# 4.3 - AS REDES DE INFLUÊNCIA DO MOVIMENTO TEOLÓGICO ANGLICANO RADICAL ORTHODOXY AO SERVIÇO DA "REFORMA DA REFORMA" DO PADRE RATZINGER

Citamos aqui o estudo "*L'AngliCampos*" da CSI-Diffusion\[26\], publicado em 5 de julho de 2005 e que disponibilizamos em nosso site. Os anexos citados no estudo da CSI-Diffusion encontram-se no documento "*L’Anglicampos*".

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**Início da citação da CSI-Diffusion**

#### 4.3.1 - O entrismo de Catherine Pickstock nos meios conservadores conciliares e *Ecclesia Dei*

Uma boa ilustração nos é fornecida pela promoção de **Catherine Pickstock** durante o colóquio de *Christi fideles* em 15 de maio de 1999 em Nova York. Organizado pela corrente *Ecclesia Dei* favorável ao rito tridentino, o Pai Mole, de 83 anos, apresenta **Catherine Pickstock** como a “**Catherine de Cambridge**” que poderia salvar o rito tradicional, assim como **Santa Catarina de Siena** restaurou a Papacidade em Roma. Em seguida, o **cardeal O’Connor**, presente no congresso, a apresenta em seu sermão na Catedral de São Patrício como a “**John Henry Newman** do nosso tempo”. Seu livro “Após ter escrito: a consumação litúrgica da liturgia” (1998) é apresentado como a defesa mais rigorosa e fiel do rito Romano em uma geração. (Ver Anexo F).

Então, ainda durante o mesmo congresso, o irmão **Perricone**, organizador de *Christi fideles*, anuncia o desejo do **cardeal O’Connor** de encontrar **Catherine Pickstock**, e também transmite a mensagem de que o **cardeal Ratzinger** queria encontrá-la e discutir sua tese na primeira oportunidade possível (Ver Anexo F).

Para **Catherine Pickstock**, os reformadores litúrgicos do Concílio Vaticano II “não apenas destruíram a beleza e o mistério e a importância teológica da Missa, mas também contribuíram para a destruição da civilização que a liturgia do Rito Romano havia construído”. Ao criticar os reformadores de 1969, que apenas “consideraram a Missa como um texto que necessitava de um bom editor”, ela afirma que a Missa é um “poema doxológico repleto de uma finalidade transcendente pela qual o homem luta com a realidade chocante da encarnação e do sacrifício”. Tal jargão modernista se tornou comum nos meios conciliares e traduz os avanços das influências gnósticas que cobriram os vestígios da cultura teológica católica precisa e rigorosa, que sempre foi a da Igreja até sua subversão e eclipses pela Igreja conciliar.

Embora critique os reformadores de 1969 e do NOM, **Catherine Pickstock** não defende o retorno ao antigo rito tridentino. De fato, segundo ela, “quando os neo-tradicionalistas hoje falam de restabelecer o antigo Rito Romano, devem compreender que o rito na cultura de hoje tomará uma forma diferente e terá um impacto diferente daquele que tinha quando era a norma.” (Ver Anexo F).

Trata-se, portanto, de uma reforma da reforma que foi o NOM e não de um restabelecimento do rito católico tridentino. Neste ponto, as declarações públicas de **Catherine Pickstock** em Nova York são idênticas às palavras que o cardeal **Ratzinger** proferiu a **Robert Moynihan** em 1995 em Roma, em seu escritório da Congregação para a Doutrina da Fé. Vale a pena notar que essa ideia de uma reforma que seria mais tradicional sem voltar à Tradição da Igreja também é desenvolvida em um plano mais geral, e não apenas litúrgico, pelo padre **Barthe** na edição 747 (14 de maio de 2005) de *Monde et Vie*, quando ele declara:

> *« Bento XVI está pronto para conceder a "liberdade" ou uma grande liberdade ao rito tridentino, desde que os tridentinos reconheçam a legitimidade do rito montiniano... Portanto, na minha opinião, os tradicionalistas devem responder substancialmente a Bento XVI: estamos prontos para celebrar um rito "paroquial" e até favorecê-lo ao máximo, desde que não se trate mais do rito reformado, mas de uma reforma do rito reformado, por exemplo, com o cânon romano, ofertório sacrificial e missa "de frente para Deus". Padre **Barthe***

