A REVOLUÇÃO SEXUAL, PEDRA ANGULAR DA REVOLUÇÃO - 3
A reta final
O sistema no poder, bicentenário bajulador dos instintos populares, parece ter ganho a partida. A linha de chegada está à vista, a reta final está eficazmente balizada por todo o dispositivo legal instalado. A multidão, manipulada pelos Irmãos, eufórica, aplaude!
Para vencer esse sprint derradeiro, para concluir a normalização do Macaco de forma humana e fazer desaparecer a civilização cristã, basta ratificar oficialmente algumas escolhas e protocolos, sequência lógica da evolução em curso, afirmados e aplicados pelos pioneiros da empreitada.
Antes de examiná-los mais detalhadamente, é preciso insistir novamente no processo de contaminação do Homem por essa doença mortal por excelência que é a subversão satânica.
A conclusão do Sr. Étienne Couvert, no fim de seu livro "De la Gnose à l'Œcuménisme" ("Da Gnose ao Ecumenismo"), descreve com toda a exatidão as vias de inoculação da "Aids mental".
Primeira via: "a Eclosão do Protestantismo..." Os fiéis de Jesus Cristo foram privados da maior parte dos sacramentos e aprenderam o Ódio a Roma, essa "Babilônia moderna". O culto da Eucaristia extinguiu-se em metade da Europa.
Segunda via: ela "permitiu fazer penetrar nos países que haviam permanecido fiéis a Roma o pensamento protestante de revolta contra Deus... Pela difusão do pensamento de Descartes". O Homem recusou-se a crer num Deus Criador de todo o Universo e, assim, fonte de toda lei, de toda regra, de toda ordem verdadeira. "Não é a própria revolta de Satanás?"
Terceira via: a instauração do "Culto da liberdade em todos os domínios... Manifestação de uma adoração do Homem por si mesmo que não conhece nenhum limite... liberdade do instinto... liberdade do pensamento... liberdade da ação" e, finalmente, adoração do Homem por si mesmo, convencido de ser Deus!
O desaparecimento das defesas da Alma humana conduzirá ao ecumenismo, cujo discurso e cujas manifestações representam a:
Quarta via: "Todas as religiões se equivalem, diz ele, são todas formas particulares e respeitáveis de uma Única religião natural, tradição ensinada a nossos primeiros pais. Que importam os dogmas, os ritos, as regras de moral, a teologia etc.!" A civilização cristã agoniza e o Deus do Mundialismo, o Grande Arquiteto do universo, aproxima-se, e seus adoradores se multiplicam!
Os elementos desse diagnóstico vão permitir acompanhar a marcha da doença no coração de duas noções morais fundamentais: a Vida, por um lado; Felicidade e Infelicidade, por outro.
A VIDA, novo artigo de consumo
Para compreender o que é a Vida — mais exatamente, para apreender seus dados essenciais —, é preciso tentar responder às perguntas: "de onde ela vem? — em que consiste?"... Para isso, é preciso considerar a existência do universo, sua evolução e o aparecimento, num certo momento, do primeiro ser vivo. Do livro de Claude Tresmontant, "Comment se pose aujourd'hui le problème de l'existence de Dieu" ("Como se coloca hoje o problema da existência de Deus"), serão tomados alguns elementos de resposta e argumentos interessantes.
O Autor do Universo e da Vida
O Universo.
"Admite-se hoje que o Universo é constituído por galáxias (vários bilhões foram fotografadas) distribuídas de modo grosseiramente homogêneo... sabemos hoje que existe uma história, uma gênese, uma evolução da própria matéria".
O Universo tem "um começo de ser... Nada sabemos de seu fim, se fim houver, mas sabemos algo de seu começo. Determinamos hoje, grosso modo, a idade do Universo. Sabemos, aliás, com certeza que tudo, no universo, tem uma idade: nosso planeta, nosso sistema solar, nossa galáxia".
Antes dele não podiam existir nem o nada absoluto... nem o caos absoluto... e esse universo, pelo fato de os cientistas poderem fixar-lhe uma idade e medir seu envelhecimento, não pode ter existido desde sempre, sendo... eterno. As leis que regem esse universo são descobertas pouco a pouco pelos cientistas. Ele é, portanto, inteligível e ordenado. No universo, como no real, "a ciência — astrofísica, física, química, bioquímica, biologia... — atinge um pensamento presente e operante... uma racionalidade que constitui as estruturas, os órgãos e as funções."
O Universo, que é, mas que poderia não ter sido, foi portanto pensado, querido e realizado...
Não podia ter nascido do caos ou da desordem, pois "a desordem, como a poeira, é um produto de desorganização, de desagregação, de decomposição. É um fenômeno secundário."
