Na Imprensa: In Memoriam Jean Vaquié
ADEUS A JEAN VAQUIÉ
A notícia nos atingiu na véspera de São Silvestre. Jean Vaquié apagou-se em sua casa, rezando o terço em companhia de seus filhos e netos. Estava em seu octogésimo segundo ano.
Durante a última guerra, Jean Vaquié fizera parte da rede Roy do padre Lapouge. Chamavam-no "O Grande". Dessa época da Resistência data uma longa e fiel amizade com certos companheiros de luta que as mesmas convicções políticas e religiosas uniam.
Em 1953, deixava as margens de seu Garona natal para morar numa antiga abadia, no meio do Saône, um pouco fora de Lyon, nessa Île Barbe que não mais deixaria.
Com o passar dos anos, embora sempre discreto, Jean Vaquié se afirma como um dos mais sólidos defensores da Tradição. Providencialista, à margem de todo ativismo, conduz, nem por isso, em toda a humildade, por seus escritos e por suas conferências, um combate de todos os instantes. Homem de grande rigor intelectual e de alta espiritualidade, não tinha igual para decifrar um texto ou um discurso, para desentocar-lhe os erros. Indo sempre ao essencial, exprimia-se numa língua clara e precisa, lapidar como seu pensamento, toda penetrada da verdade das Escrituras, do ensinamento dos Padres da Igreja, dos místicos, dos profetas. Tinha o dom da fórmula e esses toques de humor que tocam tanto mais quanto são fruto da inocência visionária, a das crianças e dos santos.
O combate de Jean Vaquié pela Igreja será duplo: ao mesmo tempo contra o vírus modernista — denuncia muito cedo a reforma litúrgica, os malefícios da colegialidade, do pluralismo, do ecumenismo — e contra o "ácido esotérico" que "vem corroer os dogmas". Num caso como no outro, constata e desvela a demissão ou os silêncios da Igreja oficial, tornada "uma casca vazia", "arregimentada" pela maçonaria.
Apesar dessa terrível constatação, Jean Vaquié nem por isso deixa de transmitir uma mensagem de fé e de esperança, lembrando a palavra evangélica: "Esta doença não é para a morte, mas para a glória de Deus" (Jo XI, 4), de Deus "que prova a divindade de suas obras por milagres de ressurreição". E de proclamar sua inabalável confiança nos "formidáveis dogmas católicos que fazem estremecer Lúcifer e os luciferianos".
Jean Vaquié não dizia: "Ajuda-te, e o céu te ajudará", mas "É preciso ajudar o céu", o que fez durante toda a vida e por seus escritos: modelos que no-lo tornam mais presente do que nunca. Entre eles, citemos "A revolução litúrgica", "Bênçãos e maldições", coletânea de textos proféticos da revelação privada, seu "Compêndio de demonologia" e seus estudos sobre a gnose publicados em "Lecture et Tradition" ou nos "Cahiers d'Augustin Barruel", de que era ativo colaborador. Ver também seus artigos de "Monde et Vie", notadamente "A maré gnóstica" (n.os 398 e 399, de junho e julho de 1984) e "O romantismo indelével" (n.º 437, de 24 de outubro de 1986).
P. de P.
EXTRATO DE LECTURES FRANÇAISES N.º 430 – Fevereiro de 1993
JEAN VAQUIÉ
Acabamos de perder um amigo muito caro na pessoa de Jean Vaquié, falecido em Lyon, em 30 de dezembro último, aos 81 anos de idade.
Nascera em Bordéus, em 1911, e muito cedo (desde os anos 30) interessou-se pelas questões que tratou depois com a maior desenvoltura e um conhecimento praticamente sem falhas: a revolução, a gnose, a reforma litúrgica, a subversão na Igreja.
Uma amizade de sempre, concepções idênticas e convergências de ideias o ligaram a Léon de Poncins até a morte deste em 1975.
Em 1947, no período dito da depuração, publicara, sob o pseudônimo de Jean Gonthier, justificado pelas circunstâncias turvas da época, uma coletânea de textos proféticos e místicos sob o título "Malédictions et Bénédictions", reeditada em seguida duas vezes.