Já na primavera de 2004, em um artigo da *Catholica* intitulado "Transição para uma saída", o padre **Barthe** delineava as grandes linhas da aplicação dessas teorias compartilhadas com **Catherine Pickstock**:

> *« Trata-se de se curar por etapas do espírito que presidiu à confecção da nova liturgia. Esse projeto de evolução do rito reformado em direção ao rito não reformado ganha, aliás, espaço nas mentes sob o tema da "reforma da reforma". Para aqueles que o mencionam, consistiria, como a expressão indica, em reformar o rito de Paulo VI com base na tradição litúrgica romana, ou seja, concretamente em direção ao rito de São Pio V, que permanece a referência obrigatória. »*
> 
> *« É necessário que a intenção perseguida, a "retraditionalização" do rito, qualifique positivamente as etapas que, consideradas em si mesmas, poderiam parecer marcadas por uma secularização excessiva. Essas etapas serão perfeitamente admissíveis para todos, em função do fim buscado, ou seja, o retorno a um rito que se torne lex orandi, profissão de fé cultual. Uma liturgia em processo de "traditionalização" já é uma liturgia tradicional. »*

Esse estado de espírito não é católico e essa fórmula anticatólica marcará época: « uma liturgia em processo de retraditionalização já é uma liturgia tradicional », diante desse Lego litúrgico desrespeitoso a Deus, **Dom Guéranger** deve estar se revirando em sua tumba!

Então, o padre **Barthe** continua em seu artigo a aplicação dos princípios de **Catherine Pickstock**:

> *« Em si, esse reconhecimento por parte dos responsáveis eclesiais, ou pelo menos essa parte dos responsáveis que qualificamos de "decepcionados com o Concílio"(...), poderia parecer inaceitável: na medida em que os contrários seriam admitidos em igualdade, isso pareceria ratificar o fato de que a Igreja está em um estado de ecumenismo. Na verdade, seria o caso se isso ocorresse, todas as coisas permanecendo como estão, em uma casa comum onde as propostas incompatíveis (...) teriam direito de existência e expressão por si mesmas. Mas precisamente a essência de todo processo de transição é ser um passe desejado para outro estado, neste caso, uma nova situação eclesial. » Padre **Barthe.***

Assim, os princípios da Radical Orthodoxy visam levar os católicos fiéis à Tradição a um lugar indefinido, mas que não seria, de forma alguma, um retorno à Tradição.

#### 4.3.2 - O eco da Radical Orthodoxy na França na revista *Catholica* (padre Barthe)

O padre **Barthe** e **Bernard Dumont** são, sem dúvida, os que mais divulgaram na França os autores e as ideias da *Radical Orthodoxy*. Reproduzimos aqui vários artigos publicados em sua revista *Catholica*.

(…)

Já aparecendo em destaque entre os rebeldes que tentaram subverter a FSSPX em Paris de agosto de 2004 até o fracasso do congresso dos rebeldes em 6 de fevereiro de 2005 na Mutualité, o padre **Barthe** desenvolveu toda uma rede de influência dentro dos círculos parisienses. Depois de ser afastado da FSSPX por sedevacantismo no início dos anos 80, o padre **Barthe** participou com **Bernard Dumont** da muito curiosa aventura do Instituto Cardinal Pie (ICP) (veja a dissertação de Anne Perrin intitulada “Autoridade e carisma”, dirigida por **Jean Bauberot** e defendida na presença de **Emile Poulat** em 1999). Parece que a partir dos anos 1998, ele se tornou o porta-voz das ideias ratzinguianas e da *Radical Orthodoxy* na França, ou seja, a “reforma da reforma”. Ele se proclamou *Una Cum* durante a recente eleição do padre **Ratzinger**, e foi imediatamente impulsionado para a cena nacional pelos 'Hors Série' do *Figaro* (**Michel de Jaeghere**) e *Monde et Vie* (**Olivier Pichon**). Vale ressaltar que **Michel de Jaeghere** acabou de assumir recentemente o controle da associação São Francisco de Sales, que administra todo um patrimônio imobiliário parisiense e dispõe de um montante financeiro apreciável.