Num dado momento, produziu-se no Universo o fenômeno mais importante: o aparecimento da Vida. Isto é, a chegada de estruturas complicadas que progressivamente atingirão os estágios últimos que vemos hoje!
"Sabemos agora que a matéria que constitui o Universo é uma matéria quimicamente simples: hidrogênio e hélio, principalmente... os elementos materiais não apareceram simultaneamente... (mas) por uma série de transformações nucleares que constitui uma história...
"Há mais: a matéria que a química orgânica estuda é uma matéria recente... o fato aí está, incontestável: há, ao longo do tempo... uma organização da matéria... (que) conduz sua evolução e a orienta num certo sentido, numa certa direção... A evolução... atesta e manifesta... uma subida do menos complexo ao mais complexo, do mais provável ao mais improvável, do não vivente ao vivente"
Não há existência desde sempre da matéria e da vida, uma "eternidade" de matéria e de vida. Aliás, a vida só pode existir em planetas bem definidos.
Quem é o autor do Universo e da Vida?
O aparecimento da vida foi provocado ou "por um acontecimento sobrenatural... ou a partir de reações químicas novas... ou em consequência de um acontecimento 'improvável', mas que deveria quase certamente produzir-se, desde que se dispusesse de uma duração suficientemente longa e de uma matéria de composição adequada."
Do acaso à matéria pensante.
"O acontecimento sobrenatural" é a única solução satisfatória para "os homens de boa vontade". Criação ex nihilo operada pelo Deus das religiões monoteístas...
"As reações químicas novas" não puderam começar a partir do nada... ou sem programação prévia. Apesar de sua inexatidão, essa explicação remete à primeira solução.
"O acontecimento improvável", devendo realizar-se no tempo, implica a existência anterior da matéria e, no interior desta, de uma necessidade. Para sua realização, supõe a intervenção do acaso.
Evidentemente pouco séria, essa explicação parece hoje abandonada, mesmo pelos cientistas materialistas.
"A complexidade da molécula proteica — aminoácidos —, o número das estruturas macromoleculares diferentes — bilhões de bilhões —, o fato de a vida ter conduzido ao aparecimento de uma multidão de organismos unicelulares, mas também... de organismos pluricelulares, a aceleração do processo de organização da matéria no tempo, a juventude do universo... testemunham que o acaso, e mesmo um encadeamento ininterrupto de acasos extraordinários, é uma explicação inverossímil."
Mesmo os cientistas marxistas como Oparin rejeitam essa solução, mas... substituem-na por "os efeitos de uma necessidade de desenvolvimento inerente à existência de tais formações multimoleculares individuais."
Haveria, portanto, uma "lei natural" que preside ao desenvolvimento da matéria, que comanda sua organização, uma lei natural que constitui uma necessidade imanente à matéria."
Mas os materialistas, ateus, marxistas... etc. "recusam à matéria a existência dessa lei desde o início, ou seja, há 5 ou 6 bilhões de anos, para só fazê-la intervir no momento e para o aparecimento da vida. De onde saem, então, essas leis novas, surgidas há cerca de 3 bilhões de anos?"
A resposta é digna de um prestidigitador: "a inteligência organizadora, a causa organizadora imanente ao cosmos e à matéria... inteligente, pois resulta na formação de seres pensantes... é a inteligência da matéria... Matéria, Ser primeiro, existente por si mesma, princípio de uma evolução autocriadora, produtora genial de seres vivos e pensantes". A matéria é verdadeiramente "como Deus".
Num passe de mágica, o seriíssimo Oparin insiste: "a vida é uma forma particular e muito complexa do movimento da matéria."
NÃO, a Vida é algo muito diferente!
"A matéria orgânica não é a matéria viva. Ela é apenas a parte que permanece inerte após a morte, feita de corpos químicos que entram na composição do ser vivo", constata o Sr. H. Rouvière.
"Um organismo vivo, um corpo vivo, é composto de uma multidão de elementos químicos integrados, associados numa estrutura única, uma estrutura subsistente — a 'forma' do vivente ou sua 'alma'. O próprio do vivente é ser capaz de assumir sua organização, de efetuar as funções de assimilação, de eliminação, de reparação, de reprodução, de adaptação e de invenção — sem, no caso do ser humano, ter conhecimento disso.
Diante da presença da vida, os inimigos da religião cristã são incapazes de demonstrar a exatidão de suas teorias — e com razão. Obstinados, apressam-se a invocar novamente o acaso como meio do aprimoramento, do aperfeiçoamento, da diversificação das espécies e dos seres vivos. Batizam esse acaso de seleção natural...
"A seleção natural que Darwin e seus discípulos invocam não é criadora de formas novas. A rigor, essa seleção poderia explicar — e isso é muito discutível — o desaparecimento de indivíduos menos favorecidos, mas não explica de maneira alguma a gênese, a organização, a invenção de órgãos cada vez mais complexos e aperfeiçoados", escreve o Prof. M. Azon.