Desde a nova constituição litúrgica em 1963, J. Vaquié foi um dos primeiros a insurgir-se, com argumentação coerente, contra as inovações litúrgicas. E depois da implantação da nova liturgia da missa segundo o Ordo Missae de 3 de abril de 1969, reuniu suas reflexões num livro que fez grande barulho quando de sua publicação em 1971: "A revolução litúrgica" (Éd. de Chiré).
Desde então não cessou de prosseguir seus trabalhos para denunciar essa nova liturgia e os perigos que ela faz correr à fé católica.
Amigo de longa data e muito fiel de nosso centro de Chiré, Jean Vaquié era colaborador regular de Lecture et Tradition, que publicou vários de seus textos notáveis; fazia também parte do Comitê de redação da Contre-Encyclopédie, para a qual tinha várias notícias em preparação.
Salvo caso de força maior, estava muito fielmente presente nas anuais "Jornadas chuãs", nas quais tomara a palavra algumas vezes.
Era também um dos principais animadores e redatores da Sociedade Augustin Barruel (em Lyon), que efetua com assiduidade e qualidade excelentes estudos e pesquisas sobre a penetração e o desenvolvimento da revolução no cristianismo.
A direção e a redação de Lectures Françaises apresentam a seus filhos e netos a expressão de suas condolências comovidas e a certeza de sua viva simpatia.
Títulos das principais obras e opúsculos escritos por Jean Vaquié – Bênçãos e maldições. As profecias da revelação privada (3.ª edição, Dominique Martin Morin, 1987) – A revolução litúrgica (Éd. de Chiré, 1971) – Compêndio de demonologia (Éd. Sainte Jeanne d'Arc, 1988) – A escola moderna do esoterismo cristão (Cahiers Augustin Barruel, 1992) – Ocultismo e fé católica: os principais temas gnósticos (Action Familiale et Scolaire, 1991) – Institutions liturgiques, de Dom Guéranger. Extratos escolhidos e apresentados por Jean Vaquié (Éd. de Chiré, 1977) – Números especiais de Lecture et Tradition . O retorno ofensivo da gnose (n.º 110, 1984) . Reflexões sobre os inimigos e a manobra (n.º 126, 1987) . O candente problema da Tradição (n.º 167, 1991)
Todos esses títulos (com exceção de "A revolução litúrgica", que está esgotado) podem ser encomendados à D.P.F., BP 1, 86190 Chiré en Montreuil
EXTRATO DO CATÁLOGO N.º 185 de 9 de fevereiro de 1993 da D.P.F.
Falecimento de Jean Vaquié
Jean Vaquié faleceu em 30 de dezembro de 1992. Amigo muito fiel de Chiré, foi colaborador regular de Lecture et Tradition. Desde a nova constituição litúrgica de 1963, foi um dos primeiros a insurgir-se, com argumentação coerente, contra as inovações litúrgicas. Desde então não cessou de prosseguir seus trabalhos para denunciar essa nova liturgia e os perigos que ela faz correr à fé católica.
A Escola Moderna do Esoterismo Cristão (162 p.) 100 F. O autor chama a atenção para o problema do esoterismo cristão, que até agora parece não ser bem percebido pelos tradicionalistas. Esses trabalhos põem às claras o desenvolvimento de uma doutrina e de uma escola do esoterismo cristão, que impregnam o próprio seio dos meios católicos.
Lecture et Tradition n.º 110 O Retorno ofensivo da Gnose (56 p.) ..... 25 F. Exposição dos marcos mais característicos da gnose, que ele chama "teologia da contra-Igreja".
Lecture et Tradition n.º 126 Reflexões sobre os inimigos e a manobra (56 p.) 25 F. Reflexões políticas e espirituais que denunciam quais são os inimigos da França tradicional.
Lecture et Tradition n.º 167 O candente problema da Tradição. 42 p. 25 F. Trabalho de esclarecimento em torno do sentido real da palavra Tradição.
Ocultismo e fé católica: Os principais temas gnósticos (46 p.). 26 F. Definição dos principais temas gnósticos desenvolvidos na literatura ocultista, esotérica e gnóstica contemporânea.
