Yves Chiron Responde

Em seguimento à publicação do estudo sobre “A Escola moderna do Esoterismo cristão” no boletim n.º 22/23, o sr. Yves Chiron, de quem havíamos lembrado os vínculos com os meios esoteristas, enviou-nos uma carta com pedido de direito de resposta.

É de bom grado que lhe damos satisfação publicando um texto que não deixará de interessar nossos leitores.

“Senhor,

Como me autoriza a lei, peço-lhe que reproduza integralmente o seguinte direito de resposta, relativo às páginas 157 a 159 publicadas nos n.os 22/23 de sua revista:

  1. Há vários anos já não colaboro nas publicações das edições Pardès.

  2. Nunca dirigi a revista L’Âge d’Or; fui nela apenas um colaborador modesto durante alguns números. Escrever, empregando o presente, que a “dirijo” é, portanto, duplamente errôneo.

  3. Escrever, empregando mais uma vez o presente, que “dirijo” a coleção Agnus Dei nas edições Pardès é errôneo. Só dirigi essa coleção durante alguns meses. É justamente porque achava inaceitável, à luz da doutrina católica, o segundo título previsto na coleção, O Mito primordial do Cristianismo, de A. Mordini, que recusei prefaciá-lo. Nessa data, verão de 1987, deixei de dirigir — termo pomposo, já que apenas prefaciei o primeiro título — a coleção, e decidi, nessa circunstância, cessar toda colaboração nas revistas das edições Pardès.

  4. Quanto a O Mistério do Yeti, de A. Mordini, indiquei no prefácio: “Caberá sem dúvida a outros prosseguir e criticar a reflexão de Attilio Mordini”. Associo-me de bom grado à crítica formulada por J. Vaquié. Mas todas as análises de Mordini, nesse livro, são contestáveis?

  5. Quanto à citação de Evola que me censuram por ter aprovado: não creio que resuma “o programa de reforma religiosa dos esoteristas”. É preciso primeiro entender-se sobre o sentido das palavras. A definição do dogma como “expressão de um conhecimento absoluto e infalível”, se é insuficiente para um católico, não me parece por isso proceder da gnose, ou então o termo “conhecimento” deve ser banido para sempre do vocabulário católico. Dito isto, abandono de bom grado toda a obra de Evola por uma única Questão da Suma teológica.

  6. Não creio que “o esoterismo seja eminentemente compatível com o cristianismo”. Nunca fui adepto e propagador de um “esoterismo cristão”. Escrever: “É certamente aí que reside (sic) sua convicção profunda e seu dinamismo” é uma calúnia e uma injúria. A Fé católica, ensinada pelo Magistério, pelos Doutores e pelos Santos, me satisfaz plenamente. Submeto-me de antemão a todo julgamento autorizado da Igreja docente sobre meus modestos escritos. Se em algumas de minhas páginas de juventude pôde haver algumas afirmações errôneas, não se deve ver nelas algum negro desígnio de “entrismo”, de difusão de um “esoterismo cristão”, mas antes os frutos infelizes de uma imprudente precocidade de publicação.

Peço-lhe que aceite, Senhor, meus sentimentos respeitosos.”

As últimas linhas desse texto, um pouco sibilinas para nossos leitores, fazem sem dúvida alusão a um boletim mimeografado, criado e animado durante um ano pelo sr. Chiron há vários anos; encontrava-se nele uma dupla inspiração: de um lado a da revista COMMUNIO, com o Padre Urs von Balthasar e o Padre de Finance, apóstolos do Recentramento à João Paulo II; de outro, a de uma multidão de publicações esoteristas francesas e italianas, cuja aproximação nos havia parecido cheia de ensinamentos.

Depois dessa experiência de juventude, o sr. Chiron, graças a seus talentos assim revelados, iniciou uma colaboração com as Éditions Pardès, difusoras do pensamento de Julius Evola, um dos principais discípulos de René Guénon.

Juntando-se em seguida ao seio da Fraternidade São Pio X, onde se tornou professor de história, o sr. Chiron teria abandonado toda ideia esoterista. Se assim é, tanto melhor; lamentemos apenas que esse repúdio se tenha feito com tanta discrição que ninguém foi informado.

Aliás, nosso erro, se erro há, é desculpável, pois outros elementos adeptos do mesmo pensamento subsistem hoje no mesmo meio, entre os próprios clérigos. Então...

S.A.B.


1 – Cf. “La Gnose contre la Foi”, cap. II, e Boletim n.º 18 e 19 2 – “De la gnose à l’œcuménisme”, cap. I, Boletim n.º 3 3 – idem, cap. III, e Boletim n.º 9/10 4 – “La Gnose contre la Foi”, cap. I, p. 25 5 – “La Gnose contre la Foi”, p. 183 6 – Louis Pauwels, ex-discípulo do mago Gurdjieff e que concluía então seu livro sobre o mestre, acabava de encontrar Jacques Bergier em circunstâncias que ele mesmo conta: “Isso se deu por intermédio de René Alleau e nos meios surrealistas; eu via com frequência André Breton nessa época e, como procurava um colaborador científico para escrever um livro de prospectiva que me encomendara Pierre Lazareff, René Alleau, amigo e colaborador de Breton, apresentou-me Jacques Bergier. Nunca escrevemos ‘Visa para o futuro’, mas, falando das chances de um casamento possível entre a civilização contemporânea e o pensamento esotérico, empreendemos ‘O Despertar dos Mágicos’, que saiu em 1960 e vendeu mais de um milhão de exemplares, do qual saiu também a aventura Planeta, revista com tiragem de cem mil exemplares.”


Revision #1
Created 24 October 2026 14:34:40 by Admin
Updated 24 October 2026 14:34:40 by Admin