# A Posição do Problema

# A ESCOLA MODERNA DO ESOTERISMO CRISTÃO

**SOCIÉTÉ AUGUSTIN BARRUEL, N° 22-23, MAIO DE 1992**

Empreendemos o estudo de uma escola de pensamento ainda pouco conhecida e cujo lugar convém precisar, primeiro em relação ao *progressismo* que inspirou o Concílio, mas também em relação ao *tradicionalismo* que anima os adversários do Concílio. Para apreender o encadeamento das circunstâncias desde o início, voltemos aos últimos anos do século XIX. O MODERNISMO, por um momento contido e rechaçado pelas tomadas de posição muito claras dos Papas Gregório XVI em "Mirari Vos", Pio IX em "Quanta Cura" e no "Syllabus", e Pio X em "Pascendi", retomou então grande vigor depois da tormenta da Segunda Guerra Mundial, de 1939-1945. Modificou-se ligeiramente para incorporar as teses socialistas, então triunfantes, e tomou, nessa ocasião, o nome de PROGRESSISMO. Foram os temas progressistas que se oficializaram nas Declarações e Constituições conciliares do Vaticano II.

Em reação a essa poderosa linha de pensamento, desenvolveu-se, em toda a Igreja e especialmente na França, uma forte corrente anti-progressista e, portanto, anticonciliar. Essa corrente recebeu de seus adversários o nome de INTEGRISMO, e deu a si mesma o nome de TRADICIONALISMO.

Os tradicionalistas pretendem resistir à influência da franco-maçonaria, tornada dominante nas altas instâncias eclesiásticas. Não admitem nem as "orientações" pós-conciliares, nem mesmo os documentos oficiais emanados diretamente do Concílio, por considerá-los profundamente maculados de modernismo e de progressismo e inspirados pela maçonaria. Animado por esse espírito de resistência, o tradicionalismo tornou-se uma corrente de pensamento, certamente minoritária, mas muito vigorosa.

Ora, ocorre que, no interior do tradicionalismo, isto é, nessa parte da Igreja que permaneceu fiel à fé, nasceu uma nova corrente, discreta mas tenaz: a do ESOTERISMO CRISTÃO. Essa corrente apresenta, como seu nome sugere, um duplo caráter. É cristã sob alguns aspectos, mas ao mesmo tempo veicula doutrinas esotéricas que proclama perfeitamente compatíveis com o cristianismo mais "tradicional".

É essa pretensa COMPATIBILIDADE que constitui o problema. É importante examinar qual é o conteúdo nocional do esoterismo que se procura assim incorporar ao cristianismo, e mostrar que o esoterismo em questão não procede do mesmo espírito que o cristianismo ortodoxo. Essa demonstração é tanto mais necessária quanto os esoteristas cristãos se declaram fortemente anti-progressistas e se tornam, assim, muito sedutores para os tradicionalistas que se pronunciaram contra o Concílio.

Vamos, portanto, examinar os documentos que se podem razoavelmente atribuir à escola do esoterismo cristão. Mas, para julgar esses documentos, encontraremos uma primeira dificuldade. Quais são as posições relativas do esoterismo e do OCULTISMO? Essas duas disciplinas são tão diferentes quanto hoje se afirma?

As CIÊNCIAS OCULTAS (ou ocultismo) assim se chamam porque são ciências "proibidas". Dizem-se ocultas porque, para se dedicar a elas, é preciso "esconder-se". E são proibidas, pelo poder real e pelos bispos, porque são nocivas à sociedade civil e à Igreja. As ciências ocultas são essencialmente a magia, a evocação dos espíritos, as artes divinatórias, os sortilégios e, por fim, a feitiçaria. Dessas ciências, a Escritura nos diz que Deus as tem todas "em abominação".

Ora, elas comportam uma parte TEÓRICA, filosófica e intelectual, mas também uma parte PRÁTICA, isto é, ritual e operativa. No entanto — e isso se concebe muito bem —, não há, no ocultismo, ruptura entre a teoria e a prática. A prática é a consequência lógica da teoria. Assim, os princípios da magia ritual estão contidos em um certo corpo de doutrina. O título que Eliphas Lévi (antigo abade Constant) deu à sua obra principal ilustra bem essa relação de filiação: "DOGME ET RITUEL DE LA HAUTE MAGIE" [Dogma e ritual da alta magia] (1855). O "dogma" é a parte filosófica e elevada. O "ritual" é a parte laboriosa e até perigosa (porque é demoníaca). O ocultismo, em seu conjunto, possui assim um "topo de linha" e um "nível básico".

Enquanto as ciências ocultas permaneceram ciências proibidas, os teóricos e os praticantes permaneceram, também eles, sujeitos à mesma clandestinidade. Mas, quando as censuras se afrouxaram, os doutrinários não quiseram mais ser confundidos com os praticantes, que consideravam comprometedores. E deram ao seu ocultismo de topo de linha o nome de ESOTERISMO. Continuaram a estudar o hermetismo, a gnose, a alquimia, a cabala, o rosacrucianismo, o hinduísmo, mas sem conduzir essas diversas disciplinas até as suas consequências práticas, que são a magia, a evocação dos espíritos, as artes divinatórias... Consequências práticas que desprezam e condenam, e às quais reservaram o termo pejorativo de OCULTISMO.

O divórcio foi tal que se tornou uma verdadeira rivalidade. Paul Lecour, fundador da revista "Atlantis", chegou a enunciar um princípio que agora faz autoridade: "O ocultismo é o flagelo do mundo. O esoterismo é a salvação do mundo". Em outras palavras, segundo ele, o ocultismo é demoníaco e o esoterismo é divino.

Não podemos subscrever essa pretensa oposição. Esoterismo e ocultismo não são, fundamentalmente, senão uma só e mesma coisa. Ambos são, conjuntamente, o flagelo do mundo. Marie France James, em suas diversas obras, embora saiba distingui-los, associa não obstante essas duas disciplinas na expressão comum ESOTERO-OCULTISMO.

Compreende-se que era necessário marcar o lugar do esoterismo no momento em que iniciamos o exame das obras do esoterismo cristão. Sabemos, assim, que ele arrasta inevitavelmente o ocultismo em seu rastro, ainda que pretenda não o desejar.

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