# Gnose e Islã I

1 – Posição do Problema
2 – Os temas gnósticos no Corão
3 – O panteísmo dos sufis
4 – As seitas gnósticas no Islã
5 – O Islã, veículo da Gnose
   a – pela filosofia
   b – pela literatura
6 – Conclusão

A história crítica das origens do Islã ainda está por escrever. Até estes últimos anos, os islamólogos contentaram-se em dar uma aparência erudita e douta às lendas espalhadas desde as origens pelas autoridades muçulmanas para abrigar durante séculos os infelizes povos do Oriente Próximo.

Ao fazê-lo, esses historiadores sem consciência e sem escrúpulo mergulharam as ditas populações em mentiras e imposturas destinadas a mantê-las num estado de embrutecimento moral e intelectual.

Riza Tewfik escrevia em 1947, em Beirute: "Constatei que a maioria dos historiadores no Oriente carece de senso crítico e a história — até o começo do século XIX — conservou entre nós seu caráter primitivo: o de ser pateticamente anedótica! Quanto aos comentários, acumularam — em nome de tradições que consideram verdades evidentes por si mesmas — um monte de superstições inventadas pela imaginação popular. Abusaram tanto delas que os comentários estão cheios dessas anedotas estúpidas que, longe de esclarecer a significação do texto, antes a empanam: isso embaraça a inteligência das pessoas simples e abala sua fé."

Foi preciso esperar estes últimos vinte anos para encontrar historiadores bastante livres e independentes das modas intelectuais a ponto de abrir brechas eficazes nesse muro do conformismo universitário.

O primeiro, o P. Gabriel Théry, denunciou as falsificações da história difundidas pelos islamólogos; mas não ousou fazê-lo em seu próprio nome, que no entanto já era suficientemente autorizado na matéria; contentou-se com o pseudônimo de Hanna Zacharias (o que mostra, entre parênteses, que forte pressão exerce o conformismo intelectual mesmo sobre homens feitos, chegados ao cume das honrarias universitárias).

Contudo, a sã crítica histórica não reterá grande coisa de suas hipóteses, apenas esta ideia muito justa de que o Islã, ao difundir-se entre as populações cristãs do Oriente, as reconduziu à prática do judaísmo e à observância da lei de Moisés.

Seu discípulo e sucessor, o abade Joseph Bertuel, fez um estudo muito aprofundado sobre as origens do Islã. Permanece prisioneiro de várias das teses de Hanna Zacharias. Contudo, foi o primeiro a ter a coragem de "riscar Maomé do número dos grandes fundadores de religião, de tirar-lhe pura e simplesmente a paternidade do Corão", como ele próprio diz. Poderia ter acrescentado simplesmente que Maomé não existiu e que sua vida é totalmente lendária.

Mas então por que conservar essa distinção entre suras mequenses e suras medinenses? É um recorte artificial do Corão, operado a posteriori para atrelar o texto do livro a uma lenda para a qual não fora escrito.

Aliás, suas pesquisas históricas são apaixonantes. Pode-se dizer que foi o primeiro a fazer verdadeiramente obra de historiador sério. Por fim, o irmão Bruno Bonnet-Eymard atrelou-se à tarefa esmagadora, mas fundamental, de retraduzir seriamente o Corão.

Fica-se sabendo assim que o autor deste livro era um homem douto, até erudito, que possuía a fundo o hebraico, o aramaico, o grego. Foi capaz assim de criar, a partir de uma língua árabe falada, uma língua escrita. Ele próprio forjou o vocabulário religioso necessário para transmitir seu ensinamento e deu a essa língua uma estrutura gramatical suficientemente complexa para exprimir noções religiosas e jurídicas às quais esses nômades estavam pouco habituados.

O irmão Bruno já tirou de suas traduções conclusões notáveis que revolvem de alto a baixo toda a história lendária do Islã. Não é nossa intenção retomar esse trabalho de primeira ordem, mas apenas utilizar várias de suas conclusões para dar corpo à intenção que temos de mostrar, através da história dessa falsa religião, sua impregnação pelo pensamento gnóstico desde a origem e o papel que desempenhou ao longo dos séculos na transmissão dessa Gnose ao Ocidente cristão.

POSIÇÃO DO PROBLEMA

Para compreender as origens do Islã, é preciso ter bem presente ao espírito o pano de fundo histórico sobre o qual se imprimiu a nova religião.

Desde o início da era cristã, o Oriente Próximo foi sacudido pela luta secular entre o império romano e o reino persa. Jamais os romanos puderam abater esse império dos sassânidas. A guerra foi endêmica, entrecortada de tréguas e de pazes provisórias, mas sempre retomada com sortes diversas de lado a lado. Vários imperadores romanos perderam nela a vida: Aureliano, Juliano, por exemplo. Foi a necessidade de aproximar-se do teatro das operações que constrangeu o imperador Constantino a instalar sua capital em Bizâncio, tornada Constantinopla.

