseja que as coisas que pertencem à Sua honra sejam compartilhadas por todos. E se Deus é invejoso dos homens em outras coisas, Ele é justamente mais ainda neste caso, isto é, no caso da ciência que é buscada por si mesma, que é a mais honrosa de todas as ciências. E, segundo a opinião desses homens, segue-se que todos os que são imperfeitos são infelizes; pois eles diziam que os homens são felizes como resultado da providência dos deuses, que comunicam seus bens aos homens. Daí, como resultado da inveja dos deuses, que não querem comunicar seus bens, segue-se que os homens, que permanecem fora da perfeição desta ciência, são infelizes.
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Mas a base desta opinião é muito falsa, porque não é conveniente que qualquer ser divino seja invejoso. Isso é evidente pelo fato de que a inveja é tristeza pela prosperidade alheia. Mas isso só pode ocorrer porque aquele que inveja pensa que o bem do outro diminui o seu próprio. Ora, é impossível que Deus fique triste, porque Ele não está sujeito a nenhum tipo de mal. Nem a Sua bondade pode ser diminuída pela bondade de outrem, pois todo bem flui da Sua bondade como de uma fonte inesgotável. Por isso, Platão também disse que não há nenhum tipo de inveja em Deus. Mas os poetas mentiram não apenas neste assunto, mas em muitos outros, como é dito no provérbio comum.
Por que esta ciência é a mais honrosa
- Nem devemos pensar (32).
Aqui ele prova o quarto atributo, a saber, que esta é a ciência mais honrosa, pelo seguinte argumento. Aquela ciência que é mais divina é a mais honrosa, assim como o próprio Deus também é o mais honroso de todas as coisas. Mas esta ciência é a mais divina e, portanto, é a mais honrosa. A premissa menor é provada desta forma: uma ciência é dita divina de duas maneiras, e somente esta ciência é dita divina de ambas as maneiras. Primeiro, a ciência que Deus possui é dita divina; e segundo, a ciência que trata de coisas divinas é dita divina. Mas é evidente que somente esta ciência satisfaz ambos os requisitos, porque, como esta ciência trata das primeiras causas e princípios, ela deve tratar de Deus; pois Deus é entendido dessa forma por todos, na medida em que Ele é uma das causas e um princípio das coisas. Além disso, tal ciência que trata de Deus e das primeiras causas, ou só Deus a possui ou, se não só Ele, pelo menos Ele a possui no mais alto grau. De fato, só Ele a possui de modo perfeitamente abrangente. E Ele a possui no mais alto grau na medida em que também é possuída pelos homens à sua própria maneira, embora não seja possuída por eles como uma posse humana, mas como algo emprestado d'Ele.
- A partir dessas considerações, ele tira a conclusão adicional de que todas as outras ciências são mais necessárias do que esta para o uso na vida prática, pois essas ciências são menos buscadas por si mesmas. Mas nenhuma das outras ciências pode ser mais excelente do que esta.
A relação entre admiração e sabedoria
- Mas é necessário (33).
Ele agora apresenta o objetivo para o qual esta ciência se move. Diz que seu progresso chega ao repouso, ou termina, no contrário do que foi encontrado anteriormente naqueles que primeiro buscaram esta ciência, como também acontece no caso das gerações e movimentos naturais. Pois cada movimento termina no contrário daquilo de onde o movimento começa. Logo, como a investigação é um tipo de movimento em direção ao conhecimento, ela deve terminar no contrário daquilo de onde começa. Mas, como foi dito acima (53), a investigação desta ciência começou com a admiração do homem por todas as coisas, porque os primeiros filósofos admiravam assuntos menos importantes e os filósofos posteriores, os mais ocultos. E o objeto de sua admiração era saber se o caso era como o de ocorrências estranhas e casuais, ou seja, coisas que parecem acontecer misteriosamente por acaso. Pois coisas que acontecem como que por si mesmas são chamadas de ocorrências casuais. Os homens admiram-se sobretudo quando as coisas acontecem por acaso dessa maneira, supondo que foram previstas ou determinadas por alguma causa. Pois as ocorrências casuais não são determinadas por uma causa, e a admiração resulta da ignorância de uma causa. Portanto, quando os homens ainda não conseguiam reconhecer as causas das coisas, admiravam-se de todas as coisas como se fossem ocorrências casuais; assim como admiravam as mudanças no curso do sol, que são duas, a saber, os solstícios, o de inverno e o de verão. Pois no solstício de verão o sol começa a declinar para o sul, após ter declinado anteriormente para o norte. Mas no solstício de inverno ocorre o oposto. E admiravam-se também de que a diagonal de um quadrado seja incomensurável com o lado. Pois, como ser imensurável parece pertencer apenas ao indivisível (assim como a unidade é o que não é medido pelo número, mas mede todos os números), parece ser motivo de admiração que algo que não é indivisível seja imensurável e, consequentemente, que o que não é uma parte mínima seja imensurável. Ora, é evidente que a diagonal de um quadrado e seu lado não são nem indivisíveis nem partes mínimas. Logo, parece motivo de admiração se eles não são comensuráveis.
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Portanto, como a investigação filosófica começou com a admiração, ela deve terminar ou chegar ao contrário disso, e isto é avançar para a visão mais digna, como concorda o provérbio comum, que afirma que se deve sempre avançar para o melhor. Pois o que é essa visão oposta e mais digna é evidente no caso das admirações acima, porque, quando os homens já aprenderam as causas dessas coisas, não se admiram. Assim, o geômetra não se admira se a diagonal é incomensurável com o lado. Pois ele conhece a razão disso, ou seja, que a proporção do quadrado da diagonal para o quadrado do lado não é como a proporção do quadrado de um número para o quadrado de um número, mas como a proporção de dois para um. Segue-se, portanto, que a proporção de um lado para a diagonal não é como a proporção de número para número. E disso fica evidente que eles não podem ser tornados comensuráveis. Pois apenas as linhas que são proporcionadas entre si como número a número são comensuráveis. Logo, o objetivo desta ciência para o qual devemos avançar será que, conhecendo as causas das coisas, não nos admiremos de seus efeitos.
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Do que foi dito, então, é evidente qual é a natureza desta ciência, a saber, que ela é especulativa e livre, e que não é uma possessão humana, mas divina; e também qual é o seu objetivo, para o qual toda investigação, método e arte devem ser conduzidos. Pois sua meta são as primeiras e universais causas das coisas, sobre as quais também faz investigações e estabelece a verdade. E em razão do conhecimento destas, ela atinge este objetivo, ou seja, que não haja admiração porque as causas das coisas são conhecidas.