Há muito tempo o cálculo das probabilidades (duração e número de tentativas) provou — em particular com Georges Salet — a impossibilidade estatística de cada uma dessas passagens (mutação-seleção) de estruturas simples a estruturas mais complexas.
Os seres vivos, depois os animais e o homem, só podem ter aparecido por uma formação imediata — suficiente desde o princípio —, embora diversificável secundariamente em seguida.
O Homem.
No ápice da complexidade e da hierarquia biológica está o Homem, que possui uma alma que lhe assegura vida vegetativa e sensitiva como a todos os animais, mas, além disso e de modo único, essa alma humana é racional, dotada de inteligência e de vontade livre. (Jean Daujat)
Essa realização perfeita "não significa que a criação esteja acabada. Ela continua no interior mesmo dessa espécie nova e última, a espécie humana". Em particular quando, "a partir de duas células — oriundas de dois pais —, há constituição de um organismo único que é também um sujeito único, uma pessoa. Não se pode dizer que o sujeito preexistia, dividido em dois, em cada uma das duas células parentais. Há de fato criação de algo novo, radical e ontologicamente novo... Duas células não bastam para explicar a criação de um ser que é um sujeito, pois não há apenas modificação qualitativa, há criação de um ser, o que é de outra ordem."
A Vida é um dom de Deus.
É possível fazer àquela que parece a forma viva mais aperfeiçoada realizada pela criação, o homem, "capaz de pensar a si mesmo como existente...", as perguntas: Recebes tua existência de ti mesmo? És senhor de tua própria existência? És para ti mesmo fonte de tua existência? Numa palavra: És Deus? O homem de vontade reta não pode responder: "Eu sou Aquele que sou."
Só pode reconhecer-se simples colaborador da Vida, cujo Criador é "o Deus Único, Perfeito e sem limite, Puro Espírito, perfeitamente Imanente e Transcendente, Imutável, Eterno... Ele criou, cria (fazer algo a partir do nada), conserva e mantém na existência o que criou por puro Amor..."
A Vida é um dom de Deus... e a criação continua. Mas essa criação recebe leis para dirigi-la ao fim querido por Deus. As leis químicas e físicas que regem inexoravelmente os seres vivos e os seres inanimados são pouco a pouco descobertas pelos cientistas, pesquisadores, biólogos, bacteriologistas, embriologistas, geneticistas... etc.
O Próprio do Homem... e a lei moral.
O Homem, único "dotado de inteligência e de vontade livre, não é somente um indivíduo... limitado pela matéria à escravidão de tal constituição física. O ser humano é uma pessoa: seu conhecimento intelectual atinge, pelas ideias, a natureza universal das coisas..., sua vontade livre domina a atração de todos os bens particulares... Todo o valor do homem está na personalidade, que se forma pela inteligência, pela vontade livre, pela virtude..."
O Homem não está submetido às "leis necessárias, inflexíveis e invariáveis, dadas aos seres materiais."
"A vontade humana é livre para escolher entre vários atos que se lhe apresentam, porque nenhum bem particular pode movê-la eficazmente... Ela está, como todas as coisas, submetida a uma lei que tem sua raiz em sua natureza de ser livre... O que convém à natureza de um ser inteligente e livre, a ordenação de uma vontade livre aos fins convenientes, constitui uma regra moral, uma lei moral."
"Deus Criador determinou necessariamente os seres outros que o Homem... A Providência de Deus (neste caso, predestinação) dirige os seres livres e os leva a produzir ações que têm valor moral e que merecem uma felicidade sem fim após a morte... Mas a predestinação em nada destrói o mérito, a responsabilidade, a liberdade..."
Como para as outras leis, Deus deu ao homem a possibilidade de descobrir a lei moral "inscrita no real" e objetivamente discernível. O Decálogo não faz mais que exprimir, formular essa lei inerente ao real, sem a qual a humanidade não pode subsistir nem realizar-se... Aquilo que se chama "lei" moral... é, portanto, simples mas profundamente, o conjunto das exigências do ser criado. A ética está fundada na ontologia; a criação está inacabada. O homem é um ser capaz de tomar consciência daquilo que está se operando, se fazendo, nele, por ele, com ele, se ele quiser. Mas o homem pode inverter o desígnio criador; pode até, em certa medida, destruir o ser criado, danificá-lo, enfeá-lo. O homem, em si mesmo e nos outros, pode destruir o humano."
Os Demiurgos em ação...