Ora, nessa guerra ininterrupta, os romanos apelaram para os árabes e os incorporaram em suas legiões como auxiliares; os reis sassânidas também. De modo que, desde o início da era cristã, havia tribos árabes instaladas na Síria, na Palestina, no Egito, mais ou menos sedentarizadas. Na Transjordânia, eram os nabateus. Haviam sido ligados por tratado de paz e de assistência ao Império Romano, que os utilizava para proteger os territórios do Império contra as outras tribos árabes que permaneciam nômades e saqueadoras.

Durante os primeiros séculos cristãos, esses árabes converteram-se ao Cristianismo. Um deles chegou mesmo a ser imperador em Roma: Filipe, o Árabe, ao mesmo tempo "Imperator" e cristão. O Sr. F. Nau apresentou-nos outrora esses "Árabes cristãos" da Mesopotâmia e da Síria do século VII ao VIII", isto é, na época do nascimento do Islã. Precisa até que o "nome de Alá não pertence aos muçulmanos, mas é propriedade dos árabes cristãos."

O que se passou no século VII? Mais ou menos o que se passara dois séculos antes na parte ocidental do império romano. Os germanos — francos, visigodos, burgúndios — instalados no território da Gália desligaram-se do imperador romano tornado impotente e proclamaram-se reis independentes de fato, mantendo uma lealdade teórica ao Império. Não houve invasão, nem massacre de populações, apenas algumas batalhas contra legiões romanas que permaneceram fiéis ao Imperador.

No Oriente Próximo, depois da última e mais violenta das guerras contra a Pérsia, o enfraquecimento dos dois beligerantes foi tal que os chefes das tribos árabes cristianizadas e instaladas na Síria, na Palestina, no Egito, na Mesopotâmia tomaram sua independência e atribuíram-se o poder soberano. Fizeram-se abrir as cidades, expulsaram as legiões bizantinas que permaneceram leais ao imperador. A operação fez-se em poucos anos, sem resistência das populações, felizes por escapar aos constrangimentos e às exigências da administração imperial. Não houve, portanto, propriamente falando, invasão, guerra de conquista. Não: uma simples tomada de poder por parte dos chefes de tribos já instaladas no local.

Um fenômeno semelhante produziu-se na Pérsia. O último dos sassânidas, Cosroes II, havia organizado uma grande expedição ao Egito, de cuja volta seus exércitos haviam saqueado e destruído Jerusalém, em 614, e levado o lenho da Vera Cruz. Os contingentes árabes formavam o essencial do exército persa. Depois da reconquista dessas regiões pelo imperador Heráclio e da morte de Cosroes II, o reino persa caiu em querela dinástica. Foi por ocasião dessa espécie de intriga tumultuosa e obscura que os chefes dos contingentes árabes tomaram igualmente o poder.

A redação do Corão data dessa época. Está ligada a essa tomada de poder pelos árabes cristãos, a quem se dirige o autor do livro. O abade Bertuel se faz esta objeção: "Se esse autor fosse cristão, teria, ao longo de suas narrações como nas lições que delas extraiu, esclarecido o sentido e o alcance espiritual dos textos pela revelação do Novo Testamento."

Mas não, Sr. Abade! O Corão não se destinava a converter os árabes ao Cristianismo, pois já eram cristãos, mas a desviá-los da adoração de Jesus Cristo e a reconduzi-los à prática do Judaísmo e à observância da lei de Moisés.

O autor do Corão era, pois, de fato um cristão, mas um herege judaizante, que negava a divindade de Jesus Cristo. Não lhe convinha de modo algum recorrer ao Novo Testamento para esclarecer o ensinamento de sua heresia, pois ele próprio rejeitava-lhe o fundamento, que é a divindade de Jesus. Voltaremos a isso.

O Abade Bertuel acrescenta esta reflexão: "Pergunta-se por que os árabes não se converteram imediatamente ao Cristianismo, que lhes teria dito as coisas mais claramente e os teria libertado radicalmente da apologética judaica..."

Por quê? Ora, porque os árabes já são cristãos e trata-se justamente de reconduzi-los a uma apologética judaizante, a do Antigo Testamento, o único autêntico aos olhos do Corão. Não há Novo Testamento, pois Cristo não é senão um profeta, sucessor de Moisés.

O livro do Corão foi escrito na Síria por um cristão judaizante para os árabes da Síria. Não há nada nesse livro que possa referir-se à Arábia. Nem Meca, nem Medina, nem a Caaba são mencionadas. O templo de que se trata só pode ser o de Jerusalém, que seria preciso reconstruir.

Ao longo dos séculos seguintes, os cristãos do Ocidente sempre consideraram os muçulmanos como cristãos heréticos. Chamavam-nos ou mouros, habitantes da Mauritânia, a África romana, ou sarracenos, as gentes da Síria, nunca árabes.