Compêndio de demonologia (122 p.) ......... 100 F. Aplicação da demonologia cristã à crise da sociedade contemporânea. Resumo acessível a todos dessa ciência que trata da natureza e da influência dos demônios.
Bênção e Maldição (262 p.) .... 140 F. Profecias da revelação privada. O objetivo é dar-nos a conhecer as advertências e as profecias que o Céu nos dirige há tanto tempo e das quais fazemos pouco caso.
Dom Guéranger: Institutions liturgiques (298 p.) 82 F. Extratos estabelecidos por Jean Vaquié e tirados dos três primeiros tomos da segunda edição de 1878. Um trabalho de síntese notável.
EXTRATO DA GAZETTE ROYALE Março–Abril de 1993 Órgão da União dos Círculos Legitimistas da França Chanteloup des Mays – Cours – 58200 Cosne sur Loire
Temos a dor de anunciar o falecimento de Jean Vaquié, morto em sua casa rezando o terço em companhia de seus filhos e netos. Tinha 81 anos.
Grande cristão, foi sólido e dedicado defensor da Tradição. Lutou sem cessar, por suas conferências e seus escritos, contra as reformas oriundas do Vaticano II, colegialidade, pluralismo, ocultismo, contra o esoterismo e sobretudo contra a gnose e "a maré gnóstica".
Todos os que assistiram às suas conferências não poderão esquecer o valor desse grande soldado que previra essa maré gnóstica que invade atualmente nossos grupos, nossos círculos, nossas capelas e nossas igrejas.
EXTRATO DE SOUS LA BANNIÈRE N.º 45 Janeiro–Fevereiro de 1993 "Les Guillots" – Villegenon 18260 Vailly sur Sauldre
IN MEMORIAM JEAN VAQUIÉ
"Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a FÉ" 2.ª epístola de São Paulo a Timóteo 4, 7
A Contrarrevolução católica acaba de perder um mestre: Jean Vaquié apagou-se em seu 82.º ano! Morreu piedosamente, cercado de seus filhos e netos, rezando o terço, lúcido até o último instante.
Jean Vaquié travou durante toda a vida o "bom combate" do campo da verdade e forjou para seus amigos armas preciosas, muito úteis num momento em que o poder das Forças da Revolução está em seu ponto culminante. Seus escritos constituem guias seguros para resistir à influência irresistível da Contra-Igreja, que arrasta, como torrente devastadora, os povos e as religiões para a funesta unidade de Babel!
Ao término da segunda guerra mundial, Jean Vaquié, que fizera parte de uma rede de resistência, testemunhou no processo de Léon de Poncins e evitou-lhe assim o pelotão de fuzilamento, pois os ódios eram vivos contra o escritor que tão bem denunciara a Conjuração Judaico-maçônico-bolchevique. O testemunho de Jean Vaquié sobre a pertença de Léon de Poncins a uma rede anglo-francesa de resistência reduziu a nada toda a acusação do adversário, que ignorava esse fato. Uma amizade de sempre e concepções idênticas sobre os problemas revolucionários ligavam os dois homens. O Inimigo ficou provisoriamente no prejuízo, pois soube vingar-se provocando, nos anos sessenta, um acidente que deixou o Conde de Poncins dolorosamente enfermo até o fim de seus dias...
A primeira obra de Jean Vaquié apareceu no período dito da "Depuração", em 1947. Por prudência, o autor escolheu o pseudônimo de Jean Gonthier. A obra intitulava-se "Malédictions et Bénédictions" (Éditions Mazarine, em Paris) e tratava das profecias da revelação privada. As circunstâncias turvas justificavam o emprego de um pseudônimo e a publicação de uma coletânea de textos proféticos e místicos, pois não existia mais nas livrarias, naquela época, compilação dessa ordem. Por outro lado, os acontecimentos permitiam compreender coisas que pareciam inimagináveis algumas décadas antes. Isso se tornou ainda mais claro depois do "Concílio Vaticano II"...
O livro, que se baseava em grande número de obras revestidas do Imprimatur, foi reeditado em 1963 pelas Éditions du Carmel. Em 1987 reapareceu na Dominique Martin Morin, revisto e aumentado, sob o título "Bénédictions et Malédictions. Profecias da Revelação privada". Desde 1947 esse livro circulou longamente em surdina entre os fiéis inquietos com a sequência dos acontecimentos. Sua influência foi certa.