Aqui estão alguns dos artigos de *Catholica* dedicados à Radical Orthodoxy:

- ‘Entrevista: liturgia e filosofia’ **Catherine Pickstock** (*Catholica* N°61 – outono de 1998)
- ‘Duas contribuições’ **Catherine Pickstock**, incluindo sua intervenção no congresso de *Christi Fideles* em 15 de maio de 1999 em Nova York (*Catholica* N°65 – outono de 1999) *(Anexo A)*
- ‘Programa de *Radical Orthodoxy*’ por **Russel R. Reno** (publicado em inglês pela *First Things* em fevereiro de 2000, e depois traduzido para o francês pela *Catholica* em janeiro de 2001 no N°70) *(Anexo C)*
- ‘*Radical Orthodoxy*’ **Jean-Paul Maisonneuve** (*Catholica* N°84 – verão de 2004) *(Anexo D)*

#### 4.3.3 - As edições *Ad Solem* de Grégory Solari, editor genebrico dos autores gnósticos (J. Borella) e dos autores anglicanos da High Church (C. Pickstock)

As edições *Ad Solem* publicaram obras que desenvolvem influências muito direcionadas. Primeiramente, notamos a presença de **Jean Borella** no catálogo. Denunciado por **Jean Vaquié** em um *Cahier Barruel* (A escola moderna do esoterismo cristão), **Jean Borella** é conhecido por ser um escritor gnóstico, adepto do sistema ternário e das diversas teorias próprias do esoterismo. O escândalo provocado em setembro de 2003 pela publicação de *« A palha e o sicômoro »* sob a pena do padre **Grégoire Celier**\[27\], (…) dentro da FSSPX, fez com que nossos leitores conhecessem a infiltração de **Jean Borella** no Instituto São Pio X, na época do padre **Lorans**. Foi necessária uma intervenção de **Mons. Lefebvre** para pôr fim a essa infiltração.

Entre os outros autores no catálogo da *Ad Solem* figura o Pai **Gitton**, com prefácio do cardeal **Ratzinger**. O Pai **Michel Gitton** dirigiu a revista *Résurrection*, onde se formaram os fundadores da edição francesa de *Communio*. Esta revista desenvolve o pensamento do teólogo alemão **Hans Urs von Balthazar**, apreciado por **Ratzinger** e também pelos defensores da *Radical Orthodoxy.* Entre eles está **Jean-Luc Marion**, filósofo francês que colabora com **John Milbank** em diversos trabalhos. Ele é próximo da *Radical Orthodoxy*.

*Ag Solem* publica também **Newman** e **Mestre Eckhart**, e, claro, os autores de *Radical Orthodoxy* (**Catherine Pickstock**,…). *Ad Solem* apresenta também em seu catálogo uma obra do dominicano **Aidan Nichols**, de Cambridge.

#### 4.3.4 - O eco da Radical Orthodoxy na França na revista *Kephas* (padre Bruno Le Pivain)

O padre **Bruno Le Pivain** edita a revista *Képhas*, que se propõe a ser uma revista intelectual de boa qualidade do meio *Ecclesia Dei*. Ele está associado a **Grégory Solari**.

**« Kephas – padre Bruno Le Pivain**

*Vocês também publicam muito sobre* *a liturgia. Pode-se* *notar, entre outros, a obra do Pai Aidan Nichols,* Liturgia e modernidade, *a versão francesa de* *L'esprit de la liturgie* *do Cardeal Ratzinger, que causou grande alvoroço, e recentemente este livro do Pai Gitton,* *Initiation à la liturgie romaine*, *mas também Pierre Gardeil e* *Olivier Thomas* *Venard, bem conhecidos dos leitores de* Kephas. Seria exagero imaginar o seu trabalho de editor, *mutatis mutandis*, *como uma « busca eucarística », expressão emprestada à obra de Catherine Pickstock sobre santo Tomás de Aquino e a eucaristia?*

**Grégory Solari**

*Dixit et facta sunt !* Que a palavra realize o que diz, que a palavra faça existir diante do leitor o que ele lê: este é, no fundo, o desejo secreto de todo editor, pelo menos o meu! No livro que você cita, Catherine Pickstock mostra admiravelmente como a linguagem, e portanto toda palavra, participa das palavras da consagração. Nas palavras de Cristo, a linguagem humana - e nela toda a cultura humana - se funde com o *Logos* divino e nos torna « co-celebrantes em todas as palavras que pronunciamos ».