Mesmo que se aceite a etimologia de Saraceni, os "Árabes escenitas", que vivem sob a tenda, trata-se sempre de gente vinda da Síria, e na literatura da Idade Média as referências remetem sempre à "Syria", nunca à Arábia, quando se trata de muçulmanos.

Até Dante, no século XIV, coloca Maomé entre os cristãos heréticos. Este rasga o peito em dois, porque dividiu a Igreja em dois. São João Damasceno (morto em 749) acusa o fundador do Islã "de ter tido colóquios com um certo monge ariano" e classifica a "superstição dos ismaelitas" entre as heresias cristãs.

Precisemos ainda que os árabes não conquistaram o resto da bacia mediterrânea. Quando as populações sob seu domínio passaram para sua "superstição", crendo contudo permanecer cristãs, partiram à aventura: os sírios em seus navios, para piratear as costas ocidentais e fornecer escravos aos haréns do Oriente; os mouros sobre a Espanha, para pilhá-la e devastá-la, depois instalar-se em cidades prósperas.

Notou-se que, nos contingentes islamizados, os árabes eram ínfima minoria, afogada sob múltiplos aportes estrangeiros. Na Espanha, quase unicamente berberes e tuaregues, eslavos também, antigos escravos da Europa central, que formavam corpos de janízaros e alcançavam as mais altas situações no Islã, muitos cristãos convertidos de bom ou mau grado e, por fim, os moçárabes, nativos que permaneceram cristãos, mas mais ou menos arabizados e quase assimilados.

Somente as populações camponesas ou montanhesas resistiram longa e eficazmente à invasão do Islã: os felás do Egito, os cabilas na Argélia, os cristãos nas montanhas do norte da Espanha.

Por fim, a existência de Maomé permaneceu, vários séculos após a conversão ao Islã, desconhecida das populações convertidas. Na Espanha, durante todo o século VIII e o início do século IX, nenhuma obra de polêmica entre cristãos e muçulmanos menciona a pessoa de Maomé.

Em 857, Eulógio escreve: "Encontrando-me no mosteiro de Leyre (ao norte da Espanha), tomei conhecimento, no desejo de instruir-me, de todos os livros que ali estavam reunidos, lendo os que me eram desconhecidos. De repente, numa pequena obra anônima, descobri uma historieta sobre um profeta nefasto." Era Maomé. Resumiu essa história em sua "Apologética dos mártires" e a enviou a João de Sevilha, que a fez conhecer.

Álvaro de Córdoba fala de Maomé em seu "Indiculus luminosus". Um monge de Sens, Gautier, compõe um poema sobre ele. Hildeberto, bispo de Le Mans, compõe outro poema em dezesseis cantos, intitulado "Historia Mahumeti", composto em 1100, no qual Maomé é apresentado como um barão da Idade Média, cercado de vassalos dedicados, o que dá uma ideia da opinião que se fazia de sua pessoa entre os cavaleiros das cruzadas.

É, pois, com justiça que o Sr. Abade Bertuel coloca a questão, que permanece ainda hoje sem resposta: "O único mistério que subsiste é puramente de ordem histórica: por que e como, depois de um século e meio de esquecimento do apóstolo árabe, os muçulmanos do século IX fabricaram vidas de Maomé que viriam a ser o pensamento universal dos adeptos do Islã?"

OS TEMAS GNÓSTICOS NO CORÃO

Em 1874, o professor Ad. v. Harnack, em sua tese de licenciatura, declarava que o maometismo não era senão uma derivação longínqua da Gnose judaico-cristã e não uma religião nova. Manteve constantemente essa visão fundamental. É o que vamos demonstrar.

O autor do Corão é um religioso, monge judeu-cristão, pertencente a uma comunidade derivada dos antigos ebionitas, os "Pobres de Jerusalém". Santo Irineu já nos havia explicado, no século II, que esses ebionitas negavam então a divindade de Jesus Cristo e permaneciam muito apegados à prática do Mosaísmo, censurando os cristãos da Grande Igreja por seu abandono da lei de Moisés.

O autor do Corão possui um conhecimento minucioso e aprofundado de todo o Antigo Testamento. Para ele, não há Novo Testamento. Jesus Cristo não é senão um profeta na linhagem de Moisés.

Suas fontes sobre o Messias são todas tiradas de obras apócrifas, rejeitadas pela Grande Igreja cristã grega ou latina. Sua biblioteca compõe-se de pseudepígrafos de caráter gnóstico: "O Evangelho da Infância", redigido em siríaco, o "Protoevangelho de Tiago o Menor", o "Evangelho de Tomé", obra gnóstica hoje bem conhecida, o "Evangelho do pseudo-Mateus", redigido primeiro em língua hebraica.

A maioria desses apócrifos havia sido traduzida para o árabe nessa época. Encontram-se ainda em sua biblioteca apócrifos do Antigo Testamento, o "Livro dos Jubileus", de onde tirou a "história de Satanás o apedrejado" e as repreensões de Abraão a seu pai Taré, como explica Sidersky em suas "Origens das lendas muçulmanas no Corão". Ora, o "Livro dos Jubileus" pertencia à literatura ebionita; foram encontrados trechos dele em Qumran.