Jean Vaquié foi um dos primeiros a insurgir-se, com argumentação coerente, contra as inovações litúrgicas que apareceram já antes do Concílio. Em 1956 publicou na "Pensée Catholique" (n.º 45-46) um artigo intitulado: "Reflexões de um leigo sobre a Missa voltada para os fiéis e a liturgia em língua vulgar". Depois do concílio, saiu pela "Diffusion de la Pensée Française" (em 1971, exatamente) uma obra que fez barulho e rapidamente se esgotou: "A Revolução Litúrgica". Era prefaciada por seu velho amigo Léon de Poncins. Esse livro, que incomodava o conformismo ambiente, desmontava o mecanismo dos diversos subterfúgios empregados pela Subversão Eclesiástica para nos levar progressivamente a práticas a que jamais teríamos querido subscrever se nos tivessem sido anunciadas de saída! Desvelava as armadilhas de grande sutileza que encerram os documentos mais solenes e analisava o processo, ao mesmo tempo audacioso e prudente, seguido pela intelligentsia progressista com vistas a chegar a essa reforma litúrgica. A "Nova constituição Litúrgica de 4 de dezembro de 1963" e a "Nova liturgia do Novus Ordo Missae de 3 de abril de 1969" eram assim passadas pelo crivo!
Em 1977, nosso autor publicou pelas Éditions de Chiré uma obra de extratos das "Institutions liturgiques de dom Guéranger". Dom Guéranger, restaurador da Ordem Beneditina na França e fundador da abadia de Solesmes, é conhecido sobretudo por seu "Ano Litúrgico". Em contrapartida, suas "Institutions liturgiques" o são muito menos, por sua raridade. Ora, essa obra capital, que operou o retorno das dioceses da França aos autênticos livros romanos do Ofício e da Missa, merecia ser tirada do esquecimento. Na falta de reedição (a obra conta quatro enormes volumes), os extratos estabelecidos por Jean Vaquié constituem um importante instrumento de trabalho no estudo das instituições litúrgicas. Era preciso um bom espírito de síntese para entregar o essencial dessa obra sem modificar-lhe a demonstração, permanecer fiel ao texto primitivo e conservar os escritos em que se desenham com força e clareza o raciocínio histórico e litúrgico.
Nesse meio tempo, Jean Vaquié iniciou uma colaboração com a revista "Lecture et Tradition", revista fundada por Jean Auguy, o editor de seus dois últimos livros acima citados. Publicou nela artigos e resenhas de livros, notáveis de análise. O "perigo hinduísta", a "Metafísica de René Guénon", a "Impostura guenoniana" (...) esclareceram mais de um leitor! É no quadro dessa revista que Jean Vaquié fez publicar números especiais, essenciais, como o n.º 110, intitulado "O retorno ofensivo da gnose", no qual descrevia os marcos mais característicos da gnose, "Teologia da contra-Igreja". Evocava nele as primeiras correntes de pensamento gnóstico (ou "gnose histórica"), desde Simão o Mago, Valentim, a Escola de Alexandria, o Maniqueísmo, os Maometanos, para chegar à análise da letra G dos escudos maçônicos do século XVIII e depois ao exame dos pensadores gnósticos contemporâneos, como René Guénon, Raymond Ruyer e a Gnose de Princeton, Raymond Abellio e o G.R.A.C. de Perpignan.
Esse N.º especial 126 constitui sem dúvida um dos documentos mais preciosos que escreveu Jean Vaquié. Esse texto circulou desde 1962-63 em forma mimeografada nos meios contrarrevolucionários, após a perda da Argélia francesa. A versão atual foi revista e intitula-se "Reflexões sobre os Inimigos e a Manobra". Esse guia é uma análise notável da situação atual, das forças em presença, das táticas empregadas pelos Inimigos da França tradicional. Previne contra a manobra insidiosa que esses sequazes de Satã põem em prática para desviar de seu objetivo todas as tentativas de sã reação a seu plano diabólico. É uma obra a consultar com frequência e a meditar!