Nesse aspecto, Pierre Gardeil e Olivier-Thomas Venard têm um lugar especial em nosso catálogo. Cada um, à sua maneira, procurou mostrar a dimensão « eucarística » da cultura. Pierre Gardeil ao visitar grandes obras literárias, teatrais ou cinematográficas em seus *Quinze regards sur le corps livré* e *Mon livre de lectures*. Olivier-Thomas Venard ao desvelar a poética da teologia de santo Tomás de Aquino, fazendo em três movimentos (que corresponderão a três dimensões - literária, filosófica, teológica - de seu livro) a prosa da Suma se entrelaçar ao eixo diáfano do *Adoro te devote*. Isso diz respeito ao aspecto « teórico », no sentido da *theoria* dos Padres.

Mas a eucaristia contemplada em suas extraordinárias implicações culturais (e até políticas no livro de William Cavanaugh, *Eucaristia e Globalização*) é também e antes de tudo aquela que é celebrada hoje na liturgia. E aqui, é necessário constatar que há uma discrepância, uma desnivelamento entre a *praxis* e a *theoria*. A linha litúrgica que você menciona tenta contribuir para a redução dessa discrepância na prática, sem opor rito contra rito, embora com David Jones e todos os artistas, poetas, escritores que fizeram uma súplica ao papa Paulo VI no Times de 6 de junho de 1971, acreditamos que a manutenção, ou a possibilidade, da celebração do rito dito « tradicional » nas grandes cidades ou grandes santuários da Igreja do Ocidente é a única maneira para a Europa não perder completamente sua memória, e assim a especificidade de sua cultura. Também espero que um dia o que o cardeal Ratzinger, entre outros, disse seja realizado... » (*Kephas* – fevereiro 2004) *(Anexo J)*

**Fim da citação de CSI-Diffusion**

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#### 4.3.5 - O Reverendo Chadwick elogia a Radical Orthodoxy

Em seu site, o representante do TAC na França faz um elogio contundente a este movimento teológico cambrígiano.

> *“A primeira coisa que vou compartilhar com os leitores é o resultado de algumas das coisas que andei lendo na Internet, particularmente* *[Radical Orthodoxy](http://en.wikipedia.org/wiki/Radical_orthodoxy)* *e o* *[Emerging Church](http://en.wikipedia.org/wiki/Emerging_Church)* *movimento.*
> 
> *Obviamente, as teorias bastante convolutas de Milbank e dos 'emerging churchers' levantarão sobrancelhas entre as pessoas leigas comuns! Nem tudo que essas pessoas dizem está certo, e estou ciente de que é perigoso se deixar guiar pela opinião ou ensino de uma única fonte ou pessoa.*
> 
> *O que é interessante na Radical Orthodoxy é que ela tenta contornar muitos dos erros que levaram à atual ruptura entre modernidade e tradição. Ao retroceder, encontramos muitos dos problemas atuais nas tendências medievais e anteriores em teologia e filosofia. Buscamos o que é saudável e duradouro, e construímos a partir disso para uso na missão entre nossos contemporâneos.*
> 
> *A Radical Orthodoxy pode ser percebida como um renascimento da teologia após o colapso do escolasticismo decadente, a Reforma e a Contra-Reforma. É uma abordagem abrangente da teologia, incluindo a contribuição da arte e da cultura. Mas, a Radical Orthodoxy é limitada por assumir as características de um sonho romântico. É o produto do academismo baseado na universidade e não da vida de uma Igreja, e assim corre o risco de se tornar uma nova 'escolástica' clerical (mesmo que a maioria de seus protagonistas sejam leigos). No entanto, é uma contribuição valiosa para nosso pensamento e compreensão da vida litúrgica onde ainda é autêntica. O Movimento de Oxford também começou como um movimento acadêmico, mas nunca esteve totalmente desvinculado da realidade pastoral.”* Reverendo Chadwick\[28\]

Bernard Dumont, o padre Barthe e o reverendo Chadwick se encontram assim na mesma linha teológica que fornece os fundamentos da "reforma da reforma".

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\[26\] [http://www.virgo-maria.org/Archives-CSI/2005/CSI-2005-07-05-AngliCampos.pdf](http://www.virgo-maria.org/Archives-CSI/2005/CSI-2005-07-05-AngliCampos.pdf)

\[27\] Autor, em novembro de 2003, sob o pseudônimo de Paul Sernine, de um panfleto, *A Palha e o Sicômoro*, tentando negar a existência da gnose ao longo dos séculos e seu papel atual em meios tradicionais, como havia enfatizado os *Cahiers Barruel* de Jean Vaquié, falecido em 1992.

\[28\] [http://perso.orange.fr/civitas.dei/theology.htm](http://perso.orange.fr/civitas.dei/theology.htm)