O autor do Corão tende com todas as forças a arruinar o dogma fundamental do Cristianismo, a divindade do Salvador. Admitiu Jesus como profeta eminente, como o Verbo e o Espírito de Deus, mas na linhagem dos outros profetas, ligando-o diretamente à revelação de Moisés.

Para isso afirmou que Maria, mãe de Jesus, era irmã de Aarão e de Moisés: "Ó irmã de Aarão, teu pai não era um pai indigno, nem tua mãe uma prostituta" (como afirmam os judeus). Era virgem, pois Isaías o havia anunciado e os livros apócrifos, como o "Pseudo-Mateus" e o "Protoevangelho de Tiago", também o afirmam. Portanto, Cristo Jesus não é senão sobrinho de Moisés.

Era preciso uma singular audácia para telescopar assim os séculos e fazer crer, no século VII, numa lenda tão contrária a toda a história religiosa conhecida havia muito tempo. Hanna Zacharias desenvolveu bem esse ponto capital.

Em seguida, Jesus Cristo não é filho de Deus. Como poderia sê-lo? "Ele que formou os céus e a terra, como teria um filho, Ele que não tem companheira!" — "Eles (os cristãos) dizem: Deus tem um filho. Por Sua glória, não. Dizei antes que tudo o que está nos céus e na terra Lhe pertence e Lhe obedece". — "Jesus é aos olhos de Deus o que é Adão. Deus o formou do pó, depois disse: 'Sê, e ele foi'." Jesus é, pois, criado e não gerado.

Há um único Deus. Os árabes cristãos professavam o dogma trinitário e empregavam a palavra tathlith para designá-lo; sabiam distinguir as três pessoas pelo termo uqnum, de origem siríaca.

O autor do Corão insurge-se com força contra esse dogma:

"Ó vós que recebestes as Escrituras, em vossa religião, não ultrapasseis a justa medida, não digais de Deus senão o que é verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, é o apóstolo de Deus e Seu Verbo que Ele lançou em Maria. É um espírito vindo de Deus. Crede, pois, em Deus, em Seus apóstolos e não digais: há Trindade. Cessai de fazê-lo. Isso vos será mais vantajoso, pois Deus é único. Glória a Ele..."

"Glória a Deus, que não tomou filho para Si e não tem associado em Seu reino... Magnificai-O grandemente!..."

"Os ímpios certamente disseram: Deus é o Messias, filho de Maria. Ora, o Messias disse: Ó Filhos de Israel! Adorai Deus, meu Senhor e o vosso! A quem der Associados a Deus, Deus interdita o Jardim; esse terá o fogo por refúgio..." etc., etc...

Para o Corão, os cristãos que adoram Jesus são "mushrikūn", associadores, pois associam Jesus a Deus; politeístas, pois adoram três Deuses; idólatras, pois fazem de Jesus um ídolo; infiéis, pois recusam seguir a lei de Moisés.

Em todas essas acusações trata-se sempre dos cristãos e nunca das tribos pagãs da Arábia. Há aí uma vontade deliberada de desligar os árabes cristãos da Síria da adoração de Nosso Senhor.

Por fim, Jesus Cristo não foi crucificado. Ao negar sua morte na cruz, o autor do Corão retirou todo motivo de crer em seu sacrifício expiatório pelo gênero humano. Jesus Cristo não é o Salvador.

Ora, essa tese é propriamente gnóstica. O Evangelho apócrifo de São Barnabé (o pseudo-Barnabé) diz que Deus permitiu que Judas tivesse a aparência do Salvador e fosse crucificado em seu lugar. Basílides pretende que se substituiu Jesus por Simão de Cirene. Os maniqueus afirmam igualmente que Jesus só morreu em aparência. É o docetismo (do grego dokein, parecer).

"Eles (os judeus) dizem: Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o enviado de Deus. Não, eles não o mataram, não o crucificaram. Um homem que se lhe assemelhava foi posto em seu lugar, e os que disputavam a respeito estiveram eles próprios na dúvida. Não sabiam de ciência certa, apenas seguiam uma opinião. Não o mataram realmente. Deus o elevou a Si, e Deus é poderoso e sábio".

O autor do Corão mostra com isso o erro dos judeus, todos orgulhosos de ter crucificado um impostor, e as discussões entre gnósticos que não sabiam quem fora substituído a Cristo na Cruz.

Essa "elevação" de Cristo de que fala o texto citado não tem de modo algum o sentido que lhe dão os cristãos. A Bíblia conta a ascensão de Henoc e de Elias num turbilhão de fogo; os apócrifos contam igualmente as de Moisés e de Isaías. Trata-se ainda de uma lenda gnóstica passada aos mitos religiosos do Oriente e, portanto, ao Corão.