No N.º 134 de "Lecture et Tradition", Jean Vaquié precisou a Christian Lagrave suas concepções sobre os "Inimigos e a Manobra". Um complemento útil, repleto de análises pertinentes, assim como o "meio número especial" intitulado "A batalha preliminar" (N.º 155), análise que sublinha a necessidade de uma dupla tática e chama a atenção para os erros a não cometer enquanto o inimigo é todo-poderoso...
Pensando no combate cotidiano, Jean Vaquié fez publicar pela "Action familiale et scolaire" um folheto de cerca de cinquenta páginas sobre "os principais temas gnósticos: Ocultismo e Fé Católica", temas que se desenvolveram com incrível volubilidade na literatura ocultista, esotérica e gnóstica contemporânea. Essa obra facilita a identificação dos grandes temas gnósticos nos documentos que a vida moderna nos põe diante dos olhos.
Foi igualmente por preocupação de esclarecimento que Jean Vaquié publicou "o candente problema da tradição" (L. et T. N.º 167), para que os católicos tradicionalistas saibam a que se ater quanto à Tradição da Igreja e à Tradição da Contra-Igreja. Num tempo em que reina a confusão em torno do sentido real da palavra "Tradição", Jean Vaquié quis esclarecer e depois prevenir contra uma anti-tradição compósita, tão antiga quanto a autêntica e que ousa espalhar-se hoje, como um dilúvio, sobre o mundo inteiro. São de fato os "Dois estandartes" das "Duas cidades"! Esse texto apareceu primeiro, em primeira edição, nos cadernos da "Revue Barruel", de que falaremos um pouco mais adiante.
Com seu "Compêndio de Demonologia" (nas E.S.J.A.), Jean Vaquié fez uma aplicação da Demonologia cristã à crise da sociedade contemporânea. Num tempo em que a demonologia já não é ensinada nos seminários, em que os bons livros sobre a questão se tornaram muito raros, Jean Vaquié escreveu um livro salutar! Com esse título, já não será possível ignorar essa ciência! A natureza e a influência dos demônios nele são magistralmente expostas. Precisemos que essa obra, editada pelas E.S.J.A., está em sua segunda edição, inteiramente refundida e aumentada.
Além desses escritos de grande qualidade, Jean Vaquié participou, com Paul Raynal e Étienne Couvert, em 1979–1980, da fundação de uma revista única no mundo.
Trata-se igualmente de uma obra de salvação pública, para a defesa da Igreja Católica e o combate contra a Sinagoga de Satã. Refiro-me à "Sociedade Augustin Barruel" de Lyon. A Sociedade, cuja revista leva o mesmo nome, apresenta-se como um "Centro de Estudos e de Pesquisas sobre a Penetração e o desenvolvimento da revolução no cristianismo". A revista sai duas vezes por ano e está em seu 23.º número. Os estudos publicados nesses 23 números são notáveis; constituem uma mina de informações e de formação, centrada no "Combate das duas cidades". É no quadro dessa revista que Jean Vaquié publicou o que se pode considerar seu último livro: "A Escola moderna do esoterismo cristão" (N.os 22 e 23 – 162 páginas). Essa edição é o resumo de uma grande obra em 3 tomos, reservada aos especialistas. Livro solidamente argumentado, cujo objetivo é esclarecer os católicos sobre uma corrente de pensamento, "o Esoterismo dito cristão", que se pode considerar um verdadeiro câncer, um ácido que corrói os dogmas, uma peste que impregna hoje os próprios meios tradicionalistas!
É um dos perigos da hora presente! Jean Vaquié desvela-nos nesse trabalho os homens e as doutrinas dessa corrente que ousa agora exibir-se publicamente, tão cegante é a decrepitude da Igreja conciliar.
O que René Guénon não pôde realizar em vida, a geração de esoteristas ditos cristãos formada pelos discípulos do "Mestre" está em vias de realizar, o que Deus não permita! Agora que o dogma católico se fez em pedaços, a teologia da contra-igreja abre para si uma via régia para tudo subverter! Voltamos sempre ao Solve et Coagula caro aos sectários da "Viúva"!
