# A gnose dos Românticos

Mostramos, em um estudo anterior (Etienne Couvert, *A Gnose contra a fé*, cap. IV), que **o movimento romântico do século XIX foi uma explosão formidável da Gnose em toda a Europa**. A Inglaterra também conheceu tal **literatura satânica e blasfema**. Eram apenas punhos levantados e estendidos em direção ao céu, vociferações ímpias, exageros verbais, imprecações furiosas, zombarias atrozes e furibundas...

Comecemos por **William Blake** (1757-1827). Já em 1793, em seu *Casamento do Céu e do Inferno*, ele restabelece o instinto da carne como expressão da energia vital. Ele vê no suposto pecado original o valor fundamental da vida. Ele afirma: «O homem não tem um corpo distinto de sua alma; a energia emana do corpo e não tem limites que não sejam nossos tabus cristãos, que decoramos com o nome de razão». A castidade é um crime contra a natureza.

Em seu poema intitulado "Jerusalém":

> *«Quando Satanás tensionou seu arco pela primeira vez, Ele libertou os homens do mito do pecado original Inventado por hipócritas moralizadores, pelos fracos que buscam dominar os fortes pela astúcia.»*

É toda a filosofia de Nietzsche.

Em seu poema: "O Evangelho Eterno", ele escreve:

> *«Tu és Homem, Deus não é mais. Aprende a adorar tua própria humanidade.»*

Blake frequentemente faz referência a Swedenborg. Para ele, os demônios são uma categoria de anjos que presidiam à energia e à imaginação. Jesus Cristo é seu inimigo declarado:

> *«A visão de Cristo que tu realmente vês é o maior inimigo da minha visão.»*

Ele continua a **denunciar os sacerdotes como inimigos de todos os homens**. A criação é uma sombra, uma ilusão, uma piada do Todo-Poderoso.

**Lord Byron** (1788-1824) compôs uma épica satanista. Satanás é um herói épico digno de admiração e um estado de alma a imitar. Com *Manfred* (1817), *Don Juan* (1818) e *Caim* (1818), Byron exerceu uma influência considerável sobre todo o movimento romântico.

Manfred é o desesperado que se deleita em sua própria maldição. Ele desafia Deus, ele desafia o Inferno, ele é seu próprio algoz. Ele não se acalma mesmo no momento supremo: «Não é a um ser como Tu que vou vender minha alma. Venha! Eu morrerei sozinho, como vivi. Eu vos desafio todos. Não sairei daqui enquanto me restar um sopro para expressar o meu desprezo por vocês.»

Em *Caim*, Lúcifer é o personagem central do poema. Ele se ergue contra Deus: «Deus venceu, que ele reine! Nós somos almas que ousam olhar o Todo-Poderoso de frente em sua eternidade e dizer-lhe que **o Mal, sua obra**, não é um Bem», e mais adiante: «Eu não tenho nada, não quero nada ter em comum com ele».

Caim era um personagem cético e desiludido, sofrendo pela estranha disparidade entre suas aspirações e sua condição humilhante, sempre em oposição ao **Criador, responsável pela injustiça que reina no mundo**.

> *«A serpente dizia a verdade. Ela era a árvore do Conhecimento. Ela era a Árvore da Vida. O conhecimento é bom, a vida também. Onde está então o Mal?»*

E para alinhar seus atos com suas palavras e pensamentos, Byron se tornou, na Itália, cúmplice dos revolucionários. Ele se afiliou aos **Carbonari**, onde ocupou cargos importantes. Ele apoiou seus afiliados em suas tentativas de revolta: «Nós vamos lutar um pouco no próximo mês, escreve ele. Se os Hunos (ou seja, os austríacos) não cruzarem o Pó e mesmo que cruzem, não posso dizer mais nada...» Em outra ocasião, ele triunfa:

> *«Estamos aqui à beira de um belo alvoroço. Eles cobriram os muros da cidade, esta noite, com inscrições deste tipo: Viva a República! Morte ao Papa!... A polícia passou a tarde toda à procura dos culpados, mas ainda não conseguiu colocá-los nas mãos dela. Eles devem ter trabalhado a noite toda, pois os "Viva a República" e os "Morte ao Papa e aos padres" são inúmeros e estão pregados em todos os palácios...»*