Essa "ascensão" supõe a existência dos sete céus, ensinada pelos rabinos. No limite do sétimo céu encontra-se "o horizonte superior", onde está "a jujubeira do limite", a árvore que é preciso atravessar para atingir o oitavo céu, o Pleroma dos Gnósticos. Estes falam de uma "crucifixão", isto é, de uma passagem pelo [stauros], a cruz-limite. O Corão, que rejeita toda ideia de cruz, substituiu-a por uma árvore, a jujubeira. Mas a ideia é a mesma. Cristo passou o limite, como Mani e todos os seus sucessores, os Budas.

O autor do Corão é, pois, de fato inspirado por toda uma literatura apócrifa de caráter gnóstico, que compõe o essencial de sua documentação sobre Cristo.

Mas, se é cristão, é igualmente e sobretudo judeu. Os dons de Deus são sem arrependimento, pensa ele. O Povo Judeu permanece o Povo Eleito, mesmo depois da destruição do Templo. E tem orgulho de pertencer ao Povo Eleito e espera essa reconstrução do Templo, como todos os seus confrades em religião, os monges ebionitas.

Não se trata, pois, para ele de converter os povos do Oriente ao Judaísmo: não são o Povo Eleito. Trata-se exatamente de prepará-los para viver "more judaico", seguindo a lei de Moisés, mas não de lhes atribuir o verdadeiro culto sacrificial do Templo. Por isso o Corão não comporta ritos propriamente judaicos. Os fiéis de Alá contentam-se em adorar e orar a Deus. Suas mesquitas estão vazias de toda presença da divindade. Não há Santo dos Santos, nem altar para o Sacrifício. O verdadeiro culto de Deus só poderá ser restabelecido após a reconstrução do Templo. O que mostra que os ebionitas, os "Pobres de Iahweh", permaneceram fiéis ao Antigo Testamento.

O autor do Corão aproveitou o eclipse que conhecia no século VII o poder da autoridade romana para reconduzir esses árabes cristãos, detentores do poder político, à prática dos "Tementes a Deus", dos prosélitos judeus de outrora. Estes, não sendo judeus, não podiam aproximar-se do culto sacrificial do Templo; ficavam no átrio; eram os "gerîm", de que a palavra [prosélito] é a tradução em grego.

Os muçulmanos praticam o Islã, a submissão a Deus; oram-lhe à espera de Seu retorno a Jerusalém. É uma religião de espera, provisória. Os temas gnósticos reconhecidos no Corão não passaram à prática religiosa dos muçulmanos, pois permanecem "esotéricos", reservados aos iniciados. Reencontrá-los-emos entre os sufis.

O autor do Corão é muito severo para com os judeus que seguiram os rabinos, perseguidores de Jesus. Com isso romperam a sucessão dos profetas, dividiram o povo eleito. Diz-lho: "Eles (os judeus) não creram em Jesus; inventaram contra Maria uma mentira atroz." Acrescenta: "Encontrarás certamente que as pessoas mais hostis aos que creem são os judeus e os Associadores, e encontrarás que as mais próximas, pela amizade, dos que creem são as que dizem: somos cristãos. É que entre estes há sacerdotes e monges e essas pessoas não se enchem de orgulho". Texto capital, a compreender bem.

Os judeus rabínicos e os cristãos "associadores" cortaram em dois a tradição de Moisés, a do Sinai. Somente os judeu-cristãos conservaram intacto o depósito da tradição, completamente, até Jesus Cristo inclusive. Têm sacerdotes e monges, os "Pobres de Iahweh", isto é, os ebionitas.

Guardaram a lei de Moisés, completada pelos conselhos evangélicos, que cumprem a Lei. Têm, portanto, a plenitude da Revelação sem fratura. Têm orgulho disso, mas não são orgulhosos (?).

Um islamólogo atual, Roger Arnaldez, em seu livro intitulado "Jesus, filho de Maria, profeta do Islã", coloca lado a lado textos do Corão que ora magnificam os monges cristãos, ora os denunciam: "O historiador", diz ele, "teria de fazer, a propósito da diversidade desses textos, literalmente contraditórios, numerosas reflexões e pesquisas sobre as circunstâncias que lhes servem de fundo".

Não compreendeu que há duas espécies de cristãos, os "associadores", que adoram Jesus, e os "judeu-cristãos", que o veneram como grande profeta. Como o autor do Corão se dirige a árabes já cristãos, era preciso preveni-los contra os primeiros e convertê-los à religião cristã judaizada dos segundos.

O autor do Corão é necessariamente um monge ebionita. Jerônimo já havia explicado outrora que as comunidades ebionitas eram numerosas em todas as cidades do Oriente, que possuíam sinagogas, que declaravam ser "os verdadeiros cristãos", que eram denunciadas pelos rabinos como uma seita de minim.