Este último trabalho de Jean Vaquié é, pois, um serviço assinalado a todos os contrarrevolucionários que conhecem sua religião e não querem deixar-se enganar a nenhum preço! Dispõem aí de uma arma preciosa contra a subversão Esotérico-Ocultista!
Devemos reconhecer que Jean Vaquié realizou bela obra apologética. Soube defender a doutrina, mas também chamar a atenção para as armadilhas do Inimigo. Sua ação exerceu-se ainda por uma colaboração em diversas revistas da tradição. Pensamos notadamente em "De Rome et d'Ailleurs", "Montjoie Saint-Denis", "Monde et Vie", "Les Cahiers de Chiré", "Sous la Bannière". Seria muito oportuno reunir em volume os artigos publicados nessas revistas; citemos, entre outros, "O Concílio dos Maus me cercou", "As finalidades revolucionárias da Nova Era", "Os manifestos rosacrucianos" (colaboração em obra coletiva), "O pastor ferido e as ovelhas dispersas", "Os documentos da Alta Venda", "Um corpo ao mesmo tempo morto e divino", "Léon de Poncins é discípulo de René Guénon e de Julius Evola?", "Os precursores da Era de Aquário" etc...
Jean Vaquié escreveu, pois, bastante; lamentamos que não o tenha feito mais... mas também trabalhou bem por meio de conferências apaixonantes, muito apreciadas por seus ouvintes.
Monarquista providencialista, grande defensor da tradição, Jean Vaquié sempre se guardou de todo ativismo despropositado, mas soube travar um combate de todos os instantes, servido por sólida formação haurida na Escritura, nos Padres da Igreja, nos doutores, nos místicos, nos grandes doutrinadores católicos e nos contrarrevolucionários. Homem ele próprio muito místico, Jean Vaquié era de alta probidade intelectual. Seus dons de análise eram notáveis e sabia apresentar de maneira muito clara as doutrinas (...) das "duas tradições", cuja exposição nem sempre é fácil. Tinha, aliás, um faro incomparável para detectar os perigos do momento. Ir direto ao essencial e depois expô-lo numa língua clara e agradável não é dado a todos! Jean Vaquié possuía esse dom da clareza.
Embora a situação pudesse parecer desesperada aos olhos do comum, Jean Vaquié tinha a certeza inabalável da vitória final. Seus escritos o atestam; demonstram mesmo que, ao mesmo tempo que se afirmava "providencialista", é possível, apesar da estreita margem de manobra que ainda nos é deixada, trabalhar para a glória de Deus e a Edificação "dos restos que iam perecer"...
Jean Vaquié foi para nossa época um apoio precioso!
Sim, a Tradição acaba de perder um grande homem! Possa ele sustentar-nos agora de lá do alto, já que não dispomos mais de suas luzes aqui embaixo! Que nossas orações subam por ele ao Deus das misericórdias, para que lhe devolva lá em cima os frutos de seu labor aqui embaixo.
"As forças da revolução podem ocupar todo o terreno. Deus não permitirá que todos os seus servidores desapareçam. Deus precisa de 'pequenos nadas' para tudo reconstruir" (Jean Vaquié).
Neste 21 de janeiro de 1993. Bicentenário do Martírio de Luís XVI e origem de todos os nossos males!
Félix Causas
EXTRATO DE LE SEL DE LA TERRE N.º 4 Primavera de 1993 Convento da Haye-aux-Bonshommes 49240 Avrillé
A ESCOLA DO ESOTERISMO CRISTÃO
Um número especial do boletim de estudos da Sociedade Augustin Barruel é consagrado a um assunto muito importante e bastante desconhecido: o do "Esoterismo cristão". Por essa expressão deve-se entender uma corrente de pensamento que se ligou, em boa parte, a René Guénon. Aqui o autor não estuda diretamente o pensamento do mestre, cuja tentativa de infiltração do cristianismo foi um fracasso: consagra sua obra ao exame do pensamento dos discípulos de Guénon que se dizem católicos ou que exercem grande influência junto a católicos. Entre estes, distingue três que são mais importantes: o padre Stéphane, François Chenique e Jean Borella.