Alguns perseguem o esforço impossível e blasfemo. Alquimistas modernos, bioquímicos orgulhosos tentam sem descanso "fabricar em laboratório uma proteína dotada das propriedades elementares da vida". Além do fato de a vida não ser redutível a uma simples fórmula química, o êxito de sua empreitada nada resolveria e não eliminaria do Universo o Deus dos Cristãos.
Com efeito, confirma o agnóstico, mas honesto, Jean Rostand, "essa proteína de fabricação humana (não criada ex nihilo, mas fabricada pela utilização de materiais existentes) não (será jamais) dotada de potencialidades evolutivas... (nem) capaz de evolução ulterior."
Eles jamais abandonarão sua tentativa blasfema, pois, como cientistas ateus, materialistas, marxistas ou simplesmente inimigos jurados de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Igreja, construíram para si uma teoria... e ficaram bloqueados.
Recusam o único procedimento inteligente e honesto a seguir "para chegar a resolver o enigma da vida e o mistério vital: ... (enveredar) pelo terreno da metafísica, que é intermediário entre o da ciência e o da fé". Realizam, em suma, "o ato da burra que não quer mais andar".
Negam a existência de Deus por vontade política, ignorando voluntariamente os resultados da ciência moderna, que traz uma refutação de seus argumentos e até um desmentido total.
Para escravizar cada vez mais o Homem a seus instintos, a suas paixões, a sua imaginação — "essa imaginação, escreve Simone Weil, que trabalha continuamente para tapar todas as fissuras por onde passaria a Graça" —, propõem-lhe motivos coerentes para manifestar seu poder de dizer "Eu", de afirmar sua vontade de abandonar-se à gravidade.
Fiéis discípulos do Tentador, eles apresentarão e apresentam a "LEI MORAL", contida no real e discernível por todo homem de vontade reta, como extrínseca ao real e puramente sobrenatural, fruto do arbítrio de Deus... "que supostamente a teria fulminado do alto do monte Sinai como um sistema de interdições". Esses pensadores recusam um Deus criador bom, mas apresentam esse mesmo Deus como cheio de ódio por uma criatura surgida no universo independentemente d'Ele e que, por vingança, do alto de sua inacessibilidade, pronuncia sentenças aterradoras para impedir o homem de ser feliz vivendo como "bom selvagem", obediente às leis da Natureza.
A VIDA, artigo de consumo.
Um dos porta-vozes dessas velhas mentiras, um dos "pensadores" ouvidos deste século XX, é Pierre Simon, judeu asquenaze, ginecologista-obstetra, iniciado de altíssimo grau, pois foi, em duas ocasiões, Grão-Mestre da Grande Loja da França.
Ele explicitou a nova noção dada à palavra "Vida" em seu livro publicado em 1979, "De la vie avant toute chose" ("Da vida antes de qualquer coisa"). Escreve: "A vida, filha do Tempo", isto é, filha da matéria pensante, incriada e eterna, que... teria tido tempo... de criar a vida.
Resolvido o problema da Criação, escamoteado numa pirueta, ele não pode apagar os trabalhos dos pesquisadores, alguns dos quais são seus colegas, e continua: "... (a vida) está bem em harmonia com os dados de uma ciência que põe em primeiro plano, na física, na biologia e na sociologia, as noções de estrutura, de organização, de sistema, que fazem da forma uma realidade mais fundamental que a matéria..." (p. 160). Já em 1974, na FR3, ele havia precisado seu pensamento: "a vida não é um dom da Divindade, mas um elemento ao mesmo título que o ar, que a água, que o oxigênio."
Misturando a sociologia às outras ciências experimentais, ele deixa entrever as bases de sua teoria. "A forma" da vida torna-se a qualidade (o modo de viver), mensurável por cada um segundo critérios pessoais; a forma é mais importante que a própria vida... O elemento-vida, novo material, deverá ser gerido, organizado e até fabricado da melhor maneira, no interesse da única finalidade respeitável: "a utilidade social".
Que astúcia satânica! A forma já não é a alma, fonte da vida e das faculdades do corpo que ela anima. Fica reduzida à aparência, ao aspecto que dela percebem os outros, e só vale se suas relações com estes apresentarem, in fine, um saldo financeiro positivo.
O Grão-Mestre e seus adeptos não fazem mais que transpor, num estilo atual, as velhas ideias revolucionárias.
A Religião Católica "não é nem necessária à sociedade, nem fundamento para ela... Uma república de ateus é perfeitamente imaginável". Bayle — ancestral de mais de um polemista... — não deixa de notar que uma moral que não espera nem penas nem recompensas é superior àquela que, brandindo o inferno e o céu, expulsa o espírito de desinteresse. Haverá, portanto, uma nova moral..."
Mas, antes de defini-la, o laxismo total deverá ser a regra. O Sr. de Saint-Évremond (1614-1703) esclarece-lhe as perspectivas: "Aceitai de bom grado que os delicados chamem prazer àquilo que as pessoas rudes e grosseiras chamaram vício."