É nessa direção que se deve buscar o autor do Corão, e não entre os nestorianos, verdadeiros cristãos, adoradores de Jesus Cristo e, portanto, incapazes de ter escrito esse livro. Citaram-se nomes: Bahira, Sérgio, Giorgi, Nestur... Cabe aos historiadores prosseguir suas pesquisas...

Por fim, outro texto capital do Corão nos mostra em que meio gnóstico viviam os ebionitas:

"Aqueles que creem, aqueles que praticam o judaísmo, os Cristãos, os Sabeus — aqueles que creem em Deus e no último dia e realizam obra pia — têm sua retribuição junto a seu Senhor. Sobre eles, nenhum temor, e não serão entristecidos... No dia da ressurreição, Deus distinguirá entre os que tiverem crido — os que tiverem praticado o judaísmo, os Sabeus, os Cristãos e os Zoroastrianos — e os que tiverem sido associadores. Deus de todas as coisas é testemunha."

Portanto, para o autor do Corão, os Cristãos (isto é, os ebionitas), os Sabeus e os Zoroastrianos praticam o Judaísmo, são fiéis ao Antigo Testamento, opõem-se radicalmente aos "associadores", os cristãos da Grande Igreja que adoram Jesus Cristo e rejeitaram a lei de Moisés.

Os Sabeus chamam-se também caldeus, por vezes nazarenos ou cristãos de São João, porque pretendem ligar-se a São João Batista e praticam um batismo cotidiano por imersão. Chamam-se ainda mandeus, da palavra "manda", que significa "conhecimento", portanto "gnose".

Sua entidade divina chama-se "Gnose de Vida". Encontram-se em sua liturgia o bom pastor e a videira. Seus textos foram codificados no século VIII para resistir à penetração do Islã. Chamam seu Homem-Deus Enosch–Uthra. Ora, nos manuscritos maniqueus e budistas da Ásia Central, Enosch é apresentado como um avatar de Mani, o Buda. Seu ensinamento é conforme ao dos Maniqueus. Ainda no século XI, o historiador muçulmano Firdusi designa os monges budistas sob o nome de Sabeus.

Os Zoroastrianos também são gnósticos. Não sabemos grande coisa sobre o próprio Zoroastro, chamado Zaroust nos manuscritos maniqueus e budistas. Seu ensinamento está contido no Zend-Avesta, redigido no século III de nossa era, na época em que Mani difundia sua doutrina na Pérsia e na Índia. Era chamado um livro de Abraão. Contém uma história da criação, do dilúvio, a vida de Adão, de José, de Moisés, de Salomão, apresentados conforme o ensinamento da Bíblia. Anuncia-se nele o Messias prometido e sua "estrela".

Os nestorianos pretendem que Zoroastro era discípulo de Jeremias e que enviou os Magos a Belém para o nascimento de Cristo. Era sem dúvida judeu ele próprio. Ensinava na cidade dos Medos, em Urmia, perto do lago Urmia, no norte do atual Curdistão. Seu ensinamento, retomado por Mani, é puramente gnóstico, com um culto do Sol, o duplo princípio do Bem e do Mal em conflito eterno etc...

Por fim, como qualquer um, o autor do Corão acabou um dia por morrer. Seus discípulos, os Senhores muçulmanos da Síria, livres de seu mestre, pouco embaraçados por escrúpulos religiosos, mas muito ávidos de dominação e de poder político, devem ter utilizado esse Corão como instrumento de sujeição e embrutecimento das populações mal islamizadas, para desviá-las das veleidades que pudessem ter de voltar ao Cristianismo ou, pior ainda, de apelar aos "Rumis" e aos exércitos bizantinos a fim de livrar-se de seus novos tiranos. Aqui, nada mais sabemos... Cabe aos historiadores pesquisar...

O PANTEÍSMO DOS SUFIS

Pensa-se que a palavra "sufi" vem de "sûf", que quer dizer "lã", porque os sufis usavam o traje dos filósofos neoplatônicos: grande manto de lã branca, lakhirka, bastão e longa barba. Contudo, é mais lógico ver nela uma transcrição do grego ἀσάς [sic] sábio, que se encontra em "faylasuf", do grego φιλόσοφος.

Os dervixes e os faquires são também sufis populares.

Pretendem-se filósofos; de fato, são místicos e contemplativos. Pretendem-se muçulmanos; de fato, são budistas. Todos, como as gnoses, admitem uma dupla doutrina, a esotérica ou interior (batin), reservada aos iniciados, e a exotérica ou exterior (zahir), para o vulgo. Empregam todos os seus esforços em fazer concordar um a um seus princípios com os dogmas maometanos, a fim de estabelecer-lhes a ortodoxia aos olhos das autoridades muçulmanas. Mas é um concordismo artificial que não engana ninguém.