Tudo isso se passava em Ravena, mas o que ele não sabia é que a polícia austríaca o vigiava diariamente e seguia passo a passo seus gestos. À sua chegada a Pisa, se nota: "O célebre poeta, lord Byron, que, se não tivesse a reputação de ser um louco, mereceria que toda a polícia da Europa tivesse seus rastros, alugou o palácio...". A respeito de uma obra sobre Dante: "A obra não é certamente concebida em um espírito favorável ao nosso governo nem a qualquer governo italiano. Ela parece destinada a despertar os sentimentos hostis da população, que já são demasiadamente hostis. Byron faz de Dante seu porta-voz e o profeta das liberdades democráticas (Etienne Couvert, 'A verdade sobre Dante. Dante e a Gnose', na *Leitura e Tradição*, n°358, dezembro de 2006), como se essas liberdades devessem ser a salvação da Itália".

A influência de Lord Byron no romantismo francês foi considerável. Toda uma gestação satânica francesa é tirada dos poetas ingleses: *Eloa*, de Vigny, inicialmente intitulado *Satan*, a *Queda de um anjo* de Lamartine, e a *Fim de Satan* de Victor Hugo.

"A ti, Byron, cantor do inferno e do nada", exclama Jules Vavre. "Seu gênio condenava ao inferno sua lira divina", diz Vigny.

Lamartine, em sua *Meditação ao Homem*, dedicada a Byron, escreve:

> *"Tu, cujo verdadeiro nome o mundo ainda ignora Espírito misterioso, mortal, anjo ou demônio, quem quer que sejas, Byron, bom ou fatal gênio, Eu amo em teus concertos, a selvagem harmonia.*
> 
> Os gritos do desespero são os concertos mais doces. O mal é teu altar e o homem é a vítima.
> 
> Teu olhar, como Satã, mediu o abismo;
> 
> E tua alma, mergulhando longe da luz e de Deus, disseram à esperança um eterno adeus!"

Byron havia encontrado seu amigo Shelley, durante uma viagem à Suíça. Eles iniciaram conversas onde compartilhavam os mesmos sentimentos. Shelley ensinava uma gnose panteísta, uma espécie de êxtase divino, de louca embriaguez ao contato com o imenso universo, no qual ele não conseguia mais distinguir a causa do efeito nem entender se Deus estava na natureza ou se a natureza não era Deus em pessoa.

Shelley (1792-1822) havia sido estudante em Oxford, mas após ter escrito uma obra intitulada *Necessidade do Ateísmo*, ele foi expulso, em 1812, com apenas vinte anos. Morreu dez anos depois em um naufrágio.

O romancista Paul Bourget, em sua juventude, foi bastante atraído pela Inglaterra e sua literatura. Ele passou longos períodos lá. Mas, mais tarde, após reflexão cuidadosa, compreendeu tudo que essa literatura tinha de espúrio e perverso.

Aqui está como ele resume os poemas de Shelley:

> *"Na primeira página dos versos de Shelley, poderia-se escrever esta frase tão frequentemente citada do sutil Amiel: Uma paisagem é um estado de alma. A mágica suprema dessa imaginação é que, de fato, todos os objetos se espiritualizam para ela e se humanizam, mas essa espiritualidade não é o resultado nem de um simbolismo, nem de uma comparação. Shelley considera que há entre nossa alma e a natureza, não uma analogia, mas uma identidade. Um **pensamento difuso** se agita na menor partícula deste imenso universo e esse pensamento não é diferente do nosso pensamento. Uma sensibilidade obscura palpita no que chamamos as coisas e essa sensibilidade não difere da nossa senão pelo grau. Quando comparamos uma emoção de nosso coração a um aspecto do mundo visível, apenas reconhecemos a **unidade secreta** que liga umas às outras as diversas **manifestações da vida universal**."*
> 
> *"Após uma leitura prolongada dessa poesia, ocorre um deslocamento singular no pensamento. Deixa-se de perceber os homens e as coisas em seu caráter individual; é uma única alma que se revela, da qual todos os seres e todas as coisas traduzem a eterna aspiração. É um vasto **coração do universo** que se manifesta em presa a um desejo infinito que nunca conseguirá satisfazer. É esse doloroso, esse **imenso espírito** que é a realidade suprema e nós não somos, nós, mais que as **sombras** de um sonho nesta vida onde **tudo não passa de aparência**" ("onde nada é, mas todas as coisas parecem - e nós, as sombras do sonho").*

Nós destacamos, ao longo deste texto, todas as expressões mais clássicas da gnose panteísta.