Neste ponto, é preciso voltar ao termo "sociologia". É a ciência nova, a da vida em sociedade. O inspirador desse "pensamento social", Vico, escrevera: "o mundo social é certamente obra dos homens", e Michelet retomava: "Vico foi o primeiro a mostrar o papel da Providência exercendo-se não nos quadros estreitos de uma religião, como em Bossuet, mas no sistema harmônico do mundo civil, no homem que se humaniza pela sociedade..." Daí o comentário: "o homem fabrica incessantemente sua terra e seu céu. Eis o mistério revelado."
"A nova noção da ordem natural faz das necessidades políticas a pedra angular das sociedades. Ontem pelos príncipes, amanhã pela vontade geral, será possível e louvável governar toda a vida."
A vontade geral exprime-se na maioria da Assembleia representativa do Povo deificado, que vota as leis.
É, portanto, o Estado que deve organizar a vida dos cidadãos, geri-la da melhor maneira no interesse da coletividade...
É o que afirmava Saint-Just em "Les Institutions Républicaines" ("As Instituições Republicanas"), ao fixar as grandes linhas da futura legislação: "Eis 'a civilização': a moral e a lei cívica obrigadas a confundir-se para engendrar uma lei inteiramente formal e exterior: as crianças e os homens 'pertencem' à República."
Não sendo mais a vida sagrada... tendo-se a vida tornado um aspecto, uma sensação... o poder ou seus representantes poderão emitir um juízo de valor sobre a vida de cada indivíduo. Não se trata de identificar, segundo a antiga moral, as pessoas que infringiram as leis... não, pois o pior dos "malfeitores" pode ser considerado feliz e, portanto, respeitável e protegido...
Mas o exame visará sobretudo aqueles que fisicamente destoam ou representam um "problema" para a sociedade ou para si mesmos. Serão submetidos a um exame de sua "qualidade de vida", seja por si mesmos, seja pelos outros — ou a uma avaliação de sua possibilidade de aceitação-inserção por seus próximos ou pela coletividade. Daí resultará a conservação ou a eliminação do "examinado".
Há mais de vinte e seis anos, o Dr. Pierre Simon é um dos mais ativos obreiros da revolução sexual, revolução dos costumes. É um dos mestres de pensamento dos dirigentes de nosso país. Desde 1958 no conselho de administração do M.F.P.F. (Movimento Francês para o Planejamento Familiar), conselheiro do ministro da Saúde P. Boulin, fundador do Clube dos Jacobinos em 1951 com Charles Hernu, à frente da Grande Loja de 1969 a 1975, conduziu com êxito a nação francesa pelo caminho da regressão humana.
Suas ideias presidem hoje à elaboração das novas legislações que autorizarão oficialmente todas as práticas clandestinas ou de vanguarda. Essas técnicas que fazem "entrar no futuro de costas", escrevia Paul Valéry, e que o honesto Jean Rostand já denunciava em 1961: "... não seria decente, não seria aceitável que amanhã se pusessem, nos laboratórios, a brincar com os embriões de Homo sapiens como brincamos agora com os das rãs, dos tritões e dos frangos."
A França chegou, nesse plano fundamental e em breve irreversível, à situação que Albert Camus previa em "L'Homme Révolté" ("O Homem Revoltado"): "Deus está morto... É preciso matar a moral dos princípios, onde ainda se encontra a lembrança de Deus... O impuro... vai tornar-se a regra, e a terra deserta será entregue à força nua, que decidirá ou não da divindade do homem... Será o Estado a única voz do Destino?"
A essa pergunta, o Estado nascido de 1789 e seus cúmplices sempre responderam sim, um sim interessado. Por um trabalho incansável, conseguiram fazer uma parte importante da população admitir seu domínio sobre a organização da vida nesta terra. "O Estado-Providência torna-se realidade; o Baal-Hammon dos tempos modernos estende cada vez mais seus poderes."
A FELICIDADE, novo direito do homem sem Deus.
Que entender por Felicidade?
Uma resposta cristã:
"Todos os homens querem ser felizes, dizia Pascal, mesmo aqueles que vão se enforcar." Gustave Thibon explicita: "A inclinação à felicidade é inerente à natureza, a ponto de a própria natureza se alterar se essa inclinação desaparecesse... O Homem tende para um fim a atingir. Se dele se desviasse, destruir-se-ia. Ele age sempre em vista de um fim a realizar, e é assim que se desenvolve plenamente. Essa felicidade é, pois, de fato, aquilo para o qual todos os homens tendem."
"Ela é feita de equilíbrio biológico, de trocas profundas com a natureza e com o próximo, de abertura à beleza, de consentimento a nosso destino e, sobretudo, do dom de si a uma obra escolhida, a seres amados, a Deus."