Um erudito do século passado, especialista na literatura sânscrita e hindustâni, o Sr. Garcin de Tassy, resumiu em 9 proposições todo o ensinamento dos sufis:

1. Só Deus existe, está em tudo e tudo está nele e tudo é ele mesmo.
2. Todos os seres, visíveis e invisíveis, são uma emanação dele, "divinae particula aurae", e não são realmente distintos dele.
3. Os sufis não estão sujeitos à lei exterior. O paraíso e o inferno, enfim todos os dogmas das religiões positivas não são para o sufi senão alegorias, cujo espírito só ele conhece.
4. Assim as religiões são indiferentes. Servem, contudo, de meio para chegar à realidade. Algumas podem ser mais vantajosas que as outras para atingir esse fim, entre outras a religião muçulmana, da qual a doutrina dos sufis é a filosofia.
5. Não existe realmente diferença entre o bem e o mal, pois tudo se reduz à unidade e, assim, Deus é, em realidade, o autor das ações do homem.

6. É Deus quem determina a vontade do homem e, assim, este não é livre em suas ações.

7. A alma preexiste ao corpo e nele está encerrada como numa gaiola ou numa prisão. A morte deve, portanto, ser objeto dos votos dos sufis, pois é então que ele retorna ao seio da divindade de que emana e obtém o que os budistas chamam nirvana, isto é, o aniquilamento em Deus.
8. É pela metempsicose que as almas que não cumpriram seu destino aqui embaixo são purificadas e tornam-se dignas de ser reunidas a Deus.
9. A principal ocupação dos sufis deve ser meditar sobre a unidade e avançar progressivamente pelos diversos graus da perfeição espiritual a fim de morrer em Deus e alcançar, desde este mundo, a unificação com Deus."

Basta comparar essas nove proposições com as que desenvolvemos em nosso primeiro estudo sobre "A Gnose, tumor no seio da Igreja".

Ensinam a desprezar tudo o que é terrestre, a dirigir a alma para o que só permanece, o Ser divino, a despojar-se, a desprender-se da aparência da existência pessoal para associar-se à existência divina, a única real, a "embriagar-se com a bebida entorpecente da beleza da luz divina".

O sufi deve absorver-se em Deus. Os poetas árabes sufis escrevem: "Purifica-te de todo atributo do eu, a fim de perceber tua essência brilhante" – "Deixai-me tornar inexistente, pois a não-existência me cria com os acentos de um órgão: é a ela que retornamos." – "Percebe em teu coração o conhecimento do Profeta, sem livro, sem mestre, sem instrutor." Poder-se-iam multiplicar as fórmulas desse gênero. Para quê! Estamos em plena Gnose búdica.

Essa doutrina esotérica do Islã não é senão o panteísmo indiano. Encontram-se nela os erros do Vedanta, que ensina, segundo Vyasa, a unidade de todos os seres, os do Sankhya, que ensina, segundo Kapila, o nada das coisas visíveis.

Constituiu-se nos confins do mundo muçulmano e do mundo budista uma zona intermediária, uma espécie de interland, onde seitas mistas, meio budistas, meio muçulmanas, aproximaram os elementos opostos das duas religiões, por exemplo os Kabir-panthis e os Sikhs.

Os muçulmanos da Índia prestam culto igual a seus santos Muinuddin e Marçud Gâzi e aos santos hindus, Kabir e Ramananda. Um sufi indiano, Sadjâni, fazia com igual fervor o puja (adoração) e o dandavat (prostração) no pagode e as orações muçulmanas nas mesquitas.

Os sufis retomaram a posição de cócoras dos monges budistas para meditar: "Fica de cócoras como a criança no seio da mãe", diz o autor do "Mantiq ut-Tair", um persa. É a posição que prepara para o retorno à terra-matriz originária da vida dos gnósticos. Para os sufis muçulmanos, todos os seres são da mesma natureza. A metempsicose permite passar de um corpo humano a um corpo animal, a uma planta etc...

Apraz-nos citar, a esse propósito, uma sessão de dervixes uivantes e giradores que Théophile Gautier nos descreveu ao voltar de viagem ao Oriente. Ele fora, como muitos românticos, em busca da Religião primitiva. Sua viagem era uma "Peregrinação às Fontes". A cena passa-se em Constantinopla. Mostra-nos primeiro os dervixes, dispostos em torno do Imã, balançando a cabeça para trás e para a frente e vice-versa, depois acelerando o movimento, tirando do peito um uivo rouco e prolongado que já não parece pertencer à voz humana:

"A inspiração chega pouco a pouco, os olhos brilham como pupilas de feras no fundo de uma caverna, uma espuma epiléptica borbulha nos cantos dos lábios, os rostos se descompõem e luzem lividamente sob o suor; toda a fila se deita e se levanta sob um sopro invisível como espigas sob um vento de tempestade, e sempre, a cada arranque, o terrível grito: 'Allah! Hu!' repete-se com energia crescente..."

Esse arrebatamento que se pretende místico é, de fato, bestial, um retorno à animalidade antes de voltar a ser nada e podridão na terra.