O caso do "padre Stéphane" (André, Henri, Stéphane Gircours, nascido em 1906) é bastante perturbador. Eis um sacerdote que se deixou ganhar completamente pelas teorias gnósticas de Guénon e de seu discípulo Frithjof Schuon. Seu bispo se preocupou e o expulsou de sua diocese. Refugiou-se na escola Sainte-Geneviève, em Versalhes, onde ensinou matemática até 1973. Morreu em 1984, depois de sofrer de distúrbios psíquicos que exigiram cuidados em estabelecimento psiquiátrico.
Esse padre reagiu contra os desvios modernistas na Igreja em nome de certa "Tradição". Mas é preciso saber que os guenonianos não designam com esse nome a Tradição apostólica e romana que Le sel de la terre defende na esteira de Dom Lefebvre. Para eles, a Tradição é um conhecimento "sagrado" confiado a uma "elite" e a "iniciados".
No vocabulário desses gnósticos, é preciso distinguir o exoterismo (onde se situa, por exemplo, nossa revista) e o esoterismo (onde eles se situam). Essa distinção encontra-se em cada forma religiosa "autêntica": islã, hinduísmo, judaísmo... e também cristianismo. No nível do exoterismo, há conflito entre as diferentes formas religiosas, mas no nível do esoterismo há uma "unidade transcendental das religiões".
O ensinamento do padre Stéphane foi recolhido por discípulos, dos quais dois são atualmente particularmente ativos: François Chenique e Jean Borella. Este último é especialmente perigoso, pois conseguiu, por uma prática muito exata do "exoterismo", fazer certa penetração no meio católico tradicionalista. Contudo, não esconde sua admiração por René Guénon, e Jean Vaquié não tem dificuldade em encontrar em seus escritos os principais temas do gnosticismo.
Temos em mãos as atas de um colóquio organizado de 31 de agosto a 2 de setembro de 1991 para o 40.º aniversário da morte de René Guénon. Jean Borella ali participava ao lado de franco-maçons como Jean Tourniac, de muçulmanos como 'Abd Al Wahid Pallavicini e 'Abd Al Haqq Ismail Guiderdoni, e de outros esoteristas favoráveis ao budismo, ao hinduísmo e ao "cristianismo" (por exemplo Jean Hani e um padre beneditino, Michel Van Parys). Notemos o "Propósito inaugural" de Roland Goffin: "Estas jornadas deveriam ser vividas, faço o voto, num espírito análogo ao de Assis (onde não se tratava de elevar ao Céu uma oração comum a todas as tradições, nem talvez sequer de orar juntos), mas de estar juntos para elevar nossos pensamentos e reflexões, certamente conforme à natureza de cada uma das tradições aqui representadas, mas todas orientadas para seu princípio divino comum, idêntico e transconfessional (...), enunciar verdades que, em si mesmas, estão além de cada um dos pontos de vista adotados: 'no centro', do qual todas as tradições providencialmente saídas e instituídas pela Vontade divina são para nós vias e raios convergentes".
A revista que publica essas atas, Vers la Tradition, exprime que "sua preocupação é publicar apenas trabalhos compatíveis com o princípio da unidade essencial das diversas tradições, princípio que é o fundamento do verdadeiro ecumenismo, o do Espírito, concebido e vivido fora de todo sincretismo". Deixamos a nossos leitores o cuidado de descobrir de qual "Espírito" pode tratar-se.
Estamos diante de uma doutrina saída diretamente dos antros do inferno, insuflada a iniciados que se exercitam em práticas esotéricas, e que pretende ser uma justificação teórica do ecumenismo de João Paulo II. É incrível que católicos que se pretendem tradicionalistas participem de tal empreendimento.