E a observação que o filósofo faz em seguida esclarecerá muito bem a sequência destas considerações: "Todos os homens felizes que conheço nunca se preocupam com sua própria felicidade; receberam-na por acréscimo, na esteira de sua ação e de sua dedicação: foi não a buscando que a encontraram."
Jean Daujat ("La Vie Spirituelle") precisa: "Se diversos fins atraem o Homem e constituem o motivo ordinário de suas ações — prazer, riquezas, honras, glória, amor, amizade, ciência, virtude etc.... —, alguns dos quais são bens amados por si mesmos... o fim último... é o Sumo Bem do Homem, no qual se encontram sua perfeição, sua verdadeira felicidade... é a felicidade imortal que é a posse de Deus."
A resposta revolucionária.
O homem, criado livre, pode voluntariamente desviar-se do Sumo Bem. O esquecimento e a recusa de seu fim último são intrínsecos à vida moderna atual. Gustave Thibon o constata e descobre-lhe o resultado:
"Há também essa necessidade desenfreada de prazer e de felicidade, exasperada pelos ideólogos e pelas publicidades que trabalham o mundo moderno. E, certamente, é natural desejar ser feliz. Mas o que é contra a natureza é considerar a felicidade como um direito absoluto, sem contrapartida de dever, de esforço, de amor e de sacrifícios ditados pelo amor...
"É precisamente isso que nos ensinam, proclamando aos quatro ventos o direito de todos a todas as satisfações possíveis: direito à abastança e ao conforto material, direito à saúde, à cultura, ao amor, à beleza, à volúpia...
"O que alimenta uma mentalidade reivindicativa, que se traduz simultaneamente pela busca de todas as vantagens econômicas e pela ruptura das barreiras morais que se opõem à sede de gozo."
O utilitarismo, regra de vida e de governo.
Neste ponto, o homem só se quer matéria e só é considerado sob esse aspecto.
"Ele não é mais que um sujeito dotado da faculdade de pensar e de sensibilidade", escrevia D. Karol Wojtyła, futuro Papa João Paulo II. Percebendo muito bem a gravidade da transformação, continuava: "A sensibilidade faz desejar o prazer e recusar a pena. A faculdade de pensar — a razão — foi-lhe dada para que dirija sua ação de maneira a assegurar-se o máximo de prazeres e o mínimo de pena."
O Utilitarismo impregna e dirige a sociedade moderna. No plano da pessoa, é o reino do egoísmo: "Cada pessoa é considerada pelas outras como instrumento e meio para a obtenção de satisfações diversas.
No plano do Estado, o princípio exige conceder o máximo de prazer e o mínimo de pena ao maior número."
A Hipocrisia e a Malignidade do Estado "Pôncio Pilatos"
Todas as leis relativas aos costumes, aplicadas até hoje, vão justamente nesse sentido. É sua primeira maneira de agir.
Mas o sistema no poder sabe muito bem que a felicidade é um bem estritamente pessoal, dependente da apreciação do interessado. Para dissimular a ilusão contida em sua promessa de dar a cada cidadão uma vida agradável, ele age igualmente de outra maneira, da qual extrairá uma justificativa para as leis futuras.
Da Infelicidade à revolta legalizada.
Com esse objetivo, seus cientistas e suas mídias, nota Gustave Thibon, pregam "que os impulsos do coração para as alturas espirituais se reduzem a um fenômeno químico cuja fórmula nos revelaria a origem inteiramente material..., que o desejo é uma armadilha, pois está programado no mundo invisível das células..., que não somos mais que uma quantidade desprezível de matéria lançada por acaso num mundo sem começo nem fim...
"A busca da Felicidade é fruto de uma ilusão assentada no instinto de conservação sublimado... O Homem não deve, portanto, buscar a Felicidade, mas enfrentar a Infelicidade; o único remédio para seus males será a grandeza com que lhe fizer frente."
A Verdadeira Infelicidade.
Esta só existe, escreve Simone Weil, "se o acontecimento que se apoderou de uma vida e a desenraizou a atinge, direta ou indiretamente, em todas as suas partes: social, psicológica, física. O fator social é essencial. Não há verdadeiramente infelicidade onde não há decadência social ou apreensão de tal decadência."
Com ela, os Cristãos reconhecem como símbolo da maior infelicidade possível aquela "paixão e morte como um criminoso de direito comum (que) levou Cristo a suplicar ser poupado, a buscar consolo junto aos homens, a julgar-se abandonado por Seu Pai."
A infelicidade utilitária.