Nesse momento, Gautier avista entre os espectadores dois religiosos capuchinhos que riam na barba. Sua cólera explode então: "Oh! esse riso!... Não pensavam", diz, "que eles próprios eram dervixes católicos, mortificando-se de outra maneira para se aproximar de um deus diferente...

"Eu compreendo o sacerdote de Átis, o faquir hindu, o trapista e o dervixe contorcendo-se sob a imensa pressão da eternidade e do infinito e procurando aplacar o deus desconhecido pela imolação de sua carne e as libações de seu sangue. Esse dervixe que fazia rir os capuchinhos parecia-me a mim também belo, com seu rosto alucinado, como o monge de Zurbarán, lívido de êxtase e fazendo brilhar em sua sombra apenas uma boca que reza e duas mãos eternamente juntas".

Théophile é incapaz de distinguir um retorno à animalidade mais grosseira e mais violenta de uma espiritualização do corpo pela oração e pela meditação. Há aí uma confusão absurda entre a verdadeira mística, que eleva a Deus, e sua contrafação diabólica, que rebaixa ao nível da besta. É preciso forte miopia intelectual e espiritual para não perceber a diferença.

AS SEITAS GNÓSTICAS NO ISLÃ

Além dos sufis, que são os verdadeiros gnósticos do Islã, deve-se notar ainda a presença em terra muçulmana de comunidades gnósticas antigas, já florescentes antes do nascimento e da expansão do Maometismo e que sobreviveram penosamente recolhendo-se sobre si mesmas: são os drusos, os ansarianos, os iazidis.

Hoje essas comunidades perderam o sentido de sua antiga doutrina. A maioria desses sectários vive miseravelmente, procurando passar por muçulmanos aos olhos das autoridades, tomando ao Islã algumas práticas exteriores que não os incomodam. Mas estão cheios de desprezo pelos muçulmanos, odeiam-se mutuamente e só se unem em seu ódio comum contra os cristãos.

Os iazidis são os últimos herdeiros dos mandeus. Eram numerosos na Babilônia. Encontram-se na Síria. Sua doutrina é a de Mani. Declaram seguir o ensinamento de Addo, que foi seu fundador e discípulo predileto de Mani.

Praticam um batismo por imersão, tiram os sapatos e beijam o chão quando entram numa igreja cristã, fazem o sinal da cruz. Em sua liturgia, conservaram a ceia eucarística, creem que o vinho contém o sangue de Cristo. Adoram um Deus supremo, respeitam Jesus Cristo como Salvador. Prostram-se diante do sol ao nascer, como símbolo de Jesus.

Acusam-nos de prestar culto ao diabo. Respondem que têm grande respeito por Satanás, a quem chamam o "Senhor da Tarde" ou o "Príncipe das Trevas", por vezes também Sheik Maazen. Dizem que a Serpente é um anjo decaído, contra o qual rebentou a cólera de Deus, mas que, no fim dos tempos, será restabelecida no favor divino. Sua noção do Mal deriva de Ariman, dos antigos magos, e da divindade secundária dos Maniqueus. Falam entre si o curdo.

São, pois, de fato Gnósticos maniqueus, mas permaneceram muito próximos do Cristianismo por seu culto e suas tradições litúrgicas. Poder-se-ia considerá-los os últimos cristãos ofitas ou naassenos.

Os drusos também conservaram uma tradição gnóstica. Dizem-se discípulos de um califa do Egito, Hakim (996–1020), monstro de crueldade, que consideram uma divindade e que deve voltar no fim dos tempos. Professam a metempsicose, adoram o bezerro, dividem-se entre os iniciados, os "akkal", os que sabem, e os que ignoram, os "djahel".

Estão cheios de ódio contra os cristãos e sempre estiveram na origem dos massacres de cristãos na Síria ao longo dos séculos. Gérard de Nerval, que queria casar-se com a filha de um xeque druso durante sua viagem ao Oriente, só pôde obter a mão da moça mostrando ao pai que era filiado à Franco-Maçonaria, e essa filiação apagava, portanto, nele o recebimento do batismo cristão.

Os ansarianos, chamados ainda nusairis ou pequenos cristãos, habitam a Síria do norte, nas montanhas em torno do golfo de Alexandreta. São louros de olhos azuis, parecem vindos das Índias. São indo-europeus e não semitas. Submetem-se em aparência às práticas exteriores do Islã, mas seu culto verdadeiro é uma iniciação "gnóstica", que começa pela revelação do "Mistério dos dois"; adoram uma divindade em cinco pessoas; prostram-se também diante das árvores, do sol, da lua. Veneram os animais, particularmente o cão. Professam a metempsicose. São um resíduo de comunidades maniqueias e budistas em meio muçulmano.

Numa segunda parte deste estudo sobre o Islã e a Gnose, veremos como o Islã se tornou o vetor da penetração gnóstica no Ocidente Cristão desde a Idade Média.

E.C.

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