Mas ficaremos menos espantados se lermos a intervenção de um dos participantes desse colóquio, 'Abd Al Wahid Pallavicini: "Não há organização esotérica nem esoterismo fora de um exoterismo ao qual já se pertence, ainda que seja apenas 'com vistas' a tal iniciação (...) Para nós, ocidentais, hoje, nosso exoterismo é necessariamente uma 'religião'". Na lógica dessa doutrina gnóstica, para desenvolver todas as "virtualidades" contidas na "influência espiritual" dada pela iniciação, é preciso praticar também um exoterismo, isto é, uma religião. Alguns terão repugnância em imitar o Sr. Pallavicini, que sem dúvida recebeu no batismo um prenome menos bárbaro que o que nos recusamos a escrever uma terceira vez, em sua prática do islã. Resta-lhes então a possibilidade de praticar a religião católica. Evidentemente, para esses senhores que se pretendem esoteristas "ortodoxos", diferenciando-se bem dos vulgares ocultistas da New Age, preferem praticar o exoterismo "ortodoxo" da Tradição católica. Aí têm certeza de que os sacramentos são válidos e transmitem a "influência espiritual", e encontrarão uma liturgia que conservou o sentido do sagrado e concorda com o que procuram encontrar na pseudomística (para não dizer a contramística) da iniciação.
Toda essa longa digressão não terá feito conhecer tanto assim a Escola do esoterismo cristão aos cristãos de Le Sel de la terre. Mas, em vez de resumir essa obra, aconselhamos a nossos leitores obtê-la. Terão compreendido, à luz das poucas considerações que acabamos de fazer, o perigo dessa Escola. Encontrarão na obra de Jean Vaquié uma boa descrição dos "líderes" da Escola e de sua doutrina.
Podemos lamentar um pouco que esse estudo se atenha sobretudo ao aspecto descritivo dessa escola. Uma boa análise, à luz da filosofia e da teologia tomistas, das principais noções do guenonismo (tradição primordial, influência espiritual, simbolismo, "realização" pelo conhecimento, Princípio indiferenciado etc.) seria bem-vinda e mostraria o vazio desse pensamento diante das riquezas da Tradição católica. O autor deste estudo talvez tenha carecido de um conhecimento aprofundado do tomismo. É o que explicaria também que aprove, paradoxalmente, a crítica injustificada de Borella ao hipotomismo, que não é outra coisa senão o tomismo contemporâneo.
Resta, pois, fazer um estudo mais doutrinal do pensamento de René Guénon. Que saibamos, esse estudo ainda não foi feito. Houve, sim, alguns estudos logo após a morte de Guénon, mas hoje são impossíveis de encontrar e nem sempre mediram a nocividade contida em germe nesse pensamento, a qual é muito mais visível hoje. O estudo de Noëlle Maurice-Denis Boulet, publicado em La Pensée Catholique (N.os 77, 78–79, 80), que goza de certa reputação, era favorável demais ao "mestre", a quem não hesitava em fazer um grande metafísico.
Alguns puderam também assinalar alguns erros de fato nesse estudo. Ninguém é infalível aqui embaixo, exceto o papa em certas condições, e também os guenonianos, e o autor, trabalhando um pouco como pioneiro nesta matéria, bem pode ter cometido algumas inexatidões ou negligenciado algumas informações. Isso certamente não põe em causa a conclusão deste trabalho: sob a influência de René Guénon está em vias de constituir-se uma corrente de pensamento que se pode qualificar de esoterismo cristão, corrente de pensamento que reúne pessoas cuja influência está longe de ser desprezível. Compreende-se, pois, que o autor tenha recebido este encorajamento substancial de Dom Lefebvre, a quem enviara as provas deste estudo:
"S. Exa. Dom Marcel Lefebvre exprime suas vivas felicitações e seu profundo reconhecimento ao Sr. Jean Vaquié pela notável obra que redigiu sobre a Escola do esoterismo cristão. Ao fazê-lo, realiza o desejo de Leão XIII e de São Pio X, que diziam ser preciso arrancar a máscara dessas pessoas que se disfarçam de católicos para fazer passar melhor suas doutrinas perversas. Que Deus o abençoe!"
Tendo o Sr. Jean Vaquié falecido após a publicação desta obra, esperemos que receba sem demora essa bênção desejada por Dom Lefebvre, assim como a justa recompensa por seus numerosos e interessantes trabalhos, dos quais este constitui o último.
Antoine de Motreff
Jean Vaquié, L'École de l'Ésotérisme Chrétien, Société Augustin Barruel (62 rue Sala, 69002 Lyon), 1992 – 21 × 29,7 – 168 páginas – 100 F.