Independentemente da dor e do sofrimento físicos ou orgânicos que, em certos casos, podem ser verdadeiramente a Infelicidade, a transformação das mentalidades, pelo trabalho dos grupos de pressão, faz a opinião pública englobar sob o rótulo "infelicidade" tudo o que é sentido como limitações, constrangimentos e contrariedades na satisfação dos apetites do "Eu".
Roger Garaudy, o homem da mão estendida, soube habilmente fazer avançar essa evolução e propor a luta contra a infelicidade a cristãos, muitas vezes do meio médico ou paramédico, que foram numerosos a engajar-se nela. Seduzidos ou não pela ideologia marxista, tomaram partido sentimentalmente, em nome da dignidade e da grandeza do homem, pela qualidade de vida, tão cara ao Dr. Simon. Deixaram assim julgar sua religião pela vida e, para agir, arrogaram-se o direito de excluí-la e de passar sem ela.
São agora considerados infelicidade e direito à revolta: o menor incômodo na obtenção do prazer físico com o parceiro de sua escolha; as múltiplas consequências do "turismo sexual"; toda oposição ao domínio absoluto da mulher sobre sua fecundidade; o envelhecimento sob todas as suas formas; a ausência congênita, ou a diminuição e o desaparecimento acidentais, patológicos ou mesmo naturais, de certas funções orgânicas, que acarretam um incômodo ou uma carência mais ou menos importantes, julgados insuportáveis pelo sujeito ou por outras pessoas, nas relações individuais ou sociais.
Esta lista, que se refere aos problemas da "Vida", não é exaustiva. Nas outras atividades humanas desenvolveu-se o mesmo frenesi de satisfação.
O biólogo Jacques Testart, de quem se voltará a falar, faz em seu livro "L'Œuf transparent" ("O Ovo transparente") a constatação realista e, portanto, desencantada e triste:
"Decididos em nós mesmos 'a tomar por feridas mortais nossas menores contrariedades...', estamos preparados para a produtividade cega de necessidades mesquinhas, em que o desejo se dilui, em que o sentido se perde, em que o ser se normaliza."
O Homo sapiens vai morrer, substituído pelo animal dócil, pudicamente chamado Homo bioeconomicus.
O Sistema, novo Pôncio Pilatos.
Assim o homem, a pretexto de Grandeza, de Dignidade, de Liberdade..., chegou a pronunciar o "non serviam" de Lúcifer.
Para a satisfação de seus desejos, ele se entrega totalmente à Ciência e às Técnicas, criadoras permanentes de suas novas cobiças.
Espera assim obter delas o progresso social definitivo: uma vida agradável, organizada pelo poder do começo ao fim, inclusive.
O sistema político, instigador e motor dessa evolução, não tem a coragem de assumir a responsabilidade pelas futuras decisões, pelas futuras leis que os indivíduos, subjugados pela Inovação, símbolo do Progresso, aceitaram de antemão...
O Comitê Consultivo Nacional de Ética.
A ideia desse areópago foi lançada em 18/9/1974, às vésperas da votação da lei Veil sobre a I.V.G. (interrupção voluntária da gravidez), por Valéry Giscard d'Estaing, diante de uma plateia de cientistas que "cogitavam" sobre a Biologia e o "devir" do homem. O Presidente emitira então o voto de que fosse em breve "instaurada uma moral da espécie... implicando para o homem novos deveres correspondentes aos novos poderes da Ciência."
Em 23 de fevereiro de 1983, o ministro da Pesquisa e da Indústria — este último termo, aplicado à vida humana, faz estremecer — criava o Comitê Nacional de Ética para as Ciências da Vida e da Saúde.
Sua missão
Ela nasceu, explica Michel Serres, do seguinte fenômeno: "os triunfos e as inquietações (da Ciência) emigraram pouco a pouco, há meio século, da Física para a Biologia. Tornada científica e experimental, ela intervém doravante poderosamente nos corpos. Não nos mortos... mas nos vivos e nos possíveis, para substituir-se cada vez mais a uma função natural e aleatória, num gesto longo de programação racional e de previsão."
Consequentemente, "nossa época requer uma meditação nova sobre a concorrência animal transposta tolamente para um saber que se quer ainda humano."
"É preciso escolher o que passará do possível ao atual. Esse gesto, que Leibniz (e os Cristãos) reservava a Deus, nós o temos feito há algum tempo e teremos ocasião, mais tarde, de fazê-lo em seu lugar."
O poder disse, portanto, aos "Sábios" por ele designados:
"Conhecendo todas as descobertas e as aplicações imediatas realizadas pelos pesquisadores nesse domínio, cujos progressos parecem trazer ao homem 'um seguro contra o acaso' e um remédio 'para seu estresse de insatisfação', cabe a vós dizer o que, hoje, pode ser oficialmente praticado, e mesmo legalizado, ou o que deve ainda ser deixado no domínio do possível. Decidireis em meu nome e por mim, representante designado do Homem-deificado, que, segundo o falecido Michel Baroin, Grão-Mestre do Grande Oriente, 'medida de todas as coisas, deve ser a finalidade de toda pesquisa e de toda ação, porque é o depositário da Liberdade e da Dignidade'."
Sua Composição
O Presidente, cooptado pelo Sistema, é o Professor Jean Bernard, antigo colaborador de J. Monod, Jacques Delors e J. Saint-Geours no grupo Horizon 85, do qual se falou anteriormente.
Ele dirige a reflexão de trinta e cinco outras personalidades: 15 cientistas do setor da Pesquisa, 15 pessoas ditas competentes, interessadas pelos problemas de ética, e 5 representantes das principais famílias filosóficas e espirituais.
Entre as pessoas interessadas pela ética, é preciso citar Léon Schwartzenberg, cancerologista no hospital de Villejuif e partidário ativo da legalização da Eutanásia;
Nicole Questiaux, ex-ministra da Solidariedade Nacional, ardente militante marxista, membro do comitê diretor do P.S. e do CERES;
Paul Milliez, professor especialista em hipertensão arterial. Este recusou-se a participar, para, diz ele, "conservar minha liberdade". Esse grande amigo do Pres. Jean Bernard, partidário, entre outras coisas, do aborto, confessa-se "afastado, em sua concepção da vida e da liberdade de cada um, das posições da Santa Sé" e pergunta-se: "ainda sou católico?"
A escolha dos representantes das cinco principais famílias... é uma manifestação sarcástica e orgulhosa do ateísmo ambiente. Os quatro mandatários de religiões monoteístas nem sequer são religiosos:
- Sr. Jean Gélamur, diretor do jornal "La Croix"
- Sra. Françoise Quéré, escritora protestante
- Sr. Henri Atlan, médico judeu
- Sr. Ahmed Somia, médico muçulmano.
A eles se amalgama o filósofo marxista do P.C. Francês, Sr. Lucien Sève.
O ministério de tutela não cogitou um instante sequer de fazer participar dos trabalhos os representantes das instâncias tradicionais oficiais: Academia de Ciências Morais e Políticas, Academia de Medicina e Ordem dos Médicos.
Seu Julgamento.
Essas personalidades muito diversas têm, a priori, um ponto em comum: recusar-se a qualquer referência a Deus Criador, ao Verdadeiro e ao Bem para o estabelecimento de seu julgamento.
Estudarão os problemas submetidos a suas reflexões em toda liberdade de consciência, como livres-pensadores.
Muito bem informadas, em sua grande maioria, sobre as recentes descobertas científicas, sobre as aplicações já realizadas e aceitas pela opinião, sobre as inovações em fase de desenvolvimento, deverão fazer a síntese de seus pensamentos e de seus sentimentos de modo sincero para, finalmente, dizer: "Isto é lícito e/ou aquilo deverá esperar." Com efeito, o "permitido", legalizado ou não hoje, jamais voltará a ser posto em questão amanhã. O Comitê concederá a mesma autorização a realizações técnicas derivadas das precedentes, mas que ainda exigem certa evolução dos costumes...!
Jacques Testart, mestre na matéria, confirma esse julgamento: "Um comitê, armado de uma grande rede ética, filtraria a areia de nossas secreções inventivas para isolar as mais belas feras do Progresso, aquelas que se poriam de imediato no motor dos desejos... É esquecer que os bichos mais estranhos... mesmo descartados, continuarão, por suas cópulas imprevisíveis, a ampliar o inventário do bestiário."
Por ora, o Comitê não pode ser outra coisa senão um fraco redutor de velocidade da utilização às claras das técnicas devoradoras da pessoa humana.
Suas interdições-recomendações platônicas deixarão os cientistas continuar seus trabalhos na sombra dos laboratórios.
Darão tempo a todas as organizações e a todos os políticos partidários ativos da criação humana racional para fazer "avançar" a mentalidade da boa gente, com o apoio amplificador das mídias.
Numa palavra, o Comitê não serve nem servirá para nada!
Tudo depende, infelizmente, do Poder. Conforme suas utilidades político-seletivas, o Estado dará força de lei a certas decisões do Comitê. Fará a Previdência Social ou o orçamento geral assumirem seu encargo financeiro e, quanto a algumas delas, as imporá à população.
Seus meios de coerção — neste mundo venal e gozador — baseiam-se sobretudo no dinheiro: a Previdência Social (cobertura... ou não) para cerca de 83% da população e pressões sobre as caixas dos Não Assalariados, por meio dos numerosos ministérios de tutela. Para o corpo médico dos hospitais, o pertencimento ao funcionalismo público será o argumento decisivo.
L.D.